UOL Notícias Internacional
 

19/07/2006

Bombardeio israelense ao Líbano continuará por pelo menos mais uma semana

The New York Times
Helene Cooper e Steven Erlanger*

em Washington
As linhas gerais de um consenso entre americanos e israelenses começaram a vir à tona na terça-feira, com Israel bombardeando o Líbano por aproximadamente mais uma semana para minar as capacidades da milícia Hezbollah, disseram funcionários dos dois países.

Então, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, irá até a região e buscará estabelecer uma zona tampão no sul do Líbano, talvez com uma força internacional para monitorar as fronteiras do país para impedir que o Hezbollah obtenha mais foguetes para atacar Israel.

Os funcionários americanos sinalizaram que Rice está aguardando pelo menos mais alguns dias antes para intervir no conflito, em parte para dar a Israel mais tempo para enfraquecer as forças do Hezbollah.

A estratégia é arriscada, em parte porque ainda não está claro por quanto tempo o resto do mundo, particularmente os aliados árabes dos Estados Unidos, permanecerão em silêncio à medida que cresce o número de civis libaneses mortos. As autoridades do governo Bush, por ora, estão aceitando o pedido israelense de mais liberdade de ação, mas alguns oficiais militares israelenses disseram que a campanha poderá durar várias semanas.

Na terça-feira, o sétimo dia do confronto, aviões de guerra israelenses atingiram mais alvos no Líbano, matando 30 pessoas, incluindo 11 membros do exército libanês quando bombas atingiram seus quartéis ao leste de Beirute. Quatro dos mortos eram oficiais e outros 30 soldados ficaram feridos.

No sul do Líbano, nove membros de uma mesma família foram mortos e quatro ficaram feridos em um ataque aéreo israelense contra a casa deles, na aldeia de Aitaroun, perto da fronteira israelense.

Cerca de 500 mil libaneses fugiram de suas casas para escapar da violência, estimou a ONU.

Os foguetes do Hezbollah atingiram novamente a cidade portuária israelense de Haifa e também Nahariya, uma cidade costeira ao sul da fronteira, onde um homem morreu e vários ficaram feridos, um gravemente. Centenas de milhares de israelenses permanecem em abrigos e Haifa estava praticamente fechada, com apenas mercados e farmácias abertos. Mais de 130 foguetes foram disparados, disseram autoridades israelenses.

Funcionários americanos disseram que Washington está discutindo com seus aliados árabes e Israel como fortalecer as fronteiras do Líbano, uma exigência chave israelense. Israel tem demonstrado pouco entusiasmo pela idéia de tropas internacionais no Líbano, mas está disposta a considerar tal envio caso inclua tropas de grandes potências e que sejam usadas para impedir o Hezbollah de recarregar seu arsenal.

Na terça-feira, Israel disse que destruiu mais seis foguetes de longo
alcance que disse que estavam sendo transportados por estrada do Líbano para a Síria.

Autoridades americanas e israelenses também estão considerando uma zona
tampão de 19 quilômetros no sul do Líbano, para manter o Hezbollah afastado da fronteira israelense. Apesar do desarme total do Hezbollah continuar sendo a meta de Israel, o país não está mais exigindo isto como uma condição para um cessar-fogo, disseram os funcionários.

Os aviões israelenses têm atacado alvos do Hezbollah, em particular as cerca de duas dúzias de foguetes de longo alcance no arsenal do grupo militante, supostamente capazes de atingir Tel Aviv.

Israel deixou claro que ainda não quer que Rice dê início a um esforço de paz. O presidente Bush e outras autoridades americanas têm resistido a se juntarem a outros líderes mundiais no pedido para um cessar-fogo imediato, refletindo a posição israelense de que uma trégua antes da destruição de um número significativo de mísseis do Hezbollah deixaria Israel aberta à possibilidade de mais ataques no futuro.

