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23/06/2006

Sem vitórias, seleção dos Estados Unidos é eliminada da Copa do Mundo

The New York Times
Jere Longman

em Nuremberg, Alemanha
Vítimas de um gol de pênalti discutível no final do primeiro tempo, os Estados Unidos foram eliminados da Copa do Mundo na quinta-feira (22/06), com uma derrota de 2 a 0 para Gana. Bruce Arena poderá também em breve deixar de ser o técnico da seleção norte-americana. Mas qualquer análise do fiasco dos norte-americanos terá que considerar várias causas para a eliminação da seleção dos Estados Unidos.

Deixando de lado episódios duvidosos envolvendo a arbitragem, os Estados Unidos não provaram que mereciam avançar além da primeira fase. Virtudes conhecidas da seleção norte-americana, como o trabalho duro, a coragem e a determinação estavam presentes, mas houve uma profunda ausência de técnica futebolística.

"É neste espaço que o mundo inteiro nos observa", disse Sunil Gulati, presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos. "É na Copa do Mundo que nos autoavaliamos. E o resultado não foi bom".

Os norte-americanos não venceram um só jogo, não fizeram um único gol por conta própria e chutaram a bola ao gol com precisão apenas quatro vezes em três partidas. A Itália fez um gol contra; caso contrário os Estados Unidos teriam marcado tão poucos gols quanto em 1998, quando ficaram em último lugar em números de gols entre as 32 seleções participantes.

O time mostrou-se bem inferior já no início do torneio, e passou o resto do seu período na competição lutando para se recuperar. Agora, Arena e os seus jogadores, especialmente o atacante Landon Donovan, que foi medíocre e desapontador em todas as partidas, precisam responder a perguntas urgentes sobre como o rendimento da seleção caiu tanto, após ela ter chegado às quartas-de-final em 2002.

Qualquer técnico de uma seleção nacional arca inevitavelmente com grande responsabilidade pelo fracasso, talvez de maneira até desproporcional. Mesmo assim, essas são as regras darwinianas do jogo. No futuro próximo, Arena e a Federação de Futebol dos Estados Unidos decidirão se ele será novamente o técnico da equipe para a próxima Copa do Mundo, depois que o seu contrato expirar em dezembro deste ano.

"Se vocês me perguntassem neste momento, eu diria que não ficarei", declarou Arena, que é um decano entre os técnicos da Copa do Mundo, dirigindo a sua seleção há oito anos, e sendo o treinador que conquistou mais vitórias para os norte-americanos. Arena saiu rapidamente de campo após o jogo, e mais tarde sugeriu que, caso os Estados Unidos tivessem caído em uma outra chave, o time poderia ter avançado para as oitavas-de-final.

Mas mesmo com um ataque sofrível, na quinta-feira os Estados Unidos ainda tinham alguma chance de avançar para a próxima fase, ajudados pela vitória da Itália sobre a República Tcheca por 2 a 0. Mas, em vez disso, Gana agora enfrentará o Brasil, e a Itália, vencedora do Grupo E, jogará contra a Austrália que, após empatar com a Croácia por um placar de 2 a 2, avançou para as oitavas-de-final.

O primeiro tempo teve um bom momento para os norte-americanos, quando um ressurgente DaMarcus Beasley ganhou a bola na disputa com três jogadores de Gana no meio-de-campo e efetuou um passe perfeito para Clint Dempsey, aos 43 minutos. Ingênuo e destemido na sua primeira Copa do Mundo, Dempsey disparou com a bola e empatou a partida em 1 a 1.

Mas, durante os dois minutos de acréscimos do primeiro tempo, o zagueiro Carlos Bocanegra não conseguiu dominar a bola, lançando-a para o alto. Ela foi cabeceada para a pequena área, onde o zagueiro Oguchi Onyewu tentou neutralizar o atacante ganense Razak Pimpong.

Onyewu afastou a pelota com um lance de cabeça. Mas, quando os dois jogadores se chocaram, o juiz alemão Markus Merk entendeu que Onyewu fez uma falta por trás em Pimpong, derrubando-o

Merk, que é considerado um juiz de qualidade, marcou um pênalti contra os Estados Unidos. O centroavante Stephen Appiah mandou a bola no canto superior esquerdo da meta norte-americana, enquanto o goleiro Kasey Keller saltou para o lado oposto.

O gol foi um golpe emocional e matemático no estômago dos norte-americanos, que agora precisavam marcar mais dois gols para obterem a liderança e manterem a esperança de chegar às oitavas-de-final.

Os outros jogadores disseram que o juiz assumiu que Onyewu cometeu uma falta porque o zagueiro tem 1,93 metro de altura, sendo muito maior do que muitos atacantes. Ao deixar o campo, Arena fez um gesto de desagrado para Merk. "Aquele foi um momento decisivo do jogo", queixou-se Arena, referindo-se ao pênalti. Ele acrescentou: "Sofrer aquela marcação de pênalti aos 47 minutos, depois de a nossa equipe ter se empenhado tanto em campo, foi um grande golpe. Fiquei com pena do nosso time".

Mesmo assim, conforme Arena admitiu, os Estados Unidos tiveram diversas chances de marcar no segundo tempo, mas desperdiçaram todas elas. Donovan, que fez uma estréia tão promissora em 2002, jamais marcou um gol resultante de jogadas em equipe, e não faz nenhum gol pela sua seleção desde 9 de julho de 2005.

