UOL Notícias Internacional
 

10/06/2006

Hamas declara que retomará ataques a Israel

The New York Times
Steven Erlanger
Em Jerusalém
O Hamas, o movimento político palestino atualmente no poder, declarou na sexta-feira (9/6) que retomará seus ataques contra Israel após as mortes de pelo menos sete civis palestinos em uma praia lotada em Gaza, devido a um projétil de artilharia israelense aparentemente desgovernado.

O Hamas vinha oficialmente cumprindo um intermitente cessar-fogo de 16 meses, mas a morte de uma família de cinco pessoas e duas mulheres em um piquenique de praia, na sexta-feira, levou à mudança anunciada em um panfleto e confirmada pelo porta-voz do governo palestino.

Oficiais militares israelenses expressaram pesar pelo "ataque a inocentes", dizendo que foi acidental e que os disparos estavam apontados para um alvo a 350 metros de distância, que servia como base de lançamento para dezenas de foguetes rudimentares disparados pelos palestinos contra as cidades no sul de Israel.

Os oficiais ordenaram a interrupção dos disparos de artilharia israelenses na área e ofereceram ajuda a cerca de 30 outros palestinos que ficaram feridos.

A reação palestina foi de fúria, com as mortes colocando a facção de governo do Hamas em uma posição política delicada, aparentemente incapaz de proteger os palestinos comuns ou lhes pagar, dada a suspensão da ajuda financeira de Israel e do Ocidente à Autoridade Palestina controlada pelo Hamas.

"Os massacres israelenses representam o início de uma batalha aberta, o que significa que o terremoto nas cidades sionistas será retomado", disse a declaração do Hamas. "Nós responderemos no local e momento apropriado."

Ghazi Hamad, o porta-voz do governo do Hamas, confirmou a declaração.

"Eles mataram civis inocentes que estavam se divertindo na praia e não tinham nada a ver com assuntos militares", ele disse em uma entrevista por telefone. "Assim acredito que nós palestinos, incluindo o Hamas, temos o direito de responder e nos defendermos."

O momento e extensão dos ataques permanecem incertos, mas a reação provavelmente será um ataque a civis israelenses, presumivelmente por meio de atentados a bomba suicidas. Ao ser perguntado sobre se a declaração representava o fim do cessar-fogo e uma retomada da guerra aberta com Israel, Hamad respondeu: "Que tipo de guerra podemos declarar contra Israel e seu exército?"

Na sexta-feira, Israel também disparou mísseis contra dois carros pertencentes a palestinos, que disse terem disparado foguetes contra Israel, matando outros três palestinos, dois irmãos e um primo, que eram membros dos Comitês de Resistência Popular, e ferindo outros três, que eram membros da Jihad Islâmica, no segundo carro.

A família Ghaliya, Ali; sua esposa, Raisa; e três filhos, com 1, 3 e 10 anos de idade, estavam fazendo um piquenique em uma praia no norte de Gaza durante uma quente tarde de sexta-feira. Todos morreram devido ao ataque. Israel matou 14 palestinos, metade deles militantes, em Gaza nas últimas 24 horas.

Pelo menos cinco foguetes Qassam foram disparados por palestinos contra Israel na sexta-feira, mas nenhum israelense foi ferido. Cerca de 30 foguetes Qassam foram disparados nesta semana, disse o exército israelense. Alguns dos foguetes seriam uma resposta ao bombardeio pela força aérea israelense a um campo de treinamento palestino por volta da meia-noite de quinta-feira, que matou um alto comandante palestino e funcionário do Ministério do Interior do Hamas, Jamal Abu Samhadana, e três outros.

O presidente palestino, Mahmoud Abbas, condenou Israel pelo que chamou de "massacre sangrento" na Faixa de Gaza.

O comandante israelense para o sul, o general Aviv Kochavi, disse em uma entrevista por telefone que seus soldados realizaram quatro disparos de artilharia na direção de uma área a 350 metros terra adentro a partir da praia, "freqüentemente usada para disparar foguetes Qassam na direção de Ashkelon", no início da manhã, e outros seis disparos no final da tarde. Três dos seis caíram ao norte do alvo, ele disse, e "o acidente ocorreu ao sul do alvo, de forma que estamos tentando descobrir se um de nossos projéteis caiu no local errado ou se um projétil defeituoso", disparado anteriormente, explodiu na praia.

