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16/07/2006

Lincoln Zephyr: um vento que soprou brevemente e partiu

The New York Times
Jerry Garrett
Uma antiga lenda conta sobre uma derrota do desafortunado time de beisebol dos Chicago Cubs, na qual um torcedor abriu uma faixa que dizia: "Espere até o próximo ano", o perene grito de incentivo do time. O detalhe é que desta vez se tratava do jogo inicial do campeonato.

Ford/The New York Times 
Lincoln MKZ 2007 é primo rico do Ford Fusion
















Da mesma forma, o Lincoln Zephyr, um sedã médio lançado no ano passado no modelo 2006, durou na divisão principal apenas o suficiente para a proverbial xícara de café. O Lincoln está no momento apenas cumprindo tabela até o início da próxima temporada e a chegada do substituto do Zephyr.

Este novo Zephyr terá um novo nome, MKZ, mas se parecerá muito com o sedã que substituirá. Apesar do carro receber um novo motor e alguns ajustes, a Lincoln está fazendo um jogo de troca de nomes - um sinal tradicional de desespero na indústria automobilística.

Além disso, a Lincoln decretou que a pronúncia de MKZ será ilogicamente "Mark Z". Outros Lincolns que chegarão em breve terão igualmente nomes baseados em "Mark": o sport wagon MKX ("Mark X") e o sedã médio MKS ("Mark S").

Há algum método nesta loucura? Não necessariamente, pois o utilitário esporte Navigator manterá seu velho nome, assim como a picape Mark LT. MLT, supõe-se, poderia ser confundido com o sanduíche ("mutton, lettuce and tomato", carneiro, alface e tomate).

O Zephyr-MKZ é um primo rico do Ford Fusion e do Mercury Milan, é um carro agradável o suficiente. Mas é também um microcosmo dos erros aparentemente intermináveis que atormentam a Lincoln desde o início do século 21.

O lançamento do Zephyr ocorreu antes que estivesse pronto; ele carecia de características essenciais que foram prometidas, como um motor não compartilhado com primos inferiores; e provocou dúvidas imediatas na administração. O carro foi morto antes mesmo do confete da festa de lançamento ser varrido -ou, pelo menos, seu nome foi. Assim como o vento quente que lhe deu nome, o Zefir soprou brevemente e passou.

Alguém na Lincoln sabe de quem é a culpa?

"Eu posso garantir que temos um plano", me disse Brian Vought, o engenheiro-chefe da plataforma sobre a qual o Zephyr é construído, quando o carro foi lançado no ano passado. "Nós não estamos tirando o olho da bola."

Mas alguns analistas independentes discordam. "A mudança de nome implica que algo está fora de controle", disse George Peterson, presidente da firma de consultoria AutoPacific. "O triste é o problema de relações públicas que a mudança de nome criou. Em um dia as pessoas estavam defendendo o nome Zephyr, no dia seguintes estavam justificando a mudança."

"Então o comando da Ford que fazia as apresentações nas feiras de automóveis não chegavam a um acordo sobre como pronunciar MKS, MKZ, MKX, etc. Alguns soletravam. Outros usavam 'Mark'. Duh!"

A Lincoln não pode suportar mais problemas, dados seus fracassos nos últimos quatro anos. Primeiro, foi a vida breve da picape Blackwood de US$ 52 mil, que chegou ao mercado com um caixa de carga de plástico em vez da exótica madeira preta que lhe dava nome e razão de ser. Depois veio o utilitário esporte Aviator, um Ford Explorer mal disfarçado que custava duas vezes mais. Então veio o apreciado mas praticamente invisível sedã esporte LS, um carro que um ex-executivo da Lincoln já chamou de "o melhor sedã do qual você nunca ouviu falar".

E, finalmente, não esqueça a infeliz retirada de linha do sedã Continental em 2002, apesar de não haver nenhum substituto preparado.

O Zephyr foi colocado prematuramente no mercado para preencher o buraco nas concessionárias da Lincoln aberto com a retirada do LS. (O LS V-6 desapareceu no ano passado; a versão V-8 conseguiu se manter até abril. Para desovar o estoque restante, o pouco apreciado LS apresentava um desconto de US$ 8 mil, um dos mais generosos no mercado.)

O Zephyr chegou às concessionárias sob o manto pesado de altas expectativas; sob ordem pessoal da bisneta de Henry Ford, Elena Ford, ela reviveu o famoso nome Lincoln. Os Zephyrs originais de 1936 a 48 são atualmente carros de colecionadores bastante valorizados, por causa de seu estilo voluptuoso de lágrima e sonoros motores V-12.

Mas o Zephyr 2006 parecia destoar. Seu inexpressivo motor V-6 de 265 cv (compartilhado com o Fusion e o Milan) era, literalmente, metade do motor de seu antecessor.

