UOL Notícias Internacional
 

05/07/2006

Ônibus Espacial decola rumo à Estação Espacial Internacional

The New York Times
John Schwartz e Warren E. Leary

em Cabo Canaveral, Flórida
Na tarde de terça-feira (04/07) o ônibus espacial Discovery cortou um céu quase sem nuvens com o ruído ensurdecedor e as labaredas dos seus foguetes, e entrou com segurança em órbita terrestre.

Chang W. Lee/The New York Times 
A Discovery decola de Cabo Canaveral, em direção à Estação Espacial Internacional

O lançamento, bem no horário previsto, as 14h38, foi o início de uma missão de doze dias, e que é a primeira em um período de um ano para uma frota reduzida de ônibus espaciais. A missão faz parte dos esforços contínuos da Nasa para retomar os vôos espaciais tripulados.

Na quinta-feira o Discovery deverá se acoplar à Estação Espacial Internacional. O ônibus espacial está levando equipamentos, suprimentos e mais um astronauta para compor a atual tripulação da estação espacial.

Mas este é também considerado o segundo e último teste de vôo da frota de ônibus espaciais desde a perda do Columbia e dos seus sete astronautas em 2003. Portanto, a ascensão do Discovery foi atentamente escrutinada para a detecção de fragmentos que se desprendem durante o lançamento, e que provocaram o desastre com a Columbia.

Aos dois minutos e 47 segundos de vôo, uma câmera a bordo mostrou vários fragmentos parecendo se desprender do tanque externo de combustível. Eles foram arremessados para longe, e não pareceram ter se chocado contra o ônibus espacial, que leva a tripulação de sete astronautas.

N. Wayne Hale Jr., o diretor do programa dos ônibus espaciais da Nasa, disse que os fragmentos caíram "após o momento que nos preocupava", depois que a atmosfera se torna tão tênue que esses fragmentos dificilmente poderiam causar danos sérios.

Segundo funcionários da Nasa, um fragmento que se desprendeu mais tarde pareceu acertar a espaçonave bem no centro. Mas eles acrescentaram que o impacto provavelmente não causou nenhum dano.

E cerca de 15 minutos após o lançamento, um dos astronautas, Michael E.
Fossum, fez um contato por rádio com o controle da missão, em Houston, para relatar que a tripulação viu algo que parecia ser uma tira de tecido de 1,8 m de comprimento flutuando para longe do Discovery.

"Aquilo realmente parecia ser um pedaço de isolamento FRSI", disse Fossum aos controladores da missão, referindo-se a uma parte das camadas resistentes ao calor que cobrem o topo do ônibus espacial (FRSI é a sigla em inglês de isolamento de superfície reutilizável e flexível).

Uma perda de material isolante poderia se constituir em um problema sério para o ônibus espacial. Mas às 18h15, o encarregado de comunicações em terra, Steve Frick, informou à tripulação: "A avaliação inicial aqui é de que aquilo que vocês viram realmente parece ser gelo". A Nasa enfrentou um incidente similar na missão do ano passado.

As diversas câmeras no Discovery e na estação espacial fotografarão cada centímetro quadrado da superfície da espaçonave durante a missão. Caso algum dano sério seja detectado, a Nasa pretende solicitar à tripulação que abandone o ônibus espacial e se abrigue na estação até que uma missão de resgate possa ser lançada.

Os funcionários da Nasa estavam jubilantes com o lançamento. "Eles não podem ficar muito mais felizes que isso", disse o administrador Michael D.
Griffin, que foi criticado por desprezar funcionários dos setores de engenharia e segurança no mês passado, após estes terem recomendado que a missão fosse cancelada a fim de que se efetuassem mais estudos sobre os perigos representados pelos fragmentos.

Ao lhe perguntarem se sentia ter triunfado sobre os críticos, ele respondeu que o lançamento bem-sucedido representa simplesmente uma façanha boa e sólida de engenharia.

"Vocês não param de falar de sentimentos", disse ele. "Eu terei tempo para sentimentos após a minha morte. No momento, estou muito ocupado para isso".

Originalmente marcado para o último sábado, o lançamento do Discovery foi adiado duas vezes devido ao mau tempo. Mas o Quatro de Julho amanheceu com um céu claro, que praticamente garantia o lançamento, embora tenham surgido preocupações quanto a ventanias nas horas que antecederam a decolagem.

Os astronautas chegaram à área de lançamento pouco depois das 11h, e seguiram até à plataforma de 57 metros de altura a partir da qual puderam embarcar na espaçonave. Eles embarcaram às 11h55. Os funcionários de apoio fecharam a escotilha às 12h23.

À medida que se aproximava o momento da ignição, o diretor de lançamento da Nasa, Michael D. Leinbach, consultou as equipes de apoio do ônibus espacial, para se certificar de que todos aprovavam a decolagem. Todos aprovaram.

"O Discovery está pronto", anunciou Leinbach. "O tempo está ótimo, e os Estados Unidos estão prontos para retornarem ao espaço. Boa sorte e boa viagem".

O comandante do ônibus espacial, o coronel da força aérea Steven W. Lindsey, respondeu: "Não consigo imaginar uma data melhor do que o Quatro de Julho para estar aqui".

A seguir, ele se dirigiu aos milhares de expectadores ao longo da costa, afirmando que esperava proporcionar-lhes "uma visão próxima e pessoal do fulgor avermelhado dos foguetes".

