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02/07/2006

Um simpático herdeiro para o trono do Rover

The New York Times
Lawrence Ulrich
Nos dizem que o utilitário esporte de luxo está fora de moda, seu momento cultural chegou ao fim. Claro. E o hip-hop está morto, substituído pela nova onda de cantores folk de protesto.

Certamente, muitos americanos se cansaram dos monstruosos e glutões
utilitários esporte. Mas caminhonetes de luxo ainda atraem aqueles que não sofrem pressão financeira ou psíquica com o alto preço da gasolina.

Dos hip-hoppers urbanos aos fashionistas urbanos, tais compradores podem ignorar aqueles que pregam que o híbrido sagrado é o único caminho automotivo correto.

Me permita declarar de antemão que prefiro dirigir um Mini Cooper do que um "monster truck". Mas o novo Range Rover Sport é tão sedutor que pode eliminar a preocupação com o aquecimento global e com o petróleo do Oriente Médio de sua mente. O considere um Xanax de 2.600 quilos.

Na verdade --e peço que a Land Rover considere isto um elogio-- o Rover Sport é tão bom que deixa pouco motivo para entrar no Range Rover padrão.

Isto mantém a tendência dos fabricantes de carros de alto valor de
desenvolverem novatos que fazem seus veteranos famosos parecerem caros.

Em atitude e performance, o Sport está para o Range Rover original como o novo Porsche Cayman está para o clássico 911: mais original, mais ousado e mais ligeiro.

Como o Cayman, o Sport é uma relativa barganha: o preço do modelo HSE de 300 cv começa em US$ 57.250, a versão supercharger de 390 cv custa US$
70.250 --cerca de US$ 20 mil a menos do que os demais modelos Range Rover.

Assim, você tem um utilitário esporte que parece melhor do que o quadrado Range Rover, com melhor dirigibilidade e que usa o espaço interno com mais eficiência --e com troco para comprar um Honda Civic.

Algumas das melhores características do Sport não estão disponíveis nem no Range Rover, incluindo uma suspensão ativa controlada por computador e um sistema de "resposta a terreno" selecionável e fácil de usar que ajusta o veículo para enfrentar qualquer superfície imaginável.

Montado em uma plataforma modificada do Land Rover LR3, o Sport é 20
centímetros mais curto e dois centímetros mais estreito que o Range Rover, com um teto inclinado, altura mais baixa e suspensão firme.

O Sport tem uma cabine mais aconchegante, com pedais mais firmes e um
assento traseiro mais estreito. Mas em luxo e apetrechos não está longe do Range Rover padrão. Uma característica inteligente é um console de
refrigeração elétrico opcional que mantém bebidas frescas e barras de
chocolates intactas em dias quentes.

Agora, quanto ao nome: o "esporte" no utilitário esporte antes se referia a características de off-road. Mas com os moradores urbanos cada vez mais dirigindo os modelos atuais, a palavra promete cada vez mais um maior desfrute no asfalto.

Adaptado às mudanças de gosto nos utilitários esporte, a Land Rover melhorou a performance do Sport "on the road". O chassi robusto e suspensão "double wishbone" foram aprimorados no tortuoso circuito de teste de Nurburgring, na Alemanha. Mas com mais de meio século de herança de tração nas quatro rodas, a Land Rover não poderia deixar de lado seu talento off-road.

Isto torna o Rover Sport algo como um atleta sem as características físicas para a posição. Com "apenas" 300 cv do motor V-8 de 4.2 litros, baseado no Jaguar, no modelo básico (HSE), a aceleração fica atrás de alguns rivais de sangue mais quente. O V-8 de 4.2 litros no Supercharged, mesmo com sua assistência atmosférica, vai de 0 a 100 km/h em 7,6 segundos, mas não uma velocidade para sacudir seu mundo.

Ainda assim, apesar da obsessão da imprensa especializada com tempo de
aceleração, eu argumento que a maioria das pessoas não compra utilitários esporte para superar Corvettes de corrida. Elas querem uma mistura de potência e prestígio, conforto e dirigibilidade, e o equilíbrio destes fatores no Rover Sport pode ser inigualável em sua categoria.

