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13/06/2006

Deu 'Jersey Boys' e 'History Boys' nos Prêmios Tony

The New York Times
Campbell Robertson

em Nova York
Apesar da críticas a musicais de "jukebox" e uma disputa que parecia esquentar a cada minuto, "Jersey Boys", o sucesso surpresa que conta a história do grupo Four Seasons por meio de suas canções, conquistou o grande prêmio -o de melhor musical- nos Prêmios Tony da noite de domingo, assim como três outros, incluindo melhor ator para John Lloyd Young e, em uma das maiores zebras da noite, o prêmio de melhor ator coadjuvante para Christian Hoff.

"Em nome de toda e jubilosa família 'Jersey Boys', nosso profundo agradecimento por esta honra", disse Michael David, presidente da Dodger Theatricals, um produtor do musical. David também agradeceu aos três membros vivos dos Four Seasons, no palco com ele, que "viveram a história que contamos".

"Muitos de vocês lutaram nas trincheiras conosco nesta temporada em busca de seus sonhos", disse David para a platéia. "Nós estamos muito felizes."

O principal concorrente do musical, "The Drowsy Chaperone", uma carta de amor pós-moderna aos musicais dos anos 20 que teve início como um esquete em uma festa de solteiro em Toronto, não voltou para casa de mãos vazias. Ela conquistou cinco prêmios, incluindo melhor libreto, melhor trilha sonora e melhor atriz coadjuvante.

Young, que interpreta Frankie Valli -e, sim, ele atinge as mesmas notas-
saiu vitorioso em uma categoria difícil, que tinha a presença de um grande ator da Broadway, Michael Cerveris ("Sweeney Todd"), assim como um astro da música, Harry Connick Jr. ("The Pajama Game"). Ele também superou Stephen Lynch ("The Wedding Singer") e Bob Martin ("Drowsy"), que, como todos na categoria exceto Cerveris, eram estreantes na Broadway.

Sua vitória e o domínio de "The History Boys" nas categorias de peça teatral eram previstas na Broadway, mas de muitas formas as previsões erraram, com surpresas em três categorias.

LaChanze conquistou seu primeiro Tony pela sua interpretação de Celie, a protagonista vítima de abusos no centro de "A Cor Púrpura"; foi o único Tony conquistado por este musical, mas não foi o que muitos na Broadway esperavam.

"Oh, meu Deus, eu ganhei, eu realmente ganhei!" disse LaChanze, parecendo genuinamente chocada. "Eu nem ensaiei direito o discurso."

Após os agradecimentos de costume à família e colegas do elenco, ela
destacou uma das produtoras do show, dizendo: "Eu quero agradecer Oprah
Winfrey por trazer esta história não apenas ao país, mas ao mundo".

LaChanze superou a favorita, Patti LuPone ("Sweeney Todd"), assim como
Sutton Foster, ("Drowsy"), Kelli O'Hara ("The Pajama Game") e Chita Rivera ("Chita Rivera: The Dancer's Life").

Houve outra surpresa na categoria melhor remontagem de musical, uma disputa que se resumia basicamente ao thriller radicalmente revisado ("Sweeney Todd") e uma história de amor dos anos 50 com remontagem nostálgica ("The Pajama Game"). "The Pajama Game" venceu e também levou o prêmio de coreografia. (A categoria também incluía a produção rejeitada pela crítica de "A Ópera dos Três Vinténs".)

Hoff, que interpreta Tommy DeVito, um membro fundador do Four Seasons, foi o vitorioso surpresa na categoria melhor ator coadjuvante em musical, superando Jim Dale, de "A Ópera dos Três Vinténs", considerado pela maioria como o favorito, assim como Danny Burstein ("Drowsy"), Brandon Victor Dixon ("A Cor Púrpura") e Manoel Felciano ("Sweeney Todd").

A vitória pareceu pegar Hoff de surpresa tanto quanto todo mundo na
cerimônia no Radio City Music Hall.

"Deus abençoe a Broadway!" disse um emocionado Hoff no palco.