Dezenas de milhares de palestinos estiveram presentes nos funerais de Samhadana e seus colegas em Rafah, na sexta-feira. Eles encheram um estádio como uma mesquita improvisada e pediram por vingança contra Israel no contínuo ciclo de violência, que está transcorrendo em meio a um confronto político entre o militante Hamas, que dirige a Autoridade Palestina, e o Fatah de Abbas, que deverá anunciar no sábado um referendo, em 31 de julho, sobre um programa político e a solução de dois Estados com Israel, à qual o Hamas se opõe.

Na sexta-feira, o Hamas fez outro apelo a Abbas para cancelar o referendo proposto, enquanto um alto membro da Al Qaeda, em uma fita de vídeo, pedia aos palestinos para votarem contra Abbas em qualquer um destes referendos.

O primeiro-ministro palestino, Ismail Haniya, do Hamas, pediu a Abbas para recuar pelo bem da unidade palestina e pela continuidade do diálogo político, em vez de baseado em um documento produzido por prisioneiros que pedem por um governo de unidade nacional, mas são contrários a elementos centrais do Hamas.

O líder da Al Qaeda Ayman Al Zawahiri, o vice de Osama Bin Laden, pediu aos palestinos para rejeitarem uma plataforma política que reconhece implicitamente Israel ao lado de um Estado palestino dentro das fronteiras pré-1967. "Eu peço que rejeitem qualquer referendo palestino porque a Palestina pertence ao mundo muçulmano", disse Zawahiri no vídeo exibido na sexta-feira pela TV Al Jazeera. "A Palestina não é negociável ou está à venda."

Zawahiri também criticou a proposta árabe de 2002, que oferecia paz a Israel caso recuasse completamente para as fronteiras pré-1967, que Israel rejeitou. Ele a chamou de "iniciativa de capitulação árabe". E atacou os governos árabes por não desafiarem os Estados Unidos e apoiarem o Hamas e os palestinos diante de um cerco econômico, imposto ao Hamas por não reconhecer Israel, rejeitar a violência e aceitar acordos anteriores.

"Eles não têm coragem até mesmo em atender as necessidades dos palestinos por um mês", disse Zawahiri, que insistiu que "as ordens" vieram dos Estados Unidos "aos seus agentes para que fizessem os palestinos passar fome e isolá-los".

Haniya, o primeiro-ministro do Hamas, disse a Abbas em uma carta: "A idéia do referendo atualmente na mesa traz muitos riscos. Eu temo que causará um racha histórico que prejudicará a causa palestina por muitas décadas". Ele repetiu a afirmação do Hamas de que o presidente não tem autoridade para convocar um referendo e que ele deixará de fora palestinos que vivem fora dos territórios, dizendo que tal voto "não tem base legal ou constitucional".

Ele disse que a morte de Samhadana, 43 anos, que dirigia os Comitês de Resistência Popular e que tinha sido nomeado pelo Hamas como chefe de segurança, criou um clima perigoso que exige unidade palestina, não divisão.

Mas Abbas parece determinado a marcar uma data para a votação, apesar de seus assessores terem dito que as discussões com o Hamas prosseguirão e que isto pode significar que a votação não aconteça.

Abbas está ansioso para reafirmar o primazia da Organização pela Libertação da Palestina, que ele lidera, e fazer o Hamas aceitar a solução de dois Estados, que implicitamente reconhece Israel, na esperança de que assim o Ocidente retomará a ajuda financeira aos palestinos. Abbas então teria mais justificativas para pedir a Israel a retomada das negociações de paz com ele.

Em seu vídeo, Zawahiri também criticou o governo sudanês, que está planejando negociações com a ONU e com a União Africana para aceitação de uma força de paz na região de Darfur.

Zawahiri, um egípcio, elogiou Abu Musab Al Zarqawi, o líder da Al Qaeda na Mesopotâmia, como "um herói do Islã", mas não fez referência à sua morte por forças americanas, indicando que a gravação foi feita antes do fato. O grupo vinha oficialmente cumprindo um intermitente cessar-fogo de 16 meses, mas a morte de uma família de cinco pessoas e duas mulheres em um piquenique de praia, na sexta-feira, levou à mudança anunciada em um panfleto e confirmada pelo porta-voz do governo palestino George El Khouri Andolfato

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