UOL Notícias Internacional
 

10/07/2006

Será que é hora de esvaziar a caixa de jóias e ganhar algum dinheiro?

The New York Times
Por Lori Ettlinger Gross
Os preços do ouro e da prata caíram das alturas em que estavam há dois meses, mas depois de cinco anos de aumentos constantes, ainda estão em níveis que levam as pessoas a se desfazerem de jóias indesejadas.

Em Patchogue, Nova York, o comprador de ouro Jim Sarno, proprietário da Budget Buy and Sell, diz que os clientes trazem caixas de jóias e as esvaziam em seus balcões. A exibição súbita e irrestrita de pertences pessoais freqüentemente significa uma coisa: as pessoas estão lá para vender.

"Se você não estiver usando suas jóias, está perdendo dinheiro. Concentre-se no que o dinheiro te daria", disse Lisa Hubbard, diretora executiva da divisão internacional de jóias da Sotheby's.

Trocar o ouro por dinheiro é uma opção atraente para os que estão se livrando de coisas que não querem mais, como um brinco sem par ou uma corrente quebrada, e pode ser lucrativa, especialmente se você tiver um acúmulo de rejeitos.

Os interessados são desde joalheiros até compradores de ouro por Internet; o ramo é altamente competitivo, e fazer uma pesquisa de preço é aconselhável.

"Mostre as jóias para dois ou três compradores ativos", sugeriu Russell Fogarty, vendedor da Kazanjian & Fogarty em Beverly Hills, Califórnia. "Os compradores baseiam seus preços para itens modernos pesando-os e determinando o conteúdo real de ouro. Se as peças forem usáveis e relativamente desejáveis, a oferta será acima do valor intrínseco do ouro."

Mas correntes simples de ouro, disse ele, sairiam por menos.
Mantenha em mente que os preços oferecidos por compradores são pelo material puro e que quase toda jóia de ouro, platina ou prata é requer a adição de outros metais para formar ligas fortes o suficiente para agüentar o desgaste diário.

O ouro de 14 quilates é 58% ouro puro, enquanto 18 quilates significa 75%, e 24 quilates, 100% de pureza; o preço pago refletirá a quantia de ouro de fato que é comprado.

O ouro atualmente está sendo vendido por US$ 663 (em torno de R$ 1.520) por onça, caindo de US$ 725 (cerca de R$ 1.650) em maio. Mesmo assim é muito mais que cerca de US$ 265 (R$ 610) por onça de julho de 2001. Cada onça equivale a aproximadamente 28,34 gramas.

Jon Nadler, analista de metais preciosos da kitco.com, acredita que o preço não vai cair abaixo de US$ 540 (cerca de R$ 1.240) por onça, e acha que pode chegar a US$ 730 (aproximadamente R$ 1.680) no ano que vem.

Escapando do forno

O mercado de revenda de jóias antigas e de família busca com tanta atenção itens de valor que muito do que é vendido para ser derretido em vez disso é salvo e revendido como jóia.

"Mesmo os que compram ouro por quilo para derreter são mais inteligentes que isso" e não deixam que alguns itens sejam derretidos, explicou Barry Weber, diretor executivo de Edith Weber & Associates em Nova York, uma galeria que se especializa em jóias raras, antigas e de família que freqüentemente aparece em "Antiques Roadshow". "Eles tiram tudo que tiver mais valor" que o metal.

Janet Levy, diretora da J.& S.S. DeYoung, uma firma de atacado de 170 anos em Nova York, aconselha os interessados em vender suas jóias a consultar um especialista, alegando que o que se descobre dessa forma pode ser rentável: "Se você for a um joalheiro e ele vir que você tem uma peça de época, em vez de algo para ser derretido, você pode ter um enorme valor agregado."

Ter uma avaliação profissional é informativo e dá segurança; também evita erros. Levy sugere buscar alguém com credenciais, uma pessoa reconhecida no comércio de jóias.

"Procure alguém com afiliações no ramo, como à Sociedade de Gemas Americanas", ou alguém que tenha estudado no Gemological Institute of America, que exige padrões educacionais rigorosos antes de dar ao candidato um título de especialista.

Os membros das afiliações, sabendo de sua importância para a confiança do consumidor, freqüentemente exibem suas qualificações em vitrines ou cartões de visita.

Consulte quem entende

Geralmente, joalheiros com essas credenciais devem examinar jóias com maior habilidade. "Recentemente nós compramos uma peça com uma alexandrita em montagem de ouro amarelo" e era muito valiosa, disse Alan Levy, marido de Levy e também diretor da DeYoung. "Para a pessoa comum, não pareceria muito. É por isso que é bom consultar um conhecedor."

