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30/06/2006

Conselho recomenda vacina de câncer de colo do útero para meninas adolescentes

The New York Times
Gardiner Harris
Um conselho consultor federal de imunização votou unanimemente na quinta-feira (29/6) para que todas as meninas e mulheres de idades entre 11 e 26 anos recebessem uma nova vacina que previne a maior parte dos casos de câncer de colo do útero.

A votação praticamente compromete o governo federal a gastar quase US$ 2 bilhões (em torno de R$ 4,4 bilhões) em um programa para adquirir a vacina para as meninas mais pobres do país com 11 a 18 anos de idade.

A vacina, Gardasil, protege contra o câncer e lesões genitais, impedindo a infecção de quatro linhagens de papilomavírus humano, a mais comum das doenças sexualmente transmissíveis, de acordo com autoridades federais. O vírus também causa outros tipos de câncer femininos.

O Gardasil é produzido pela Merck e deve estar disponível daqui a alguns dias. As meninas de no mínimo 9 anos podem ser vacinadas, segundo o conselho.

No entanto, os benefícios do Gardasil podem ser embotados por uma miscelânea complexa de considerações práticas, econômicas e religiosas.

No lado prático, o Gardasil deve ser ministrado em três doses num período de seis meses. Apesar de pediatras e agências de saúde há muito conseguirem levar os pais a aderirem aos programas complexos de vacinação infantil, isso é mais difícil com crianças mais velhas.

Outro desafio é o preço do Gardasil: US$ 360 (em torno de R$ 820) pelas três injeções, o que a torna uma das vacinas mais caras de todos os tempos. Como o câncer de cérvice é em grande parte uma doença da pobreza, aquelas que têm maior necessidade da vacina serão menos capazes de pagar por ela. Os programas de vacinação do governo, que já estão em dificuldades financeiras, podem se recusar a fornecê-la.

"Essa vacina será mais cara do que todas as outras imunizações infantis juntas. Como podemos assegurar que chegará as mulheres pobres, que mais precisam dela?" disse John Schiller, investigador do Instituto Nacional do Câncer cujas descobertas deram base para o desenvolvimento da Gardasil.

Como a vacina previne uma doença sexualmente transmitida, alguns grupos religiosos expressaram reservas com a imunização de meninas.

"Você não pode pegar o vírus por aí -tem que pegar pelo comportamento sexual. Podemos prevenir a doença com o melhor método de saúde pública, ou seja, não fazer sexo antes do casamento", disse Linda Klepacki, da Focus on the Family, grupo cristão conservador com base em Colorado Springs.

O grupo de Klepacki se opõe aos esforços de tornar obrigatória a vacinação com Gardasil. Estados e distritos têm o poder de decidir a obrigatoriedade, mas essas decisões em geral só são feitas após um ano de introdução da vacina, pelo menos.

Em uma conferência com a imprensa do conselho federal, chamado de Comitê Consultor de Práticas de Imunização, Anne Schuchat, diretora do programa de imunização dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças, chamou a aprovação do Gardasil pelo conselho de "histórica" e uma "vitória para a saúde da mulher".

Apesar de a vacina ser cara, os estudos apresentados na reunião mostraram que seu uso amplo traria mais economia em despesas com a saúde do que o custo de comprar a vacina.

Nos EUA, cerca de 9.710 mulheres contraem câncer de colo do útero por ano, e cerca de 3.700 morrem. Milhões de mulheres fazem exames anuais de papanicolau preventivo contra o câncer de colo uterino e dezenas de milhares fazem exames e procedimentos mais caros depois de receberem resultados positivos falsos.

Esses testes terão que continuar, em parte porque os efeitos preventivos da vacina estão há anos de distância, mas também porque o Gardasil não previne algumas linhagens do vírus que causam até 30% dos casos de câncer de cérvice.

Esse tipo de câncer é muito mais mortal no mundo em desenvolvimento. Em torno do mundo, afeta cerca de 470.000 mulheres e mata 233.000 por ano. A Merck e alguns grupos de saúde internacionais disseram que estão comprometidos a tornar o Gardasil disponível no mundo em desenvolvimento, mas a Organização Mundial de Saúde já tem dificuldades para fornecer uma vacina mundial de US$ 3,50 (cerca de R$ 7,70) contra cinco doenças que causam muitas mortes.

Nos EUA, as empresas de seguro de saúde provavelmente cobrirão os custos das vacinações, disse Schuchat. A maior empresa de seguro de saúde do país, Wellpoint, disse em declaração que vai "cobrir o Gardasil para muitas pacientes, de 9 a 26 anos" de idade.

Meninas pobres sem seguro devem poder receber a vacina pelo programa do governo Vacinas para Crianças, que distribui quase metade de todas as vacinas.

De fato, a votação do conselho praticamente compromete o governo federal a comprar doses para até 7 milhões de meninas, a um custo total que pode ser de mais de US$ 2 bilhões. O Departamento de Saúde e Serviços Humanos ainda precisa confirmar a decisão, mas é um processo de rotina.

Depois de o governo iniciar a campanha tendo como alvo meninas de 13 a 18 anos, procurará rotineiramente vacinar todas as meninas de 11 e 12 anos. A vacina é mais eficaz se for dada antes das meninas terem sua primeira relação sexual.

As meninas que não forem suficientemente pobres para participar do programa de vacinação federal, mas que não têm seguro privado devem ter dificuldades em conseguir o Gardasil. A maior parte dos Estados tem programas para vacinar os cidadãos que não se encaixam no sistema de saúde. Mas os orçamentos desses programas já estão sob grande pressão.

A Merck espera algum dia receber aprovação para vacinar com Gardasil também os meninos. A vacina protege contra duas linhagens de papilomavírus humano que causam 90% das lesões genitais.

Preocupações religiosas colocaram o Gardasil em foco. Apesar de alguns grupos religiosos terem expressado reservas contra a vacina, muitas organizações conservadoras apóiam-na. Grupos liberais e alguns congressistas democratas expressaram revolta que alguém pudesse se opor ao Gardasil. Deborah Weinberg

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