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16/06/2006

Subúrbios deverão decidir eleição para a Câmara

The New York Times
Timothy Egan

Em Bellevue

Estado de Washington
Em busca de qualquer vantagem nas difíceis eleições para o Congresso deste ano, os partidos Democrata e Republicano estão se concentrando com intensidade cada vez maior naquelas selvas sem saída de lealdades políticas tênues, os subúrbios e exúrbios.

Após anos nos quais os republicanos exploraram o rápido crescimento nas áreas distantes, os democratas agora vêem uma oportunidade para conquistar avanços nos subúrbios próximos, onde as mudanças na composição da população estão atuando a seu favor. Em aproximadamente uma dezena de distritos eleitorais que são importantes campos de batalha nas eleições de novembro, os subúrbios mais antigos, com maior densidade demográfica, apresentam inclinação democrata, ajudando a compensar o predomínio republicano na ampla fronteira exurbana.

As esperanças democratas de retomar a Câmara, disseram estrategistas do partido, poderão depender de locais como Bellevue, uma cidade com 107 mil habitantes do outro lado do Lago Washington, em relação a Seattle. Aqui, uma população asiática que cresce rapidamente e um afluxo de pais cujos filhos já deixaram o lar e solteiros, que vivem nos novos complexos residenciais, ajudaram a tornar este o tipo de distrito que, apesar de continuar enviando republicanos ao Congresso, tem se tornado cada vez mais democrata.

Ambos os lados estão ajustando suas mensagens e direcionando seu poder de fogo aos subúrbios politicamente indefinidos. Nesta sexta-feira (16/06), o presidente Bush veio a este próspero distrito como chamariz para um evento de arrecadação de fundos, que visa ajudar na reeleição do deputado Dave Reichert. A chegada do presidente ocorre logo após a visita do deputado Rahm Emanuel, de Illinois, que está encarregado dos esforços democratas para retomada da Câmara.

"O futuro de ambos os partidos está nos subúrbios", disse Emanuel, que esteve aqui em prol da adversária democrata de Reichert, Darcy Burner, uma ex-funcionária da Microsoft de 35 anos e que é nova na política.

O deputado Mark Steven Kirk, que representa o distrito de North Shore, nos arredores de Chicago, disse que os eleitores suburbanos estão menos concentrados em questões da guerra cultural, como casamento de mesmo sexo e aborto, e mais preocupados em segurança, educação e proteção ambiental. Ele disse que à medida que a população muda, estes eleitores não mais se enquadram facilmente nos padrões partidários.

"Eu vejo esta nova realidade no meu distrito", disse Kirk, um republicano em terceiro mandato cujo distrito votou no Partido Democrata na eleição presidencial de 2004. "Antigamente, quando você olhava para uma casa não geminada com quintal grande, ela geralmente era republicana."

No centro do cálculo político se encontra uma realidade demográfica: os subúrbios mais antigos, mais próximos e mais densamente povoados, longe de serem estáticos e homogêneos, estão atraindo moradores que nunca viveram lá em grande número.

"Algo acontece à medida que estes subúrbios envelhecem", disse o dr. Robert E. Lang, diretor do Instituto Metropolitano do Instituto Politécnico da Virgínia, uma sociedade de pesquisa concentrada em fatores que moldam o crescimento metropolitano. "Não se trata de, 'Querida, estamos morando em uma casa geminada, é hora de votar nos democratas'. É uma diferença no tipo de pessoa que se muda para lá. Com a densidade, há uma maior diversidade racial, de solteiros e pessoas aposentadas."

Nos subúrbios mais velhos, onde o crescimento atingiu o pico dos anos 70 aos 90 e onde moram quase 60% das pessoas que vivem nas 50 maiores áreas metropolitanas do país, os democratas construíram uma ligeira vantagem, disse Lang em uma entrevista.

Apesar de a maioria dos distritos eleitorais terem sido traçados pelos legislativos estaduais visando dar a vantagem para um partido ou outro, muitas das disputas mais acirradas para a Câmara neste ano ocorrem em distritos que envolvem tanto subúrbios mais velhos quanto mais novos. Isto os torna politicamente menos previsíveis.

Em "A Nova Política Metropolitana", um estudo que ele conduziu com Thomas W. Sanchez, Lang descobriu que, nas últimas eleições presidenciais, um padrão claro despontou: quanto maior a densidade demográfica de um subúrbio, maior é o voto democrata; quanto mais novo e com espaços mais abertos, maior é o voto republicano.

Nos subúrbios mais próximos, os anéis mais próximos em torno das grandes cidades, os democratas conquistaram 58% dos votos na eleição presidencial de 2004, segundo Lang. Nos subúrbios mais velhos, no anel seguinte, a participação democrata foi ligeiramente menor, 51,9%.