No primeiro tempo, Donovan chutou uma bola por cima do gol. No segundo tempo, ele cobrou muito mal uma falta, fazendo com que a bola se perdesse pela linha de fundo. O jogador exibiu de forma muito intermitente aquela segurança exigida do principal jogador de uma equipe. "Ele não estava em um dos seus melhores dias, isso ficou evidente", disse mais tarde Arena.

"Eu simplesmente não detive suficientemente a posse da bola", disse Donovan. "Não posso culpar ninguém, a não ser eu mesmo. Posso buscar a posse de bola sempre que quiser".

Analisando a atuação norte-americana, constata-se que os Estados Unidos só mostraram algo de mais notável uma única vez, naquele segundo tempo de desespero frenético contra a Itália, preservando um empate de 1 a 1 quando o futebol não importava tanto quanto a emoção. Apesar de toda a retórica de Arena a respeito de ataque, a sua equipe pareceu assumir preponderantemente uma postura defensiva.

"Durante toda a nossa campanha nós não ameaçamos o suficiente, e sempre concedemos aos adversários gols fáceis nos primeiros minutos", lamentou o centro-avante Pablo Mastroeni. "Fizemos uma Copa do Mundo abaixo da média. Tínhamos muitas expectativas. Mas, desde aquele primeiro jogo, tive a impressão de que cavamos um buraco que era muito fundo para que conseguíssemos sair dele". Quando as chaves da Copa do Mundo foram sorteadas em dezembro do ano passado, muita gente achou que os Estados Unidos tinham pouca chance contra a República Tcheca e a Itália. Assim, de certa forma, os norte-americanos não tiveram um desempenho pior do que se esperava.

Mas Arena disse que acreditava que o seu time fosse capaz de competir com qualquer outro. Segundo ele, a Copa do Mundo só poderia ser um sucesso se os Estados Unidos chegassem às oitavas-de-final. Assim sendo, o torneio será considerado um grande desapontamento para uma equipe considerada a quinta melhor do mundo.

Quatro anos atrás, as decisões tomadas por Arena mostraram-se brilhantes. Desta vez, ele apostou e, com freqüência, perdeu. O jogador de meio-de-campo John O'Brien não foi capaz de superar as lesões crônicas na coxa, virilha e tendão de Aquiles. Ele jogou apenas a metade de uma partida, na estréia contra a República Tcheca.

Arena pareceu tão preocupado em agir de maneira sigilosa - chegando ao cúmulo de fazer um jogo-treino contra Angola sem que os seus jogadores usassem números nas camisas - que alguns observadores passaram a achar que ele escondeu coisas demais até mesmo do seus próprios jogadores.

Beasley e o meio-campista Bobby Convey sugeriram antes da Copa do Mundo que os jogadores ficaram em estado de incerteza devido ao fato de Arena não divulgar no momento apropriado qual seria a equipe titular. Mais tarde, após a derrota para os tchecos, Convey afirmou que alguns jogadores sequer conheciam as suas posições.

Quando a copa teve início, vários jogadores foram colocados em posições nas quais não se sentiam confortáveis. Donovan ficou no ataque, em vez de no meio-de-campo, onde ele é capaz de receber passes dos zagueiros e armar jogadas. Beasley ficou na lateral direita, em vez de na esquerda, a sua posição preferida, na qual ele jogou bem na quinta-feira.

Arena criticou os dois jogadores asperamente pelo jogo insípido apresentado contra os tchecos. Mas tanto Beasley quanto Donovan ressaltaram que os jogadores - e não Arena - é que foram os culpados por esta campanha insatisfatória. Gulati, presidente da federação de futebol, disse acreditar que grande parte das críticas feitas a Arena foi exagerada. Segundo ele, uma decisão quanto ao futuro do técnico será baseada em muito mais do que os três jogos na Copa do Mundo.

"Ele não se tornou um mau técnico nesses três jogos", disse Gulati, referindo-se a Arena. "Arena conta com um histórico extraordinário". Mas Gulati acrescentou: "É inevitável que todos nós dividamos a responsabilidade, incluindo o técnico". Um possível substituto é Jurgen Klinsmann, o técnico da seleção alemã que mora no sul da Califórnia. Mas crescem os boatos de que Klinsmann será o técnico da Alemanha até os campeonatos europeus de 2008.

Segundo Gulati, além da questão referente ao técnico, existem outras que precisam ser avaliadas. Por que os Estados Unidos não apresentaram um número maior de jogadores tecnicamente talentosos como Claudio Reyna, o capitão da seleção norte-americana, que encerrou a sua carreira internacional na quinta-feira com uma torção em um ligamento do joelho?

Será que os Estados Unidos serão capazes de fazer frente às melhores equipes do mundo, tendo metade dos seus jogadores em clubes europeus, e a outra metade na Primeira Divisão de Futebol doméstica, jogando em diferentes períodos do ano?

Há também quem ache que os Estados Unidos precisam fazer jogos preparatórios mais difíceis contra seleções européias e sul-americanas de primeira linha, agora que a seleção estadunidense já domina a região mais fraca na qual estão as equipes norte-americanas, centro-americanas e caribenhas.

"Creio que chegamos em um estágio no qual não podemos ficar satisfeitos caso não penetremos no grupo dos melhores", afirmou Donovan. Danilo Fonseca

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