UOL Notícias Internacional
 

20/06/2006

Nova Orleans em dificuldades pede pela Guarda Nacional

The New York Times
Susan Saulny

em Nova Orleans
Em um reconhecimento franco de que a cidade não consegue mais controlar sua crescente criminalidade, o prefeito C. Ray Nagin pediu ao Estado, na segunda-feira, o envio de tropas da Guarda Nacional para ajudar no patrulhamento das ruas de Nova Orleans.

Horas depois, a governadora Kathleen Babineaux Blanco disse que 100 soldados, somados a 60 policiais estaduais, seriam enviados já na manhã de terça-feira. Provavelmente mais chegarão no final da semana.

O apelo do prefeito por ajuda ocorreu dois dias depois de cinco adolescentes terem sido mortos a tiros com armas semi-automáticas no bairro de Central City, enquanto estavam sentados em um veículo utilitário esporte na manhã de sábado. Foi o ataque mais mortal na cidade em 11 anos, elevando para 53 o número de homicídios neste ano.

Nas últimas semanas, enquanto crescia a criminalidade e o Departamento de Polícia se esforçava para recuperar sua força de antes do furacão Katrina, muitos políticos, colunistas e cidadãos vinham pedindo por ajuda externa, algo que Nagin pareceu reconhecer na segunda-feira como necessário enquanto pedia por 300 homens da Guarda.

"Nós prometemos fazer todo o necessário a curto e longo prazo para tornar esta cidade mais segura", ele disse, acrescentando em outro momento no dia: "Esta é o limite que não será cruzado".

O Departamento de Polícia da cidade parece ineficaz para conter o aumento da violência ligada a drogas e os saques desenfreados -que estão limitados, em grande parte, aos bairros pobres e áreas menos populosas- apesar da presença na força de quase tantos policiais quanto nos dias que antecederam o furação Katrina e da atual população de 220 mil ser menos da metade de seu tamanho anterior.

Ainda assim, o departamento não se recuperou da tempestade. Ele sofreu
profundos cortes orçamentários, dispõe de um baixo estoque de munição e
continua lidando com sua reputação manchada. A polícia perdeu o controle da cidade quando os diques se romperam após o furacão Katrina, e apesar de muitos policiais terem conseguido cumprir seu dever sob circunstâncias extraordinárias, mais de 200 simplesmente abandonaram a força. Outros foram acusados de participar do caos.

Warren J. Riley, o chefe de polícia, disse que requisitou ajuda adicional para manutenção da lei meses atrás, prevendo o aumento da população no verão, e disse que o anúncio após um fim de semana de alta criminalidade foi simplesmente uma coincidência.

Ele insistiu durante uma coletiva de imprensa que sua força era capaz de controlar o crime e que o pedido não o minava e nem ao departamento de polícia. Mas seus comentários inconsistentes durante o dia refletiram a dificuldade enfrentada pelo seu departamento nos últimos meses.

"Com recursos apropriados nós teríamos esta cidade sob controle", ele disse, poucos momentos depois de declarar, "esta é uma situação onde tudo está fora de controle".

A Guarda se concentrará no patrulhamento dos bairros que foram mais
atingidos pela inundação e que ainda estão praticamente desabitados, disse Riley. Tal ação liberará até 300 policiais, que estavam patrulhando para evitar saques, para se concentrarem no crime nas áreas mais populosas da cidade.

Ele disse que não haverá presença da Guarda Nacional no centro de Nova
Orleans, no Bairro Francês ou em qualquer outra área mais populosa.
Os moradores de partes da cidade altamente danificadas, como Lakeview e o leste de Nova Orleans, onde o saque em casas inundadas tem sido intenso, pedem há meses para as autoridades municipais fornecerem mais proteção.

Tal desejo também é refletido pelos apresentadores de programas de rádio e colunistas dos jornais locais.

"Sra. governadora, sr. prefeito, estimado Legislativo e Câmara dos
Vereadores: nos forneçam alguma proteção e já", escreveu um dos colunistas mais populares da cidade, Chris Rose, do "The Times-Picayune", em uma recente coluna. "Nós forneçam alguma segurança: tragam a Guarda Nacional."

Os moradores dizem estar enfrentando dificuldade para reconstrução por que os materiais e novos utensílios são roubados assim que chegam às casas desocupadas em bairros praticamente vazios.

"Já passou da hora da presença da Guarda aqui", disse Larry Dupont, um
eletricista que morava em Gentilly antes da inundação ter destruído seu
bairro. "Eu estou cheio de tudo o que Nova Orleans não está fazendo para ajudar sua população."

Ainda assim, outros disseram que temem a militarização da cidade e que não têm boas lembranças da presença da Guarda Nacional aqui, logo após o furacão.

"Quando estava aqui ela não me passou exatamente um sensação de segurança", disse Kalli Forster, a gerente de uma butique no setor Uptown. "Ela me fez sentir como se estivesse em uma zona de guerra."

Outros disseram que a ação passa uma mensagem assustadora.

"Isto basicamente diz que as pessoas encarregadas não estão no controle", disse Dawn Larsen, uma advogada de Uptown.

Os cinco jovens que foram mortos antes do amanhecer de sábado tinham idades entre 16 e 19 anos e, disse Riley, três dos cinco tinham antecedentes criminais. Os três estiveram envolvidos em disparos seguidos de fuga em outra parte da cidade, em 1º de maio, disse o chefe. Eles foram acusados de ataque com agravante e posse de arma, mas a vítima e testemunhas se recusaram a cooperar e prestar queixa, de forma que foram liberados.

Os adolescentes foram baleados ao lado do Distrito Comercial Central, em uma área conhecida localmente como paraíso para atividades relacionadas à drogas. George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h58

    -0,53
    3,128
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    -0,28
    75.389,75
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host