UOL Notícias Internacional
 

03/06/2006

Quem divide o dinheiro antiterror? Em grande parte é um segredo

The New York Times
Diane Cardwell e Al Baker

em Nova York
A comissão que orientou a distribuição de US$ 711 milhões em dinheiro para o combate ao terror, em um processo que levou a uma redução de 40% dos recursos destinados a Nova York, é uma participante obscura na guerra contra o terror, seu trabalho é mantido em segredo e seus membros são ocultados.

Um grupo de cerca de 100 autoridades de manutenção da lei e representantes de governo de todo o país, os chamados pares revisores que avaliam as propostas para o Departamento de Segurança Interna, fizeram votos de silêncio e assinaram acordos de que não revelariam o conteúdo de suas deliberações.

Falando sobre a redução dos recursos destinados a Nova York, o prefeito Michael R. Bloomberg atacou o processo na sexta-feira, dizendo aos ouvintes de seu programa de rádio semanal que ele se queixou com o secretário de Segurança Interna, Michael Chertoff, e que planeja combater o corte.

"Eu disse: 'Olha, você sabe que eu irei a público e lutarei o máximo que puder para mudar isto", disse Bloomberg.

Mesmo alguns membros da comissão ficaram frustrados com o processo de
avaliação, que envolve um sistema complexo e rígido para classificação de propostas altamente detalhadas, segundo um funcionário informado por um membro da comissão.

Funcionários da Segurança Interna disseram que para a criação da comissão neste ano, lhes foi pedido para que instituíssem um novo sistema de avaliação dos pedidos de ajuda que, pela primeira vez, envolveria pessoas de todo o país, tornando o julgamento imparcial.

Os membros da comissão passaram a trabalhar em março na Academia Nacional de Bombeiros em Emmitsburg, Maryland. A comissão avalia os pedidos de recursos para segurança doméstica, mas as decisões de fato sobre quanta ajuda será concedida, baseadas em parte nas conclusões da comissão, são tomadas pela Segurança Interna.

As autoridades prometeram proteger as identidades dos membros da comissão para impedir que sejam pressionados, apesar de serem livres para revelarem sua identidade, disse George W. Foresman, o subsecretário para preparação do Departamento de Segurança Interna. Até o momento, ele disse, apenas quatro concordaram em fazê-lo.

Foresman acrescentou que o sigilo em torno do trabalho deriva de
preocupações de segurança, como a não divulgação das vulnerabilidades de certos locais. Ele disse que o departamento buscou garantir que não houvesse "desincentivo para que a jurisdição local fosse honesta e franca sobre suas necessidades, onde estão suas falhas e o que estão tentando consertar e melhorar". Ele acrescentou: "Você não vai querer que seu médico saia falando sobre seus problemas, não é?"

Trabalhando em grupos de cinco a sete pessoas de regiões urbanas e rurais geograficamente diversas, os membros da comissão tiveram quase três semanas para classificar os pedidos. Eles analisaram as propostas e os documentos pertinentes e então classificaram os programas individualmente e os pedidos em geral em uma escala de 1 a 5, usando critério como "mostra propósito claro" e "descreve os resultados esperados".

Após os membros da comissão terem concluído tal trabalho, eles se reuniram em grupos com um consultor da Booz Allen Hamilton, que ajudou os grupos a chegarem a uma nota de consenso. Assim que as avaliações foram concluídas, os analistas do Departamento de Segurança Interna aprovaram os pedidos e determinou a valor dos recursos destinados.

Um dos revisores que concordaram em se identificar, o tenente Timothy N. Fisk, disse que eles julgaram a eficácia da propostas e se os orçamentos pareciam de acordo com as necessidades declaradas. Ele enfatizou que os membros da comissão apenas julgaram se o valor era apropriado para apoiar o programa em questão.

"Nós avaliamos os investimentos com base nas necessidades e na forma como eles apresentaram os projetos", disse Fisk, que é comandante da seção de Segurança Interna e Operações Táticas do Departamento de Polícia de Orlando, Flórida. "Nós não determinamos quanto dinheiro cada um receberia."

Segundo Fisk, o processo de revisão por pares representa apenas um terço da fórmula que determinou quanto dinheiro cada Estado e área urbana receberia. A balança foi o grau de risco determinado pelo Departamento de Segurança Interna.

Ao enfrentarem uma pressão política cada vez maior e problemas de relações públicas, as autoridades de Segurança Interna disseram que a maioria esmagadora dos participantes da comissão consideraram os resultados objetivos e geograficamente equilibrados. Mas alguns membros da comissão questionaram o equilíbrio, argumentando que as autoridades de segurança de localidades menores teriam dificuldade de julgar as necessidades de uma cidade tão grande quanto Nova York.

As autoridades apontaram para outro revisor que concordou em ser
identificado, Chris Geldart, o diretor assistente do escritório de segurança interna do governador de Maryland, como alguém com rica experiência de vida. Como um marine americano por 12 anos, ele serviu várias vezes no Oriente Médio e trabalhou em formas de proteger instalações do governo de possíveis ataques com armas de destruição em massa, disse um porta-voz do escritório de Maryland. Agora Geldart está envolvido na principal iniciativa de inteligência do Estado, e "vive e respira a alocação de recursos aqui", disse o porta-voz, James M. Pettit.

O comissário de polícia de Nova York, Raymond W. Kelly, disse que na
formação da comissão de revisão por pares, o Departamento de Segurança
Interna abdicou de sua responsabilidade de tomada de decisões orçamentárias com base em ameaças. Ele disse que o abandono do sistema de decisão baseado em inteligência real inevitavelmente prejudicaria Nova York, por alterar o foco de riscos reais para riscos potenciais.

As autoridades municipais também se queixaram de ter recebido sinais dúbios do departamento em sua batalha sobre como usar o dinheiro antiterrorismo.

A prefeitura de Bloomberg tem usado o dinheiro para pagar gastos contínuos, como a hora extra de policiais, enquanto o governo federal quer que os recursos apóiem salvaguardas semipermanentes como melhorias nos sistemas de comunicação, máscaras de gás melhores ou maior treinamento.

Mas as autoridades municipais têm argumentado que o gasto com hora extra e coisas semelhantes claramente reduz o risco de ataques terroristas. Elas dizem que táticas como estacionar carros de patrulha aos pés da Ponte do Brooklyn deveria ser considerado um uso legítimo dos dólares federais antiterrorismo, e acrescentaram que mostraram um compromisso em manter tal esforço.

Outros no governo municipal se queixaram de que o processo de decisão se tornou opaco e criticaram o anonimato dos membros da comissão.

"Eles fazem soar como 'The New England Journal of Medicine'", disse Paul J. Browne, o porta-voz chefe do Departamento de Polícia, "mas não temos a menor idéia de quem são estas pessoas". George El Khouri Andolfato

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