UOL Notícias Internacional
 

06/07/2006

Israelenses avançam ainda mais em Gaza contra o Hamas

The New York Times
Greg Myre e Steven Erlanger

na Cidade de Gaza, Faixa de Gaza
Um número maior de tanques e soldados israelenses avançou ainda mais no norte de Gaza na madrugada de quinta-feira, assumindo novas posições perto de antigos assentamentos israelenses, abandonados e destruídos há um ano.

A incursão mais profunda, por tanques e blindados de transporte de soldados com faróis desligados, teve início pouco antes das 2 horas da manhã, horas depois do governo israelense ter ordenado que as forças armadas expandissem suas operações contra o Hamas tanto na Cisjordânia quanto na Faixa de Gaza.

A meta é libertar o soldado israelense capturado e impedir que os palestinos disparem foguetes, que estão começando a penetrar cada vez mais fundo em Israel.

Na quarta-feira, dois foguetes palestinos disparados de Gaza atingiram Ashkelon; outro já tinha atingido o local no dia anterior. O Hamas assumiu a responsabilidade pelos ataques. Aparentemente ninguém foi ferido.

As autoridades israelenses disseram que o Gabinete de segurança, reunido em uma sessão especial, não autorizou especificamente o estabelecimento de uma zona tampão de longo prazo dentro do norte de Gaza.

Mas a posição anterior israelense, a quase um quilômetro dentro da fronteira, fez pouco para impedir que mais foguetes fossem disparados contra Israel. Planos traçados originalmente pelo exército pediam por uma incursão mais profunda no norte de Gaza, juntamente com o atual posicionamento no sul de Gaza, perto de Rafah, onde acredita-se que o soldado capturado, o cabo Gilad Shalit, esteja sendo mantido.

Na noite de quarta-feira, dois palestinos, um policial e um militante do Hamas, foram mortos por artilharia israelense perto da praia de Sudania, no norte de Gaza, segundo autoridades palestinas. O militante do Hamas estava colocando uma mina perto de um quartel da polícia quando Israel disparou um míssil e artilharia contra ele, também ferindo sete policiais palestinos.

Um jornalista e um motorista da televisão Al Jazeera teriam ficado feridos quando o carro deles foi alvejado por militantes palestinos em Beit Hanoun, que acreditavam que eles eram agentes israelenses disfarçados.

O foguete Qassam com dois propulsores que atingiu Ashkelon ao anoitecer de terça-feira foi disparado dos escombros de um ex-assentamento israelense no norte de Gaza, viajando 12 quilômetros, segundo o exército israelense. Em comparação, o alcance dos foguetes com um propulsor disparados pelos militantes é de menos de 10 quilômetros, apesar de também possuírem alguns foguetes Katyusha produzidos industrialmente, com alcance de quase 23 quilômetros.

O primeiro-ministro Ehud Olmert, falando em uma festa da independência dos Estados Unidos na casa do embaixador americano em Israel, Richard H. Jones, considerou o primeiro foguete do Hamas a atingir Ashkelon, uma cidade com cerca de 115 mil habitantes e que possui uma grande usina de força, "uma escalada sem precedente". O Hamas alertou que seu arsenal contém outras surpresas.

O Gabinete israelense disse em um comunicado: "Tendo em vista o seqüestro e os contínuos disparos de foguetes e morteiros, incluindo o disparo de um foguete Qassam contra Ashkelon, preparativos devem ser feitos para promover uma mudança nas regras do jogo e no modus operandi frente à Autoridade Palestina e o Hamas". O Hamas venceu as eleições legislativas em janeiro.

Isaac Herzog, um ministro do Partido Trabalhista no Gabinete de segurança, disse em uma entrevista: "Nós queremos fazer uso de punho de ferro, mas cautelosamente, com muita consideração, para atingir dois objetivos paralelos: impedir os mísseis e libertar Gilad Shalit em segurança. Nós não estamos tentando mudar o mundo ou a estrutura política da Autoridade Palestina, mas todos os afiliados ao terror não serão poupados".

