UOL Notícias Internacional
 

10/06/2006

Zarqawi sobreviveu brevemente ao bombardeio aéreo

The New York Times
Dexter Filkins
Em Bagdá, no Iraque
Abu Musab Al Zarqawi, líder terrorista jordaniano morto em um bombardeio aéreo na quarta-feira (08/06), sobreviveu inicialmente às explosões. Ele morreu dos ferimentos quando já estava sob custódia, disseram autoridades americanas na sexta-feira.

As duas bombas de 220 kg jogadas na casa onde estava Al Zarqawi mataram cinco outras pessoas instantaneamente, disseram os militares americanos.

Quando a polícia iraquiana entrou nas ruínas, encontrou Al Zarqawi ainda vivo, apesar de gravemente ferido e coberto de sangue. Os iraquianos colocaram-no em uma maca e levaram-no para o lado, disse o porta-voz general William Caldwell.

Soldados americanos chegaram pouco depois e rapidamente identificaram o terrorista mais caçado do Iraque por algumas de suas cicatrizes e tatuagens, disse Caldwell.

"Zarqawi de fato sobreviveu ao atentado", disse Caldwell em uma conferência com a imprensa em Bagdá. "Ele tentou sair da maca. Eles -todos- o seguraram, mas ele morreu quase imediatamente por ferimentos decorrentes da explosão."

Caldwell disse que os soldados americanos "buscaram fornecer cuidado médico" para Al Zarqawi, mas era tarde demais.

"De acordo com relatos das forças de coalizão que foram ao local, Zarqawi murmurou algo, mas era incompreensível e foi muito curto", disse Caldwell.

Caldwell disse que não estava ciente de qualquer evidência sugerindo que Al Zarqawi pudesse ter morrido de qualquer outra causa que não os ferimentos causados pelas bombas. Não havia evidências de ter sido baleado, disse ele.

Al Zarqawi, líder da Al Qaeda na Mesopotâmia e acusado pelo assassinato de milhares de civis iraquianos, estava visitando um conselheiro espiritual na quarta-feira à noite, em uma casa erma perto da aldeia de Hibhib, cerca de 50 km ao Norte de Bagdá, quando as forças americanas atacaram. A casa é cercada de palmeiras e fica a centenas de metros de outras moradias.

Os americanos tinham identificado a moradia do conselheiro espiritual, xeque Abd Al Rahman, e souberam por uma fonte dentro da Al Qaeda que Al Zarqawi estaria lá. Um F-16 americano lançou duas bombas depois que comandos americanos cercaram a construção.

A morte de Al Zarqawi reforçou a moral dos americanos e iraquianos que tentam estabelecer um novo Estado democrático no Iraque, que Al Zarqawi e seus seguidores tanto se esforçam para destruir.

A morte foi anunciada na quinta-feira, no mesmo dia em que o novo primeiro-ministro, Nuri Kamal Al Maliki, completou seu ministério, nomeando os ministros de defesa, interior e segurança nacional. Autoridades americanas e iraquianas esperam que os dois eventos reforcem o apoio público ao governo de Al Maliki, que enfrenta desafios políticos e militares extraordinários.

Na sexta-feira, Al Maliki proibiu o trânsito de veículos por Bagdá entre 11h e 15h e impôs um toque de recolher noturno em Baquba, na esperança de minimizar uma possível reação à morte de Al Zarqawi. O dia, porém, transcorreu tranqüilo na capital, com pouca violência.

Durante a noite, autoridades americanas começaram a fazer uso dos dados de inteligência obtidos em 17 batidas que suas forças conduziram em esconderijos da Al Qaeda pouco após a morte de Al Zarqawi ser confirmada. Soldados americanos fizeram buscas em outros 39 esconderijos suspeitos da Al Qaeda na noite de quinta e na manhã de sexta, disse Caldwell. Os soldados prenderam 25 pessoas e mataram uma, disse ele. Quando a morte de Al Zarqawi foi anunciada, na quinta-feira, as autoridades procuraram evitar notas de triunfo. Na sexta-feira, elas continuaram enfatizando os desafios adiante, mas colocaram maior ênfase no que Al Maliki chamou de "impulso adicional".