Os especialistas também deveriam ter recursos para investigar mais, se necessário. "Recebemos ligações de pessoas todos os dias pedindo informações sobre peças que os clientes trazem para avaliação", disse Janet Levy. "O que é maravilhoso hoje é que temos a Internet e a fotografia digital para que possamos dar a eles uma idéia muito boa do que têm à sua frente."

Daphne Lingon, joalheira especialista da Christie's, sugere fazer as seguintes perguntas ao avalista:

  • Qual é o metal? Devo testar o conteúdo de ouro? Depois de 1898, todas as jóias nos EUA contendo ouro obrigatoriamente devem conter a gravação do número de quilates; a marca mais comum é de 14k. Jóias não marcadas devem ser testadas.

  • Quando o item foi feito, e alguma vez foi consertado? De acordo com analistas da indústria, a idade e a condição são, em muitos casos, vitais para sua avaliação.

    Se uma peça for desejável no mercado de segunda mão, deve valer bem mais do que o valor do metal e gemas.

    Mantenha em mente que firmas menores podem ser seletivas, porque precisam manter seus mercados em mente. "Pergunte se vendem o tipo de jóias que você tem", aconselhou Hubbard da Sotheby. "O mercado de jóias de família envolve muito mais do que apenas o metal."

    Depois há as empresas, como a Circa Inc., que compram quase tudo. A Circa, baseada em Nova York, também tem escritórios em Chicago, San Francisco e Palm Beach e vende jóias para revendedores em torno do país. "Temos mercado para quase qualquer tipo de jóia", disse Chris DelGatto, diretora executiva.

    Nomes de designers são persuasivos; antiga, de família ou contemporânea, os colecionadores regularmente apreciam a jóia de designer. "Eu relutaria em vender qualquer jóia que tivesse um nome associado a ela", disse Weber.

    A moda muda

    Tenha em mente também que a moda muda. "O interesse por braceletes grandes e chamativos voltou", disse ele. "É o tipo de jóia que anos atrás era basicamente vendido pelo peso. Agora recebe valor de jóia."

    Então, as peças que já foram a maldição da gaveta de jóias podem ser consideradas vestígios charmosos de uma vida vivida, lembranças colecionadas ou doadas ao longo do tempo.

    Como tantas jóias agora são ditas "colecionáveis", ainda há barganhas? Apesar de sempre haver exceções, a realidade é que há poucas ou nenhuma barganha, dizem os comerciantes. O preço alto do ouro pode estar levando as pessoas a entregarem seus ouros, mas o mercado de jóias de segunda mão é outro, e seus preços geralmente não variam com o mercado de metais preciosos.

    "As jóias como objetos de coleção são bastante protegidas do mercado de commodities", disse Weber. "No caso de jóias finas de família, essencialmente você está comprando arte, que acontece de ser feita de materiais de jóias."

    Muitos comerciantes baseiam seus preços pelo que pagaram, em vez de o valor do item ser determinado pelo peso do metal ou a qualidade da gema. "A primeira coisa a compreender é que eu não mudei nenhum dos meus preços desde que o preço do ouro subiu", disse Benjamin Macklowe da Galeria Makclowe, em Nova York, que se especializa em artes decorativas, inclusive jóias.

    "A melhor forma de realmente conseguir um bom valor é comprar coisas que são esteticamente difíceis e interessantes; o maior valor continua em seu desenho e beleza."

    Em leilões, pode-se freqüentemente comprar jóias de família abaixo do preço de mercado. "Geralmente, os preços de leilão são 30 a 50% menores do que nas lojas", disse Gloria Lieberman, vice-presidente e diretora de jóias finas da Skinner Inc., casa de leilões de Boston. "Preparamos nossos preços de leilão três meses antes da venda, então o preço é defasado."

    Casas de leilões oferecem uma mistura de peças antigas, contemporâneas e de família. Para as jóias dos períodos que são preferidos por colecionadores, como art déco e edwardiano, é mais difícil encontrar algo perdido, mas entre itens de períodos como os anos 50, 60 e 70, você pode descobrir uma gema. Deborah Weinberg
  • Siga UOL Notícias

    Tempo

    No Brasil
    No exterior

    Trânsito

    Cotações

  • Dólar comercial

    15h19

    0,36
    3,291
    Outras moedas
  • Bovespa

    15h28

    -0,43
    62.988,02
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host