UOL Notícias Internacional
 

15/07/2006

EUA e Rússia anunciarão novo programa contra terrorismo nuclear

The New York Times
David E. Sanger

em Washington
O presidente Bush e o presidente Vladimir V. Putin, da Rússia, anunciarão no sábado (15/7) um novo programa global para vigiar terroristas nucleares potenciais, detectar e guardar materiais próprios para bombas e coordenar suas respostas se terroristas obtiverem armas, de acordo com autoridades que negociaram o acordo.

Dentro de meses, disseram as autoridades, China, Japão, as principais potências européias, Cazaquistão e Austrália formarão o grupo inicial de nações participantes do novo acordo, chamado de "Iniciativa Global para Combater o Terrorismo Nuclear".

A organização informal de países baseia-se na "Iniciativa de Segurança contra a Proliferação" -um grupo de mais de 70 países liderado pelos EUA, que promete ajudar a apreender armas ilícitas transportadas por mar ou por ar. Alguns países membros fazem encontros regulares para compartilhar dados de inteligência e praticar apreensões.

Mas a iniciativa de terrorismo nuclear, cujos detalhes finais foram concluídos em um encontro entre autoridades russas e americanas em Viena, Áustria, no último final de semana, vai além da interdição; operará dentro das fronteiras dos países com armas e materiais nucleares, estabelecendo padrões para proteção e detecção e desenvolvendo estratégias comuns contra grupos terroristas.

O New York Times obteve uma cópia da declaração que os dois líderes devem divulgar na manhã de sábado, ressaltando que os dois países passaram a considerar os terroristas como a maior ameaça nuclear e não um ao outro.

A declaração descreve como planejam coordenar suas equipes de resposta nuclear para "mitigar as conseqüências de atos de terrorismo nuclear" e "garantir a cooperação no desenvolvimento de meios técnicos para combater o terrorismo nuclear".

Robert Joseph, subsecretário de Estado para controle de armas e segurança internacional e arquiteto da nova iniciativa, disse em entrevista que a ameaça era considerada tão urgente que as duas nações colocaram de lado suas diferenças -que vão desde questões de energia até o movimento de Putin na direção do autoritarismo- para estabelecer o novo programa.

"Temos diferenças com a Rússia, assim como interesses comuns", disse Joseph. "Um evidente interesse comum é combater o terrorismo nuclear, que é uma ameaça aos dois países."

Ele acredita que a reunião para organização do novo grupo no outono envolverá cerca de 11 países e disse que outras nações "poderão se unir (ao grupo) se compartilharem nossas preocupações".

Até alguns críticos das políticas nucleares de Bush e do ritmo da Rússia para proteger suas próprias instalações nucleares saudaram o novo plano.

"É necessário há anos. É muito impressionante, especialmente se o governo conseguir expandi-lo", disse Matthew Bunn, especialista nuclear de Harvard e um dos autores de uma pesquisa anual de perigos nucleares potenciais chamada "Securing the Bomb" (garantindo a bomba).

A mais recente edição da pesquisa de Harvard, publicada na sexta-feira, inclui relatos de prisões em abril de várias pessoas que obtiveram 22 kg de urânio de baixo enriquecimento, roubado da Elektrostal, planta de combustível russa. Apesar do urânio de baixo enriquecimento não ter grau de armas, a mesma planta processa urânio que poderia abastecer uma arma.

O novo grupo, assim como a Iniciativa de Segurança contra a Proliferação, iniciada com um núcleo pequeno de países e que se expandiu em torno do mundo, não se baseia em um tratado e não tem burocracia central ou quartel-general. Em vez disso, é o tipo de organização internacional pouco costurada que Bush prefere, uma coalizão construída para um propósito especifico, composta de países voluntários.

"Se esse presidente chegou a uma conclusão, é que tratados demoram muito a ser escritos e são muito difíceis de mudar", disse uma alta autoridade da Casa Branca recentemente.

A autoridade, que não era autorizada a falar publicamente sobre política interna de administração, descreveu as frustrações de Bush diante dass dificuldades para endurecer o Tratado de Não Proliferação Nuclear. O presidente queria impedir países como o Irã de explorarem brechas que permitem que as nações construam capacidade de operação para a fabricação de armas nucleares declarando que seu programa é para fins pacíficos civis. O presidente, disse a autoridade: "Quer velocidade e flexibilidade".

O novo acordo será anunciado ao mesmo tempo em que os dois países declararão o início de negociações de um pacto há muito discutido de usos nucleares civis que podem pavimentar o caminho para a Rússia se tornar um dos maiores repositórios do mundo de combustível nuclear usado.

O entusiasmo russo com o novo acordo contra o terrorismo nuclear é notável, pois não era membro original da Iniciativa de Segurança contra a Proliferação. O país, desde então entrou para a iniciativa, cujo maior sucesso foi a detenção, há quatro anos, do navio alemão BBC China que se dirigia para a Líbia. Ele foi acompanhado ao porto e sua carga de partes de centrífugas para o programa de armas nucleares da Líbia foi apreendida.

Membros do governo argumentam que a apreensão convenceu a Líbia a desistir do programa e entregar todas as peças que possuía, a maior parte obtida de uma rede nuclear montada pelo ex-diretor de pesquisa nuclear do Paquistão, Abdul Qaeer Khan.

O Paquistão e a Índia não estão na lista de nações esperadas como primeiros membros do programa e não participam da Iniciativa de Segurança contra a Proliferação. Os dois são enormemente avessos a permitir qualquer supervisão externa ou influência em seus programas de armas nucleares; junto com Israel, recusaram-se a assinar o Tratado de Não Proliferação Nuclear.

Apesar de especialistas falarem do sucesso da Iniciativa de Segurança contra a Proliferação, o número de países associados é muito menor do que os especialistas previam há vários anos. Joseph disse que mais de 30 transferências ilícitas foram abortadas, em algum estágio, pelos países membros. Mas o governo não divulgou detalhes da maior parte dos casos, dizendo que os países freqüentemente não querem ser identificados.

Um dos sucessos mais notáveis ocorreu anos depois, quando a China, sob pressão, negou ao Irã o direito de voar sobre seu território com aviões militares que aparentemente iam para a Coréia do Norte pegar partes de mísseis. Os chineses nunca confirmaram o incidente.

Mas enquanto a iniciativa cobre fronteiras, oceanos e espaço aéreo, o programa contra o terrorismo nuclear tem como intenção operar dentro dos países. "É um objetivo bem diferente", disse Bunn. "O programa de proliferação não trata de assegurar depósitos nem de detectar ou procurar materiais ou terroristas, se algo der errado."

Por mais de uma década, os EUA financiaram um programa para dar segurança ou remover material atômico na Rússia e ex-repúblicas soviéticas. A história desse programa foi atribulada, apesar de especialistas dizerem que um acordo alcançado entre Washington e Moscou há vários meses ajudou a aumentar seu ritmo.

A nova iniciativa é o próximo passo e, se bem sucedida, vai estabelecer padrões de segurança desses materiais em torno do mundo. Também desenvolverá novas tecnologias para dar segurança a materiais atômicos e detectá-los dentro das cidades e em cruzamentos importantes. Os EUA já estão colocando equipamentos de detecção em alguns portos no exterior, mas Joseph disse que o atual esforço será "muito mais amplo". Deborah Weinberg

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