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08/07/2006

Nos EUA, crescem os fundos de investimento para empresários hispânicos

The New York Times
James Flanigan

em Pasadena, Califórnia
Quando Daniel D. Villanueva, um ex-placekicker (jogador encarregado de chutar a bola no futebol americano) do Los Angeles Rams e do Dallas Cowboys, trocou o futebol americano por uma carreira na área de teledifusão, em 1968, ele esbarrou em algo de grande dimensão.

A estação de televisão incipiente na qual ele ingressou ajudou a formar a Spanish International Network, que acabaria se transformando na Univision Communications.

A Univision acaba de concordar em ser vendida a um grupo de investidores privados por US$ 12,3 bilhões. A renda obtida com uma venda anterior da companhia à Hallmark, em 1989, aumentou a fortuna de Villanueva, recentemente estimada em US$ 179 milhões, o que lhe permitiu criar um fundo de investimentos para empresários hispânicos.

Atualmente, aquilo que mais o fascina é fomentar pequenas empresas e inspirar empresários a se transformarem na espinha dorsal da próxima geração do empresariado hispânico.

"A nova geração foi treinada na universidade. Já a geração dos empresários hispânicos pioneiros não teve tal treinamento", afirma Villanueva.

Ele e o filho, Daniel L. Villanueva, 47, juntamente com Gabrielle Green, uma antiga investidora no setor de mídia, criaram um novo fundo de investimentos cujo patrimônio é de quase US$ 100 milhões.

A companhia deles, a Fontis Partners, se agregou ao Rustic Canyon Partners, um fundo que realiza investimentos para a proeminente família Chandler, de Los Angeles, para formar a RC Fontis Partners. A palavra "fontis" é derivada de fuentes, que em espanhol quer dizer fontes.

"O fundo tem este nome porque vemos nele uma fonte de capital e de inspiração para empreendedores e famílias empresárias", disse Daniel L.
Villanueva durante uma recente entrevista no escritório local da RC Fontis Partners.

De fato, o novo fundo tem como meta canalizar investimentos para companhias familiares, muitas das quais necessitam de capital para crescer ou para fazer a transição de negócio familiar para profissional.

Esse tipo de investimento voltado para uma etnia e uma geração específicas se constitui em um campo em expansão, que atualmente atrai cerca de US$ 2 bilhões de fundos de pensão e instituições desejosas de participar do crescimento dos 2,7 milhões de companhias de propriedade de famílias hispano-americanas. A bem da verdade, o tamanho ainda pequeno da maioria das companhias de famílias hispânicas limita a quantidade de investimentos que elas são capazes de absorver. O RC Fontis Partners estabelece um limite de investimentos entre US$ 5 milhões e US$ 10 milhões para cada companhia.

"O poder de compra na comunidade latina em todo os Estados Unidos cresceu nos últimos dez anos", afirma Daniel L. Villanueva. "Estabelecimentos que não passavam de quiosques de esquina estão se transformando em grandes companhias".

Juan Solana, economista da revista "Hispanic Business", calcula que o atual poder de compra agregado da comunidade hispânica nos Estados Unidos seja de US$ 768 bilhões ao ano, e que até 2010 esta cifra chegue à casa de US$ 1 trilhão. E, de fato, nos últimos anos, grandes financeiras globais, incluindo a Goldman Sachs, e ainda o ex-secretário do Tesouro, Nicholas F. Brady, se juntaram aos grupos que apóiam as companhias familiares hispânicas.

A Hispania Capital Partners, de Chicago, direciona os seus investimentos para as firmas que servem ao mercado hispânico, explica Vitor Maruri, co-fundador da firma que arrecadou US$ 125 milhões de fundos de pensão e bancos em um período de três anos. Em 2004, por exemplo, a Hispania assumiu o controle de 40% das ações da Samy Holding, uma fabricante de produtos para cabelos que são populares nas comunidades hispânicas.

Àquela época, o presidente da Samy, Luis Delgado, estava vendendo os seus produtos nos dos salões de beleza de bairros hispânicos e através da Home Shopping Network.

"Ele faturou US$ 2 milhões vendendo no atacado, e US$ 8 milhões com as vendas através da Home Shopping Newtwork", afirma Maruri. "Assim, nós o ajudamos a implementar a distribuição atacadista. E, atualmente, Delgado arrecada US$ 40 milhões em vendas no atacado por meio das lojas Target, Wal-Mart, Walgreen's e Costco. As grandes redes de lojas estão desesperadas para adquirir produtos que sejam atraentes no mercado hispânico".

Criado a menos de um ano, o RC Fontis Partners fez um único investimento até agora, de pouco menos de US$ 5 milhões, em uma companhia de San Antonio que publica o "Rumbo", um jornal de língua espanhola. Mas os administradores do fundo estão pensando seriamente em investir em duas companhias de alimentos, em uma fábrica famosa de ferramentas e em duas firmas de serviços financeiros. Eles planejam fazer dois ou três investimentos por ano, e, no futuro, chegar a algo entre dez e 12 investimentos anuais.

De acordo com James Montgomery, diretor da investidora Montgomery & Company, com sede em Santa Mônica, na Califórnia, o ritmo desses investimentos é o correto.

