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08/07/2006

GM apóia negociação de aliança com duas rivais

The New York Times
Micheline Maynard

em Detroit
Cedendo ao pedido de seu maior acionista, Kirk Kerkorian, o conselho diretor da General Motors orientou seu executivo-chefe, Rick Wagoner, a iniciar na sexta-feira "conversações exploratórias" com a Renault e Nissan para uma tripla aliança potencialmente histórica.

A decisão do conselho de colocar Wagoner como encarregado das discussões, em vez de um comitê do conselho como pediu Kerkorian, representou uma forte demonstração de apoio dos diretores ao executivo-chefe em dificuldades. O conselho também reiterou seu apoio à estratégia de recuperação de Wagoner, que atua como presidente do conselho.

A ação da GM de aprovar as conversações era esperada, já que o conselho corria o risco de enfurecer muitos acionistas caso rejeitasse simplesmente as discussões.

Kerkorian, que é dono de 9,9% das ações da GM, pediu à montadora que discutisse uma aliança com a Renault e a Nissan e com o executivo-chefe que dirige ambas as empresas, Carlos Ghosn. Kerkorian, por intermédio de seus associados, expressou frustração com o ritmo do esforço de recuperação da GM.

Apesar da GM ter concordado com seu principal pedido, Kerkorian não ficou satisfeito. Uma declaração da empresa de Kerkorian, a Tracinda, na sexta-feira, disse: "Uma avaliação plena e objetiva desta oportunidade única exige o estabelecimento de um comitê do conselho que receba pareceres legais e financeiros independentes".

As conversações iniciarão rapidamente: Ghosn e Wagoner deverão se encontrar na próxima sexta-feira em Detroit, durante a visita de Ghosn ao centro técnico norte-americano da Nissan.

Muitos analistas consideram Ghosn o principal candidato a substituir Wagoner caso uma aliança seja formada -algo que está longe de certo, dada a complexidade de tal acordo.

Mas com Wagoner liderando o lado da GM das negociações, parece haver virtualmente nenhuma chance de um acordo que leve a uma tomada do cargo de Wagoner por Ghosn.

"É muito difícil para a maioria das pessoas demitir a si mesma", disse John P. Kotter, um professor de liderança da Harvard Business School e autor de vários livros sobre mudança organizacional.

As ações da GM subiram 28 centavos, para US$ 29,48.

Um alto executivo de uma montadora concorrente, que está familiarizado com as operações de todas as três empresas, disse na sexta-feira que Wagoner e os diretores da GM claramente defenderam suas posições. "Colocar Wagoner encarregado disto? Este é um forte sinal para Kerkorian de que ele não vai afastar Wagoner com isto", disse o executivo.

A atenção agora se voltará para se Kerkorian ficará impaciente com o ritmo deles ou descontente com o resultado.

Ele não é conhecido por recuar de suas exigências -particularmente em seus negócios automotivos anteriores, o mais famoso na Chrysler Corporation, em 1995. Ele era o maior acionista da Chrysler na época e apresentou um plano de recompra de ações chamado Projeto Beta para os altos executivos da empresa, segundo o livro "Taken for a Ride", de Bill Vlasic e Bradley A. Stertz.

Os diretores da Chrysler rejeitaram o esforço e, logo em seguida, Kerkorian deu início a uma tentativa de tomada hostil da Chrysler, apoiada por seu ex-executivo-chefe, Lee A. Iacocca. O esforço fracassou, mas ele conquistou o direito de ter um representante no conselho diretor da Chrysler, que duplicou o plano de recompra de ações a pedido de Kerkorian.

"Eu não acho que este é o fim da história", disse o executivo rival sobre a decisão da GM na sexta-feira. "Ele fará outra coisa."

O conselho diretor da GM estava tentando contentar ambos os lados, disse Kotter, o professor de Harvard. Apesar do forte apoio a Wagoner, o conselho também está deixando abertas suas opções caso Ghosn tenha algumas idéias válidas.

