UOL Notícias Internacional
 

08/07/2006

Plano de explodir túneis de Nova York é descoberto em fase inicial

The New York Times
Al Baker e William K. Rashbaum*
Autoridades no exterior prenderam um homem e colocaram dois outros sob custódia por suspeitas de planejar ataques suicidas em túneis de trem sob o rio Hudson, entre Manhattan e Nova Jersey, disseram autoridades na sexta-feira (07/7). Cinco outros homens estão sendo procurados por seu possível envolvimento no plano, que as autoridades disseram que apresentava genuína ameaça, apesar de estar nas fases iniciais e não haver iminência de ataque.

O FBI e a polícia de Nova York tomaram conhecimento sobre o grupo e suas discussões há cerca de um ano, disse Mark J. Mershon, agente especial responsável pelo escritório de Nova York. Em resposta à investigação, a presença da polícia foi aumentada nas últimas semanas nos túneis de Manhattan que poderiam ter sido alvos.

"O planejamento desse ataque amadureceu ao ponto em que pareceu que os indivíduos estavam prestes a prosseguir", disse Mershon. "Eles estavam partindo para uma fase em que tentariam fazer o reconhecimento dos alvos, estabelecer o regime de ataque e adquirir os recursos necessários para efetuá-los. Nesse ponto acho que é inteiramente apropriado reprimi-los."

Autoridades policiais federais e municipais identificaram o principal suspeito da investigação como Assem Hammoud, 31, libanês que foi preso no dia 27 de abril em Beirute. A localização dos dois outros homens sob custódia não foi revelada. Os oito "principais agentes" do ataque, disseram as autoridades, não tinham financiamento, não tinham explosivos e não tinham visitado Nova York -ou mesmo os EUA- para conduzir o reconhecimento. Ao menos um dos planejadores esteve no Canadá, disseram as autoridades.

O monitoramento de salas de bate-papo na Internet usadas por extremistas islâmicos levou à prisão de Hammoud, de acordo com autoridades libanesas. Uma autoridade americana disse que os membros do grupo nunca tinham se encontrado cara a cara.

"Houve muita discussão, houve planos, mas não houve indicação de qualquer movimento em direção dessas instalações. Não há indicações que os materiais foram adquiridos ou que o reconhecimento específico foi feito", disse o comissário de polícia Raymond W. Kelly, na sexta-feira.

Um especialista em combate ao terrorismo que tinha sido informado do plano e que falou sob condição de anonimato porque não está autorizado a conversar com a mídia, disse: "São homens maus no Canadá e um homem mau no Líbano conversando, mas nunca avançou para além disso. Esta a é fase da conversa."

Ele acrescentou: "Eles nunca estiveram em Nova York, nunca estiveram nos EUA, nunca reuniram os materiais. Então, desse ponto de vista, é menos sério que alguns dos outros."

Mershon disse que o ataque seria executado em outubro ou novembro; autoridades libanesas confirmaram o dado. Hammoud disse aos interrogadores libaneses que prometeu "fidelidade a Osama Bin Laden" e se proclama membro da Al Qaeda, segundo Mershon. Mas não está claro se o suspeito jamais interagiu com Bin Laden ou seus principais representantes.

A Diretoria de Segurança Interna do Líbano declarou que, sob questionamento, Hammoud disse que era membro de uma organização extremista e estivera planejando um importante ataque nos EUA.

Uma alta autoridade de segurança em Beirute acredita que Hammoud seja o líder da Al Qaeda no Líbano, e que sua prisão em abril aconteceu sob ordem da Interpol. Autoridades libanesas queriam anunciar sua prisão na época, disse, mas os EUA procuraram manter a questão sigilosa, acreditando que a investigação levaria a mais informações, disseram as autoridades.

Autoridades no Líbano disseram que o suspeito é de família religiosa, mora com sua mãe em um prédio da sua família e dá aulas em uma universidade privada.

A prisão e o plano foram divulgados na sexta-feira pelo Daily News. O jornal disse que os possíveis homens-bomba pretendiam fazer um buraco na parede do túnel Holland, permitindo que o rio Hudson alagasse o túnel e a parte baixa de Manhattan.

Mas as autoridades disseram que o foco parecia ser dois túneis Path, que servem aos trens entre Manhattan e Nova Jersey. Estes túneis saem de Manhattan no World Trade Center, ao sul da rua Christopher.

Hammoud disse aos interrogadores que um dos cenários discutidos era colocar suicidas com explosivos em mochilas no trem Path para destruir o túnel, disse um policial que preferiu permanecer anônimo pois o caso não está terminado. Outra autoridade disse que o número de agentes seria de sete ou oito.

O policial disse: "Houve discussão sobre onde fazer, como fazer, o que seria preciso, que efeito teria em diferentes gradações; um agente importante estava se preparando para partir para um país que sabidamente tem presença da Al Qaeda." Ele observou, entretanto, que Hammoud não era reconhecido como "importante agente da Al Qaeda".

Na noite de sexta-feira, Kelly disse durante uma participação no "The News Hour With Jim Lehrer" que os atacantes "queriam, de alguma forma, abrir a água -paredes que seguram a água- que então entraria nos túneis Path que passam sob o rio Hudson." Kelly sugeriu que o plano envolvia dois túneis e a estação do Path perto da Pennsylvania Station. Ele disse que, dessa forma, a água entraria também no sistema de metrô.

O deputado Peter T. King, republicano de Nova York, do Comitê de Segurança Interna da Câmara, disse que tinha sido informado sobre a investigação há nove meses. Ele entende que o alvo não era os túneis Holland ou Lincoln, de carros e caminhões, mas um dos dois túneis Path.

Seis governos estão ajudando nas investigações, disseram as autoridades, apesar de se recusarem a identificá-los. Sobre os cinco suspeitos sendo procurados, Kelly disse: "Seu paradeiro é conhecido, e estão sendo vigiados."

*Contribuíram para este artigo: Hassan M. Fattah, de Dubai; Eric Lichtblau e Eric Lipton, de Washington; e Leena Saidi e Nada Bakri de Beirute Deborah Weinberg

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