UOL Notícias Internacional
 

16/07/2006

Israel amplia ataques por todo Líbano

The New York Times
Greg Myre

Em Metula, Israel
Em uma série de ataques aéreos, Israel continuou a investir contra Beirute e outros alvos no Líbano no sábado, matando pelo menos uma dúzia de pessoas em um comboio de refugiados civis no sul. E as forças do Hezbollah continuaram sua barragem de foguetes contra o norte de Israel, atingindo pela primeira vez a cidade resort de Tiberias.

As repercussões do conflito crescente agitaram o encontro dos líderes mundiais perto de São Petersburgo, Rússia, onde o presidente Bush pediu à Síria que use de sua influência junto ao Hezbollah para colocar um fim ao conflito.

A força aérea israelense bombardeou pontes e estradas de acesso perto da fronteira leste do Líbano com a Síria, disseram as forças armadas israelenses. O ataque foi considerado um novo alerta à Síria, que apóia tanto o Hezbollah quanto o Hamas, apesar de nenhuma área síria ter sido atingida, disseram as forças armadas.

Em outro desdobramento, um oficial militar israelense alegou que membros da Guarda Revolucionária Iraniana estiveram envolvidos em certo grau em um ataque com míssil que danificou seriamente um navio de guerra israelense, na costa da capital do Líbano, Beirute, na sexta-feira, matando um marinheiro israelense. Três outros estão desaparecidos.

O oficial disse não saber ao certo o papel exato da Guarda Revolucionária. Sabe-se que dezenas de combatentes iranianos estão no Líbano, trabalhando com o Hezbollah, há mais de duas décadas, e o Irã fornece grande parte do financiamento do grupo.

As forças armadas de Israel disseram inicialmente que o navio foi atingido por uma aeronave não tripulada cheia de explosivos. Mas os militares revisaram sua avaliação no sábado, dizendo que o navio foi atingido por um míssil C802 guiado por radar, fornecido pelo Irã e que foi disparado da costa libanesa. O navio, que participava do bloqueio naval ao Líbano, voltou para casa no sábado, disseram as forças armadas.

Enquanto isso, muitos moradores de ambos os lados da fronteira entre o Líbano e Israel fugiam da fronteira para evitar o fogo pesado. O combate estourou na quarta-feira, com um ataque do Hezbollah que levou à captura de dois soldados israelenses. Um total de oito soldados israelenses foram mortos no combate.

O Hezbollah lançou mais de 40 foguetes Katyusha contra o norte de Israel no sábado, atacando a cidade resort de Tiberias pela primeira vez.

Vários prédios foram atingidos e danificados, apesar de não terem ocorrido feridos sérios, disseram as autoridades israelenses. Os banhistas corriam em busca de abrigo após os ataques, e a cidade, que estava movimentada, rapidamente se tornou silenciosa e as ruas ficaram desertas.

O bombardeio israelense rompeu uma calma temporária em Beirute, com os aviões de guerra atacando novamente alvos nos bairros do sul da capital.

As explosões sacudiam o horizonte enquanto os aviões de guerra visavam um prédio associado ao quartel-general do Hezbollah, no bairro de Haret Hreik. O complexo já tinha sido praticamente destruído em um bombardeio na noite de sexta-feira, e o Hezbollah confirmou que os ataques no sábado concluíram a destruição, apesar de ninguém estar em seu interior.

Os aviões israelenses atacaram estradas no sul, destruindo pontes e artérias, isolando grandes partes do país.

O comboio de refugiados libaneses que foi atacado estava fugindo da aldeia de Marwaheen, na fronteira, quando dois carros foram atingidos e pelo menos 12 pessoas, incluindo mulheres e crianças, foram mortas, segundo a agência de notícias "The Associated Press". As forças armadas israelenses disseram estar checando a informação e que não tinham comentários imediatos.

Os aviões de guerra também bombardearam estradas no norte e leste do país, cortando algumas das últimas estradas remanescentes que levavam para fora do Líbano. Três civis foram mortos em outro ataque israelense contra a principal estrada que liga o Líbano à Síria.

No geral, mais de 80 libaneses foram mortos, a maioria civis, e mais de 200 ficaram feridos nos últimos quatro dias, segundo as autoridades libanesas. Foguetes do Hezbollah mataram quatro civis israelenses e feriram mais de 150 desde que os disparos tiveram início na quarta-feira.

Apesar das conversações na ONU, na reunião do Grupo dos 8 em São Petersburgo, Rússia, e em uma sessão de emergência dos ministros das relações exteriores da Liga Árabe, no Cairo, não houve sinais de progresso diplomático. A crise aumentou a preocupação de que a turbulência poderá
desestabilizar ainda mais a região.

O presidente Bush adotou sua posição mais dura em relação à Síria e ao Hezbollah durante uma aparição conjunta com seu par russo, Vladimir V. Putin, em uma cidade nos arredores de São Petersburgo, onde estavam se preparando para o encontro de cúpula do Grupo dos 8. Diferente de suas
declarações anteriores, ele não pediu para Israel mostrar contenção.

"Ao meu ver, a melhor forma de parar a violência é entender o motivo por que a violência ocorreu em primeiro lugar", disse Bush. "E ela ocorreu porque o Hezbollah tem lançado ataques com foguetes do Líbano contra Israel, e porque o Hezbollah capturou dois soldados israelenses. Este é o motivo por que temos a violência."

Apontando a Síria por seu apoio ao Hezbollah, ele pediu para que sua liderança interceda para deter a violência. "A melhor forma de parar a violência é o Hezbollah baixar suas armas e parar de atacar", disse Bush. "Portanto, peço para que a Síria exerça sua influência junto ao Hezbollah."