Os membros do conselho "não querem entrar para a história como tendo ficado sentados na proa do navio enquanto ele afundava no mar", disse Kotter.

Wagoner, na declaração da empresa, disse que a administração da GM abordará as discussões "com mente aberta -ávida em ouvir as idéias sobre como uma aliança entre nossas empresas poderia funcionar para benefício mútuo".

George M.C. Fisher, o ex-executivo-chefe da Eastman Kodak que atua como
principal diretor externo da GM, disse em uma declaração: "O Conselho
Diretor da GM autorizou a administração a prosseguir com seu plano de
considerar as idéias das outras duas empresas e pesar os benefícios
potenciais de tal aliança, para auxiliar o conselho em sua tomada de
decisão".

A declaração não mencionou o pedido de Kerkorian, feito na semana passada, para que um comitê do conselho da GM fosse formado para investigar a aliança juntamente com a administração.

Também não foi mencionada pela declaração da GM se qualquer consultor
financeiro externo seria usado pela administração para avaliar a idéia de uma tripla aliança, uma questão levantada nesta semana por pessoas que conhecem a forma de pensar de Kerkorian.

Em vez disso, disse a declaração da GM, "a administração manterá o conselho bem informado e os diretores, é claro, monitorarão atentamente o processo para assegurar que o resultado atenda aos melhores interesses de todos os acionistas da GM".

As palavras deram fim aos comentários em Detroit e em outras partes nesta semana de que a administração da GM apresentaria ao conselho um forte argumento contra a aliança, dizendo que ela seria complexa demais e uma distração enquanto a GM tenta se acertar.

Tais boatos aparentemente preocuparam Kerkorian. Pessoas que conhecem sua forma de pensar disseram que temiam o risco de sua proposta ser sabotada antes que o conselho da GM tivesse chance de analisá-la.

Dada a força de Kerkorian, os membros do conselho não podiam simplesmente descartar a proposta, disse Michael Useem, um professor de administração da Escola Wharton da Universidade da Pensilvânia.

"Esta é provavelmente a maior decisão isolada que um diretor da General
Motors tomará", disse Useem.

Ele prosseguiu: "Se for aprovada, ela terá profundas conseqüências. Ela terá enormes implicações para literalmente milhões de pessoas".

Na sexta-feira, Wagoner disse que a administração está comprometida com uma "análise minuciosa e objetiva" da aliança.

"A General Motors tem muita experiência com tipos diferentes de alianças, sendo que algumas forneceram benefícios significativos para a posição competitiva e força financeira da GM", disse Wagoner.

A GM tem um retrospecto de altos e baixos em suas associações com outras empresas. Ela tem uma longa associação com a maior montadora do Japão, a Toyota, com a qual monta carros em uma joint venture na Califórnia. Mas a associação da GM com uma das maiores montadoras da Europa. a Fiat, acabou mal, forçando a GM a pagar US$ 2 bilhões para se livrar do acordo.

Apesar de apregoar o sucesso de seu empreendimento com a coreana Daewoo, a GM encerrou recentemente empreendimentos com duas empresas japonesas, a Fuji Heavy Industries, a dona da Subaru, e a Suzuki.

As conversações entre Wagoner e Ghosn poderão incluir uma união de suas
operações de engenharia, desenvolvimento de produto e manufatura. A Nissan, que está atrás da Toyota e da Honda na produção norte-americana, poderá se interessar em assumir algumas das fábricas que a GM pretende fechar.

Kerkorian enviou cartas para todas as três empresas uma semana atrás,
pedindo para que conduzissem negociações para uma tripla aliança. A cartas foram enviadas depois de um encontro entre Kerkorian e Ghosn em Nashville, no mês passado.

Na segunda-feira, os conselhos diretores da Renault e Nissan autorizaram as negociações, caso a administração da GM e seu conselho diretor apoiassem as discussões. Segundo a proposta, no valor de US$ 3 bilhões, as duas empresas ficariam com 10% das ações da GM. A Renault, em uma declaração, disse que estava ansiosa para iniciar em breve as negociações. George El Khouri Andolfato

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