O presidente Bush, como tem feito repetidamente, disse na terça-feira que Israel deve ser autorizada a se defender. "Todos abominam a perda de vidas inocentes", ele disse, falando na Casa Branca antes de uma reunião com membros do Congresso. "Por outro lado, o que nós reconhecemos é que a raiz do problema é o Hezbollah."

"Algumas pessoas estão desconfortáveis com a posição americana, e nós
estamos tendo muito cuidado com a forma como que falamos a respeito", disse um alto funcionário americano na terça-feira. "Nós não vamos apostar as vidas de pessoas inocentes aqui", ele disse, acrescentando que privativamente, os funcionários de Bush estão dizendo aos israelenses que há um limite ao tempo que os Estados Unidos poderão dar a Israel.

Ele falou sob a condição de anonimato segundo as regras diplomáticas
normais. Além do desejo de dar a Israel tempo para enfraquecer militarmente o Hezbollah, funcionários do governo disseram que Rice não deverá ir para a região até que possa produzir de fato resultados.

Israel, que está tentando destruir a capacidade militar da milícia Hezbollah e obter a libertação de dois soldados capturados, disse estar visando apenas o Hezbollah e não o exército libanês, apesar dos ataques de segunda e terça-feira terem matado 19 soldados.

Um alto general israelense disse na terça-feira que a ofensiva de Israel no Líbano durará mais algumas semanas, acrescentando que o uso de forças terrestres não foi descartado. O general de divisão Moshe Kaplinsky, o vice-chefe do Estado-Maior de Israel, disse para a "Rádio Israel" que o exército precisa de mais tempo para completar "metas muito claras". Ele acrescentou: "A luta no Líbano terminará em algumas semanas. Nós não levaremos meses".

Novamente na terça-feira, cidades e aldeias no sul do Líbano e cortiços
densamente aglomerados no extremo sul de Beirute, que são a fortaleza do Hezbollah, foram alvo de grande parte do ataque. Apesar dos israelenses terem dito que visaram cuidadosamente 1.000 alvos até o momento, os ataques parecem ter se espalhado por todo o país.

Um caminhão de cimento perto de Jbeil, também conhecida com a cidade antiga de Biblos, por exemplo, bem distante da costa e no território cristão, foi atingido na terça-feira. As forças armadas israelenses disseram que ele era suspeito de transportar armas.

O primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, criticou os líderes estrangeiros por não impedirem a ofensiva israelense. "A comunidade internacional não está fazendo tudo o que pode para impedir a continuidade da agressão de Israel contra o Líbano", disse Siniora em uma entrevista, em seu gabinete em Beirute. "Ela não está exercendo a pressão necessária sobre Israel e Israel está entendendo isto como um sinal verde."

Em outros comentários, ele acusou Israel de "cometer massacres contra civis libaneses e trabalhar para destruir tudo que permita ao Líbano permanecer vivo". Enquanto caíam bombas e foguetes, diplomatas e autoridades continuavam debatendo a eficácia de qualquer nova força internacional capaz de patrulhar a fronteira e ajudar o Líbano a cumprir as resoluções do Conselho de Segurança da ONU, que pedem que o Hezbollah seja desarmado e que o governo libanês exerça sua autoridade sobre todo o país.

Uma equipe enviada pelo secretário-geral da ONU, Kofi Annan, se encontrou em Jerusalém com importantes autoridades israelenses, incluindo a ministra das Relações Exteriores, Tzipi Livni, e importantes assessores do primeiro-ministro Ehud Olmert. Olmert chegou no final da reunião para explicar a posição israelense, disseram funcionários israelenses, ressaltando seu ceticismo quanto ao funcionamento de qualquer nova força.

Olmert, em um discurso televisionado ao Parlamento na noite de
segunda-feira, disse que Israel continuará lutando até que seus soldados sejam libertados, o Exército libanês seja disposto ao longo da fronteira e o Hezbollah seja desarmado de acordo com a Resolução 1559 do Conselho de Segurança da ONU. O Hezbollah tem rejeitado consistentemente estes termos.