Em Camp David, o presidente Bush simplesmente declarou: "A morte de Zarqawi ajuda muito."

"Certamente não porá fim à violência, mas vai ajudar muito", disse ele.

Em um artigo publicado na sexta-feira pelo Washington Post e Times of London, Al Maliki descreveu um plano para quebrar as milícias do país, fazer as pazes com insurgentes sunitas e deter a corrupção "desenfreada" e afirmou: "Em breve, atingiremos um ponto de virada em nossa batalha contra os terroristas."

O embaixador americano no Iraque, Zalmay Khalilzad, pediu na sexta-feira que o novo governo do Iraque aproveitasse o "momento de oportunidade" criado pelo bombardeio e sugeriu que alguns grupos insurgentes "intimidados" por Al Zarqawi agora talvez estivessem dispostos a negociar.

Na sexta-feira, Caldwell deu mais detalhes sobre o ataque que matou Al Zarqawi e as ações posteriores que, segundo ele, incluíram várias incursões contra outros membros da Al Qaeda.

Perguntado sobre a causa oficial da morte de Al Zarqawi, ele disse que uma autópsia havia sido conduzida, mas que ainda não tinha obtido as conclusões. Cinco outras pessoas -dois homens e três mulheres- morreram no bombardeio, disse ele.

Em resposta a perguntas sobre as fotografias de Al Zarqawi apresentadas na quinta-feira, Caldwell disse que seu rosto tinha sido limpo, mas negou que as imagens tivessem sido alteradas digitalmente.

Em seu artigo, Al Maliki fez uma breve análise dos problemas diante de seu novo governo e seu plano de três frentes enfatizando segurança, reconstrução e reconciliação.

Além da morte de Al Zarqawi, Al Maliki citou como sinal de progresso a aprovação de três ministros pelo parlamento iraquiano na quinta-feira: Jawad Al Bolani para o Ministério do Interior, Abdul Qader Mohammed Jassim para a defesa e Sherwan Al Waili para a segurança nacional.

Os cargos de segurança foram assunto de intensa disputa entre os blocos étnicos do país e dentro da coalizão xiita de Maliki. Os sunitas dizem que as forças de segurança foram infiltradas por guerrilheiros xiitas e acusam seu envolvimento em atos de represália.

O primeiro-ministro disse que seu governo ia trabalhar em um "programa inflexível para fornecer segurança e serviços ao povo iraquiano e combater a corrupção desenfreada."

Al Maliki citou uma série de tarefas assombrosas, a começar com "uma iniciativa para dar segurança a Bagdá e confrontar a limpeza étnica ocorrendo e muitas áreas em torno da capital".

Ele prometeu quebrar o poder das milícias nas forças de segurança do país. Seu predecessor permitiu que milícias xiitas e curdas se alistassem e fez pouco no sentido de deter os muitos grupos operando fora da estrutura formal de segurança.

Al Maliki disse que, "diferentemente de esforços anteriores", ele identificaria membros de milícia nas forças de segurança e os dispensaria.

Ele também admitiu francamente que a corrupção tinha se tornado um impedimento aos projetos de reconstrução, dizendo que ia lutar de "cima para baixo".

O primeiro-ministro também incluiu uma advertência aos vizinhos do Iraque para não "interferirem em assuntos internos". Em uma declaração que pareceu dirigida primariamente ao Irã, base para os partidos xiitas durante o reino de Saddam Hussein, ele disse que mesmo os que "forneceram refúgio" anteriormente não têm o direito de "se meter no Iraque ou fechar os olhos para operações terroristas". Líder terrorista jordaniano morreu dos ferimentos quando já estava sob custódia Deborah Weinberg

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