Mas para surpresa de quase ninguém, "The History Boys", a história de Alan Bennett sobre estudantes e filosofias educacionais adversárias em uma colégio britânico, obteve um resultado notável, com seis prêmios, incluindo melhor peça, melhor direção, melhor ator e melhor atriz coadjuvante em uma peça.

"The History Boys" derrotou dois outros importados britânicos, "Lieutenant of Inishmore", de Martin McDonagh, e "Shining City", de Conor McPherson, assim como o único candidato americano, "Rabbit Hole", de David Lindsay-Abaire.

Cynthia Nixon ficou com o prêmio de melhor atriz por "Rabbit Hole", e
Richard Griffiths ficou com o de melhor ator por "The History Boys".

"Awake and Sing!" do Lincoln Center Theater, o drama de Clifford Odets sobre uma família judia em dificuldades no Bronx, conquistou o prêmio de melhor remontagem de peça, derrotando "Faith Healer", de Brian Friel, "Constant Wife", de W. Somerset Maugham, e "Seascape", de Edward Albee.

"No passado ancestral, em 1935, quando 'Awake and Sing!' foi originalmente montada, os Tonys ainda nem tinham sido inventados", disse Bernard Gersten, o diretor executivo do Lincoln Center Theater. "Assim, este é o primeiro Tony de 'Awake and Sing!', e um bem merecido."

Para melhor atriz coadjuvante, Beth Leavel venceu por interpretar o papel título de "Drowsy", superando Carolee Carmello ("Lestat"), Megan Lawrence ("The Pajama Game"), Felicia P. Fields e Elisabeth Withers-Mendes ("A Cor Púrpura").

John Doyle foi considerado o melhor diretor por sua remontagem austera de "Sweeney Todd", o musical de Stephen Sondheim de 1979, no qual os atores tocam os instrumentos musicais no palco. Ele derrotou Kathleen Marshall ("The Pajama Game"), Des McAnuff ("Jersey Boys") e Casey Nicholaw ("Drowsy").

"Obrigado a alguém que espero que todos considerem ter um local muito
especial na Broadway", disse Doyle, "e este alguém, é claro, é o maravilhoso Stephen Sondheim".

Muitos especialistas em Broadway, autonomeados ou não, previram que "The History Boys" dominaria a premiação. Seu diretor, Nicholas Hytner, ficou com o de melhor direção de peça.

"Acima de tudo, eu agradeço Alan Bennett", disse Hytner, acrescentando: "Ele é a melhor sorte que já tive".

Hytner superou Wilson Milam, diretor de "The Lieutenant of Inishmore",
Daniel Sullivan ("Rabbit Hole") e Bartlett Sher ("Awake and Sing!").

Para melhor atriz coadjuvante em peça, Frances de la Tour, que interpretou uma professora em "The History Boys", derrotou Tyne Daly ("Rabbit Hole"), Alison Pill ("The Lieutenant of Inishmore"), Zoë Wanamaker ("Awake and Sing!") e Jayne Houdyshell ("Well").

"The History Boys" também levou os prêmios de cenografia e iluminação em peça, em uma cerimônia antes da transmissão.

Ian McDiarmid foi eleito melhor ator coadjuvante em peça pelo seu papel como um empresário desonesto do show-business em "Faith Healer", superando Samuel Barnett ("The History Boys"), Domhnall Gleeson ("The Lieutenant of Inishmore") e Mark Ruffalo e Pablo Schreiber ("Awake and Sing!").

Apesar de McDiarmid ter uma longa carreira na Grã-Bretanha e nas telas, ele fez sua estréia na Broadway na remontagem de "Faith Healer", que teve uma estréia fracassada na Broadway em 1979.

"Eu estou realmente orgulhoso de estar associado a esta volta triunfante e remontagem", disse McDiarmid sobre a peça.