Mas as áreas que crescem mais rapidamente estão nos limites externos, às vezes a 130 quilômetros ou mais do centro urbano, e são nelas que os republicanos formaram grandes maiorias. Nos dois anéis mais externos do estudo, em 2004 o presidente Bush conquistou 56,6% dos votos no que Lang chamou de "subúrbios emergentes", e 62,3% nos exúrbios.

"A cada aumento significativo da densidade urbana, o democrata John Kerry recebeu uma proporção maior do voto", escreveu Lang. O padrão foi igual tanto nos Estados vermelhos (republicanos) quanto azuis (democratas).

Os democratas, que precisam conquistar mais 15 cadeiras para obter o controle da Câmara, estão estudando a pesquisa de Lang em um esforço para conseguir isto.

"A tese dele está bem no centro desta disputa", disse Zack Silk, o diretor de campanha de Burner, a adversária democrata de Reichert aqui.

Mas há limites claros para o cálculo "destino determinado pela demografia". Reichert, como muitos outros republicanos em disputas acirradas, desfruta do poder considerável de ser o detentor do cargo. Além disso, padrões tradicionais de votação podem ser superados caso as condições políticas nacionais sejam propícias, como os democratas descobriram em 1994, quando, após quatro décadas no poder, eles perderam o controle da Câmara em uma grande vitória nacional republicana. Grandes questões como a guerra no Iraque podem superar a lealdade partidária.

Assim como as pequenas. Reichert disse que a principal preocupação de seus eleitores é o trânsito congestionado. Em um momento em que os democratas dizem que suas pesquisas dão a Bush um índice de aprovação de apenas 26% neste distrito, Reichert está fazendo campanha em torno desta questão, assim como da criminalidade de gangues e segurança na escola.

"Sim, a guerra é importante", ele disse, "mas em todo lugar que vou as pessoas querem que algo seja feito a respeito do trânsito, algo que melhore seu dia a dia".

Mas independente das questões, a mistura de demografia e política está ocorrendo em muitos distritos. No aglomerado de condados fora da Filadélfia --Bucks, Delaware e Montgomery entre eles-- John Kerry conseguiu em 2004 conquistar ainda mais votos do que Al Gore quatro anos antes. De forma semelhante, no condado de Fairfax, Virgínia, os democratas venceram facilmente na eleição presidencial em 2004, após terem sido derrotados por Bush em 2000. No Colorado, os democratas obtiveram grandes ganhos nos subúrbios populosos de Denver, os condados de Arapahoe e Jefferson, apesar de Bush ter vencido em ambos, mas por pequena margem.

E nos subúrbios mais antigos nos arredores de Chicago, os democratas gradualmente obtiveram ganhos suficientes para acharem que podem conquistar a cadeira deixada pelo deputado Henry J. Hyde, um republicano com 16 mandatos. O distrito inclui grande parte do condado de DuPage, ainda republicano, mas que está se tornando mais democrata à medida que cresce.

Para cada oportunidade democrata nos subúrbios mais antigos, mais densos e com maior diversidade, há uma abertura republicana nos exúrbios que estão crescendo rapidamente. Por exemplo, no condado de Douglas, Colorado, o condado que mais cresceu no país no final dos anos 90, Bush derrotou Kerry por uma proporção de 2 votos para 1. No epicentro do crescimento da Califórnia, o condado de Riverside, o presidente venceu por 57% contra 41%, um grande avanço em comparação ao resultado que ele obteve em 2000.

De fato, Bush venceu em 97 dos 100 condados que mais cresceram no país em 2004. Os republicanos se voltaram para estes subúrbios mais distantes --freqüentemente locais compostos por pouco mais que terras rurais e campinas floridas há apenas uma geração-- com campanhas voltadas para os valores familiares.

Mas Lang e outros especialistas notam que os exúrbios nos condados com grande crescimento representam uma parcela muito pequena do voto do país, dizendo que ganhos maiores podem ser obtidos pelos partidos nas faixas de transição, onde os subúrbios mais novos e mais antigos se encontram. Estudando as 50 maiores áreas metropolitanas, que contam com cerca de 150 milhões de pessoas, Lang descobriu que 90 milhões viviam em um subúrbio um pouco mais velho e que apenas 5,6 milhões viviam nos exúrbios, onde o voto para Bush foi mais forte.

Os republicanos venceram as duas últimas eleições presidenciais, disse Lang, obtendo maiorias imensas nas áreas rurais e exurbanas e obtendo uma ligeira maioria nos subúrbios mais próximos do centro urbano. Um padrão geográfico explica voto em democratas ou republicanos George El Khouri Andolfato

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