A seguir os motores e foguetes elevaram a espaçonave com um ruído trovejante rumo a um céu tão claro que as chamas ainda eram visíveis quando o ônibus espacial estava a mais de 100 quilômetros de altitude.

Os motores principais foram desligados aos oito minutos e meio após o lançamento, um momento a partir do qual aqueles que estão familiarizados com os perigos associados ao lançamento podem finalmente respirar aliviados. Pouco depois disso, o tanque externo foi descartado, caindo no oceano, e a nave prosseguiu no seu curso, rumo à estação espacial.

A Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço percorreu uma longa estrada de retorno ao espaço após o desastre do Columbia, quando o mais velho ônibus espacial do país se desintegrou sobre o Texas e a Louisiana em 1º de fevereiro de 2003, quando retornava à pista de pouso na Flórida.

A investigação do acidente revelou que um pedaço de espuma de isolamento de 760 gramas abriu um buraco na asa esquerda durante a subida da nave - e que, além do mais, uma "cultura de segurança deficiente" na Nasa permitiu que pressões relativas a cronogramas e orçamentos deslocassem para um segundo plano as preocupações quanto à segurança.

Desde então, a Nasa tem trabalhado para corrigir ambos os problemas.
Centenas de milhões de dólares foram gastos com a eliminação de fontes de fragmentos de espuma do tanque externo, e a agência tomou medidas no sentido de garantir que as vozes dissidentes fossem ouvidas.

Um ano atrás, durante a missão do Discovery de retorno ao espaço, o tanque externo soltou menos fragmentos de espuma do que antes, mas ainda assim vários pedaços se desprenderam, sendo que um deles pesava quase meio quilo.

Nenhum daqueles fragmentos causou danos ao Discovery, mas o fato fez com que a agência espacial suspendesse os vôos até que o problema fosse mais bem entendido e corrigido. A Nasa removeu 16 quilos adicionais de espuma do tanque.

No mês passado, funcionários das áreas de engenharia e de segurança recomendaram que o lançamento fosse adiado, já que os testes demonstraram que pequenos pedaços de espuma poderiam se desprender das coberturas dos suportes existentes ao longo do tanque. Esse isolamento impede a formação de gelo à medida que o ar úmido se condensa na parte externa do tanque de combustível e é congelado pelo combustível super-refrigerado.

Os engenheiros afirmaram que um choque "catastrófico" de um pedaço de espuma contra a espaçonave é "provável" em algum momento no decorrer das próximas 16 missões do ônibus espacial.

Mas Griffin não deu ouvidos a esses técnicos, afirmando que discordava dessa avaliação. Ele observou que o principal risco era para o veículo, e não para a tripulação.

Os três ônibus espaciais que restaram na frota nacional deverão realizar mais 16 missões para completar o trabalho na estação espacial ainda não concluída. Poderá haver um lançamento adicional para fazer serviços de manutenção no Telescópio Espacial Hubble. O presidente Bush ordenou a aposentadoria da frota de ônibus espaciais até 2010, de forma que a Nasa precisará retomar a sua média histórica de 4,5 missões por ano para atingir essa meta.

Os problemas técnicos, que surgem antes de cada missão, também fizeram parte dos preparativos para este lançamento. Durante o dia de manutenção entre as duas primeiras tentativas e o lançamento de terça-feira, a descoberta de espuma danificada em um suporte que protege o tubo que leva o oxigênio líquido até o tanque externo fez com que os engenheiros passassem um dia imersos em estudos e discussões intensas, antes de decidirem que a espuma não se constituía em um risco para a espaçonave e a tripulação.

O Discovery deverá continuar testando diversas modificações implementadas desde a perda do Columbia, incluindo maneiras de localizar e reparar danos potenciais no escudo de proteção térmico do ônibus espacial. A caminho da estação, os astronautas deverão passar a maior parte do seu segundo dia no espaço utilizando o braço robô de 15 metros do ônibus espacial, com uma extensão de 15 metros dotada de uma câmera e de um identificador de superfície a laser, a fim de inspecionarem os materiais de proteção térmica na barriga, no nariz e nas asas da espaçonave.

No terceiro dia da missão, o ônibus espacial se aproximará da estação para a acoplagem. Antes da união entre o Discovery e a estação, o coronel Lindsey fará com que a espaçonave fique imóvel a 200 metros do seu alvo. Ele fará uma manobra para colocar a espaçonave de 100 toneladas com o nariz para cima, permitindo que a tripulação da estação tire fotos detalhadas da barriga do Discovery.

Uma semana de operações conjuntas está planejada. O Discovery transferirá toneladas de suprimentos e novos equipamentos transportados no módulo Leonardo, fabricado na Itália.

A missão prevê duas, e possivelmente três, atividades extraveiculares. As duas primeiras envolverão reparos na estação e a adição de equipamentos. Se os controladores determinarem que o Discovery possui energia e oxigênio suficientes para um dia extra na estação, os astronautas se aventurarão a sair da espaçonave uma terceira vez a fim de testarem métodos experimentais que poderiam ser utilizados para consertar estragos potenciais nos escudos térmicos nas asas e no nariz do ônibus espacial.

Hale, o chefe do programa do ônibus espacial, disse que se tudo correr bem durante a missão, a agência espera lançar o Atlantis já em 28 de agosto, para dar continuidade aos trabalhos de construção da estação espacial. Danilo Fonseca

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