UOL Notícias Internacional
 

07/06/2006

Irã aberto a incentivos de negociação nuclear, com uma vantagem

The New York Times
Nazila Fathi e Elaine Sciolino

em Teerã, no Irã
O Irã na terça-feira (06/6) saudou uma série de incentivos internacionais para persuadir o país a congelar importantes atividades nucleares, mas ressaltou que havia questões que precisavam ser resolvidas antes de fechar qualquer acordo.

"Tivemos conversas construtivas", disse Ali Larijani, principal negociador nuclear do Irã, à televisão estatal depois de reunir-se com Javier Solana, diretor de política externa da União Européia. "As propostas contêm medidas positivas e também algumas ambigüidades que devem ser removidas."

Ele não elaborou sobre as ambigüidades. No entanto, autoridades que estão acompanhando as negociações em Teerã disseram que se centravam na insistência do país em continuar sua produção de urânio enriquecido, que pode ser usado para produzir eletricidade ou armas.

A oferta feita pelos EUA, Rússia, China, França, Reino Unido e Alemanha exige que o Irã congele suas atividades de enriquecimento de urânio e reprocessamento ou enfrente uma série de penalidades.

Larijani está querendo esclarecer os termos, o momento e a duração da suspensão, disseram autoridades sob condição de anonimato, pois não eram autorizadas a divulgar detalhes.

Claramente os dois lados apresentaram bom comportamento e estavam determinados a estimular a outra parte a voltar à mesa de negociação.
"Nenhum dos lados queria empurrar o outro até o limite hoje", disse uma autoridade iraniana. "Não houve verdadeira mudança de posição de nenhum dos lados, mas os dois ressaltaram seus pontos em comum e não seus pontos de conflito."

Solana, que foi acompanhado pelos diretores políticos dos ministérios de relações exteriores da França, Reino Unido, Alemanha e Rússia, também estava cuidadosamente otimista ao deixar a sede reluzente do Conselho de Segurança Nacional Supremo do Irã. "A proposta agora está na mesa", disse ele depois de viajar para a Alemanha, e acrescentou: "esperamos que as autoridades iranianas examinem todos os aspectos cuidadosamente, evitem uma reação apressada e reflitam depois."

O pacote, acordado em Viena na sexta-feira, inclui prêmios específicos ao Irã, como novos aviões comerciais e reatores nucleares de água leve, se suspender suas atividades de enriquecimento e reprocessamento enquanto o acordo é negociado, disseram as autoridades. No entanto, o documento não estabelece quanto tempo duraria essa suspensão.

Os EUA deram um peso crucial ao pacote oferecendo a retirada de certas sanções econômicas contra o Irã que têm mais de duas décadas e prometendo negociações diretas se o país concordar com o congelamento do enriquecimento.

Em Laredo, Texas, o presidente Bush também estava otimista e disse que as observações das autoridades iranianas pareciam "uma resposta positiva". Ele repetiu sua nova oferta dos EUA "sentarem-se numa mesa" com os iranianos, mas somente se "estiverem dispostos a suspender seu enriquecimento de forma verificável".

Várias semanas atrás, o governo americano rejeitou pedidos de outros poderes para que desse ao Irã garantias de segurança explícitas de que não interviria politicamente ou militarmente em seus assuntos internos, disseram autoridades envolvidas nas negociações. Os EUA não excluíram uma ação militar contra o Irã.

Em vez disso, ele se comprometeram a apenas apoiar a criação de um foro regional vago para discutir questões de preocupação mútua, disseram as autoridades.

O ministro de relações exteriores do Irã, Manouchehr Mottaki, também saudou a iniciativa e disse depois de encontro separado com Solana que as negociações tinham "promovido uma nova perspectiva", de acordo com a agência de notícias oficial do Irã Irna.

No entanto, o ministro disse que o programa de enriquecimento do Irã era somente para "pesquisa", sugerindo que deve ser permitido. "O importante nos incentivos é apoiar os direitos do Irã de pesquisa em tecnologia", disse ele. "Essa questão deve estar muito clara e sem ambigüidade nas negociações."

O Irã ainda está enriquecendo urânio em suas amplas instalações de Natanz. Solana disse aos iranianos que tinham apenas "semanas" para decidirem se aceitavam a oferta.

Entretanto, ele não descartou outra reunião ou até outra viagem ao Irã, disseram as autoridades.

Larijani indicou que o lado iraniano não está com pressa de decidir:
"Esperamos que, depois do estudo detalhado da proposta, tenhamos outra rodada de negociações para chegar a uma conclusão equilibrada e lógica."

Ainda assim, foi impressionante os dois lados terem falado das negociações em termos positivos. E em sua resposta breve, porém temperada, Larijani não repetiu a posição antiga do Irã de que nunca deixará o que considera seu direito soberano à energia nuclear, apesar de ter automaticamente rejeitado qualquer exigência de congelamento de suas atividades de enriquecimento do urânio.

A crise com o programa nuclear iraniano, que o país insiste ser para fins pacíficos, alcançou renovada urgência em abril, depois que o governo anunciou que tinha enriquecido urânio para os baixos níveis necessários para o uso como combustível em um reator nuclear. Mas o Irã encontrou dificuldades técnicas e fez pouco progresso desde então, o que deixa o país mais disposto a desacelerar o programa.

Depois do colapso de seu acordo de 2004 com o Irã para o congelamento das atividades nucleares, a França, a Alemanha e o Reino Unido anunciaram que estariam dispostos a voltar a discutir apenas se o país voltasse a suspender totalmente o enriquecimento de urânio em Natanz.

Os EUA estão exigindo que todas as atividades de enriquecimento sejam suspensas antes do início das negociações.

Portanto, não está claro o que exatamente constituiria as "negociações" e se os iranianos vão usar as conversas com Solana como uma forma de continuar suas atividades de enriquecimento enquanto pedem mais concessões.

O Irã ofereceu congelar os planos de enriquecimento de urânio de larga escala, o que provavelmente tecnicamente não seria capaz de desenvolver.
Isso foi tentado diversas vezes durante as negociações que começaram em 2003, no que as autoridades chamaram de projeto de "pesquisa", envolvendo um número limitado das máquinas de centrífuga rápida.

"O negócio é entrar em um diálogo", disse um alto diplomata europeu envolvido nas discussões. "Ambos os lados têm pré-requisitos para a conversa e temos que encontrar uma saída. Estamos pedindo a suspensão de todas as atividades de enriquecimento como precondição para negociações, e é exatamente o que disseram que não podem fazer." Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,97
    3,127
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    0,99
    64.389,02
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host