UOL Notícias Internacional
 

30/06/2006

Pode mergulhar que a música é boa: o rock sai para o ar livre

The New York Times
Ben Sisario

em Nova York
O McCarren Park Pool em Greenpoint, Brooklyn, é certamente um dos últimos lugares em Nova York em que você esperaria ver um concerto.
Fechado pela prefeitura há 22 anos, ele é um espaço vazio de 4.600 metros quadrados, com seu chão salpicado por décadas de tinta turquesa e suas paredes cobertas por camadas de pichações. Ele não tem eletricidade ou luzes, e seus banheiros há muito foram fechados com tábuas. E se trata de uma piscina.

Mas na estranha lógica da temporada de concertos de verão de Nova York -em que o cais do Rio Hudson e o passeio de tábuas do porto da South Street receberão o barulho do rock independente, e em que o pátio vazio de um museu de Queens se tornará um nexo de pista de dança e pessoas assistindo- tudo isto torna o McCarren Park Pool um espaço ideal para apresentação. Ele é um espaço enorme, vazio e está disponível: três atributos altamente incomuns e altamente valorizados.

"Ele simplesmente está lá, como o monolito de '2001'", disse Sam Kinken, que agenda concertos pela região de Nova York para a Live Nation, a promotora gigante. Ele programou seis noites na piscina, a partir de 29 de julho, para a banda britânica Bloc Party.

McCarren é o mais novo dos grandes espaços musicais de verão da cidade, competindo com espaços que atraem grande público como o SummerStage, no Central Park, o Celebrate Brooklyn, em Prospect Park, e o River to River, nas praças e parques da Baixa Manhattan.

Mas ela também se juntará a outra fraternidade menos celebrada, a do espaço para concerto ao ar livre particularmente estranho. Das ruas de Coney Island, onde o Siren Music Festival da revista "Village Voice" ocorrerá em 15 de julho, ao Cais 54, uma área de 235 metros que se projeta para o Rio Hudson e cujas credenciais de rock independente incluem um show, há cinco anos, do então quase famoso White Stripes, estes locais exemplificam a geopolítica peculiar de Nova York, na qual cada espaço, independente de quão minúsculo ou decrépito, pode e deve ser explorado em seu máximo potencial.

Na piscina McCarren, a transformação de gigante rachado de concreto em espaço para concerto teve início com um convite do Departamento de Parques. A piscina, uma das 11 construídas ao redor da cidade em 1936, contava com até 6.800 banhistas e exibia um pavilhão em arco imponente que, como colocou o Guia da Cidade de Nova York do Instituto Americano de Arquitetos, "anunciava o grande mergulho por trás".

Ela foi fechada em 1984 após cair em "condição negligenciada", disse um porta-voz do Departamento de Parques, e se manteve em tal estado: pichada, com tijolos quebrados no pavilhão, mato crescendo no fundo da piscina. Há muito tempo a cidade queria restaurá-la -as outras 10 piscinas estão em bom estado- mas uma estimativa recente colocou o custo em proibitivos US$ 40 milhões.

No ano passado, quando a coreógrafa e defensora das artes Noemie Lafrance requisitou a piscina para uma apresentação de dança, o Departamento de Parques requisitou propostas para uso do espaço para eventos comunitários e de artes, na esperança de que promoveria o interesse pela piscina e levantaria dinheiro para sua restauração. Dois grupos muito diferentes contribuíram com dinheiro em troca do direito de apresentar eventos lá e cobrar ingresso: a Sens Production, a companhia de dança de Lafrance sem fins lucrativos, levantou US$ 50 mil, e a Live Nation deu US$ 200 mil. A contribuição combinada foi usada para preparar o espaço para um uso mínimo. (A cidade alocou US$ 1 milhão para grandes melhorias na piscina; o projeto ainda está em fase de elaboração, disse um porta-voz do Departamento de
Parques.)

A Sens foi a primeira a usar a piscina, apresentando "Agoura", uma apresentação de dança específica para o local, em setembro passado. Enquanto isso, a Live Nation a adaptou para uma oportunidade incomum no mundo dos concertos de Nova York: programar shows para um espaço imenso -capacidade: 5.500 pessoas- que está adormecido e esquecido por décadas.

Kinken disse que os empresários ficaram confusos no início. "Eu ainda estou tentando vender esta história", ele disse. "Eu trouxe o chefe do departamento de música da William Morris na semana passada. Eu estava tentando explicar o conceito, mas assim que ele chegou lá, ele disse: 'Ok, ok, eu entendi'."

Além do Bloc Party, entre os show programados pela Live Nation estão o grupo folk-independente Iron & Wine, a banda de jam Gov't Mule, o cantor Neko Case e um programa duplo com Sonic Youth e Yeah Yeah Yeahs. Os ingressos variam de US$ 33,50 a US$ 45.