A direção é notavelmente ágil para uma fera tão pesada. Assim como o mais recente Range Rover, o Sport passa uma sensação incomparável em linha reta, e seus reflexos e propriedades de estrada são ainda mais aguçados. Poucos utilitários esporte passam sua sensação de comando inabalável.

O novo Sistema de Resposta Dinâmica monitora a força g para manter o corpo alinhado nas curvas e também melhora a performance off-road. Os modelos supercharged possuem poderosos freios Brembo de quatro pistões na frente.

Mas o Sport tem um talento embaraçoso: ele é beberrão como o Hummer H2 e o Porsche Cayenne. Eu obtive 5 quilômetros por litro no geral; a estimativa oficial da Agência de Proteção Ambiental é de 5,5 quilômetros por litro na cidade e 7,6 quilômetros por litro na estrada.

Como mencionei, o Sport atuará belamente off-road, da forma como Angelina Jolie poderia usar seus músculos para esfregar o chão de hospitais -isto é, o conceito é plausível mas a realidade seria perturbadora.

Em um trecho off-road nas montanhas Shawangunk de Nova York, o Sport bocejou diante obstáculos, apesar de eu ter estremecido enquanto o caro chassi raspava nas rochas pré-históricas. A suspensão de ar se ajusta a três alturas e dá um impulso de emergência se o corpo ficar entalado off-road.

O botão do Sistema de Resposta a Terreno apresenta configurações para todo tipo de superfície: rodovia seca, neve, lama, rochas e lava
borbulhante -tudo bem, nada derretido, apesar de meu modelo de teste
apresentar uma cor quente chamada Laranja Vesúvio.

O controle de descida de declives permite que novatos negociem declives
íngremes sem tocar no pedal de aceleração ou freio.

De volta à civilização, o Sport se distingue pelo desenho de matar. Se a
maioria dos utilitários esporte parece tijolos, o Sport é no mínimo um
mármore talhado à mão, robusto mais elegante. As linhas tradicionais da
Rover como concha de molusco bivalve e as proporções de diligência se
misturam com o teto inclinado e grade de favo de mel. É uma caminhonete e tem orgulho disto, um antídoto aos híbridos indistintos que não se decidem pelo que querem ser. (O Cayenne parece um station wagon usando uma máscara de Porsche 911.)

A estes preços, imagem e herança contam. Descendente de uma realeza de
utilitários, o Rover emana autoridade natural, sem a necessidade das jóias preferidas pelos demais carros da categoria.

Ainda assim, é preciso deixar de lado os problemas potenciais destes genes britânicos, incluindo a perene baixa nota de confiabilidade do Land Rover.

Um par de barras de metal irritantemente finas servem como botões de buzina; quando você as localiza, qualquer perigo já passou. Os controles de áudio são intrincados e o minúsculo mostrador é difícil de ler.

Além disso, não vale a pena se adaptar ao controle de cruzeiro adaptativo, que emite um radar para manter uma distância atrás do veículo à sua frente.

Diferente dos sistemas rivais que regulam suavemente a velocidade, o do
Rover parece que um hooligan adolescente assumiu o controle, se arremessando de forma alarmante na direção dos carros à sua frente apenas para se afastar repentinamente.

Tais problemas à parte, o estilo, performance e conveniência do Rover Sport encantarão certo tipo de comprador, que pode se identificar por meio de um questionário psicológico simples:

-Você pode devolver o olhar de motoristas de Prius com desdém altivo?

-Você consegue rir maniacamente enquanto a bomba de gasolina passa de US$ 70?

-Você já sonhou em laços de veludo caindo e porteiros corpulentos se
curvando diante de suas rodas de liga de 20 polegadas?

Se você respondeu sim a pelo menos duas das três perguntas, você amará o Range Rover Sport. George El Khouri Andolfato

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