UOL Notícias Internacional
 

21/06/2006

Projeto revisado do memorial mantém muitos elementos e reduz custo

The New York Times
David W. Dunlap e Charles V. Bagli

em Nova York
Os nomes dos mortos subirão dos lagos abaixo para a praça, como muitos parentes exigiam. Mas as cascatas ainda cairão neles, no fundo de dois enormes vazios que marcarão o local onde se erguiam as torres gêmeas.

Lower Manhattan Development Corp. via The New York Times 
Representação do memorial e museu do World Trade Center no complexo Freedom Tower

Os redesenhados memorial e museu do World Trade Center, apresentados na terça-feira após semanas de espera ansiosa, tentam resolver os problemas de segurança, aplacar os parentes descontentes e, acima de tudo, trazer o projeto para mais próximo do teto orçamentário de US$ 500 milhões estabelecido no mês passado pelo governador George E. Pataki e pelo prefeito Michael R. Bloomberg.

O novo plano de US$ 510 milhões, um dos vários desenvolvidos por um executivo de construção civil, Frank J. Sciame, a pedido do governador e do prefeito, manterá características significativas do projeto original, de autoria de Michael Arad e Peter Walker, que foi escolhido em 2004 após um concurso mundial.

Mas o projeto revisado alterará fundamentalmente a experiência. Em vez de percorrer uma longa rampa até as galerias subterrâneas para contemplar os nomes inscritos, e então voltar para cima para entrar em um museu separado, o visitante caminhará ao redor da praça antes de entrar em um centro de orientação que levará a um museu menor, grande parte dele perto do leito rochoso.

Esta opção foi uma das cinco que Sciame apresentou na quinta-feira ao governador e prefeito.

Pataki disse na terça-feira que a opção que escolheram preserva os vazios, as cascatas, os lagos, os nomes ao redor das piscinas e a passagem subterrânea ao museu. "Para mim, estes eram os elementos importantes do projeto de Michael Arad", disse o governador.

Mas Arad disse que a eliminação de quase todas as galerias ao redor dos
lagos foi um dos "cortes mais dolorosos" que lhe foi pedido e um
distanciamento significativo do conceito original.

"Esta mudança é resultado de um processo difícil que trata dos custos deste empreendimento importante", disse Arad em uma declaração. "Apesar de estar desapontado com esta mudança, eu reconheço o imperativo para seguir em frente e dar início à construção do memorial o mais breve possível."

"Eu prometo continuar trabalhando para construir um memorial digno que
permaneça fiel ao objetivo original -criar um local onde todos possamos
encontrar um espaço para reunião, reflexão e compartilhamento das lembranças daqueles que perdemos", ele disse.

As recomendações de Sciame podem ser encontradas online no endereço
renewnyc.com.

"O governador e eu estamos muito satisfeitos com o resultado disto", disse Bloomberg na terça-feira, acrescentando: "As mudanças não são perfeitas, mas tornarão os custos acessíveis."

A Lower Manhattan Development Corporation, que está supervisionando o
planejamento do memorial, aceitará comentários públicos por uma semana. Seu conselho diretor deverá adotar um projeto final no fim do mês. O trabalho nas fundações poderá então começar no próximo mês, com a inauguração prevista para 11 de setembro de 2009.

Na praça, os visitantes encontrarão os nomes de todas 2.979 vítimas dos
ataques terroristas de 11 de setembro de 2001 e 26 de fevereiro de 1993, inscritos ao redor de dois vazios. Eles não terão que passar por uma área de inspeção de segurança, como ocorreria caso os nomes estivessem distribuídos em parapeitos em oito galerias subterrâneas.

Por outro lado, os visitantes não encontrarão o isolamento da agitação da vida da cidade que as galerias propiciariam. Em vez disso, disse Sciame, o som das cascatas ao redor de cada vazio servirá como anteparo.

Seis galerias seriam eliminadas, assim como as rampas de acesso a elas a partir da praça e o pavilhão de entrada do museu na West Street. Em vez disso, o memorial e museu seriam combinados no subterrâneo em um complexo com acesso por um único centro de orientação ao visitante, na Greenwich Street.

