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08/06/2006

Motorola Q: telefone adorável; software medonho

The New York Times
David Pogue
No início, havia o yin e o yang, bênçãos e maldições, os dois lados de uma moeda. Agora há o Motorola Q.

Trata-se de um telefone celular altamente aguardado, e cujo lançamento foi adiado por longo tempo, dotado de um pequeno teclado que permite ao usuário teclar e-mails e mensagens de textos com os polegares. O Q oferece duas grandes vantagens em relação aos populares smartphones BlackBerry e Treo: preço e formato.

Este telefone Verizon Wireless custa US$ 200. Isto é a metade daquilo que o consumidor pagaria pelo Treo 700, e US$ 100 a menos do que pelo mais recente BlackBerry. Este é um bom negócio para os novos usuários da Verizon, com um desconto e um contrato de dois anos. Mesmo assim, ele reflete a intenção da Motorola de fazer do Q um sucesso para além da área metropolitana de trabalhadores de colarinho branco e do distrito financeiro (outras operadoras contarão com o Q no final do ano).

Quanto ao formato do Q, ficou claro que a Motorola aprendeu com o sucesso do seu telefone celular Razr: a alma do negócio é um aparelho fino. O Q consiste de um aparelho atraente e extremamente delgado. Com 1,1 centímetro de espessura, ele é mais fino do que um telefone Razr fechado, e do que um BlackBerry, e apenas cinco milímetros menos delgado do que o vídeo iPod.

Aliás, este desenho de hardware se constitui no lado da moeda que o usuário considerará como sendo o mais refulgente: o hardware do Q positivamente bate o de qualquer outro concorrente.

Nunca se viu uma tela tão espetacular. É um triunfo de brilho e clareza. A sua largura extra faz com que ela pareça ser bem mais espaçosa do que aquela do Treo 700P, apesar de ter uma resolução mais baixa (a resolução do Q é de 320 por 240 pixels).

Não se trata de uma tela de toque como a do Treo. Em vez disso, o usuário navega pelas opções on-screen usando um rotor lateral, como no BlackBerry. Isto não é necessariamente algo de ruim. O dispositivo permite ao usuário navegar pela maior parte das telas com apenas uma mão.

O teclado suavemente iluminado do Q é magnificamente desenhado e - para um teclado Munchkin - é generosamente espaçado. É claro que ele só é tão amplo e confortável porque o próprio Q é tão grande. Com 6,3 centímetros de comprimento, ele é um meio termo entre um Treo (5,8 centímetros) e um BlackBerry tradicional (7,4 centímetros). Manter este aparelho de pontas salientes de encontro à cabeça para fazer uma ligação não é algo de especialmente confortável. O usuário sente-se como se estivesse falando por meio de um pedaço de azulejo de banheiro.

Nas a câmera de 1,3 megapixels é tão boa que quem recebe as fotos pode não perceber que elas foram feitas com um telefone (o zoom digital, o brilhante "flash" de LED e o controle de equilíbrio de branco e brilho não atrapalham).

A vida da bateria é de quatro horas de conversa ininterrupta, ou oito dias em modo de espera. A qualidade das chamadas é excelente; os toques são altos, claros e variados. Os nano-alto-falantes na parte de trás do aparelho fazem justiça razoável aos arquivos MP3 do usuário (os excelentes fones de ouvido Bluetooth estéreo da Motorola permitem ao usuário dar início e interromper a música e até discar vocalmente o telefone sem tocar no aparelho, embora a qualidade do som não seja das melhores).

Os vídeos são deliciosamente nítidos nesta pequena tela - pelo menos depois que o usuário limpar a sujeira que se acumula facilmente sobre ela; desde o iPod uma telinha não ficava tão facilmente suja. Os 60 megabytes de memória livre significam que tão cedo o usuário não será capaz de baixar a trilogia "O Senhor dos Anéis", a menos que expanda a capacidade de armazenagem com cartões de memória Mini SD.

E talvez o mais agradável seja o fato de o Q se juntar ao grupo de poucos e orgulhosos telefones que utilizam a rede de telefonia celular de alta velocidade da Verizon. Ela é chamada de EV-DO pelos engenheiros, e de BroadbandAccess pela Verizon. Em 180 cidades grandes e nos seus subúrbios, esta tecnologia conecta o Q à Web com velocidades de download próximas àquelas de um modem por cabo. O BroadbandAccess não é algo barato. Um plano típico custa US$ 110 por mês por 1.350 minutos de conversa e acesso ilimitado à Internet de alta velocidade. Mas o sistema se constitui em uma fonte de alegria absoluta quando o usuário necessita de uma dose rápida do Mapquest para encontrar a sua rota, do Dilbert para passar o tempo ou do Google para colocar fim a uma discussão.

(Infelizmente, ao contrário do Treo 700P, o Q não é capaz de compartilhar a conexão de celular de alta velocidade com o laptop do usuário, de forma que este possa se conectar à Internet onde quer que esteja. E o Q tampouco é capaz de exibir os vídeos e shows de televisão que geralmente acompanham o serviço BroadbandAccess da Verizon).