"O tempo necessário para que um investimento comece a dar retornos é de 12 a 18 meses", explica Montgomery. "É necessário algum tempo para se ingressar em um mercado e escolher aquilo que é interessante. O ritmo de investimento deles não é muito lento. Eles provavelmente contam com uma janela de oportunidade de cinco anos para investir o seu dinheiro".

Recordando a ocasião em que foi o co-fundador do Bastion Capital, em 1992, uma firma que talvez tenha sido o primeiro fundo de investimentos liderado por latinos, Villanueva afirma: "Os meus instintos me disseram que o nicho no qual poderíamos dar as nossas melhores contribuições era aquele de um patamar mais baixo, com investimentos entre US$ 5 milhões e US$ 15 milhões".

Um empresário que Villanueva apoiou foi Thomas Castro, cuja firma El Dorado Communications adquiriu três estações de rádio no Texas em 1993, tendo-as vendido em 2003 por US$ 140 milhões. A seguir, Castro fundou a Border Media Partners, e adquiriu seis estações de rádio com o auxílio de US$ 18 milhões em investimentos dos Villanueva e outros investidores latinos, incluindo a família Tony Sanchez, de Laredo, no Texas.

"Este é um momento de mudança para os negócios familiares", afirmou Castro. "Eu adquiro estações de rádio de empresas familiares que atuaram em uma época e em um mercado diferentes, e as modifico para um formato espanhol, além de fazer com que transmitam música para o mercado de hoje".

Atualmente a Border Media possui 35 estações de rádio, e recentemente recebeu da Vestar Capital - um fundo de ações privado cujo patrimônio é de US$ 14 bilhões - US$ 75 milhões em investimentos destinados à expansão.

Uma boa renda oriunda dos investimentos é uma razão óbvia para o entusiasmo demonstrado pelos grandes investidores. "A nossa meta é obter lucros de 20% a 30% ao ano em períodos de cinco anos", afirma Daniel L. Villanueva. "Somos um tipo de capital paciente. Não obtemos juros ou dividendos. Investimos por acreditarmos que um negócio será bem sucedido e proporcionará um retorno aos nossos investidores".

Muitos dos fundos públicos de pensão, incluindo o Sistema de Aposentadoria dos Funcionários Públicos da Califórnia, que investe no RC Fontis, buscam "uma vantagem mínima dupla" - um benefício para o empresariado nas comunidades de minorias étnicas e um bom retorno financeiro sobre os investimentos.

Existe um aspecto social na necessidade de capital por parte das empresas de famílias hispânicas. Com freqüência a questão principal diz respeito à transição de gerações, aquele momento no qual as famílias decidem trazer ou não gente de fora para as suas empresas.

"A verdade é que gerentes profissionais externos trazem disciplina e fazem com que a situação das companhias melhore", afirma Villanueva Jr. "Mas a princípio isso é algo de desconfortável porque é necessário pensar no motivo pelo qual se está tomando tal medida".

Daniel D. Villanueva cita como exemplo o caso de uma companhia na qual não investiu, mas da qual ele é atualmente membro da diretoria. A Juanita's Food é uma pequena empresa de Wilmington, localidade próxima ao porto de Los Angeles, que fabrica e distribui menudo em lata (uma sopa que contém dobradinha) e outras comidas típicas mexicanas em redes de supermercados.

O proprietário, George de la Torre Jr., modernizou a empresa de processamento de pescado do pai, obtendo uma licença para enlatar e distribuir comida mexicana. Mas nos últimos anos chegou o momento de tomar decisões no sentido de passar a gerência para os seus dois filhos e uma filha ou contratar um gerente - e trazer acionistas - externo. Segundo Villanueva, a solução é uma fórmula intermediária.

A família criou uma diretoria independente e contratou um gerente profissional para controlar e expandir o negócio, disse Villanueva. "Os membros da família ainda são os únicos acionistas, e são eles que estabelecem os parâmetros para as operações da firma".

Mas a companhia é gerenciada por um novo diretor-executivo, Rick Alvarez, um especialista em marketing - e por um quadro independente de três diretores, incluindo Villanueva. "Rick expandirá o negócio com novos produtos, e nós estamos contratando outros profissionais".

As ambições de Villanueva e de outros empresários hispânicos nos dias de hoje vão além dos retornos financeiros. Daniel D. Villanueva; Castro, da Border Media; e Henry G. Cisneros, o ex-secretário de Moradia e Desenvolvimento Urbano, fazem parte de um grupo de vários outros executivos hispânicos que apóiam ativamente a New America Alliance, uma organização formada cinco anos atrás em Santa Fé, no Estado do Novo México.

"Queríamos fazer algo para promover oportunidades para jovens hispano-americanos, mas não desejávamos interferir com outras organizações, e tampouco usar dinheiro governamental", relembra Villanueva. "Assim, circulamos pela sala e, em um período de 15 minutos, arrecadamos US$ 1 milhão para a New America Alliance, uma instituição que tem dois objetivos: a educação e a filantropia".

A aliança promove convenções anuais em Wall Street para fomentar empregos para jovens hispânicos na indústria financeira.

"Queremos encorajar o desenvolvimento do nosso capital humano", diz ele. "Estamos encorajando os nossos jovens a ingressar nas faculdades de administração de empresas e a seguir carreira na área de serviços financeiros". Danilo Fonseca

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