UOL Notícias Internacional
 

14/06/2006

Bush faz visita surpresa ao Iraque para pressionar liderança

The New York Times
John F. Burns e Dexter Filkins

em Bagdá, Iraque
O presidente Bush usou uma visita surpresa a Bagdá, na terça-feira, para dizer aos novos líderes do país que "o destino e futuro do Iraque estão em suas mãos", e que chegou a hora dos iraquianos fazerem um esforço conjunto para salvar a democracia em dificuldades patrocinada pelos Estados Unidos aqui.

"Minha mensagem ao povo iraquiano é esta: aproveite o momento", disse Bush em um discurso para as tropas americanas e para os funcionários da embaixada, que lhe deram uma recepção calorosa em um dos salões de mármore do antigo palácio de Saddam Hussein, atualmente o principal centro de comando americano na Zona Verde de Bagdá. "Aproveite a oportunidade para desenvolver um governo do povo, pelo povo e para o povo."

Na visita de seis horas da qual apenas um punhado dos assessores mais próximos de Bush tinha conhecimento antes da partida de Washington, na noite de segunda-feira, parecia ser a intenção de Bush reforçar a mensagem que os comandantes militares americanos e os funcionários da embaixada têm pedido ao novo governo do primeiro-ministro Nuri Kamal Al Maliki, desde que assumiu o cargo há três semanas: é hora dos políticos iraquianos desenvolverem um governo eficaz e uma frente comum contra os rebeldes, pois o tempo está se esgotando.

A mensagem às vezes chegou perto de ser rude, indicando que a paciência americana com a liderança está próxima do fim. Sentado ao lado de Al Maliki, em um encontro que incluiu autoridades americanas e 17 membros do Gabinete iraquiano, Bush disse ao primeiro-ministro que veio "para olhar você nos olhos".

Ele repetiu a frase posteriormente no palácio, quando disse aos soldados e outros americanos que veio "olhar o primeiro-ministro Maliki nos olhos e determinar se ele está dedicado ou não a libertar o Iraque tanto quanto vocês". Bush acrescentou: "Eu acredito que ele está".

Bush também deu a Al Maliki uma nova garantia de que os Estados Unidos não abandonarão o novo governo enquanto luta para coibir a escalada da violência, reconstruir a infra-estrutura destruída do país e colocar os iraquianos de volta ao trabalho em uma economia ressuscitada.

"Eu também tenho uma mensagem ao povo iraquiano: a de que quando a América assume um compromisso, a América mantém seu compromisso", ele disse, para amplos vivas de 300 soldados e civis americanos reunidos no salão do palácio.

A viagem foi a segunda de Bush ao Iraque. A primeira ocorreu no Dia de Ação de Graças de 2003, quando ele permaneceu em uma base militar americana no aeroporto de Bagdá, chegando e partindo sob o disfarce da noite. Desta vez, ele pousou no meio da tarde e deixou a segurança do aeroporto para uma viagem de helicóptero de 16 quilômetros, passando por alguns dos bairros mais perigosos de Bagdá, incluindo distritos predominantemente árabes sunitas no leste da cidade que são um santuário para os rebeldes.

Em 2003, a visita de Bush foi mantida em segredo até sua partida. Na terça-feira, Bush deixou o palácio às 21h20, horário de Bagdá, e embarcou em um helicóptero militar americano rumo ao aeroporto internacional de Bagdá e ao Força Aérea Um, que trouxe o presidente e uma pequena comitiva de assessores da Casa Branca. Os assessores disseram que a viagem de volta envolveria uma parada para reabastecimento em uma base americana em Mildenhall, na Grã-Bretanha.

A segurança para a visita de terça-feira foi extraordinariamente reforçada, superando qualquer coisa previamente vista em uma cidade que se tornou sinônimo de atentados suicidas, emboscadas e seqüestros. O aeroporto foi fechado por pelo menos uma hora antes do Força Aérea Um pousar na pista, seguindo procedimentos que visavam evitar mísseis dos rebeldes.

Funcionários americanos disseram que Bush foi conduzido à cidade em um helicóptero Nighthawk com armamento pesado, descartando o habitual helicóptero Marine One que o presidente geralmente usa nos Estados Unidos e no exterior. As pontes que cruzam o Rio Tigre, no coração da cidade, foram fechadas e helicópteros de ataque americanos voaram baixo sobre a Zona Verde durante a visita. Jipes Humvees armados ficaram posicionados nos acessos ao palácio dentro da Zona Verde, e centenas de americanos que trabalham no prédio foram instruídos a tirar o dia de folga e partiram várias horas antes da chegada do presidente, deixando o prédio quase vazio para Bush.

Funcionários americanos disseram que Al Maliki foi avisado da visita de Bush apenas pouco antes de sua chegada, sendo que o líder iraquiano se juntou às autoridades americanas no palácio nos preparativos do que foi anunciado no final da semana passada como sendo uma reunião de videoconferência envolvendo Bush e membros do seu Gabinete, em Camp David, e do Gabinete de Maliki, em Bagdá.

