UOL Notícias Internacional
 

21/07/2006

Marines americanos ajudam a evacuar americanos do Líbano enquanto conflito prossegue

The New York Times
Jad Mouawad e Steven Erlanger

em Beirute, Líbano
Marines americanos desembarcaram em Beirute na quinta-feira, pela primeira vez em mais de 20 anos, para ajudar a evacuar os americanos do Líbano, enquanto oficiais israelenses sugeriam que tropas terrestres israelenses poderiam assumir um papel mais ativo no combate à milícia Hezbollah. Também surgiram condenações mais fortes ao uso de força pesada por Israel no Líbano.

Com o combate prosseguindo pelo nono dia, houve mais confrontos ferozes
entre soldados israelenses e combatentes do Hezbollah dentro do Líbano.
Centenas de soldados israelenses tentavam destruir os postos avançados e depósitos do Hezbollah, disseram oficiais do exército israelense. Dois soldados israelenses e um combatente do Hezbollah foram mortos na noite de quarta-feira quando Israel descobriu um prédio com salas de depósito, bunkers e túneis. O número de mortos no Líbano nos nove dias já ultrapassou 300, a grande maioria deles civis.

Na noite de quinta-feira, dois soldados israelenses foram mortos e três
outros ficaram feridos em mais combates. Pelo menos dois combatentes do
Hezbollah teriam sido mortos.

O ministro da Defesa de Israel, Amir Peretz, em visita às cidades do norte atingidas por vários foguetes do Hezbollah, insinuou uma maior operação por terra. "Nós não temos a intenção de ocupar o Líbano, mas nós também não temos intenção de recuar de qualquer medida militar necessária", ele disse. "O Hezbollah não deve pensar que evitaremos usar quaisquer medidas militares contra ele."

Peretz continuou: "Vocês podem marcar uma coisa: as bandeiras do Hezbollah não estarão penduradas nas cercas de Israel".

Na ONU, o secretário-geral Kofi Annan condenou a operação israelense como "uso excessivo de força".

A Rússia, que reduziu partes da Tchetchênia a escombros em sua luta contra os rebeldes lá, também criticou fortemente Israel, com o Ministro das Relações Exteriores chamando as ações de Israel no Líbano de "muito além das fronteiras de uma operação antiterrorismo" e pedindo um cessar-fogo.

Na Casa Branca, o secretário de imprensa do presidente Bush, Tony Snow,
disse: "Não sei a esta altura se iremos interceder e colocar uma placa de pare", apesar de ter pedido a Israel para "praticar moderação" e disse que Bush "está muito preocupado" com a crescente crise humanitária no sul do Líbano.

A secretária de Estado, Condoleezza Rice, está preparando uma viagem à Ásia e ao Oriente Médio que poderá levá-la a visitar esta região já no domingo.

Diplomatas estão investigando a idéia de uma força internacional mais
robusta sob a chancela da ONU, mas provavelmente composta de tropas
européias, que poderão ajudar o fraco governo libanês a deslocar seu
exército para a fronteira israelense e afastar o enfraquecido Hezbollah.

Ephraim Sneh, o vice-ministro da Defesa de Israel e um ex-comandante
israelense no Líbano, disse à televisão israelense: "Nós não temos escolha a não ser entrar e limparmos fisicamente os postos do Hezbollah em terra. A força aérea não pode fazer isto. Então, quando falamos sobre uma operação terrestre, a intenção não é necessariamente uma grande incursão, mas operações mais precisas".

A pequena força de cerca de 40 marines americanos que desembarcou em
Beirute, na quinta-feira, foi a primeira de pessoal militar americano a ser enviada ao Líbano desde a retirada das forças após um ataque suicida a bomba do Hezbollah ter matado 241 americanos, a maioria marines, em 1983. Os marines que desembarcaram na quinta-feira eram da mesma unidade que os mortos há 23 anos.

O capitão-de-corveta Charlie Brown, do Comando Naval Central dos Estados Unidos em Bahrein, disse que um pequeno número de marines da 24ª Unidade Expedicionária Marine desembarcou em uma praia ao norte de Beirute, perto da costa pertencente à embaixada americana, na manhã de quinta-feira. Eles ajudaram os cidadãos americanos que aguardavam a embarcarem no veículo de desembarque que os transportou ao navio de assalto anfíbio Nashville, estacionado em alto-mar.

