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16/06/2006

Oregon comemora o jubileu das cerejas de verão

The New York Times
Pableaux Johnson

No Estado de Oregon
Depois de ter dirigido algumas horas ao longo do Hood River Fruit Loop, no noroeste do Oregon, nosso carro já dava sinais de um festival de cerejas. Os assentos estavam cobertos em um mar de sacolas de papel que voavam com a brisa da montanha. Caroços perdidos, brilhosos, fundiam-se ao painel de plástico, que derretia.

Basil Childers/The New York Times - 10.jun.06 
Cerejas maduras para feira de Hood River
"Me passa as Lamberts, por favor?" pediu John Heili, arquiteto de Portland e nosso motorista naquele dia, pedindo sua variedade predileta de cerejas.

Nosso carro de fanáticos por frutas frescas cruzou vales amplos e estreitos, pelas estradas de duas pistas que caracterizam esta região agrícola a uma hora a leste de Portland. Passamos por placas anunciando diversas variedades de produtos locais. Nos campos, fileira atrás de fileira de pereiras e macieiras, pesadas com a próxima colheita amadurecendo no forte sol de verão.

Minha mulher, Ariana French, jogou uma sacola amassada para frente, instando John e sua mulher, Kazumi a comerem. "Estão aqui. Tem Bings aí?"

Eu disse: "Você pode comer as Bings. Mas não cedo as Rainiers."

Alegremente obcecados em uma tarde de julho, nós mal apreciamos a beleza alpina enquanto atravessamos a cordilheira Cascade. Na febre pelo vício em cereja, as papilas gustativas vencem os olhos. As montanhas estarão lá sempre, mas a cereja perfeita é doce, porém efêmera.

Em um final de semana, os dois casais perto de Portland não resistiram ao Hood River Fruit Loop, uma rede de pomares, com vendedores de frutas e plantações de cerejas e outras atrações no vale do rio Hood. Desde que o Loop foi organizado, em 1993, tornou-se um destino popular para jovens famílias, conhecedores e discípulos da cereja Rainier evanescente.

Nossa viagem surgiu com um simples comentário de outro amigo louco por comida em Portland: "Quando você experimenta as cerejas Rainier no verão, você entende como as pessoas sobrevivem à longa temporada das chuvas."

Uma cereja recém colhida é o próprio verão. Enquanto dizimamos um carregamento de cerejas, começamos a apreciar as diferenças entre as variedades: Lamberts, cor de vinho profundo, as brilhosas Royal Annes, as melhores Bings imagináveis. Mas as Rainiers foram o principal evento.

A Rainier é uma cereja amarela creme, com uma sutil pincelada vermelha. Ela tem o equilíbrio perfeito de sabores ácidos e o açúcar pelo amadurecimento com o sol. As Rainiers se machucam com tanta facilidade que raramente saem da região Noroeste.

Uma viagem pelo Fruit Loop, de 80 km, leva o turista para dentro da alma agrícola americana, enquanto a região faz a transição de bucólica para butique, de rústica a recreativa. Passeando pelos pomares do alto da montanha, você pode apreciar amoras silvestres amadurecidas no pé e framboesas que brilham como rubis. Além disso, há várias outras atrações para explorar, desde vinhedos até lojas de antiguidade e ocasionais fazendas de alpaca.

Uma viagem pelo Fruit Loop é uma alegria para os moradores de Portland, que pulam na estrada Interstate 84 e zarpam para leste ao longo das margens do rio Columbia. Um vento oeste constante cria agitação na água e deu ao desfiladeiro do rio Columbia e à cidade de Hood River renome internacional; fãs de esportes vêm em busca das condições perfeitas de wind-surfe e fácil esqui nos declives do Monte Hood e do Monte Adams.

O rio Hood, um córrego se comparado ao amplo Columbia, canaliza o degelo das neves do monte Hood, 65 km ao sul. Picos e sulcos sobem e descem ao longo do Loop; o rio passa por vales profundos; zigue-zagues pavimentados coroam os morros. E em toda a rota, o monte Hood é soberano, com seu pico de 3.400 m coberto de neve até no verão.