O Live Nation não é o único grupo que promoverá concertos na piscina. O JellyNYC, que marca shows no Southpaw, um pequeno clube de rock na Park Slope, Brooklyn, já agendou nove domingos consecutivos de concertos gratuitos em McCarren, a partir de 9 de julho, com duas bandas independentes da moda, Les Savy Fav e Dragons of Zynth. Outras bandas agendadas para tal série incluem Deerhoof, Walkmen, Dead Meadow, Of Montreal e Dr. Dog.

Para oferecer concertos gratuitos, a JellyNYC depende de uma fonte financeira essencial para o evento de verão: o patrocínio corporativo.

O River to River, uma série de 500 eventos que incluem subfestivais como os concertos no Castle Clinton e no porto da South Street, tem um orçamento de US$ 7 milhões que é coberto na maioria por patrocinadores, disse Bill Schreiber, seu produtor executivo. A American Express, que está com o festival desde que começou, em 2002, é a maior contribuinte. "Eles estão basicamente pagando pelos ingressos para que todos venham", disse Schreiber sobre os patrocinadores do River to River.

Neste ano a Snapple é a principal patrocinadora do Central Park SummerStage, que conta com 35 eventos apresentados pela City Parks Foundation com um orçamento de cerca de US$ 2 milhões, com pouco mais de um quarto disto vindo de doadores corporativos.

Os patrocínios são o motivo para muitos palcos grandes serem dominados por bandeiras e faixas de empresas, mas alguns organizadores têm trabalhado para evitar tais relacionamentos. O East River Music Project, que promove um punhado de concertos no anfiteatro do East River Park -uma faixa estreita de verde ao longo do East Village e Lower East Side- não solicita nem aceita apoio corporativo.

"Nossa declaração de missão é não ter envolvimento corporativo", disse Sarah Bennett, que ajudou a fundar o East River Music Project e marca concertos no anfiteatro há quatro anos. "Nós temos a meta de nunca precisar que alguém lhe venda algo apenas para que você possa ouvir música ao vivo."

O anfiteatro foi o local das primeiras encenações gratuitas de Shakespeare de Joseph Papp nos anos 50, mas o parque estava em mal estado quando Bennett o encontrou em 2000. Um golpe de sorte ocorreu em dezembro de 2001, quando ele foi limpo pela defensora ambiental Erin Brockovich, que liderou um dia de restauração (com apoio corporativo) que foi exibido em um especial de televisão da "ABC".

A programação do East River Music Project se inclina para o barulhento: seu próximo show, em 22 de julho, apresentará Jonathan Kane, um músico
experimental que foi membro fundador da famosamente barulhenta banda de Nova York dos anos 80, os Swans. Mas como é freqüentemente o caso em concertos apresentados ao ar livre, o ambiente pode ter um efeito surpreendente sobre a música.

"Nossas bandas geralmente tocam em clubes muito, muito pequenos", disse
Bennett. "Mas ao ar livre, com os rebocadores passando atrás delas, fica estranhamente ideal. Nós já tivemos bandas barulhentas tocando e, para uma música que é tão dissonante, tê-las em um ambiente tão sereno provoca um equilíbrio."

Em Long Island City, Queens, as paredes de concreto lisas do pátio do PS 1 Contemporary Arts Center servem de fundo para o Warm Up, uma festa de dança semanal que se tornou um evento social para namoro. E Stephen Dima, que agenda o Seaport Music Festival no porto da South Street, encontrou uma comunhão semelhante com o ambiente improvável. Ele apresentava música no World Trade Center Plaza e assumiu a série Seaport quando o River to River teve início em 2002. Sua meta, ele disse, era criar o "melhor clube gratuito ao ar livre de Nova York", com apresentações que teriam apelo junto ao público de clubes como o Bowery Ballroom e o Knitting Factory. Mas em um porto?

"Antes de 11 de setembro, a última vez em que estive lá foi em um encontro às cegas no colégio", disse Dima.

O evento se tornou uma data fixa da cena independente, com concertos
obrigatórios como o do Clap Your Hands Say Yeah no verão passado -marcado com bastante antecedência, muito antes da banda ter se tornado a história de sucesso underground de 2005- e os shows anuais do cantor punk Ted Leo, que milita todo ano apesar da má sorte com o tempo e contratempos como o blacaute de 2003. O ambiente, com os mastros de navios antigos e arranha-céus ao fundo, é incongruente mas dá uma leveza que nenhum clube é capaz de igualar. E, disse Dima, "não há muitos locais onde as pessoas possam caminhar com uma cerveja e um cigarro ouvindo música gratuita".

Kinken, da Live Nation, disse que espera tipos semelhantes de acaso fortuito na piscina McCarren. Devido ao seu grande tamanho e desenho descomplicado, ele disse, promover concertos lá deve ser relativamente fácil. Há pontos convenientes onde montar o palco -na lateral da piscina, que fica apenas 30 centímetros acima do solo- assim como os bastidores, concessões e banheiros portáteis. As caixas de som serão voltadas para baixo, para o público, para minimizar o eco nas paredes.

As bandas, ele disse, farão o resto. "Ficará a cargo delas preencher o
espaço", ele disse. "Elas farão o ambiente parecer acolhedor. Elas o
tornarão seu, o encherão de som."

