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09/06/2006

O Prêmio Tony se aproxima e deve fazer muita "história"

The New York Times
Campbell Robertson

em Nova York
Dizer que a noite do Prêmio Tony é essencialmente uma festa elaborada de final de temporada não é fazer pouco dela. Após esta temporada, os atores da Broadway têm toda razão de celebrar.

A indústria fez negócios estelares, vendendo muitos ingressos, até para peças sérias como "The History Boys" e "Faith Healer".

Apesar da apresentação do Tony na CBS no domingo à noite atrair centenas de milhares de telespectadores (mencionamos que Oprah Winfrey e Julia Roberts estão entre as apresentadoras?), isso não quer dizer que os espetáculos que ficarem de fora das festividades estarão com os dias contados. Os dois títulos mais quentes deste ano "The Odd Couple" e "Three Days of Rain" (veículos de Nathan Lane, Mattew Broderick e Roberts) ficaram de fora das nomeações. As bruxas "Wicked" de Gershwin, que perderam o Tony de melhor musical em 2004, arrecadaram quase US$ 70 milhões (em torno de R$ 150 milhões) em bilheteria, tornando-se o espetáculo mais vendido desta temporada.

Ainda assim todo mundo gosta de prêmios. Apesar do cinismo que praticamente pavimenta Broadway, a cerimônia de Tony é também uma chance para os artistas levarem para casa um reconhecimento de seu talento e trabalho duro. Para investidores da Broadway, é uma chance de justificar seu interesse por um dos investimentos mais arriscados, fazendo o caminho da vitória até o palco do Radio City Music Hall. E para espetáculos com pouca propaganda, como "The Drowsy Chaperone", é uma chance de serem vistos.

É por isso que os sete números musicais, um para cada nomeação na categoria, são parte importante da cerimônia. O Prêmio Tony, administrado pela Liga de Teatros e Produtores Americanos e pelo grupo de caridade American Theater Wing, é afinal, a melhor oportunidade de marketing do ano. Muitos espectadores serão influenciados por um número musical bem encenado, um programa contagiante daquele que terminar agradecendo as pessoas no púlpito.

O que nos traz a quem estará agradecendo as pessoas. O que segue é uma previsão ligeiramente educada, como não há nenhuma empreitada mais nobre do que tentar adivinhar os gostos, motivos e manias dos 763 votantes do Tony espalhados pelo país.

A previsão baseia-se em uma pesquisa entre 16 desses e um apanhado de outros profissionais da indústria, que falaram em condição de anonimato para que pudessem voltar a trabalhar nesta cidade.

Primeiro, as escolhas fáceis.

As categorias de melhor peça e melhor remontagem parecem tão cheias de suspense quanto um ovo de três minutos: "History Boys", de Alan Bennett, e a remontagem de "Awake and Sing!" de Clifford Odets, disseram os entrevistados, são apostas seguras. Os diretores dessas duas peças, Nicholas Hytner e Bartlett Sher, são os principais concorrentes da categoria; Hytner vencerá com facilidade.

De fato, é tão provável que "The History Boys" domine a noite que não seria surpreendente se a peça de alguma forma vencesse o prêmio de melhor teatro regional, apesar de o vencedor já ter sido anunciado.

Richard Griffiths, que faz Hector, o professor rotundo que cita poesias em "The History Boys", deveria ter seu discurso de aceitação pronto, disseram nossos votantes, vencendo astros como Ralph Fiennes em "Faith Healer" e Oliver Platt em "Shining City".

Frances de la Tour, a única mulher entre todos esses rapazes, deve receber o prêmio de melhor atriz coadjuvante, apesar de ter alguma competição de Jayne Houdyshell ("Well") que fez um das atuações mais elogiadas da temporada. O problema aqui é, quantos dos que estão votando de fato a viram? "Well"
terminou no início de maio depois de 23 pré-estréias e 53 apresentações.

(Tyune Daly em "Rabbit Hole" e Zoe Wanamaker em "Awake and Sing!", duas outras nomeadas, também receberam boas críticas mas foram em certa medida camufladas pelos outros conjuntos).

Assim como a categoria de atriz coadjuvante, a de ator coadjuvante tem um favorito e um azarão. Samuel Barnett, de "The History Boys", é o favorito, disseram os entrevistados. Mas Ian McDiarmid de "Faith Healer" recebeu críticas brilhantes e é a maior chance de premiação para a peça.

Quanto à melhor atriz, ninguém de "The History Boys" seria possível, então Cynthia Nixon provavelmente vai vencer por seu retrato de uma mãe em sofrimento em "Rabbit Hole", superando estrelas veteranas do teatro como Kate Burton e Lynn Redgrave (ambas em "The Constant Wife"), assim como Lisa Kron ("Well") e Judy Kaye ("Souvenir"). Qual é a sua vantagem? "Rabbit Hole" fechou as portas em abril, enquanto "Souvenir" fechou em janeiro; já "The Constant Wife", lá atrás nas brumas do verão passado.