É claro que é possível viajar pelo Loop usando as placas da Estrada Estadual 35, mas para a experiência plena, é melhor pegar um mapa do Fruit Loop. O guia lista as localidades, informações para contato e especialidades. Com 31 associados, inclui vinícolas, campos de lavanda e centros de artesanato.

"Acha que é aquela? Com o espantalho?"

Kazumi, nossa co-pilota do dia, seguia o mapa para nos levar de sítio em sítio.

Nós tínhamos seguido as placas para Rasmussen Farms, perto do rio Hood, e fomos confrontados com um par de espantalhos vestidos de jeans. Dois labradores narcolépticos, Ebony e Ivory, levantaram a cabeça quando nosso grupo se aproximou, depois voltaram a dormir.

Placas feitas à mão anunciavam festivais rurais bem além da estação das frutas: agosto promete celebrações dedicadas a tortas de maçã (Gravenstein Days) e girassóis transcendentes (Van Gogh Days) e, nos meses seguintes, os Rasmussen organizam festivais de cidra fresca, abóboras de Halloween e pêras de inverno.

Em julho, porém, os vendedores estavam cobertos de cestas de framboesas. Caixas quadradas em pilhas altas com cerejas de várias cores, do preto ao amarelo. As Bing escuras, as mais comuns da região, chegam no início da temporada; elas estavam ao lado de Royal Annes pálidas.

E melhor: plaquinhas diziam que experimentar era aconselhável. Então, pegamos algumas e as sugamos como se fossem ostras açucaradas e depois cuspimos os caroços.

Dollie Rasmussen e seu marido, Lynn, administram o sítio de 20 hectares há 61 anos. Ela falou que as vendas diretas do produtor eram a maior esperança do agricultor americano para atrair gerações criadas com produtos de supermercado. E durante o verão, as cerejas são a isca perfeita.

"As cerejas parecem deixar as pessoas felizes", disse Dollie Rasmussen. "Elas não podem ser colhidas verdes e armazenadas, como maçãs e pêssegos, então as pessoas têm que comprar a fruta fresca."

Enquanto nosso bando feliz fazia a volta pelo Loop, a coleção de sacos marrons crescia a cada parada. Kazumi marcava o mapa manchado de fruta. Havia vinícolas para explorar, padarias para sentir o cheiro.

"Já estive lá", disse ela. "Fechada até agosto. Cerâmica, geléias, milk-shakes."

"Milk-shakes?" "Volta, precisamos de milk-shakes."

Paramos na Apple Valley Country Store, onde fomos seduzidos pela promessa de milk-shakes grossos abençoados com a melhor fruta do verão. Depois de um dia quente na estrada, achamos impossível resistir a sorvete misturado com pêssegos maduros, cerejas onipresentes ou amoras silvestres colhidas das colinas próximas.

Com um shake de cada sabor, sentamos em uma mesa de piquenique e passamos os copos entre nós. Nos primeiros goles, pudemos sentir o sabor da fruta dentro do sorvete gelado. Mas depois de certo ponto, nossas papilas ficaram anestesiadas pelo frio, e voltamos a depender da visão.

"Experimenta esse, é meio laranja", disse John, "então deve ser pêssego".

Minha mulher tomou um gole. "Parece amora", disse ela. "Depois dos três primeiros, todos têm gosto de baunilha."

Ansiosos para prosseguir, pegamos nossas novas sacolas (mais duas geléias, uma torta semi-pronta, e meio milk-shake de frutas vermelhas), jogamos tudo no chão e seguimos para o sul.

A operação em Draper's Farm, onde você colhe as próprias frutas, pareceu comicamente anacrônica --assine um contrato de responsabilidade, encontre a escada, encha seu balde, pague. Se não tiver ninguém para cobrar, você pega o que puder e paga de acordo com a consciência.

Armados de balde e escada, fomos para as árvores. Depois de colher (e comer) à vontade, fomos ao celeiro comprar nossas últimas cerejas do dia. O monte Hood, Senhor do Vale, pegava os primeiros raios da luz da tarde.

"Bem, isso é o verão para você", disse John, acariciando sua barriga. "Acho que vou sobreviver às chuvas." Viagem pelo Fruit Loop leva turista para a alma agrícola americana Deborah Weinberg

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