Os sons do verão na cidade e onde ir para ouvi-los

A lista dos locais de concerto de verão e eventos, com os destaques da
temporada 2006:

CELEBRATE BROOKLYN: Os eventos incluem: TV on the Radio (sexta à noite); Yo La Tengo (13 de julho); Filarmônica do Brooklyn (14 de julho); dança com Ronald K. Brown/Evidence (22 de julho); e o Festival Africano com Kekele, Lagbaja e outros (5 de agosto). Prospect Park Bandshell, Prospect Park West e Ninth Street, Park Slope, (718) 855-7882; brooklynx.org. Muitos eventos são gratuitos, mas uma é pedida uma doação de US$ 3.

CENTRAL PARK SUMMERSTAGE: Os eventos incluem: Joan Didion (sexta à noite); Seu Jorge e Jose Gonzalez (domingo); Amadou e Mariam (16 de julho); Maldita Vecindad e Konono No. 1 (23 de julho); e Lady Soverign e Pete Rock (30 de julho). Rumsey Playfield, midpark na 70th Street, (212) 360-2777; summerstage.org. Muitos eventos são gratuitos, mas são pedidas doações.

CONCERTOS NOS PARQUES DA CIDADE: Concertos gratuitos nos parques por toda cidade de Nova York, a partir de sexta-feira com Kurtis Blow no Von King Park, avenidas Marcy e Tompkins, Bedford-Stuyvesant, Brooklyn. Outros destaques incluem Plena Libre, a Felix Hernandez Rhythm Revue e Orquesta Broadway no Saint Mary's Park no Bronx; os Persuasions, Dave Santiago e os Manhattans no Mahoney Park, em Staten Island; Sharon Jones e Kurtis Blow no Jackie Robinson Park, em Hamilton Heights, Manhattan; e o Mighty Sparrow, os Manhattans e Frankie Vasquez y Soneros Del Barrio no Queensbridge Park, em Queens; (212) 360-8290, cityparksfoundation.org.

EAST RIVER MUSIC PROJECT: Jonathan Kane's February, Dragons of Zynth (22 de julho); Oakley Hall, Love Is Laughter (16 de setembro). Grátis. East River Amphitheater, East River Park, sul da Delancey Street, Lower East Side; eastrivermusicproject.com.

McCARREN PARK POOL: Concertos apresentados pela Live Nation: Bloc Party e Secret Machines (29 de julho); Sonic Youth e Yeah Yeah Yeahs (11 e 12 de agosto); Iron & Wine (17 de agosto); Neko Case com Joanna Newsom e Martha Wainwright (24 de agosto); and Gov't Mule com Wolfmother (9 de setembro). Ingressos: (212) 307-7171 ou ticketmaster.com. Concertos gratuitos apresentados pela JellyNYC : Les Savy Fav, Beans e Dragons of Zynth (9 de julho); Deerhoof e Beirut (13 de agosto); Archie Bell e Mighty Hannibal (20 de agosto); e Walkmen com Dr. Dog (27 de agosto). Informações: thepoolparties.com. Lorimer Street, entre a Driggs Avenue e a Bayard Street, Greenpoint, Brooklyn.

RIVER ROCKS: Si-Se, Radio Mundial e Turntables on the Hudson (20 de julho); RJD2, Lyrics Born e Alice Smith (10 de agosto). Grátis. Cais 54, Rio Hudson na 13th Street, (212) 533-7275; hudsonriverpark.org.

RIVER TO RIVER FESTIVAL: Concertos no gramado do Battery Park, incluindo Belle and Sebastian (terça-feira; ingressos esgotados); e no Castle Clinton National Monument em Battery Park, incluindo Mates of State (sexta-feira); Okkervil River (13 de julho); Hold Steady (27 de julho); e Dave Holland Quintet (3 de agosto). Grátis. (212) 835-2789; rivertorivernyc.com.

SIREN MUSIC FESTIVAL: Com Art Brut, Tapes 'n Tapes, Stills, Scissor Sisters, Man Man, Stars, Serena Maneesh e outros. Grátis. 15 de julho, Surf Avenue, Coney Island, (212) 475-4022; villagevoice.com/siren.

SOUTH STREET SEAPORT: Amy Rigby e Robbie Fulks (sexta à noite); White Magic e Juana Molina (7 de julho); Hot Chip (3 de agosto); Ted Leo and the Pharmacists (25 de agosto). Grátis. Cais 17, ruas Fulton e South, Baixa Manhattan, (212) 835-2789; seaportmusicfestival.com.

WARM UP: Sábados até 3 de setembro, à partir deste com Body & Soul apresentando Danny Krivit, François K. e Joe Claussell. PS 1 Contemporary Arts Center, 22-25 Jackson Avenue, na 46th Avenue, Long Island City, Queens, (718) 784-2084, ps1.org. George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    12h20

    0,10
    3,269
    Outras moedas
  • Bovespa

    12h23

    -0,54
    63.737,51
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host