Também há favoritos nas categorias de musicais. Jim Dale, com 70 anos, provavelmente vai vencer o prêmio de ator coadjuvante de musical por seu papel de vaudeville em "The Threepenny Opera".

A melhor direção está perto de um consenso, com John Doyle por suas imagens fortes em "Sweeney Todd". Uma de suas competidoras, Kathleen Marshall ("The Pajama Game") deve ganhar um prêmio pela coreografia do espetáculo, disse nosso conselho.

O trabalho desses dois diretores -um interpretando radicalmente um mistério canibal e outra se mantendo verdadeira a um musical alegre dos anos 50- não poderia criar uma escolha mais contrastante para melhor remontagem de musical.

"Sweeney Todd", certo? Um épico, o "Hamlet" dos musicais, interpretado com ousadia. É claro, algumas vezes as pessoas dizem em público que gostam de "Hamlet", mas secretamente preferem Archie Comics. Ao menos esse foi o caso com vários dos votantes pesquisados, que disseram: "Acho que 'Sweeney' vai vencer, mas votei em"... Possivelmente. Então não diga que não foi advertido se o apresentador anunciar: "The Pajama Game".

A categoria de melhor ator em musical é facilmente uma das mais competitivas. A princípio, vários dos entrevistados disseram que o soldado trabalhador da Broadway, Michael Cerveris, de "Sweeney Todd", estava lutando com o novato de grande nome, Harry Connick Jr., de "The Pajama Game". Mas nas últimas semanas, John Lloyd Young, que faz -ou canta -Frankie Valli em "Jersey Boys", fez uma campanha de marketing profissional experiente.

E mais, Young, um neófito na Broadway que quase não conseguiu o papel, vem com uma história -"nasce um astro, esse tipo de coisa", disse um dos votantes. (Bob Martin em "The Drowsy Chaperone" não canta, o que seria uma desvantagem na categoria musical, e Stephen Lynch, em "The Wedding Singer", para falar francamente, não está na disputa.)

A categoria de atriz coadjuvante também está disputada. Apesar de muitos dos entrevistados disseram que Beth Leavel ("The Drousy Chaperone") ia vencer, vários disseram que poderia ser uma oportunidade de premiação para "The Color Purple". Duas atrizes do espetáculo estão nessa categoria, mas a que se deve observar é Felicia P. Fields, cujo personagem, Sofia, foi interpretada no filme "Color Purple" por um dos produtores musicais.

"Afinal, ela é Oprah", disse um votante.

"Drowsy" deve ganhar pelo projeto cênico e figurino (que são conferidos antes da apresentação) e Natasha Katz tem uma chance de levar o único Tony da noite de "Tarzan" pela iluminação.

"Awake and Sing!" e "History Boys" também devem abocanhar os prêmios técnicos de peças, apesar do projeto cênico de John Lee Beatty, cujo "Rabbit Hole" que roda provocou oohs e aahs, oferecer forte competição, assim como Catherine Zuber por seus figurinos de répteis para "Edward Albee's Seascape".

"Quero dizer, são lagartos", disse um produtor.

A categoria de atriz principal em musical oferece um exemplo perfeito da lógica bizarra da Broadway. Patti LuPone ("Sweeeney Todd") merece porque, como disse um produtor, "ela reinventou o papel". Por outro lado, disse outro, ela simplesmente reinventou um papel, e por isso o prêmio deve ir para LaChanze ("The Color Purple"), que criou o papel de Celie.

LuPone é a favorita, mas esta é a principal chance de "The Color Purple"
levar algo para casa. Chita Rivera em seu próprio espetáculo, Kelli O'Hara ("Pajama") e Sutton Foster ("Drowsy") provavelmente ficarão sem nada.

Agora o grande prêmio.

"The Wedding Singer" e "The Color Purple" não são candidatos particularmente fortes a melhor musical, apesar de alguns dos juizes mais matemáticos terem sugerido que "The Color Purple" pode se beneficiar de uma divisão no topo da cédula.

A disputa está entre "Jersey Boys" e "The Drowsy Chaperone" e tem sido complicada. Primeiro, "Jersey Boys" cantavam sozinhos -certo, era um musical de jukebox, uma agradável apresentação.

Aí veio "The Drowsy Chaperone", criou nostalgia dos freqüentadores da Broadway e subitamente houve um contragolpe -claro, "Jersey" era um musical agradável, mas era um musical de jukebox. Então, um espetáculo que agradou tornou-se um espetáculo que as pessoas objetaram por princípio.

Mas, como um relógio, veio o contragolpe do contragolpe. E então o contragolpe do contragolpe do -bem, o resultado depende de onde o ciclo estará às 18h da sexta-feira, quando os votos devem ser entregues.

Provavelmente vai estar assim: "Drowsy" leva de melhor livro e música e "Jersey Boys" leva o melhor prêmio.

Isso pode mudar. Mas o resultado mais provável é que os dois venderão muito mais ingressos. Deborah Weinberg

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