UOL Notícias Internacional
 

09/07/2006

Dodge Charger passa a andar do lado da lei

The New York Times
Por Norman Mayersohn
Alguém poderia argumentar que o Dodge Charger do século 21 nasceu para ser um carro de polícia. Mesmo em trajes civis, o design bruto emana uma atitude do tipo "saia do meu caminho", sua grade de fios cruzados uma carranca, e não o rosto sorridente visto na maioria dos modelos atuais.

A sobrancelha levantada acima dos faróis se inclina à frente em sua borda externa, lhe dando uma expressão cética, que parece perguntar: "O senhor não viu aquela placa de limite de velocidade de 40 km/h lá atrás?"

Trajando uma farda preto e branca, a mensagem aos infratores do modelo
policial do Charger que dirigi no mês passado era claramente "Ameaçar e
Intimidar". Apesar de não ser um policial (e também não interpretar um na TV), eu consegui que a Chrysler me emprestasse as chaves daquele que é provavelmente o carro de polícia mais importante em uma década, bem antes da maioria dos departamentos o receberem.

Angel franco/The New York Times 
O Dodge Charger dos "tiras" de NY, fotografado em frente a um distrito policial

Com a sensação de poder proveniente das insígnias da "Polícia de Dodge City" presentes em suas portas, mais as luzes e sirenes, eu busquei avaliar o efeito. O fato de os escudos laterais apresentarem o logo de carneiro da Dodge fez pouco para suavizar o impacto visual.

A postura de zagueiro de futebol americano, reforçada por pneus de 18
polegadas que enchem rodas de aço pintadas de preto, adicionava uma aura de seriedade. A barra de luzes discreta no teto e os holofotes nos pilares do pára-brisa completavam a imagem, mas o propósito do Charger seria claro sem eles.

Mesmo como um veículo sem os sinais característicos, eu suspeito que
este carro nunca seria confundido com um táxi, como um Ford Crown Victoria de policial disfarçado poderia ser.

Outros motoristas reconheceram esta imagem de autoridade, imediatamente se curvando à presença imponente do Charger.

Uma viagem pela Rota 3 em Nova Jersey se tornou uma série de "momentos Moisés", com o Charger abrindo o tráfego como se fosse o Mar Vermelho, com motoristas civis se espalhando para a esquerda e direita para abrir caminho para a figura de autoridade no espelho retrovisor.

No banco do passageiro, meu vizinho vibrava toda vez que encostávamos atrás de um carro, víamos quando o motorista nos percebia no espelho e aguardava desajeitadamente por algum sinal.

Há, como você poderia esperar, um outro lado neste ar oficial. Os pedestres se aproximavam nos semáforos para pedir informações de direção, e esperavam uma resposta cortês. Chamaram-me de "oficial" pela primeira vez na vida.

Modificações

Mas a edição policial do Charger para função de manutenção da ordem possui muito mais do que apenas parecer bem vestido de uniforme.

As modificações variam de necessidades práticas como a transferência do câmbio para a coluna de direção (para permitir a montagem do console do computador e painel de controle das luzes e sirene) a grandes modificações no chassi (algumas disponíveis apenas na versão policial).

Meu carro de teste, um protótipo que circulou entre as agências de
manutenção da lei para avaliação, tinha um motor V-8 Hemi de 5.7 litros e 340 cv. Uma versão com 250 cv, V-6 e 3.5 litros também é oferecida.

A viatura Hemi Charger apresenta um preço nominal de US$ 29.055 sem luzes ou sirene, praticamente o mesmo que o carro civil apesar de todo o equipamento extra. As vendas para as frotas policiais são intensamente competitivas, com exigência de descontos para compra em quantidade, e os sedãs alternativos (o Chevrolet Impala e o Crown Victoria Police Interceptor) exibem preços semelhantes.

A adição de equipamento de serviço complementar como luzes, sirene, rádios, sistema de computador, gravador de vídeo e radar (empresas especializados geralmente fornecem este equipamento) pode acrescentar US$ 15 mil num piscar de olhos.

Entre as características padrão do Charger com especificações policiais
estão um velocímetro que vai até 260 km/h, um sistema de refrigeração intensivo e um modo "stealth" que diminui quase todas as luzes
interiores, muito útil em tocaias.

Entre as opções apreciadas no cumprimento do dever estão revestimento de vinil no piso (ideal para pais de crianças pequenas, eu acho) e luz interna com LED vermelho.

E há itens específicos para o pacote policial que não estão disponíveis aos civis. Por exemplo, o sistema de controle de estabilidade oferece operação em três estágios: nível normal, como no Charger convencional; nível mínimo, que ativa a babá eletrônica apenas em casos extremos; e nível pleno, que desativa totalmente o sistema de estabilidade mas mantém ativados os freios antiderrapagem (ABS).

A suspensão usa as mesmas barras estabilizadoras que o Charger R/T, mas as molas são ajustadas para uma previsão de transporte de mais de 200 quilos de equipamento o tempo todo. Os freios foram revisados com reforço especial, um cilindro mestre maior e rotores traseiros maiores, com calibração especial antitravamento.

