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24/06/2006

Técnico alemão conquista os críticos e aumenta as apostas

The New York Times
Mark Landler

em Frankfurt, Alemanha
Ao mesmo tempo em que os alemães abraçam o mundo durante esta Copa do Mundo, eles também estão aprendendo a amar um de seus próprios: Juergen Klinsmann, o técnico da seleção nacional, que calou uma enxame de críticos ao conduzir a Alemanha ao seu melhor início no torneio em 36 anos.

As críticas sobre o fato de Klinsmann morar no Sul da Califórnia, suas técnicas de treinamento ao estilo americano, mesmo seu comportamento jovial -"Grinsi-Klinsi" (algo como "Klinsi sorridente") como um jornal alemão o apelidou- desapareceram enquanto as pessoas daqui comemoram o sucesso de sua seleção com um mar de bandeiras alemãs.

"As pessoas acreditam nele, os torcedores o admiram", disse Rainer Holzschuh, editor da "Kicker", uma importante revista de esportes alemã. "Os críticos costumavam dizer: 'Por que precisamos destas técnicas estrangeiras?' Ninguém mais está dizendo isto."

Após ter vencido seu grupo com três vitórias convincentes, a Alemanha enfrentará a Suécia em Munique, no sábado. Os suecos serão o desafio mais duro de Klinsmann até o momento, com seus jogadores astutos, grande experiência em Copa do Mundo e um estilo de ataque semelhante àquele que ele trouxe à jovem seleção alemã.

Klinsmann, um atacante que foi astro e capitão da seleção da Alemanha, também está aumentando as apostas. Em uma entrevista na sexta-feira para o "Frankfurter Allgemeine Zeitung", ele disse estar determinado a chegar ao menos às semifinais. Ser eliminado, mesmo nas quartas-de-final, seria uma "catástrofe".

"Klinsi aumentou a pressão como nunca", dizia a manchete no "Bild", um influente jornal popular que tem um relacionamento difícil com Klinsmann desde que se tornou técnico em 2004, mas que tem demonstrado apoio a ele nas últimas semanas.

A cobertura do "Bild" destaca a natureza instável da popularidade de Klinsmann. Uma derrota alemã no sábado provavelmente ressuscitaria muitas das velhas críticas. O próprio Klinsmann, 41 anos, sugeriu que um saída prematura resultaria em sua própria saída do cargo de técnico. "Nós somos um país do futebol", ele disse sobre o país ao qual agora volta como um filho pródigo.

Franz Beckenbauer, o reverenciado campeão alemão da Copa do Mundo e organizador do torneio deste ano, ofereceu apenas um endosso provisório. "Ele está fazendo tudo certo, por ora", disse Beckenbauer, que nunca hesitou em repreender o técnico ou seus jogadores.

Detlev Claussen, um sociólogo que escreveu sobre o mundo traiçoeiro do futebol alemão, disse: "Se você é bem-sucedido, você tem muitos amigos, e muitos novos amigos, mas apenas por um breve período".

Ainda assim, Claussen disse que os três primeiros jogos validaram várias das inovações de treinamento de Klinsmann, que eram anátema para o establishment do futebol alemão quando ele as apresentou. Por exemplo, ele recrutou um treinador de fitness americano e um psicólogo especializado em esporte -provocando gozações na imprensa sobre exercício de bungee-jumping e soluções de auto-ajuda ao estilo nova era.

As vantagens de ambos estiveram evidentes durante a difícil vitória da Alemanha por 1 a 0 contra a Polônia, disse Claussen. Os jogadores estavam suficientemente em forma para manter a alta pressão durante toda a partida e mentalmente equilibrados para não se abalarem pela partida sem gols até o final do tempo regulamentar.

"Eles ainda acreditavam em si mesmos, após 90 minutos sem gol e tantas chances perdidas", ele disse. "É preciso ter estes momentos mágicos, quando você sente que o espírito da equipe está unido."

A Alemanha triunfou nos acréscimos, graças ao heroísmo de dois substitutos. David Odonkor cruzou a bola à frente do gol e Oliver Neuville colocou de carrinho a bola na rede. A torcida em Dortmund cantava "Berlim, Berlim, nós vamos para Berlim", em referência à final em 9 de julho.

