UOL Notícias Internacional
 

16/06/2006

Saída do Iraque gera luta partidária no Congresso

The New York Times
Robin Toner e Kate Zernike

Em Washington
A Câmara e o Senado entraram em um debate raivoso e intensamente partidário nesta quinta-feira (15/06) sobre a guerra no Iraque. Republicanos procuraram angariar apoio para as políticas de Bush e explorar as divisões democratas em um ano de eleição encoberto pelo desconforto com a guerra.

Foi um dos confrontos legislativos mais intensos em torno do conflito de três anos. Nos últimos três dias, o presidente Bush e seus assessores vinham procurando passar uma imagem que o Iraque gradualmente estava se tornando uma democracia estável e funcional, e que os democratas não tinham a tenacidade para chegar à vitória.

Na Câmara, os congressistas debateram uma resolução republicana prometendo "completar a missão" no Iraque, persistir na luta global contra o terrorismo e se opor a qualquer "data arbitrária para a retirada" dos combatentes americanos no Iraque.

Já os senadores decidiram engavetar uma emenda que exigiria que os EUA retirassem a maior parte dos soldados até o final do ano, mas os democratas prometeram voltar ao debate na próxima semana.

As duas medidas foram cuidadosamente encaminhadas pelos republicanos e, por enquanto, ao menos, ameaçam anular a agenda do Congresso para a retirada do Iraque.

Republicanos da Câmara afirmaram que sua resolução era essencial para garantir às tropas americanas e ao mundo que os EUA estavam por trás da guerra no Iraque e da luta mais ampla contra o terrorismo. Segundo eles, esses conflitos estão inextricavelmente interligados. O presidente da Câmara, Dennis Hastert, de Illinois, que raramente fala em plenário, abriu o debate formal de 10 horas.

"É uma batalha que precisamos agüentar e na qual todos podemos e seremos vitoriosos", disse ele sobre a luta contra os terroristas, não só no Iraque. "A alternativa seria fugir e esperar enquanto eles se reagrupam e trazem o terror de volta as nossas praias."

Ele acrescentou que as tropas americanas no Iraque sabiam que sua causa era nobre, que eram os libertadores e não os ocupantes. "É hora desta Câmara de Representantes dizer ao mundo que sabemos isso também, que sabemos que nossa causa é correta e que temos orgulho dela."

Democratas, divididos a respeito da guerra, estão mais ou menos unidos na crítica contra a forma que Bush a administrou. Eles rebateram que a resolução republicana era um mero estratagema político, uma tentativa de evitar um verdadeiro debate sobre políticas do governo. "Uma propaganda para continuar no Iraque", disse a deputada democrata da Califórnia Jane Harman. "Não é um sinal de mudança de política, e portanto não podemos apoiá-la."

Além de raiva, havia tristeza. No início do debate, o deputado Ike Skelton, democrata de Montana, pediu um momento de silêncio para marcar o anúncio do Pentágono na quinta-feira que o número de militares americanos mortos no Iraque tinha chegado a 2.500. Muitos congressistas falaram em visitar as tropas no Iraque e em hospitais, e sobre o custo em mortes e sofrimento.

O deputado John Murtha, democrata de Pensilvânia, veterano da guerra do Vietnã cujo pedido para uma retirada rápida das tropas transformou o debate no ano passado, levantou-se várias vezes para dizer aos republicanos: "Retórica não resolve o problema."

"Eles estão lutando entre si, e nossas tropas estão presas no meio", disse Murtha, referindo-se à violência sectária que divide o Iraque.

Apenas cinco meses antes das eleições de novembro, quando as maiorias republicanas estarão em jogo, as paixões partidárias correm soltas. Os republicanos argumentaram repetidamente que seus opositores democratas não tinham a tenacidade nem a vontade de confrontar o terrorismo, voltando a temas republicanos usados com sucesso na campanha de 2004.

"Muitos do outro lado do corredor não têm força de vontade para vencer. O povo americano precisa saber precisamente quem são", disse o deputado Charlie Norwood, republicano da Geórgia. Ele acrescentou: "É hora de se levantar e votar. Será a Al Qaeda ou os EUA?"

Algumas vezes os democratas reagiram com fúria mal controlada. A deputada Nancy Pelosi, líder democrata descreveu a guerra como "um erro grotesco". Ela e outros disseram que os republicanos simplesmente estavam tentando criar uma "armadilha" para os democratas e que não queriam um verdadeiro debate. A resolução proposta pelos republicanos só poderia ser votada por inteiro, não podia receber emendas.

Da mesma forma, os senadores democratas revoltaram-se quando republicanos forçaram a votação de uma emenda do senador John Kerry, democrata de Massachusetts. Kerry adiou o pedido de votação de sua emenda --pela retirada dos soldados americanos do Iraque-- enquanto trabalhava com outros democratas para conseguir um consenso mais amplo.

Mas o senador Mitch McConnell, republicano de Kentucky, simplesmente substituiu o nome de Kerry pelo seu e ofereceu-a para debate. O senador Bill Frist, do Tennessee, líder da maioria, caracterizou a emenda como uma "fuga".

O senador Harry Reid, de Nevada, um dos muitos democratas que se opõem à emenda de Kerry, levantou-se para declarar: "Há duas coisas que não existem no Iraque: fuga rápida e armas de destruição em massa". Reid então pediu que a emenda fosse retirada de consideração, e sua moção foi aprovada por 93 votos a 6. Senadores democratas prometeram voltar na semana que vem com mais emendas e uma estratégia de saída para as tropas americanas.

O senador John Cornyn, republicano do Texas, retratou a votação da emenda como uma declaração de apoio ao frágil governo iraquiano. "Isso envia uma boa mensagem, que o governo americano se opõe, majoritariamente, a uma estratégia de fuga."

Mas os democratas disseram que a votação era apenas um jogo político. Nem todos os democratas querem estabelecer um prazo limite para a retirada das tropas americanas. Em novembro, eles concordaram com uma lei de defesa, aprovada com grande margem pelos dois partidos, declarando que 2006 deveria ser um "ano de transição significativa" no Iraque. Nas duas casas, os democratas vêm tentando chegar a um texto que vai além disso, mas sem estabelecer um limite firme.

Alguns republicanos ridicularizaram os democratas por suas divisões, na quinta-feira. "Seu verdadeiro desafio é que não têm uma posição comum e unificada", disse o deputado Tom Cole, republicano de Oklahoma. "Certo ou errado, o nosso lado tem uma posição unificada."

A resolução sob debate na Câmara declara que os EUA e seus aliados estão "envolvidos em uma guerra global ao terror, uma luta longa e exigente contra um adversário movido pelo ódio aos valores americanos, decidido a impor ao mundo, pelo uso do terror, sua ideologia repressiva."

A resolução também declara que "os terroristas declararam que o Iraque é a frente central de sua guerra contra todos que se opõem à sua ideologia". Durante o dia, republicanos discutiram esses pontos, invocando a memória de 11 de setembro e argumentando que o Iraque era fundamental a essa batalha maior.

O deputado Barney Frank, democrata de Massachusetts, argumentou que "a guerra no Afeganistão foi a resposta aos ataques terroristas" --não a guerra no Iraque.

Enquanto apóia as tropas, a resolução endossa a política do governo e rejeita qualquer prazo para retirada. Essa combinação de itens populares e impopulares amarrou alguns democratas antes da votação de sexta-feira. No entanto, alguns argumentaram que os republicanos também ficam em uma situação difícil, com prazo indefinido no Iraque. Retirada das tropas divide os democratas; republicanos são contra Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host