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28/06/2006

Os americanos estarão prontos para o Smart?

The New York Times
Frankfurt, na Alemanha
A DaimlerChrysler, que arquivou um projeto anterior de trazer o mini Smart aos EUA, planeja anunciar na quarta-feira (28/6) que vai introduzir o minúsculo veículo de dois lugares ao mercado americano em 2008, de acordo com vários executivos da empresa.

Com os preços de gasolina determinadamente altos, além de preocupações com o aquecimento global e o desinteresse crescente em utilitários esportivos, a fabricante teuto-americana está calculando que os consumidores nos EUA vão receber bem o modelo, que tem o tamanho de um carrinho de cortar grama.

"Agora é a hora certa de ir para os EUA. O mundo e os EUA mudaram nos últimos dois anos", disse um alto executivo da DaimlerChrysler, que falou sob condição de não ser identificado pois os planos ainda não eram públicos.

O Smart conquistou uma imagem moderna nas cidades européias, como Roma e Paris, com suas ruas estreitas e estacionamentos apertados. Recentemente, apareceu no filme "Código da Vinci", assim como na refilmagem da "Pantera Cor de Rosa", na qual serviu como de carro do Inspetor Jacques Clouseau.

Mas a administração do Smart na DaimlerChrysler foi quase tão atrapalhada quanto o policial francês na direção. Desde que o primeiro carro saiu da linha de montagem, em 1998, o Smart perdeu US$ 3,6 bilhões (em torno de R$ 8,2 bilhões), de acordo com analistas. Os esforços de expansão para além do modelo de dois lugares, conhecido como Fortwo, erraram --algumas vezes minando a imagem do Smart como um carro urbano da nova era.

Entre as idéias mais estranhas, agora descartadas, estava a de introduzir o Smart nos EUA na forma de um utilitário esportivo reduzido. "Está claro que ninguém está aguardando outra SUV", disse o executivo.

Depois de promover fortemente a chegada do Smart na feira de automóveis de Detroit no início de 2005, a DaimlerChrysler decidiu adiar sua venda nos EUA. Em abril de 2005, anunciou que ia eliminar dois modelos --o utilitário esportivo mal concebido e um cupê amplamente criticado-- e demitir 700 funcionários.

Dieter Zetsche, diretor executivo da DaimlerChrysler, pensou em vender a linha Smart para outra empresa, antes de decidir por uma nova reforma em março, que cortou os custos ainda mais e eliminou o modelo de quatro lugares que vendia pouco, o Forfour. Isso deixou apenas o original Fortwo. Esse será o carro vendido nos EUA --equipado com controle de emissões extra e características de segurança.

A DaimlerChrysler pretende vender o Smart para motoristas em Nova York, Los Angeles, San Francisco, Seattle e outras cidades congestionadas. A campanha de propaganda, ainda em fase de desenvolvimento, enfatizará a segurança, qualidade e economia de combustível.

O executivo da DaimlerChrysler, porém, não revelou quantos quilômetros por litro ele fará. Em seu site da Web no Reino Unido, o Smart diz fazer 19,5 km/l na cidade e 29 km/l na estrada.

A DaimlerChrysler oferece um motor a diesel na Europa, mas nos EUA terá apenas motor a gasolina. A empresa montará o carro em sua planta em Hambach, França.

O Smart não será o único supercompacto entrando e saindo dos engarrafamentos nas ruas americanas. A Honda teve sucesso com seu novo Fit, e a Toyota com o Yaris. A DaimlerChrysler observa, porém, que o Fortwo é o único carro produzido em massa no mundo com menos de 3 metros de comprimento.

Isso torna o Smart pequeno o suficiente para caberem dois deles em uma única vaga, ou para estacionarem atravessados, perpendiculares à calçada --prática proibida em algumas cidades.

Alguns especialistas disseram que a DaimlerChrysler deveria promover o estilo europeu do Smart e sua afiliação ao Grupo Mercedes.

"Eles deviam apresentá-lo como um Mercedes bebê", disse Joel A. Barker, autor e especialista nas tendências. "O Smart tem estilo para isso, o que esses outros carros não têm. Não têm o pedigree."

A DaimlerChrysler acredita que a experiência do Smart no Canadá, onde é vendido desde 2004, é um bom augúrio para os EUA. A empresa vendeu mais de 4.000 unidades no Canadá em 2005, duas vezes o número projetado, e espera exceder os números canadenses nos EUA, apesar de não anunciar sua meta.

Para ter sucesso, porém, o Smart terá que evitar os erros que o afligiram na Europa. As vendas do carro foram prejudicadas por seu preço relativamente alto --em torno de US$ 11.250 (R$ 25.800), na Europa-- e uma rede de revendedores pouco prática, que ficou separada da Mercedes. O Smart tampouco planeja usar os revendedores da Mercedes nos EUA, mas contará com uma empresa de distribuição separada. Os preços americanos ainda não foram determinados. A DaimlerChrysler prometeu que a linha vai dar lucro no ano que vem. Tendo cortado seus custos fixos em 46% e o número de funcionários de 1.300 para 450, a empresa disse que está no caminho certo.

Analistas que duvidaram da sobrevivência do Smart há seis meses agora estão prontos a dar-lhe uma chance --mesmo na terra das SUVs.

"Pode ser um produto interessante para os mercados urbanos. Entretanto, apenas trazer o Fortwo para os EUA, sem outros planos além disso, não seria suficiente. Eles devem usar o Fortwo para testar a marca", disse Arndt Ellinghorst, analista da Dresdner Kleinwort em Frankfurd. Com o alto preço da gasolina e a preocupações com o aquecimento global, a Daimler espera agradar com um carro pequeno Deborah Weinberg

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