Um novo motor planejado para o Zephyr, um V-6 de 3.5 litros e 265 cv, empacou no desenvolvimento. No quesito estilo, as linhas angulares, a grade exagerada e os faróis traseiros proeminentes não evocavam os corpos audaciosos dos Zephyrs originais.

Apesar da Lincoln dizer que o Zephyr atraiu os consumidores jovens, a J.D. Power Information Network o lista entre os 10 modelos mais populares entre compradores com mais de 70 anos. Ainda assim, as vendas do Zephyr superaram as expectativas, de forma que a decisão repentina da Lincoln de lançar um substituto parece ainda mais estranha. "Zephyr é um nome reverenciado e santificado", disse Peterson em uma mensagem por e-mail. "Assim como o Aviator, os nomes repercutem e ganham valor. Um bom nome sempre superará um nome ruim ou combinação de letras e números. O fato da Lincoln ter mudado os nomes de forma irresoluta mostra uma falta de entendimento de história e do
peso das marcas."

Tom Grill, o diretor de marketing de marca da Lincoln, disse que a estratégia de mudança de nomes é deliberada, para tirar a ênfase dos nomes dos modelos. Ele disse que a atenção precisa se voltar para a própria Lincoln.

"Quando você diz Lincoln, muita gente o associa ao modelo Town Car", explicou Grill. "O que estamos tentando fazer com esta nova nomenclatura é fazer as pessoas associarem o nome Lincoln à marca."

Este é o motivo para a Lincoln estar lançando, de forma rápida, quatro novos modelos -o MKZ, o sport wagon MKX (que se chamava originalmente Aviator em estágio conceitual), um revisado Navigator e um melhorado Navigator L- em um espaço de quatro meses no final deste ano. Logo após a blitz de novos modelos no último trimestre, a Lincoln apresentará oficialmente o MKS. A Lincoln espera adicionar valor aos seus modelos os apoiando com garantias mais longas, de cinco anos, anunciadas na semana passada.

Um plano de longo prazo anunciado pela Lincoln em 2004 de lançar "11 produtos novos, em seis segmentos, em um espaço de quatro anos" agora poderá ser difícil de ser cumprido.

Mas Peterson disse se perguntar se a Lincoln não tinha uma estratégia melhor. "A Lincoln poderia ser muito bem sucedida com uma linha com o Town Car, Continental, Zephyr, Navigator e Aviator", ele disse. "Eles tinham uma estratégia de produto correta."

Mas a Lincoln parece ter uma desordem de déficit de atenção quando se trata de seus famosos iates terrestres, como o Town Car, que está desesperado por componentes que não foram desenvolvidos no século passado. "É embaraçoso quando uma minivan da Honda possui mais cavalos-vapor do que o carro-chefe da Lincoln", disse Peterson.

Quanto ao Continental, ele lamenta que a Lincoln tenha descartado o ousado estudo de design de 2001 para o cupê MK 9, apenas para dar sinal verde para o sem graça MKS. "O MKS é japonês-europeu demais e não parece um carro americano", ele disse, acrescentando: "É uma pena. Funcionalmente, todas as
especificações se somam muito bem".

O mesmo poderia ser dito do Zephyr. Ele oferece um conjunto bem-vindo de características, um interior notável de couro e madeira, uma suspensão suave para estrada, múltiplos air bags e do tipo cortina lateral. Mas carece de controle eletrônico de estabilidade e tração nas quatro rodas -omissões gritantes não disponíveis até que chegue o MKZ. O carro também apresenta uma cotação decepcionante (quatro de cinco estrelas) no teste de colisão frontal do governo, apesar do Mazda 6, no qual a plataforma do Zephyr é baseada, ter obtido cinco estrelas.

Apesar do Zephyr estar um grau acima de seus primos da Ford e Mercury, ele também custa consideravelmente mais. O Fusion mais luxuoso custa a partir de US$ 22.360 e o Milan de US$ 23.495. Gary Barham, o diretor de marketing do Zephyr, disse que o preço base de seu carro, US$ 29.995, inclui características únicas e valorização de marca que justifica a diferença.

Meu Zephyr de teste (US$ 34 mil plenamente equipado, incluindo sistema de navegação e sistema de som THX) em muitos aspectos apresentou uma experiência de direção acima da média, apesar de não notável. O único incômodo significativo foi a desconexão entre pisar no acelerador e então
esperar, esperar, esperar pela resposta do motor.

A chegada do motor substituto de 3.5 litros no fim do ano deverá ser um momento digno de celebração. Ainda assim, não sei ao certo se o novo motor é suficiente para valer uma mudança no nome do carro. George El Khouri Andolfato

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