UOL Notícias Internacional
 

20/06/2006

Tentando novamente transformar Pelé em lucros

The New York Times
Richard Sandomir

em Nova York
A euforia global com a Copa do Mundo faz lembrar o espasmo de interesse por futebol nos Estados Unidos motivado pela chegada de Pelé ao Cosmos de Nova York, em 1975. Ele recebeu US$ 7 milhões para interromper a sua aposentadoria - Pelé havia pendurado as chuteiras em 1974, jogando pelo Santos - e ingressar em um time cheio de astros que tinha o poder de lotar o Giants Stadium.

Depois do último jogo de Pelé, após três temporadas (ele jogou um tempo do jogo pelo Cosmos, e o outro tempo pelo Santos), o seu discurso de despedida aos 75.646 fãs em Meadowlands continua sendo memorável devido à sua passagem mais famosa, proferida em meio às lágrimas: "Por favor, digam comigo, trêsvezes: Amor! Amor! Amor!".

Hoje Pelé tem 65 anos de idade, possui casas em Manhattan e em Hamptons, e é enormemente reconhecível. A sua popularidade mundial é similar a de Muhammad Ali - Pelé é o maior, mas não O Maior -, mas sem o martírio calado e as controvérsias religiosas e políticas.

"Crianças que nunca me viram jogar, crianças de oito a dez anos de idade, na China, nos Estados Unidos, na África, vêm ver Pelé, e pedir autógrafos", disse ele recentemente pelo telefone, da Alemanha, onde está atuando como analista da Copa do Mundo para a televisão alemã. "Isso é um dom de deus. Eu tenho uma boa mensagem. Respeito as pessoas. As pessoas me amam. Elas se lembram de Pelé, o campeão, como um vencedor".

Agora ele vai verificar se elas o amam suficientemente para comprá-lo.

Há um ano Pelé está discretamente associado à Prime Licensing, uma companhia com sede no Rio de Janeiro que é financiada por um magnata do setor de imóveis e que se dedica somente à marca Pelé. A companhia esteve por trás de um negócio com a Puma no ano passado para o lançamento de sapatos e equipamentos esportivos com a grife do craque. Ela também foi a promotora de uma nova autobiografia e da criação da "Pelestation - The Legend in Action" (algo como "Estação Pelé - A Lenda em Ação"), uma suntuosa mostra em Berlim sobre a vida de Pelé, que foi inaugurada de forma a coincidir com o início da Copa do Mundo.

"O homem, Édson, tem 65 anos, mas Pelé, como personagem, tem 50", disse na semana passada, em uma entrevista, Paulo Ferreira, diretor de operações da Prime, referindo-se ao nome de batismo de Pelé. "Pela primeira vez na sua carreira ele está criando uma marca em torno do seu nome. No passado, muitas das coisas que fez não tiveram caráter profissional. Pelé sempre estava tentando fazer projetos com os amigos, mas nada disso foi um bom negócio para ele".

"Daqui a 50 anos, Pelé será tão popular quanto em 2006", assegurou Ferreira.

Com esta finalidade, a Prime assinou com Pelé aquilo que é essencialmente um contrato de 40 anos.

"Se tudo correr bem, ficarei com a Prime pelo resto da vida", afirmou Pelé.

Ferreira tem grandes, para não dizer grandiosos, planos para Pelé. Ele disse que está conversando com um estúdio de Hollywood a respeito de um filme, e avaliando projetos imobiliários, como um condomínio de futebol no Rio de Janeiro construído em torno do nome de Pelé.

Existem também planos para campos de futebol e um negócio envolvendo a telefonia celular.

Ferreira previu que o negócio global de Pelé - do qual Pelé receberá uma fatia não especificada - renderá US$ 30 milhões no ano que vem e até US$ 100 milhões em 2008. Não há forma de comprovar até que ponto essas previsões são realistas.

Ferreira acredita que, 29 anos após Pelé ter jogado pela última vez, ele ainda é mais comercializável do que David Beckham ou Ronaldinho.

"É claro que eles representam concorrência", disse Ferreira. "Mas esses jogadores são algo de mais sazonal. Já no caso de Pelé, estamos trabalhando com um produto perene".

Jeff Chown, o presidente da Davie-Brown Talent, que promove a interação de atletas e celebridades com corporações, disse: "Pelé ainda é um dos poderosos chefões do seu esporte. É uma pessoa que todos conhecem. Ele representa o apogeu do esporte. É uma lenda que está batendo à porta de Ali".

Pelé era o Michael Jordan antes do boom do marketing esportivo das décadas de 1980 e 1990. Atualmente Jordan tem dinheiro suficiente para ser o mais novo e maior investidor da equipe de basquete Charlotte Bobcats, depois de Robert Johnson, o principal proprietário do time da NBA.

Jordan e outros poucos indivíduos são modelos a serem seguidos por qualquer atleta que não tenha faturado espetacularmente com o esporte. Foram necessárias uma alteração de personalidade e a aposentadoria para que George Foreman obtivesse a bagatela de US$ 137,5 milhões da Salton para continuar vendendo as suas grelhas. Foi necessário um empresário como Robert Sillerman para perceber o quanto Ali estava subutilizado, e pagar US$ 50 milhões por 80% da participação acionária na companhia do lutador, a GOAT, pelo direito de fazer marketing com a imagem do pugilista.

Pelé tem uma história empresarial conturbada. Ele confiou nas pessoas erradas, e assinou papéis que não devia. Um agente usou indevidamente o seu dinheiro para investimentos dúbios. A sua empresa de construção fracassou.

A Pelé Sports and Marketing foi devastada por um escândalo financeiro em 2001, quando o dinheiro que tomou emprestado para financiar um jogo beneficente para a Unicef, no Rio de Janeiro - uma partida que acabou não acontecendo - não foi restituído. Pelé ordenou que a companhia fosse alvo de uma auditoria, fechou a empresa e processou o seu sócio por ter se apropriado de US$ 4 milhões.

"Infelizmente, eu confio nas pessoas", disse Pelé. Isso aconteceu durante toda a minha vida, e eu tenho grandes problemas com os sócios". Ele achou mais fácil fazer propaganda de produtos como o MasterCard, com o qual trabalha há 18 anos. E também trabalhou para a Nokia, a Pepsi-Cola e a Petrobras, uma companhia brasileira de petróleo.

"Não tenho problemas com propagandas", disse ele. "Meus problemas são só com os sócios". Danilo Fonseca

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