Mais tarde, Stephen J. Hadley, o conselheiro de segurança nacional de Bush, elaborou dizendo que agora cabe à Síria e ao Irã intervirem e persuadirem o Hezbollah a recuar. "Estes dois países têm certa responsabilidade sobre o que aconteceu, e também têm certa responsabilidade em acabar com isto", disse Hadley.

Os líderes israelenses alertaram que a batalha poderá ser longa, e disseram que Israel não aceitará uma volta às condições que existiam antes do início do combate, com o Hezbollah e não o exército libanês controlando a fronteira sul do Líbano com Israel.

"Nós não podemos voltar ao status quo", disse Mark Regev, um porta-voz do Ministro das Relações Exteriores de Israel. "Isto significa que o Hezbollah ainda manterá o dedo no gatilho e poderá iniciar um crise regional sempre que atender seus interesses."

A meta militar de Israel é afastar o Hezbollah da fronteira para que não possa atacar Israel, disse Regev. A meta política, ele disse, é cumprir uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, aprovada há dois anos, que exige que o governo libanês assuma o controle de sua fronteira sul e desarme as milícias, como o Hezbollah.

A Itália começou a evacuar seus cidadãos do Líbano no sábado, enquanto os Estados Unidos e a França se preparavam para fazer o mesmo enquanto os aviões israelenses atacavam o país, informou a agência de notícias Reuters.

Cerca de 410 pessoas deixaram Beirute em um comboio italiano na madrugada de sábado, disse o Ministério das Relações Exteriores da Itália. O grupo era composto na maioria de italianos e outros europeus, cuja expectativa é chegarem à cidade portuária síria de Latakia nas próximas horas.

O Departamento de Estado dos Estados Unidos disse estar trabalhando com o Departamento de Defesa em um plano para transportar os americanos para Chipre, de onde recomendou que retornem aos Estados Unidos em vôos comerciais. O Departamento de Estado estima que cerca de 25 mil americanos,
incluindo pessoas com dupla cidadania, morem no Líbano, apesar das visitas de verão poderem ter ampliado este número.

O governo libanês exigiu um fim aos ataques aéreos, navais e de artilharia israelenses contra o país. O governo também condenou os ataques do Hezbollah contra Israel que provocaram o combate. Mas a liderança libanesa disse e fez pouco à medida que a crise aumentava, e o governo não deu qualquer indício de que agirá contra o Hezbollah, mesmo enquanto prossegue em seus ataques contra o norte de Israel.

A maioria das cidades do norte de Israel no momento são cidades fantasmas, com seus moradores tendo fugido para o sul, se refugiado em abrigos contra bombas ou simplesmente se escondido dentro de suas casas.

As autoridades de segurança israelenses já diziam há algum tempo que o Hezbollah tinha foguetes de maior alcance, mas os recentes ataques ainda assim alarmaram muitos israelenses.

Tiberias, no Mar da Galiléia, fica a cerca de 30 quilômetros ao sul da fronteira libanesa, e nenhum foguete do Hezbollah tinha atingido as proximidades da cidade. Mas o Hezbollah demonstrou seu maior alcance quando atingiu, na quinta-feira, a cidade portuária mediterrânea de Haifa, que também fica a cerca de 30 quilômetros da fronteira. O Hezbollah negou que tenha disparado contra Haifa.

Vários foguetes Katyusha atingiram diretamente prédios vazios no sábado. Em Hatzor Haglilit, uma pequena comunidade em uma encosta cercada por pinheiros, um foguete atravessou o telhado de uma casa e danificou a sala de estar, mas os moradores tinham ido para Tel Aviv, disseram os vizinhos.

Antes desta semana, a última vez que a comunidade foi alvo de um ataque foi nos anos 60, por forças sírias na Colinas de Golan, a muitos quilômetros ao leste, segundo o prefeito, Shaul Kamisa. Israel tomou as colinas da Síria na guerra entre árabes e israelenses de 1967.

Só que mais de 20 foguetes atingiram a comunidade e seus arredores nos últimos quatro dias.

"Nós nunca sonhamos que o terror chegaria aqui", disse Kamisa enquanto inspecionava a casa atingida.

Um israelense, Rafi Cohen, viajou para o norte para demonstrar solidariedade para com o população da cidade costeira de Nahariya, que foi duramente atingida. Mas quando ele chegou à praia, que costuma ficar lotada aos sábados durante o verão, ele se viu sozinho e um tanto surpreso.

"Nós devíamos mostrar ao Hezbollah quão fortes somos e prosseguir normalmente com nossas vidas", disse Cohen para a rádio "Israel".

Enquanto isso, na Faixa de Gaza, a força aérea israelense bombardeou a Cidade de Gaza, atingindo o Ministério da Economia e uma fábrica suspeita de produzir foguetes.

Os palestinos disseram que um homem foi morto e cerca de 12 ficaram feridos no ataque contra a fábrica, que fica em uma área residencial da Cidade de Gaza. Os militantes do Hamas assumiram rapidamente o controle do local bombardeado, onde ficou uma cratera profunda.

Os militantes palestinos também dispararam foguetes contra o sul de Israel no sábado, mas não causaram danos ou feridos.

Hassan M. Fattah, em Beirute; Jim Rutenburg, em Strelna, Rússia; Nada Bakri, em Sidon, Líbano; e Craig S. Smith, em Gaza, contribuíram com reportagem para este artigo. George El Khouri Andolfato

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