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06/07/2006

Fazendo as unhas dos homens

The New York Times
Nick Burns
Quando Glenn Torregiani pensa em relaxar, pensa em beber um uísque escocês e fumar um charuto. Mas recentemente passou a tarde no John Allan's Club, em Manhattan, onde fez xampu e corte de cabelo, engraxou os sapatos, fez as unhas e relaxou com uma toalha quente no rosto. Tudo acompanhado de uma cerveja gelada.

Nesta era pós-metrossexual, os americanos estão se deixando envolver pelos roupões de spas e requisitando tratamentos que poderiam ser considerados impróprios para o homem há poucos anos.

No entanto, cada vez mais isso acontece em um ambiente tradicionalmente masculino, como dos clubes para cavalheiros, com madeira escura e decoração de couro, televisões de tela grande, programação esportiva e cerveja. Sem mencionar a presença de mulheres bonitas.

A indústria de cosméticos vem voltando sua atenção para os homens, mas algumas estão fazendo de uma forma que pode atrair até homens que não sabem a diferença entre um creme umectante e uma loção pós-barba.

São poucos os homens que amam uma boa pedicura. No entanto, líderes da indústria acreditam que se tornarem a experiência masculina, passar a hora de almoço em um salão pode se tornar tão aceitável quanto fugir para um jogo de bola à tarde.

"Nós criamos um lugar onde o homem é o foco e não uma surpresa", disse John Allan, que abriu seu primeiro clube em Wall Street em 1988. Ele acrescentou: "É mais fácil eles pedirem esses serviços quando estão neste ambiente."

Os novos spas de homens oferecem essencialmente os mesmos serviços: corte de cabelo, manicura, pedicura, massagem, limpeza de pele, barba e depilação.

Mas todos se esforçam para deixar os clientes confortáveis. Alguns, como o novo lounge de estilo de Frederic Fekkai, no quarto andar da Henri Bendel, usam uma decoração simples. Outros, como John Allan em Midtown, Wall Street, TriBeCa e Saks Fifth Avenue, usam o estilo de decoração dos clubes tradicionais de cavalheiros. E alguns, como o Bikini Cuts em Salt Lake City, estão entre um salão e um Hooters, com atendentes de biquíni fazendo "massagem manicura" e "corte de biquíni".

Os atrativos parecem estar funcionando: de acordo com a International Spa Association, 31% de todos os clientes dos spas nos EUA em 2005 eram homens, comparados com 29% em 2003, quando os spas americanos receberam 136 milhões visitas, o último ano para o qual há dados. Muitas dessas visitas foram aos 12.100 salões e spas nos EUA que antes atendiam apenas mulheres. Mas no ano passado, quatro novos spas que servem aos homens abriram só na cidade de Nova York e muitos mais em torno do país, oferecendo serviços e ambiente para agradar os homens de 20 a 50 anos.

Alguns proprietários de spas masculinos resumiram sua fórmula a dois grandes pontos: simplicidade e privacidade. Eles romperam com os moldes de salões femininos e escolheram uma decoração inspirada em uma sala de estar masculina de clube social ou bar esportivo.

Em vez de tons neutros e pastéis, velas de cheiro e flores, locais como John Allan têm pisos de concreto e madeira, cadeiras de barbeiro, espelhos de madeira escura e cadeiras de couro que parecem tronos.

Entrando no Truman's Gentlemen's Groomers, na 120 E, 56th St em Manhattan, você encontrará clientes esperando por seus serviços em um bar revestido de madeira, bebendo cerveja, um copo de vinho ou um Grey Goose no gelo, enquanto assistem Bloomberg News ou a Copa do Mundo. A intenção não é embebedar os clientes para que fiquem tranqüilos para fazer uma manicura, mas sim ajudá-los a relaxar e sentirem-se os mais importantes.