Ao ser perguntado sobre o governo do Hamas, Herzog disse: "Nós o vemos como participando do terror. Não há diferença entre as alas política e militar do Hamas, como eles dizem".

Itamar Rabinovich, um ex-embaixador israelense em Washington e atual presidente da Universidade de Tel Aviv, disse: "O Qassam no meio de Ashkelon é uma escalada dramática que exige por parte de qualquer primeiro-ministro israelense uma resposta ou escalada drástica".

Rabinovich disse que Israel não tem escolhas fáceis, especialmente com a vida de Shalit em risco, e que a zona de segurança poderá não impedir os foguetes. "Não há solução rápida milagrosa com um soldado como refém", ele disse.

Em seu comunicado, o Gabinete disse que o exército "continuará seccionando a Faixa de Gaza" para reduzir o movimento dos militantes, assim como continuará atingindo "infra-estrutura que sirva ao terrorismo", "evitando -o máximo possível- ferir a população civil" e "respondendo de forma abrangente e imediata a todas as necessidades humanitárias".

Mas Olmert está atado entre seus termos fortes e seus esforços para pressionar o governo do Hamas, sem contar os militantes que estão com o cabo, a fazer a vontade de Israel sem negociar qualquer quid pro quo, como a libertação de prisioneiros.

A ala militar do Hamas é um dos três grupos que mantêm o cabo, mas parece estar além do controle do governo. Em vez disso, ela parece estar recebendo instruções de um líder exilado do Hamas em Damasco, Khaled Meshal, que também é apoiado pelo Irã. O governo do Hamas não pediu aos militantes que libertassem Shalit, apenas que o tratassem bem.

Na Faixa de Gaza, em Khan Younis, um legislador do Hamas, Salah Bardawil, disse acreditar que a crise ainda poderá ser resolvida se Israel concordar em libertar os prisioneiros palestinos. "Eles não teriam que libertar todos os prisioneiros, mas ao menos os casos humanitários, como as mulheres e crianças", ele disse.

Bardawill, um porta-voz da facção do Hamas no Legislativo, disse que as ações de Israel estão aumentando a popularidade do Hamas. "Israel quer que nos rendamos de mãos levantadas", ele disse. "Mas o povo palestino, liderado pelo Hamas, desenvolveu uma psique forte. Quanto mais pressão enfrentamos, mais seremos firmes e resistiremos."

Em Beit Hanoun, no norte de Gaza, há confrontos entre palestinos armados e soldados e tanques israelenses, mas poucos estragos. Na madrugada, Israel disparou mísseis contra o prédio do Ministério do Interior palestino em Gaza, provocando uma grande explosão e ferindo três pessoas. Foi a segunda vez que o prédio foi atingido nos últimos dias. Outro ataque com míssil atingiu uma escola vazia no norte de Gaza, que o exército israelense disse que era usada pelo Hamas à noite.

No bairro de Zeitnoun, na Cidade de Gaza, dois militantes foram mortos, aparentemente quando um explosivo que estavam preparando detonou prematuramente, disseram autoridades de segurança palestinas. Abu Ahmed Dahdouh, um membro da Jihad Islâmica, foi morto juntamente com um associado. A família Dahdouh já teve vários militantes e alguns foram mortos.

Israel também fechou as passagens entre Gaza e Israel, mas a passagem de Erez, na fronteira norte, foi aberta brevemente na noite de quarta-feira para permitir que alguns estrangeiros, incluindo jornalistas, partissem. O exército diz que tem um alerta concreto de ataque contra a passagem.

Ao ser perguntado se o Hamas poderia governar de qualquer forma significativa diante da pressão israelense, Bardawil disse: "Mesmo se ocorrer um colapso do governo, nós não perderemos muito. A principal coisa seria acabar com a farsa de que os palestinos têm um governo de verdade"desde 1994. "Um governo que recebe seu orçamento como caridade não é um Estado real." George El Khouri Andolfato

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