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17/06/2006

Marido é acusado de ajudar a mulher a se matar

The New York Times
James Barron*

Em Nova York
Parecia um passeio em família. A minivan parou em um ponto com vista ampla, em um trecho mais largo da estrada de uma pista asfaltada ao longo de um despenhadeiro. À distância, o rio Hudson. Trinta metros abaixo, vê-se uma floresta tão grossa quanto no tempo que era da família Harriman, há um século.

A polícia diz que três coisas aconteceram depois disso. Um homem saltou da minivan, talvez para tirar uma fotografia. Sua mulher, dentro do carro com duas jovens filhas, engatou a marcha. E a minivan saltou do despenhadeiro.

A mulher, Hejin Han, 35, morreu na quarta-feira (14/06) quando a minivan rolou pelo despenhadeiro rochoso no Parque Estadual Bear Mountain, a cerca de 80 km ao norte de Manhattan, e bateu contra uma árvore. As duas filhas, presas ao assento traseiro do automóvel, não tiveram ferimentos graves.

Na sexta-feira, o homem que saiu da van antes que mergulhasse --Victor K. Han, 35, arquiteto de Staten Island-- foi acusado de promover uma tentativa de suicídio. A polícia alega que Han sabia que sua mulher estava com tendências suicidas e "deu-lhe uma oportunidade" de se matar.

No entanto, a polícia disse que havia mais um complicador. Documentos do caso citam uma colega de Han e alegam que os dois tiveram um romance.

Essa revelação conflitou com a forma como os vizinhos da família em Staten Island a descreveram --estável, feliz e religiosa, cujo pai tinha feito projetos para os vizinhos que queriam construir varandas em suas casas.

"Elas esperavam o pai chegar do lado de fora, à noite, e todos se abraçavam", disse Pamela Cropley, que mora perto dos Han em Elvin Street, em Castleton Corners, sobre Hejin Han e as meninas, de 5 e 3 anos.

Cropley disse que o casal mudara-se para a metade de uma casa de duas famílias há cinco ou seis anos. Ela nunca vira nada que sugerisse que Hejin Han fosse problemática --muito menos a ponto de tirar a própria vida.

"Toda vez que a via, estava sorrindo", disse Cropley. "Ela via você, e seu rosto se iluminava."

Promover uma tentativa de suicídio é uma acusação incomum, disseram professores e promotores na sexta-feira.

"Durante anos na promotoria de Manhattan e há mais de 10 anos aqui, nunca vi essa acusação", disse Louis E. Valvo, assistente do defensor público do condado de Rockland, que está administrando o caso.

Mas esta não era a única acusação pesando contra Han quando se apresentou diante do juiz William Franks, na Corte de Stony Point Town, na sexta-feira. Ele também foi acusado de colocar as duas crianças em perigo por descuido e colocar em risco seu bem-estar.

Assim como a acusação de tentativa de suicídio, essas últimas também são crime. Elas têm penalidade maior do que a de tentativa de suicídio. Valvo disse que, se for condenado, Han pode pegar até 14 anos de prisão.

Franks estabeleceu a fiança em US$ 75.000 (em torno de R$ 150.000) e marcou outra audiência para terça-feira. Han estava sendo detido na prisão do condado.

No tribunal, ele foi representado pelo defensor público James D. Licata, que não quis tecer comentários. Quanto ao que Han teria dito à polícia para levar à acusação por tentativa de suicídio, Licata disse: "Não estou inteirado das declarações que fez. Elas não nos foram fornecidas."

Han foi preso no início de sexta-feira depois de passar grande parte da quinta-feira sendo questionado. A polícia do parque disse que Han tinha consciência de que sua mulher "tinha ameaçado fazer mal a si mesma e suas duas filhas".

A declaração de uma página da polícia do parque descrevendo as acusações deu poucos detalhes sobre os eventos de quarta-feira, ou porque os Han fizeram o passeio ou como explicam o que aconteceu. Ligações para a polícia do parque foram transferidas para uma porta-voz em Albany, que não deixou que os policiais conversassem com a imprensa.

O ponto da estrada onde Han parou tem a vista do rio e da ponte de Bear Mountain. No precipício, no lugar de um muro, existem pedras com 3 metros de separação -separadas o suficiente para que o Honda Odyssey de Han passasse.

A polícia do parque disse que duas pessoas que caminhavam pelas trilhas ouviram a minivan descer pela montanha e se chocar contra a árvore e ajudaram os policiais a encontrarem o veículo. A polícia do parque também disse que, quando chegou ao local, Han tinha descido o morro, apesar de muito íngreme, e estava ao lado da van.

No início da sexta-feira, a polícia do parque acusou Han de cooperar com o suicídio de sua mulher, mas alguns especialistas estavam dizendo que seria difícil manter essa acusação.

Segundo Michael T. Cahill, professor assistente da Faculdade de Direito de Brooklyn, o item consta do código penal do Estado desde os anos 60.

"O texto da lei é que (para ser culpado) você tem que causar ou ajudar na tentativa de suicídio de outra pessoa. Eu não acredito que apenas sair do carro seria considerado ajudar na tentativa de suicídio de outra pessoa", disse ele.

*Colaboraram Ann Farmer e Nate Schweber. Ele a teria deixado jogar o carro com as duas filhas num precipício Deborah Weinberg

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