"Quando você entra, alguém oferece tirar seu casaco e bolsa e trazer uma bebida", disse Joe Marchesi, co-proprietário. "É como entrar em um hotel de quatro estrelas. Tiram a pressão com o lounge e o bar na frente. A maior parte dos clientes não quer ficar sentada em uma sala de espera."

O Major League Trim, em 11515 W. Pico Blvd. em Los Angeles, levou a experiência de barbearia tradicional para um novo nível, oferecendo um espaço onde homens não apenas falam do jogo, eles o assistem -e permitindo que clientes relaxem sem medo de serem vistos com esses chinelos de pano brancos de spa, enquanto seus sapatos estão sendo engraxados lá em baixo.

"Os homens não querem dar de cara com outros quando estão fazendo manicura e não querem ser vistos em uma cadeira de pedicura", disse Marchesi. No John Allan, o cliente pode descansar em uma cadeira de 1940 de couro em uma sala privada para fazer pedicura.

Fekkai disse que a privacidade ajuda a clientela e os negócios. "Quando estou em um lugar privado com o cliente, posso recomendar serviços que ele não faria de jeito nenhum se outros o vissem", disse Fekkai, "e ele vai considerá-los"

Alguns donos de salões procuraram tornar os serviços mais masculinos mudando os nomes dos serviços. O SkinCareLab do SoHo, por exemplo, oferece a "limpeza masculina" (limpeza de pele), "pedicura esportiva", limpeza das costas e serviços de depilação.

O Truman's Gentlemen's Groomers chama fazer manicura de "manutenção do aperto de mão" e a pedicura de "reparo dos pés".

"Pedicura parece frescura", disse Marchesi. "Os homens são pensam em resultados. Chame de reparo dos pés e os homens sabem qual será o resultado."

Para alguns dos proprietários de salões masculinos, beleza e apelo sexual andam juntos. "Homens e mulheres querem ser atendidos por pessoas de boa aparência", disse Rob Reed, dono do Major League Trim. "Os homens acreditam que se a pessoa que está cortando seu cabelo é sexy, talvez ela possa fazê-lo parecer sexy."

Enquanto John Allan jura que a intenção não é promover sexualidade, ele
admite: "Posso fazer todos meus clientes se sentirem jovens universitários. Se alguns me pedem um calendário John Allan? Pedem."

Essa estratégia de marketing parece mais evidente no Bikini Cuts em Salt Lake City. As atendentes usam biquínis enquanto cortam o cabelo, fazem as unhas e retiram pêlos indesejados. A decoração é de praia tropical, oferecendo "o verão o ano todo", com espelhos de bambu, murais de ilhas panorâmicas e palmeiras em miniatura, assim como uma seleção de revistas que inclui Guns e Ammo e fotografias de estilistas em poses estilo Maxim.

As mulheres são freqüentemente a razão dos homens irem ao salão -primeiramente porque pedem que façam as unhas ou marquem hora para elas.

Mas dar ao spa um ambiente masculino? Seth Fishman, banqueiro de investimento de Manhattan com 30 e poucos anos, disse que vai ao John Allan uma vez por semana na hora do almoço e faz as unhas com Irena, uma jovem bela e bem vestida. Ele disse que faz isso há seis anos e agora conhece todas as moças que trabalham lá, as quais cumprimenta amigavelmente com "Oi querida" e um beijo na bochecha, antes de sentar-se para o "serviço completo".

Torregiani, também de 30 e poucos anos, disse que depois de sua primeira visita ao John Allan -para onde foi convidado por um colega - mudou de opinião sobre o que é tratar-se bem. "Limpeza de pele e manicura são coisas que sempre achei que minha mulher fazia", disse ele bebendo uma cerveja na sala do tabaco. Mas, concluiu que há mais na vida do que comida e bebida.

"O corpo deve ser cuidado", disse ele, acrescentando: "Os homens acham que têm que se limitar ao barbeiro da esquina, e isso é um desperdício da experiência." Deborah Weinberg

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