Assim, de maneira geral, o hardware do Q é um sucesso estrondoso. E, agora, vamos ao software.

O telefone funciona com o sistema operacional Windows Mobile for Smartphones, da Microsoft. Este sistema parece ser muito bom e - esta é a sua grande vantagem - permite que se sincronize sem maiores esforços a agenda de endereços, o calendário e a lista de e-mails ao Microsoft Outlook do Windows instalado no computador pessoal do usuário.

Ele também é capaz de receber e-mails a cada 15 minutos - ou em tempo real, caso seja instalado o programa redirecionador de e-mail Windows da Verizon em um computador pessoal que fique ligado. As corporações podem estabelecer sistemas de e-mail similares.

Infelizmente, os elaboradores deste software devem acreditar que a cobrança é feita por hora de uso. Para se fazer qualquer coisa com este telefone são necessários mais passos do que os degraus do Empire State Building.

Exemplo um: Após o usuário tirar uma foto com a câmera, que opções ele desejaria que estivessem imediatamente disponíveis? Talvez, Gravar (Save), Enviar (Send) e Apagar (Delete)? Não neste telefone. Tais opções estão escondidas nos menus. Para o envio, por exemplo, são necessários mais quatro toques de tecla (no Treo é necessário apenas um).

Exemplo dois: e se você desejar editar um registro na sua agenda de endereços? Isso não será possível. Não dá para simplesmente marcar um nome, abrir o menu e escolher Editar (Edit). Não existe nenhum comando Editar. Em vez disso, a Microsoft deseja que o usuário abra primeiro o "cartão" da agenda de endereços e, a seguir, o menu. Número total de etapas: quatro (em se tratando do Treo: duas).

Exemplo 3 (e este é realmente irritante): o Q vem com cerca de 25 programas pré-instalados. Tarefas (Tasks), Notas de Voz (Voice Notes), Internet Explorer, Paciência (Solitaire) e assim por diante. O usuário os acessa apertando um botão denominado Iniciar (Start), um refrão no familiar menu do Windows.

Mas isso se estivéssemos realmente falando de um menu! Em vez disso, o que vemos são ícones enormes. Bastam seis deles para preencher a tela simultaneamente (três colunas e duas linhas). Se você quiser acessar um programa na última linha, terá que dar sete toques, fazendo uma pausa após cada um deles para garantir que não ultrapassou nenhum, pressionando a tecla com a seta que aponta para baixo (ou movimentando o rotor).

Por que não há uma opção para visualização de lista? Ou, melhor ainda, por que o usuário não pode digitar a primeira letra do programa desejado, como no Treo? No Q, o teclado alfabético inteiro é desperdiçado.

Exemplo 4: Para remarcar um encontro, o usuário sai das opções Semana ou Mês (nas quais só aparecem blocos cinzas), procura o nome do encontro na lista, pressiona a tecla "Enter", pressiona Editar, vai até a caixa de Horário do Início, modifica o teclado para o modo numérico, digita um número, clica Terminado (Done) (no Treo, é necessário apenas arrastar o encontro para uma nova caixa de horário).

Exemplos 5, 6, 7: O telefone Q não coloca automaticamente em maiúsculas os nomes que o usuário insere no livro de endereços, não autoformata números de telefone com parênteses ou hífens, nem insere apóstrofos em palavras inglesas como "cant" (can't), "dont" (don't) e Im (I'm). Por que a Motorola e a Microsoft ignoraram deliberadamente a sabedoria acumulada dos rivais?

Porém, se você estiver indeciso entre o Q, o Treo e o BlackBerry, eis aqui a maior diferença de software: o Q é apenas um instrumento de visualização, e não um verdadeiro palmtop. Ele é capaz de abrir documentos em Word, Powerpoint e Excel, mas não pode criá-los ou editá-los.

Na verdade, por mais estranho que isso possa parecer, o Q sequer oferece os comandos "Copy" e "Paste" (Copiar e Colar). Não é possível capturar um parágrafo de uma página da Web e enviá-lo por e-mail a alguém, como se faz no Treo ou no BlackBerry.

Talvez a Motorola tenha achado que a ausência de tais recursos ajudaria a fazer do Q uma espécie de BlackBerry para as massas. Mas os cidadãos normais também são gente. Por que fazer com que percam tempo?

Uns poucos toques agradáveis de eficiência aqui e ali fazem com que o usuário se empolgue. As letras solitárias são sublinhadas nos menus, como nos programas do Windows. Pode-se ativar um comando ao apertar uma tecla. A discagem vocal funciona bem, assim como o recurso que possibilita que as palavras sejam autocompletadas enquanto são digitadas. E a tecla exclusiva "Back" (Retornar) garante que o usuário jamais se perderá no software.

Porém, de maneira geral, existe uma lacuna considerável entre a superioridade do hardware da Q e as limitações do seu software. Você está disposto a saltar nesta viagem de toques de teclas em troca de um preço de US$ 200 e uma aparência maravilhosa? Isso depende do quanto você aprecie as facas de dois gumes, os passeios em montanhas-russas e as nuvens sombrias com bordas prateadas. Danilo Fonseca

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