Após passar por um posto de segurança neste prédio, os visitantes passariam por um espaço chamado salão memorial. De lá, eles poderiam caminhar ao longo das duas galerias remanescentes no nível do lago.

Eles então desceriam para um grande salão 20 metros abaixo da rua, perto do leito rochoso, onde poderiam ver os restos retorcidos das colunas perimetrais das torres gêmeas, um seção de 15 a 30 metros da parede que formava a fundação do trade center e grandes artefatos, como a última coluna recuperada das torres.

O museu seria encolhido de 14 mil metros quadrados para 11 mil metros
quadrados, mas não seria transferido para a Freedom Tower, como Bloomberg sugeriu em maio. Isto revelou não ser prático, exigia muito tempo e era caro demais, disse Sciame.

Paula Grant Berry, uma jurada do memorial, disse na terça-feira que Sciame "falou com todos e buscou entender quais eram as características mais importantes do memorial".

Como resultado das mudanças, disse Sciame, o orçamento para o memorial e o museu memorial -sem contar o centro para visitantes de US$ 80 milhões, o qual o governador já se comprometeu a financiar- ficaria em cerca de US$ 510 milhões. Isto representaria uma economia de cerca de US$ 162 milhões em comparação à estimativa anterior mais confiável.

O vice-prefeito Daniel L. Doctoroff disse que grande parte da economia, US$ 73 milhões, veio da eliminação das seis galerias subterrâneas.

Sciame disse que ao trabalhar com a Autoridade Portuária de Nova York e Nova Jersey, ele reduziu o custo da infra-estrutura no local do
memorial -refrigeração, vias subterrâneas e coisas do gênero- de US$ 301 milhões para US$ 178 milhões.

Isto reduziria o preço total do desenvolvimento da área do memorial, que foi estimado em cerca de US$ 1 bilhão em maio, para próximo de US$ 700 milhões. Sciame disse que uma maior economia será possível se a Autoridade Portuária assumir a responsabilidade pela construção do memorial, do museu e do centro para visitantes.

Tanto o presidente da autoridade, Anthony R. Coscia, e seu diretor
executivo, Kenneth J. Ringler Jr., reconheceram que sua agência poderia se encarregar de tal papel. Mas eles disseram que antes de assumir tal
compromisso, eles querem se certificar de que há um consenso sólido em torno do projeto final e um plano de financiamento realista implementado.

Até o momento, a corporação de desenvolvimento levantou US$ 250 milhões para o projeto. A World Trade Center Memorial Foundation, que será a
proprietária, construirá e manterá o memorial e o museu, disse que já
levantou US$ 131 milhões privativamente.

Por ora continua não decidida a dúvida sobre como os nomes serão
organizados. Em 2004, o governador e o prefeito defendiam uma distribuição aleatória, com insígnias de serviço ao lado dos nomes do pessoal de emergência uniformizado.

Muitos parentes das vítimas são fortemente contrários a isto.
Contrapropostas incluem uma listagem separada para bombeiros ou agrupamentos por local de trabalho ou afiliação: Aon, Cantor Fitzgerald, Marsh & McLennan e assim por diante.

"É algo que é importante para as famílias", disse Sciame. "Isto não tem
impacto no orçamento, mas é algo que gostaria que fosse resolvido."

Ele disse que sua meta era eliminar o máximo possível de controvérsia em torno do projeto. "Se pudermos obter apoio entusiástico para o memorial no ponto zero", disse Sciame, "eu acho que será ótimo para o memorial, para a idéia da reconstrução".

Parece que Sciame já conseguiu encontrar algum acordo entre aqueles que
estão disputando em torno do memorial.

"É um passo gigante na direção certa", disse Anthony Gardner, da Coalizão das Famílias de 11 de Setembro, que costuma ser franco nas críticas aos planos para o memorial. Mas ele disse estar reservando seu apoio até que as dúvidas sejam respondidas sobre a preservação do que restou das torres e a organização dos nomes.

Monica Iken, membro do conselho diretor do memorial e fundadora da Missão de Setembro, que apóia o desenvolvimento de um parque memorial, disse: "No geral, nós estamos satisfeitos em ver que mantiveram as cascatas e que ainda haverá um espaço de galeria. Alguns detalhes precisam ser acertados. Mas é um progresso". George El Khouri Andolfato

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