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18/06/2006

Matemática da imigração - é uma longa história

The New York Times
Daniel Altman
Grande parte do debate atual sobre imigração gira em torno das mesmas velhas questões: quanto os imigrantes contribuem para a produção? Eles tiram empregos de pessoas nascidas nos Estados Unidos? Que tipos de serviços sociais eles usam? Mas cada imigrante representa muito mais do que apenas um trabalhador ou um cidadão potencial. Para entender plenamente como a imigração moldará a economia, não basta olhar para apenas uma geração -é preciso olhar para o futuro.

Sociólogos e economistas estão apenas começando a estudar a performance de membros de segunda e terceira geração de famílias de imigrantes. Devido à variedade de experiências de pessoas de diferentes países e culturas, não é fácil generalizar. Mas pesquisa recente já revelou alguns fatos pertinentes.

A educação é um bom lugar para começar, porque está fortemente relacionada aos ganhos futuros. Os filhos de imigrantes têm mais anos de escolaridade do que os filhos de americanos com retrospecto socioeconômico semelhante. "Pode-se esperar que um filho de imigrantes, cujos pais têm 10 anos de escolaridade se saiam muito melhor do que um filho de americanos cujos pais têm 10 anos de escolaridade", disse David Card, professor de economia da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Ser filho de imigrantes, ele disse, "meio que aumenta seu estímulo".

Mas no todo, a segunda geração também tende a se igualar à média americana, disse Card. Alguns completam o segundo grau apesar de seus pais não terem completado, mas alguns cujos pais têm doutorado obterão apenas o grau de bacharel.

Ainda assim, podem ser necessárias várias gerações para as famílias de imigrantes pobres alcançarem o padrão americano. "Para o maior grupo de imigrantes -composto de mexicanos e mexicanos-americanos- o quadro é de progresso, mas ainda muito atrás em comparação a outros americanos", disse Hans P. Johnson, um pesquisador do Instituto de Política Pública da Califórnia. "Eles estão se saindo muito melhor do que seus pais, concluindo o colegial, mas ainda apresentam um baixo índice de conclusão do grau universitário."

Mas apesar do atraso na educação, disse Johnson, os imigrantes mexicanos e suas famílias não têm muita dificuldade para encontrar emprego. "Um dos paradoxos da imigração mexicana é que você tem estes trabalhadores com menor qualificação mas com taxas incrivelmente altas de emprego", ele disse. "A segunda geração não é capaz de manter o nível de emprego que é muito alto, mas fica basicamente na mesma faixa."

A segunda geração de famílias de imigrantes também está conseguindo subir a escada de qualificação. Uma pesquisa recente do Census Bureau, o órgão de estatísticas americano, revela que 40% das trabalhadoras e 37% dos trabalhadores da segunda geração conseguem posições profissionais e administrativas, um aumento de 30% e 24%, respectivamente, em relação à primeira geração. A pesquisa, realizada em 2004, incluiu muitos adultos cujos pais vieram aos Estados Unidos décadas atrás, notou William H. Frey, um membro visitante da Instituição Brookings, em Washington, que compilou os dados da pesquisa. Entre os imigrantes mais recentes, ele disse, é possível que a escolaridade mais baixa possa levar a resultados piores.
Outros fatores também podem tornar o sucesso mais difícil para os atuais filhos de imigrantes, em comparação aos do passado.

Um é o aumento da concorrência. Os filhos de italianos e poloneses que vieram para os Estados Unidos na virada do século 20 não enfrentaram muita, porque o governo impôs quotas de imigração após a chegada de seus pais, disse Roger Waldinger, um professor de sociologia da Universidade da Califórnia, em Los Angeles. Por outro lado, os filhos dos recém-chegados enfrentam a concorrência de ondas sucessivas de imigrantes de várias regiões.

A desigualdade de renda e riqueza é outro fator que pode afetar as oportunidades. "A segunda geração de italianos e poloneses amadureceu em uma era de baixa desigualdade histórica", disse Waldinger. "A segunda geração de imigrantes mexicanos está amadurecendo em uma era de alta desigualdade histórica, e isto é uma desvantagem para aqueles com baixa escolaridade."

Mas também há forças atuando na direção oposta. Por um lado, os filhos dos imigrantes de hoje terão maior acesso ao ensino e ao mercado de trabalho do que os de um século atrás. "É quase certo que a terceira geração do amanhã terá uma renda melhor do que a terceira geração do presente", disse Johnson. "As condições hoje são melhores em ternos de oportunidades de ensino."

Além disso, membros de vários grupos de imigração freqüentemente ascendem rapidamente -ou mesmo começam- no topo da escala salarial. Waldinger disse que "a média entre os imigrantes indianos é de 16 anos de escolaridade" e que, em média, "os indianos, coreanos e chineses já são bem-sucedidos". Um motivo, ele acrescentou, é que a sociedade está "muito mais aberta a estrangeiros" em cargos de topo e nas faculdades de elite do que antes.

Mesmo se gerações sucessivas de imigrantes conseguirem se tornar tão economicamente bem-sucedidas quanto os americanos, uma grande pergunta permanecerá: quantas pessoas realmente queremos nos Estados Unidos? Do ponto de vista de política fiscal do governo, disse Card, você pode argumentar que os únicos imigrantes que queremos nos Estados Unidos são aqueles "cujos filhos obterão Ph.D.s" e portanto serão economicamente produtivos.

Algumas pessoas podem argumentar que uma população maior aumentará o preço dos imóveis e causará mais poluição, ele disse. Mas também há vantagens no tamanho. "Se há crescimento da população, você pode financiar sistemas de transferência intergerações", como o Seguro Social e o Medicare, o sistema público de saúde para idosos, ele disse. E caso tenhamos esquecido, ele disse, "países grandes têm mais poder".

Frey concordou que ondas de imigração poderiam ajudar a solidificar a posição do país no mundo. Neste sentido, ele disse, Europa e Japão têm um problema. "Eles possuem uma sociedade que está envelhecendo porque não gostam de imigrantes", ele disse. "Eles acabarão em uma posição secundária na economia global." Tradução: George El Khouri Andolfato

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