As categorias de musicais novos eram consideradas uma disputa entre "Jersey Boys" e "Drowsy". "Jersey Boys", que já arrecadou quase US$ 30 milhões, foi o sucesso surpresa desta temporada de musicais fracassados. Mas a disputa se acirrou nas semanas que antecederam a cerimônia de premiação, particularmente depois que "Drowsy", inicialmente considerado um azarão, obteve 13 indicações, mais do que qualquer outra produção.

"Drowsy" conquistou dois prêmios iniciais: melhor libreto (basicamente, a história do musical sem a música) e melhor trilha sonora. Na categoria libreto, "Drowsy" derrotou seu principal rival, "Jersey Boys"; ele também derrotou "A Cor Púrpura" e "The Wedding Singer", ambos indicados para melhor trilha sonora, juntamente com "Woman in White" de Andrew Lloyd Webber.

"Este show expressa a voz de um grupo de dramaturgos e artistas de Toronto, e queremos compartilhá-la com vocês", disse Bob Martin, que co-escreveu o libreto para "Drowsy" e foi indicado para melhor ator em musical. "Não literalmente", ele acrescentou, "mas figurativamente".

Antes da transmissão pela TV, Norbert Leo Butz e Victoria Clark, ambos
vencedores por interpretação no ano passado, apresentaram vários prêmios para orquestração (como a música é arranjado para as vozes e instrumentos em um musical) e técnicos. "Sweeney Todd" venceu por orquestração.

"Drowsy" conquistou os prêmios de figurino e cenografia para musical,
"Jersey Boys" ficou com melhor iluminação em musical e "Awake and Sing!" ficou com figurino em peça.

Não houve disputa neste ano de evento teatral especial, mas Sarah Jones
recebeu um Tony especial por seu show solo, "Bridge & Tunnel". Harold
Prince, o veterano diretor e produtor teatral, recebeu um prêmio pelo
conjunto da obra. (Ele já conquistou 20 Tonys.) Ele não recebeu o prêmio pessoalmente por estar em Las Vegas trabalhando em uma versão de "O Fantasma da Ópera", que estreará em 24 de junho. Em sua homenagem, Howard McGillin interpretou "The Music of the Night" do "Fantasma".

A cerimônia de premiação concluiu uma temporada financeiramente próspera, que estabeleceu recordes de público (12 milhões) e bilheteria (US$ 862 milhões). Também foi uma temporada repleta de espetáculos que disputaram os teatros disponíveis. Em outro sinal da robusta saúde econômica da Broadway, houve 80% de ocupação de lugares nesta temporada.

O Prêmio Tony é administrado pela Liga dos Teatros e Produtores Americanos, a associação do setor, e pelo American Theater Wing, um grupo de caridade que criou o Tony.

Os prêmios, votados por 763 jornalistas, produtores e outros profissionais do teatro, homenageiam o trabalho realizado nos 39 grandes teatros no meio de Manhattan que compõem a Broadway. Os teatros Off-Broadway são excluídos, assim como os teatros regionais, exceto um a cada ano, que recebe um prêmio por excelência regional. Neste ano o prêmio foi concedido ao Intiman Theater, em Seattle, onde ocorreu a estréia do musical "The Light in the Piazza". O diretor artístico do Intiman é Sher.

A nostalgia teve um papel central na noite de domingo. Patricia Neal, que recebeu um Tony na primeira cerimônia, em 1947, que foi roubado, recebeu um substituto. James Earl Jones e Nixon prestaram um tributo a dois dramaturgos enormemente influentes que morreram nesta temporada: August Wilson e Wendy Wasserstein.

Em vez de um apresentador, a cerimônia contou com 60, um para cada ano da história da cerimônia. Entre os apresentadores estavam superestrelas como Julia Roberts e Oprah Winfrey, e alguns conhecidos quase que exclusivamente pelo seu trabalho na Broadway.

Antes de apresentar o prêmio para melhor ator em peça, Julia Roberts, que não foi indicada por sua atuação na remontagem de "Three Days of Rain", disse para a platéia: "Vocês (da Broadway) são pessoas insanamente talentosas". George El Khouri Andolfato

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