A promessa do presidente de que os Estados Unidos apoiarão seus aliados iraquianos parecia direcionada não apenas a Al Maliki e seu Gabinete, mas também a outros públicos importantes: os grupos rebeldes iraquianos, cujos sites na Internet têm destacado o crescente descontentamento popular nos Estados Unidos com a guerra, e políticos nos Estados Unidos que vêem o esforço americano no Iraque como condenado, defendendo um fim antecipado ao compromisso militar.

A resposta aos seus críticos veio quando Bush, no encontro com os soldados e civis americanos enquanto concluía sua visita, ensaiou os temas que marcaram sua presidência -o papel dos Estados Unidos na expansão da liberdade no mundo e sua tradição de firmeza diante de desafio.

Após uma ovação de um minuto, a platéia interrompeu repetidas vezes o presidente com vivas e aplausos e o cercaram por cerca de 10 minutos depois, enquanto ele caminhava entre eles, conversando sobre suas famílias e suas experiências de guerra.

Os vivas foram mais altos quando Bush, flanqueado por dois importantes americanos em Bagdá, o general George W. Casey Jr., o comandante militar geral, e o embaixador Zalmay Khalilzad, falou de Saddam como "um líder egoísta, brutal", que humilhava os iraquianos e lhes negava a liberdade, assim como quando citou o bombardeio da semana passada que matou o homem mais procurado pelos Estados Unidos no Iraque, Abu Musab Al Zarqawi. "Nossas forças armadas permanecerão na ofensiva", disse Bush. "Nós continuaremos caçando pessoas como Zarqawi e as levaremos à Justiça."

"Vocês sabem", ele disse, "logo depois de 11 de setembro, eu sabia que alguns esqueceriam os perigos que enfrentamos, alguns na esperança de que o mundo seja algo que não é: um local pacífico onde pessoas não querem fazer mal a aqueles de nós que amam a liberdade. Eu jurei naquele dia, depois de 11 de setembro, que faria tudo o que pudesse para proteger o povo americano. E fui capaz disso porque há pessoas como vocês, que estão dispostas a estar na linha de frente na guerra contra o terror".

Al Maliki, aos 56 anos um recém-chegado ao governo, às vezes parecia desconfortável durante a visita, sorrindo quando cumprimentou Bush após sua chegada à rotunda do palácio, mas fora isto parecendo sério. Um funcionário iraquiano disse que a visita foi uma espada de dois gumes para Al Maliki, pois permitiu que 25 milhões de pessoas no Iraque vissem que ele conta com o apoio pessoal do líder americano -mas também atraindo as críticas dos iraquianos que consideram a maioria dos políticos que concorreram nas eleições como fantoches americanos.

Os comentários feitos por Al Maliki, quando os repórteres entraram no salão de conferência onde ele e seus colegas de Gabinete estavam reunidos com Bush e outras autoridades americanas, foram breves, parecendo repetir os temas de Bush sem acrescentar qualquer coisa própria.

Ele agradeceu Bush pelo papel americano na derrubada de Saddam, dizendo que os iraquianos têm liberdade "pela primeira vez" em sua história e prometendo que o Iraque "permanecerá unido e forte". Ele acrescentou: "Se Deus permitir, todo o sofrimento em breve acabará e todos os soldados da coalizão poderão voltar aos seus países".

Funcionários americanos em Bagdá, que pediram anonimato por não estarem autorizados a discutir detalhes da viagem, disseram que os preparativos entraram em marcha acelerada no início da semana passada, quando Maliki finalmente obteve a aprovação dos grupos políticos sunitas e xiitas adversários para os indicados para postos chaves no Gabinete ligados à guerra.

Um membro do grupo avançado americano disse que a decisão de fazer a viagem foi tomada no momento em que Al Zarqawi, o líder da Al Qaeda no Iraque, foi morto pelas duas bombas de 225 quilos que atingiram o abrigo onde estava escondido em Hibhib, a 56 quilômetros ao norte de Bagdá, na noite da última quarta-feira.

O ataque forneceu aos 135 mil soldados americanos no Iraque o melhor estímulo ao moral desde a captura de Saddam, em dezembro de 2003, provocando uma série de batidas, a maioria nos arredores de Bagdá, que o comando americano disse terem resultado em dezenas de mortes e na captura de terroristas ligados à Al Qaeda, assim como na obtenção de nova inteligência sobre o papel da Al Qaeda na guerra.

Assim que a decisão de fazer a viagem foi tomada, disseram funcionários, a Casa Branca não mediu esforços para manter a viagem em segredo, mesmo em comparação aos padrões rígidos normalmente aplicados às visitas do presidente ao exterior. Apenas seis funcionários da Casa Branca sabiam que Bush faria a viagem, eles disseram. George El Khouri Andolfato

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