O alternador de alta potência do carro está disponível em outros modelos, mas para uso pela polícia o sistema de gerenciamento do motor aumentará a marcha lenta para ampliar a potência de saída quando as cargas elétricas estiveram altas.

Da mesma forma, o sistema de refrigeração inclui radiadores de transmissão e direção que estão disponíveis em outros modelos, mas adiciona um resfriador do óleo do motor que não pode ser encomendado em outros Chargers.

Precisão ao dirigir

A dirigibilidade da edição policial do Charger é diferente de qualquer outro carro grande americano, sólida e polida, precisa e positiva em todas as respostas. Os pesados pneus de 18 polegadas contribuem para isto, e apesar da suspensão para atividade extrema, a condução é razoavelmente obediente, mesmo nos trechos mais irregulares dos distritos mais distantes.

O Hemi é mais silencioso do que o esperado (talvez uma medida "stealth") e apesar do barulho dos pneus na parada, o carro de quase 1.850 quilos não sai exatamente da linha.

O revestimento de pano dos assentos da frente não tem o acabamento óbvio, mas revelou ser funcional e confortável (um fator vital neste trabalho). As acomodações eram menos graciosas no banco traseiro do carro de teste (o que os engenheiros de desenvolvimento chamam de "acomodações para convidados") graças à instalação atenciosa da uma barreira para prisioneiro.

O carro de teste tinha enchimento de vinil no banco traseiro, facilmente removível para que os policiais possam se certificar de que o criminoso não deixou qualquer contrabando para trás; muitos departamentos substituíram o enchimento por uma peça de plástico única, que é mais fácil de limpar.

Mas o que eu sei sobre carros policiais? Eu já passei tempo suficiente em um para fazer uma avaliação útil?

A pesquisa de campo dita algum tempo com os clientes, o motivo do Charger ter se transformado no centro das atenções do antigo 44º Distrito no Bronx, agora sede de uma força-tarefa especial da polícia. Estacionado na frente para fotos, o carro foi rapidamente cercado pelos policiais (incluindo um dono de um Hemi Charger) que tiravam fotos com câmeras de celular. Nunca me diverti tanto sendo inspecionado pela polícia.

Certamente houve muitas expressões de contentamento, mas também alguns comentários de quem conhece: os holofotes do carro de teste não seriam recomendáveis, porque no passado apresentaram tendência de quebrar; o porta-malas é pequeno demais para todo o equipamento que precisa ser transportado, como cordas, cones de trânsito, capacetes, escudos e (meu Deus!) sacos para corpos. E mais um dado: um único porta-copo não é suficiente.

Participação sólida

Nos dias pré-Daimler, a Chrysler Corporation tinha uma participação sólida no mercado de viaturas policiais, chegando em alguns anos a contar com até metade das vendas americanas.

Hoje a DaimlerChrysler oferece uma linha completa de veículos, da "barata elétrica" GEM para patrulhas de segurança ao Jeep Wrangler para patrulha de parques, passando por uma van Sprinter que, nas palavras da Dodge, "transporta até nove detidos".

A escolha dos veículos para a frota policial é uma questão de cuidadosa consideração. Muitos departamentos por todo o país seguem os testes feitos pelos departamentos maiores com programas estabelecidos, principalmente os da Polícia Estadual de Michigan e do Xerife do Condado de Los Angeles.

Ambas são avaliações meticulosamente científicas dos veículos disponíveis e as notas não se limitam a direção, frenagem, aceleração e velocidade máxima, mas também envolvem questões importantes para o uso diário, como ergonometria e economia de combustível.

O Charger foi adicionado à lista no ano passado, quando os modelos 2006
foram testados. Os resultados não deixarão os executivos de vendas da Ford e GM contentes.

O Dodge trucidou os carros deles nas medições de performance: o teste de Michigan registrou aceleração de 0 a 96 km/h em 6,5 segundos para o Charger, mais de 2 segundos mais rápido que o Crown Victoria e o Impala (e cerca de 7 segundos mais rápido para 160 km/h).

A velocidade máxima do Dodge (240 km/h) superou a de seus concorrentes por grande margem. O carro se mostrou mais ágil na direção e parou quase 3 metros antes a 96 km/h. O embaraço final: o consumo de combustível do Charger é melhor do que o do Ford V-8 e empata com
o do Impala V-6 na estrada, a 10,6 quilômetros por litro.

Com este carro, a Dodge tem poder de fogo. O V-6 de 3.5 litros, com 250 cv, tem potência equivalente ao do V-8 da Ford, e quando o Hemi saca suas armas só resta aos seus rivais uma rendição misericordiosa.

A novidade que desfrutamos nas ruas de Nova York (sinais de positivo foram uma constante) deverá passar rapidamente, à medida que os departamentos passem a substituir suas frotas antigas por este novato.

Mesmo sem aquele motor de força máxima, o Charger é uma nova presença formidável na manutenção da lei. Você não precisa aceitar minha palavra: considere a sabedoria de um sujeito desgrenhado em uma moto chopper caindo aos pedaços, que passou barulhentamente pelo distrito policial no Bronx.

Ao ler Charger Hemi escrito na lateral, ele fez um momento de pausa antes de gritar mais alto que o barulho mecânico: "Os bandidos agora estão encrencados!" George El Khouri Andolfato

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