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16/06/2006

Bill Gates diz que vai deixar dia-a-dia da Microsoft

The New York Times
Steve Lohr, em Nova York, e

John Markoff, em Redmond, Washington
Três décadas após criar a Microsoft com o sonho de colocar um computador pessoal em cada casa e empresa, Bill Gates disse nesta quinta-feira (15/06) que abandonará as atividades diárias na companhia dentro de dois anos. Ele deslocará as suas energias para a Bill and Melinda Gates Foundation, uma fundação que a sua fortuna da Microsoft transformou na maior entidade filantrópica do mundo, dedicada aos problemas da saúde e da educação, especialmente nas nações pobres.

Scott Eklund/Seattle Post-Intelligencer - 13.jun.06 
Empresário afirma que a Microsoft pode sobreviver sem ele e anuncia afastamento
Em uma entrevista coletiva à imprensa após o fechamento do mercado de ações, Gates, 50, enfatizou que não está deixando completamente a Microsoft. Ele disse que pretende continuar no cargo de presidente, e manter o seu amplo controle sobre a companhia.

"Eu sempre me enxergo como sendo o maior acionista na Microsoft", disse Gates.

Mas, segundo os analistas, a iniciativa aponta para mudanças vastas na indústria de software. Provavelmente mais do que qualquer outra pessoa, Gates é tido como o indivíduo que personifica os softwares dos computadores pessoais, no momento em que a computação se inclina cada vez mais para a Internet.

"Creio que olharemos de forma retrospectiva para este dia como sendo a divisão entre duas eras na história do software --a primeira sendo a do software adquirido em caixas, e a segunda a do software distribuído pela Internet gratuitamente, em um processo custeado pela publicidade", opina George F. Colony, diretor-executivo da Forrester Research. "A nova era exige um reexame completo do modelo de negócios da Microsoft, que tem sido um dos mais lucrativos que o mundo já viu".

O colega de classe e parceiro empresarial de Gates há 26 anos, Steven A. Ballmer, que também tem 50 anos de idade, continuará sendo o diretor-executivo da companhia. Ele assumiu esse posto em 2000, enquanto Gates permaneceu engajado nas operações diárias da Microsoft, com o título de arquiteto-chefe de software.

Ballmer enfatizou em uma entrevista que Gates continuará dedicando a maior parte do seu tempo à Microsoft durante o período de transição de dois anos.

Mas Gates informou que a transição terá início imediatamente, com o seu papel de arquiteto-chefe de software sendo assumido por Ray Ozzie, 50, um dos três diretores técnicos da companhia. Ozzie, cuja experiência com software inclui o desenvolvimento do Lotus Notes, na década de 1980, ingressou na Microsoft no ano passado, e tem liderado a resposta estratégica ao crescente desafio na Internet que a empresa sofre de companhias como Google e Yahoo.

Gates disse que ele e Ballmer deram início a uma discussão sobre uma transição há algum tempo, mas que uma decisão sobre o assunto só foi tomada nas últimas semanas.

Ele observou que deixou de informar Ballmer sobre a sua decisão por diversas vezes, e que a sua mulher, Melinda, uma ex-gerente de produtos da Microsoft, lembrou-o da necessidade de comunicar a decisão ao seu parceiro empresarial em diversas ocasiões.

"Eu falei com ela antes mesmo de ter conversado com Steven sobre essa possibilidade", contou Gates. "Eu ouvi os conselhos dela. Durante umas duas semanas ela me perguntou se eu já havia falado com Steven. E eu respondia: 'Não, não foi fácil falar sobre este assunto hoje, mas talvez eu faça isso amanhã'".

Gates afirmou que a sua principal motivação foi um desejo de dedicar mais tempo a questões com as quais decidiu lidar na sua fundação filantrópica, cujos recursos continuam a aumentar à medida que Gates vai cumprindo a sua promessa de transferir a maior parte da sua fortuna pessoal, que seria de quase US$ 50 bilhões. Ele continua sendo o maior acionista da Microsoft, com 9,6% das ações da empresa, uma fatia que atualmente vale US$ 21,6 bilhões.

Mas a sua decisão de começar a reduzir a sua atuação na Microsoft foi entendida como um ponto de inflexão crítico para a companhia, que é uma força dominante no mundo da computação há um quarto de século. Embora a arrecadação da empresa esteja em patamares recordes, e os lucros estejam na faixa de estonteantes US$ 1 bilhão por mês, Wall Street tem criticado cada vez mais a incapacidade da Microsoft em obter progressos significativos em novos mercados tão diversos como o de videogames, de televisão por Internet e de publicidade na Web.

A ação da companhia caiu de um ápice de US$ 28,38 no ano passado, para US$ 22,07 na quinta-feira. O anúncio feito por Gates empurrou o valor da ação ligeiramente para baixo nas negociações pós-fechamento do mercado.

Na entrevista coletiva à imprensa, Gates falou sobre o seu compromisso emocional com a companhia que ele criou juntamente com Paul G. Allen, no Novo México, em 1975, vendendo inicialmente softwares armazenados em fitas de papel perfurado para a primeira geração de indivíduos que tinham nos computadores pessoais um hobby.

A Microsoft só se transformou em uma força dominante na computação pouco após a IBM ter escolhido a companhia, cuja sede à época ficava em Bellevue, no Estado de Washington, para fornecer o sistema operacional para o IBM PC em 1981. Nos dez anos seguintes, Gates, auxiliado por Ballmer, construiu um monopólio de softwares, acrescentando um leque crescente de automação e programas de produtividade para escritórios, aglutinados em um único produto denominado Office.

"Quando eu e Paul Allen demos início a isto, 30 anos atrás, tínhamos grandes sonhos a respeito de softwares", disse Gates na quinta-feira, na entrevista coletiva à imprensa realizada em um estúdio de televisão no campus corporativo da companhia, aqui em Redmond. "Não tenho dúvidas de que nos próximos 30 anos a Microsoft desempenhará um papel tão importante quanto desempenhou nas últimas três décadas".

Até mesmo os concorrentes de Gates descreveram o seu papel como crucial para a modelagem do PC e a transformação da computação moderna. Decisão vem no momento em que a firma é criticada por Wall Street Danilo Fonseca

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