UOL Notícias Internacional
 

14/06/2006

Nenhuma acusação contra Rove no caso de vazamento da CIA

The New York Times
David Johnston e Jim Rutenberg

em Washington
A decisão do promotor especial de não processar Karl Rove no caso de vazamento da CIA ocorre após meses de intensas manobras nos bastidores entre o promotor, Patrick J. Fitzgerald, e o advogado de Rove, segundo advogados no caso.

A medida, que foi divulgada na manhã de terça-feira pelo advogado de Rove, Robert D. Luskin, provocou um final surpresa à investigação de Rove, o principal conselheiro do presidente Bush. A certa altura no ano passado, Rove parecia próximo de enfrentar um processo por perjúrio devido aos lapsos em seu depoimento inicial sobre a conversa que teve com um repórter da revista "Time".

A decisão de Fitzgerald deixou I. Lewis Libby Jr., o ex-chefe de gabinete do vice-presidente Dick Cheney, como a única pessoa entre os atuais e ex-funcionários da Casa Branca ainda enfrentando a Justiça no caso de vazamento da CIA, que já dura três anos. Fitzgerald anunciou em uma carta a Luskin, na segunda-feira, que ele não indiciaria Rove, que depôs em cinco ocasiões a um grande júri federal sobre seu envolvimento na revelação da identidade de uma agente de inteligência.

Após meses em que o caso foi uma grande distração para a Casa Branca, a decisão libera Rove para seu papel como principal estrategista de Bush durante a eleições cruciais deste ano. Luskin se recusou a discutir as questões legais que cercam o caso, mas disse: "Nós acreditamos que a decisão do promotor especial deverá colocar um fim à especulação infundada em torno da conduta do sr. Rove".

Um porta-voz da equipe legal de Rove, Mark Corallo, disse que Rove não fez nenhum acordo para cooperar de qualquer forma com a promotoria, e que a decisão foi baseada puramente nas próprias conclusões de Fitzgerald. Um porta-voz do promotor, Randall Samborn, não quis comentar.

A decisão de Fitzgerald não deverá afetar o processo contra Libby, que é acusado de perjúrio e obstrução da Justiça. Mas libera Fitzgerald para se concentrar exclusivamente nos preparativos para este julgamento, que deverá começar em janeiro e ainda poderá embaraçar a Casa Branca.

Em uma série de documentos no caso, Fitzgerald indicou que ele ainda poderá convocar Cheney como testemunha, uma perspectiva perturbadora que poderá expor o vice-presidente às incertezas de ser questionado em um julgamento criminal. A decisão de não processar Rove encerra a fase de investigação do caso por Fitzgerald; Rove era a única pessoa que ainda estava sob investigação.

Isto deixa algumas perguntas importantes sem resposta no momento em que a investigação chega ao final. Entre elas está quem no governo contou inicialmente ao colunista Robert D. Novak sobre a agente da CIA no centro do caso, dias antes de sua coluna de 14 de julho de 2003, na qual ele revelou a identidade da agente, Valerie Wilson.

Fitzgerald investigava se a Casa Branca vazou o nome de Valerie para desacreditar um artigo de opinião, publicado no "The New York Times", de autoria de seu marido, Joseph C. Wilson IV, no qual ele disse que não havia base para a afirmação do governo de que o Iraque tinha tentado comprar combustível nuclear na África. Um relatório da promotoria no caso disse que uma cópia do artigo com anotações de Cheney mostrou que o vice-presidente e Libby estavam concentrados nas críticas de Wilson.

Funcionários da Casa Branca foram cuidadosos na terça-feira em não celebrar demais a notícia sobre Rove. Mas estavam claramente animados pelo que chamaram de encerramento de um capítulo desconfortável no caso de vazamento.

Falando no Força Aérea Um enquanto voltava de Bagdá, Iraque, Bush disse aos repórteres: "É um capítulo que terminou. Fitzgerald é uma pessoa muito meticulosa. Eu acho que ele conduziu sua investigação de forma digna. E encerrou sua investigação". Mas Bush alertou: "Ainda há um julgamento pela frente. E nós envolvidos na Casa Branca teremos cuidado para não comentarmos sobre o assunto".

A decisão de Fitzgerald de não processar Rove ocorreu após meses de discussões privadas entre ele e Luskin, que tiveram início no ano passado, mesmo antes do indiciamento de Libby. Apesar de em público Rove demonstrar pouca preocupação com sua situação, os advogados no caso disseram que Luskin travou uma dura batalha para impedir o processo.

Os advogados disseram que Fitzgerald pareceu às vezes perto de processar Rove por seu fracasso em apresentar voluntariamente no início da investigação a conversa que teve sobre a sra. Wilson com um repórter da revista "Time", Matthew Cooper.

Rove testemunhou inicialmente que tinha esquecido de tal conversa, e que apenas se recordou quando seus advogados encontraram uma mensagem de e-mail que se referia à conversa com Cooper, enviada por Rove para Stephen J. Hadley, na época vice-conselheiro de segurança nacional e atual titular do cargo. Rove perguntava se seria suicídio legal mentir conscientemente ao grande júri sobre uma conversa com um repórter.

Tal argumento parecia ser crucial na tentativa de escapar de um indiciamento. Fitzgerald, segundo vários advogados no caso, acreditava no início que o esforço de Rove em encontrar o e-mail significava que ele sabia de sua existência. Mas Luskin ofereceu um relato alternativo, a certa altura trocando o papel de advogado para o de testemunha.

No ano passado, Luskin forneceu depoimento juramentado para Fitzgerald, dizendo que foi informado por Viveca Novak, uma amiga na revista "Time" que não tem parentesco com o colunista Robert Novak, que Rove podia ter conversado com Cooper. Isto deu motivo a Luskin para pesquisar qualquer registro de tal conversa.

Associados disseram que Rove estava exultante na terça-feira. Ele se recusou a comentar, mas a Casa Branca apontou aos fotógrafos que ele iria a pé da Casa Branca ao Antigo Prédio de Escritórios do Executivo, o que forneceria imagens de Rove, todo sorrisos.

A investigação de vazamento, disseram vários associados, foi um fardo pesado para Rove, sua esposa e filho, cujo lar era freqüentemente visitado por repórteres e cinegrafistas. Funcionários disseram que Rove se mantinha concentrado em seu trabalho, mas que também parecia menos jovial e menos inclinado a realizar suas brincadeiras de costume.

Associados disseram que Rove parecia mais tranqüilo nas últimas semanas, aparentemente devido a ele e seu advogado estarem cada vez mais confiantes de que não ocorreria nenhum indiciamento, apesar da previsão por blogueiros liberais e outros comentaristas de um indiciamento iminente, mais recentemente em maio, com base em um relato no site Truthout.org.

O Truthout defendeu sua relato de maio de que Rove seria indiciado sigilosamente. Em uma mensagem postada na terça-feira o site sugeriu que Rove estava cooperando com a promotoria, que, ele notou, não comentava publicamente sobre o status legal de Rove.

Em uma declaração, um advogado do sr. e da sra. Wilson, Christopher Wolf, indicou que o casal estava considerando um processo civil contra Rove. "Ainda chegará o dia em que Rove e outros serão responsabilizados na Justiça por seus ataques aos Wilsons." Tom Rath, um líder republicano em New Hampshire, disse estar aliviado com o fato de Rove poder se concentrar nas eleições de novembro sem a mancha do escândalo. "Era como estar em uma lista de lesionados; você o vê todo dia de uniforme, mas não pode tê-lo no banco", disse Rath sobre o antigo limbo legal de Rove. "Agora ele está de volta ao banco." George El Khouri Andolfato

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