UOL Notícias Internacional
 

21/07/2006

Annan pede cessar-fogo no Líbano, citando perigo para civis

The New York Times
Warren Hoge
na Organização das Nações Unidas
O secretário-geral Kofi Annan pediu na quinta-feira (20/7) um fim imediato das hostilidades entre Israel e a milícia da Hezbollah no Líbano. Ele disse que isso era necessário para impedir mais mortes de civis, permitir que a assistência humanitária alcançasse os feridos e para iniciar o trabalho em torno de um acordo de paz de longo prazo.

"Tanto a forma como a Hezbollah vem usando deliberadamente centros populacionais israelenses como alvos de centenas de armas indiscriminadas como o uso desproporcional de força por Israel punindo coletivamente o povo libanês devem parar", disse ele ao Conselho de Segurança.

Annan admitiu que um cessar-fogo total seria difícil de ser alcançado no momento, mas, disse: "A comunidade internacional deve deixar clara sua posição da necessidade de cessar imediato de hostilidades e um esforço muito maior e mais convincente de Israel para proteger civis e a infra-estrutura civil, enquanto as condições para esse cessar-fogo são urgentemente desenvolvidas."

Ele disse que as operações militares israelenses tornaram impossível para a ONU fazer qualquer contato com cerca de 500.000 pessoas com necessidades urgentes no Sul do Líbano.

Além disso, o secretário-geral disse que a força de paz da ONU, de 2.000 membros, não será mais capaz de operar se não puder receber seus próprios alimentos e água dentro de 24 horas.

O primeiro passo para resolver a crise, disse ele, deve ser a transferência dos dois soldados israelenses capturados pela Hezbollah para o governo do Líbano, sob os auspícios da cruz Vermelha, que então os devolveria a Israel.

Annan também instou a criação de uma força de paz internacional ampliada no lado libanês da fronteira com Israel, para ajudar a estabilizar a situação e assistir o governo libanês para que retome o controle sobre seu território.
A Hezbollah tem base no Sul do Líbano.

A causa da crise, disse ele, foi o "ataque provocativo da Hezbollah no dia12 de julho", quando capturou dois soldados durante uma incursão em Israel.Ele acrescentou que estava convencido de que o governo do Líbano não teve conhecimento prévio disso.

"A Hezbollah diz defender os interesses libaneses e palestinos, mas de fato suas ações não fazem isso. Pelo contrário, mantêm toda uma nação refém -e atrasa as perspectivas de negociação de uma ampla paz no Oriente Médio."

O secretário-geral disse que, apesar de Israel alegar não ter desavenças com o governo do Líbano e que está tomando precauções para evitar ferir civis, algumas de suas ações mataram civis e soldados libaneses e danificaram fortemente a infra-estrutura do país.

"As ações da Hezbollah são deploráveis, e Israel tem o direito de se defender, mas o uso excessivo de força deve ser condenado", disse ele. "Eu repito, as hostilidades devem parar. Mas enquanto continuarem, é imperativo estabelecer corredores seguros para a entrada de assistência humanitária e de suprimentos para a população civil."

Annan disse que os três enviados que enviou à região na semana passada voltaram na quarta-feira à noite com uma avaliação clara. "Deixem-me ser franco com o conselho", disse ele. "A avaliação da missão é que há sérios obstáculos para um cessar-fogo ou até para a diminuição da violência rapidamente."

Israel disse aos enviados que seus objetivos no Líbano eram muito mais amplos do que a recuperação dos soldados capturados e disse que seu alvo era terminar a ameaça imposta pela Hezbollah.

"A missão foi informada de que a operação ainda não está próxima de seu objetivo", disse Annan.

Em reações posteriores, Nouhad Mahmoud, enviado especial libanês na ONU,
disse: "Nossa primeira impressão é muito, muito boa."

Mas Dan Gillerman, embaixador israelense na ONU, reclamou que "os três principais elementos não foram abordados -terrorismo, Síria e Irã. Sem lidar com o terror, não haverá cessação de hostilidades", disse ele.

John R. Bolton, embaixador americano, disse que qualquer cessar-fogo deve fazer "parte de uma solução completa, que estabelece uma verdadeira fundação para a paz" .

"Simplesmente não é correto falar de cessar-fogo, que seria o fim da situação, enquanto o próprio secretário-geral disse que é preciso promover uma transformação fundamental", disse ele. "A última coisa que se quer é voltar aos negócios como sempre."

Ele acrescentou: "Como alcançar um cessar-fogo entre uma entidade que é um governo de um Estado democraticamente eleito e outra que é uma gangue terrorista, isso ninguém explicou."

Comentando a sugestão de Annan para a devolução dos soldados israelenses capturados, ele disse: "A Hezbollah tem que entregar as vítimas de seqüestro, essa é uma condição absoluta. Quanto ao mecanismo exato, muitas formas podem ser pensadas; essa pode ser uma delas."

Os comentários de Annan foram feitos horas antes de ele jantar em Nova York com a secretária de Estado Condolleezza Rice, que pretende ir ao Oriente Médio já na semana que vem, segundo o Departamento de Estado.

Antes de voltar a Washington na sexta-feira, Rice planeja reunir-se com os três enviados que Annan enviara na semana passada em missão ao Líbano, Israel, Egito e Gaza. Os três são Vijay Nambiar, assessor político de Annan, e dois consultores do Oriente Médio, Alvaro de Soto e Terje Roed-Larsen.

O Conselho de Segurança deve avaliar a possibilidade de uma resolução sobre o Líbano na semana que vem. Na sexta-feira haverá uma reunião aberta do Conselho, na qual qualquer um dos 192 membros da ONU poderá falar. Deborah Weinberg

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    0,45
    3,141
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h21

    -0,39
    64.684,18
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host