Esta é uma mudança de sentimento notável considerando que, uma semana antes da Copa, uma pesquisa revelou que apenas 20% dos alemães acreditavam que sua seleção venceria a Copa do Mundo. Na mais recente pesquisa, realizada após o jogo contra a Polônia, mas antes da vitória por 3 a 0 contra o Equador, 37% dos alemães previam o título.

A outra grande afronta de Klinsmann foi recrutar um olheiro da Suíça, mas Claussen apontou que a equipe tinha boas informações sobre a Polônia, Equador e Costa Rica.

Mesmo Jens Lehmann, o goleiro escolhido por Klinsmann para o lugar do popular Oliver Kahn, tem atuado de forma sólida, tomando apenas dois gols -ambos no primeiro jogo, um vitória de 4 a 2 sobre a Costa Rica.

Enquanto a equipe se unia, suas vozes dissidentes também foram domadas. Veja o caso do capitão e meio-campista Michael Ballack, o astro da equipe, que tinha um relacionamento difícil com Klinsmann. Dias antes da Copa, os dois realizaram uma disputa por boletins de imprensa sobre se Ballack jogaria a partida de estréia com uma lesão muscular (ele não jogou, mas disse que deveria ter jogado).

Mas agora Ballack soa como o porta-voz do técnico. "Nós estamos bem preparados" para a Suécia, ele disse em uma coletiva de imprensa na quinta-feira, prometendo partidas mais "belas, empolgantes e velozes". Estes adjetivos poderiam ter saído do manual de futebol de Klinsmann.

Mesmo o "Bild" não encontra nada para criticar. "Até agora, nesta Copa do Mundo, Klinsmann fez tudo perfeitamente, é preciso dizer", disse Matthias Bruegelmann, o editor de esportes.

O principal motivo de discussão entre o técnico e o jornal foi a decisão de Klinsmann de continuar morando em Huntington Beach, Califórnia, com sua esposa americana e dois filhos pequenos, enquanto preparava a equipe para a Copa. "Eu ainda acho que seria melhor o técnico morar na Alemanha", disse Bruegelmann. "Assim ele permaneceria mais perto dos jogadores."

Mas se Klinsmann algum dia realmente conquistará a elite do futebol alemão é outra história. Alguns especialistas dizem que ele atacou muitas vacas sagradas -por exemplo, ao cancelar os jantares pós-jogo entre seus jogadores e os dirigentes do futebol alemão.

Seu estilo de vida californiano, sua capacidade de falar quatro línguas, mesmo sua inclinação empresarial -ele mantém seu próprio site na Internet, em inglês- são demais para aqueles imersos nas tradições locais do futebol alemão, disseram estas pessoas.

"O establishment está quieto", disse Holzschuh. "Oficialmente, eles dizem: 'Nós queremos mantê-lo após a Copa do Mundo'. Mas nos bastidores, já ouvi alguns dizerem: 'Nós temos que encontrar um novo técnico'."

Se Klinsmann deixar o cargo, alguns comentaristas especularam que ele seria a escolha perfeita para treinar os Estados Unidos.

Mas a Alemanha ainda está no páreo. E derrotar a Suécia ajudaria a
consolidar o status de Klinsmann, disse Holzschuh. Ele disse já ter
percebido uma espécie de hagiografia se formando em torno do técnico.
As pessoas estão se lembrando dos momentos gloriosos de sua carreira como jogador -a conquista da Copa do Mundo em 90 e a condução da seleção alemã ao título europeu de 96.

No panteão do futebol alemão, apenas Beckenbauer desfruta do status duplo de astro como jogador e técnico que conquistou a Copa do Mundo em ambos os papéis.

"As pessoas precisam de um herói e ele está caminhando para se tornar um grande herói", disse Holzschuh. "Ninguém chegará ao nível de Beckenbauer, mas Klinsmann pode ocupar o degrau logo abaixo dele." George El Khouri Andolfato

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