Após se reunir com os emissários da ONU, Livni disse que Israel insistirá que qualquer acordo inclua termos para assegurar que o Irã e a Síria não poderão rearmar o Hezbollah, aparentemente por meio de alguma forma de monitoramento internacional na fronteira síria e no aeroporto de Beirute. Israel bombardeou tanto o aeroporto quanto as rotas para a Síria e armou um bloqueio naval aos portos libaneses.

Ela disse que qualquer acordo deve "encerrar o controle iraniano e sírio sobre as vidas libanesas e israelenses" e repetiu a exigência de Israel de que seus três soldados capturados -dois pelo Hezbollah e um pelo Hamas e outros militantes em Gaza- sejam libertados "imediatamente e de forma incondicional".

Annan disse em Bruxelas que qualquer nova força de segurança internacional deve ter um conjunto diferente de instruções do que a atual força impotente de segurança da ONU ainda presente no sul do Líbano. "É urgente que a comunidade internacional atue para fazer a diferença em terra", disse Annan.

Giora Eiland, até recentemente o conselheiro de segurança nacional de
Israel, disse que uma força internacional não é do interesse de Israel se agir apenas como tampão. Ela só será eficaz, ele disse, "se o outro lado não quiser qualquer provocação e permanecer quieto" e "se houver um esforço crível do outro lado" para controle sobre o Líbano.

Gholam Ali Hadad Adel, o presidente do Parlamento iraniano, disse em um
comício em Teerã que os israelenses deveriam "fugir da Palestina ocupada". Ele chamou Israel de "este tumor imundo" que "se encontra no corpo do mundo islâmico", alertando os Estados Unidos de que enquanto Israel existir, "os muçulmanos não deixarão de odiar a América".

Em outros ataques na terça-feira no Líbano, um comboio de suprimentos
médicos doado pelos Emirados Árabes Unidos foi atingido na região de Bekaa, perto de Zahle, uma cidade de maioria cristã em uma das poucas estradas abertas ligando a Síria e Beirute. Dois caminhões foram destruídos e seus motoristas morreram.

A evacuação de estrangeiros prosseguiu pelo segundo dia, com uma balsa
fretada pelo governo francês transportando mais de 12 mil pessoas chegando ao Chipre. A embaixada americana começou a remover seus cidadãos de helicóptero, com a previsão da partida de cerca de 320 americanos até o final do dia, e outros 1.000 na quarta-feira. Cerca de 8 mil americanos estão registrados na embaixada, mas há cerca de 25 mil americanos ou indivíduos com dupla cidadania vivendo no Líbano. A Grã-Bretanha enviou seis navios para a região.

Na entrevista, Siniora, o primeiro-ministro libanês, disse que é a favor da libertação dos dois soldados israelenses. Mas ele adicionou outras exigências a tal pedido.

Qualquer solução para a crise, ele disse, deve incluir a retirada de Israel da área disputada das fazendas de Shabaa, na fronteira, a libertação dos detidos libaneses das cadeias israelenses, e o retorno aos termos do armistício de 1949 entre os dois países.

Ele sugeriu que o exército libanês se deslocaria para o sul do Líbano caso estas condições fossem cumpridas. Ele apoiou a idéia de uma força
internacional mais robusta, mas apenas depois que "todas as questões" fossem colocadas na mesa, mas parou antes de condenar o Hezbollah por provocar os ataques israelenses contra o resto do país.

Enquanto isso, Beirute se adaptou à sua primeira semana de violência e
conflito. Muitas lojas e bancos abriram por algumas poucas horas pela manhã, mas fecharam muito mais cedo do que o habitual. As ruas da cidade estavam calmas, com pouco trânsito.

*Greg Myre, em Haifa, e Jad Mouawad, em Beirute, contribuíram com reportagem para este artigo George El Khouri Andolfato

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