No fim da tarde, 1.052 evacuados já tinham embarcado e o Nashville estava se preparando para zarpar para Chipre, disse Brown.

Helicópteros também evacuaram 161 americanos na quinta-feira, disseram as forças armadas, e o Queen Orient, um navio de cruzeiro que transportou o primeiro grande grupo de americanos para o Chipre na quarta-feira, voltaria a Beirute na noite de quinta-feira para prosseguir na operação.

Um avião cheio de americanos, que estiveram na primeira viagem do Queen
Orient a Chipre, chegou ao Aeroporto Internacional Baltimore-Washington na manhã de quinta-feira. Mais cinco navios devem chegar ao local na
sexta-feira, juntamente com uma balsa de alta velocidade contratada para transportar os evacuados para Chipre, disseram as forças armadas em uma declaração.

Os cidadãos da Grã-Bretanha e de outros países também estavam sendo
evacuados.

Na quinta-feira, Israel prosseguiu com seus ataques aéreos de grande escala contra as posições e equipamento do Hezbollah. Israel também lançou panfletos sobre as aldeias libanesas, deu telefonemas gravados, informou os líderes locais e transmitiu mensagens em árabe para alertar os moradores a seguirem para o norte do Rio Litani caso suas aldeias contenham ativos ou foguetes do Hezbollah, mas não deu nenhum prazo. Israel lançou panfletos semelhantes na quinta-feira em Gaza, possivelmente prenunciando mais ataques contra as áreas populosas onde Israel acredita que o Hamas está armazenando foguetes Qassam.

Os ataques aéreos da quinta-feira também atingiram os bairros do sul de
Beirute, após o ataque pesado da noite de quarta-feira de jatos israelenses usando bombas especiais, para tentar penetrar em um bunker que acredita estar sendo usado por importantes dirigentes do Hezbollah, incluindo seu líder, Hassan Nasrallah. O Hezbollah disse que ninguém foi ferido no bombardeio, que os oficiais israelenses disseram ter envolvido 23 toneladas de explosivos no bairro de Burj al Brajneh.

As forças armadas israelenses informaram que dois de seus helicópteros
colidiram perto da fronteira com o Líbano, ferindo os que estavam a bordo.

O Hezbollah disse que sua capacidade militar permanece praticamente
inalterada. "A resistência usou apenas uma pequena, pequena parte de sua força", disse Hussein Hajj Hassan para a TV "LBC". "Nada foi destruído."

Apesar do contínuo ataque às fortalezas do Hezbollah no sul do Líbano, a milícia continua no controle aqui, impedindo o acesso a forasteiros.

Na quinta-feira, a milícia conduziu um grupo de repórteres em uma excursão pela área onde se encontra o quartel-general do Hezbollah. Prédios de até 12 ou 15 andares ruíram; alguns ainda estavam fumegando.

Segundo reportagens libanesas, quatro civis foram mortos em um ataque a um carro na cidade costeira de Tiro. Jatos israelenses também atacaram na quinta-feira um centro de detenção na cidade de Khiam, no sul do Líbano, segundo reportagem da televisão local. A prisão, antes dirigida pelas milícias libanesas aliadas de Israel durante sua ocupação do sul do Líbano, foi destruída.

Aviões israelenses também atingiram as áreas xiitas nas cidades do leste de Baalbek e Hermel, onde supostamente vivem alguns líderes do Hezbollah, e várias aldeias do sul.

Cerca de 50 foguetes atingiram Israel na quinta-feira, disse o exército
israelense, uma queda acentuada em comparação aos 150 do dia anterior.

Em Gaza, Israel prosseguiu com sua operação militar no setor central,
matando pelo menos três palestinos e ferindo seis em combates ao redor do campo de refugiados de Mughazi. Um ataque aéreo ao mesmo campo de refugiados matou um combatente e feriu outros oito. Um dos mortos era uma menina palestina de 10 anos, ferida em um ataque aéreo na quarta-feira, quando nove palestinos, oito deles militantes, foram mortos, segundo a agência de notícias "The Associated Press".

O exército israelense lançou panfletos por toda Gaza na quinta-feira,
alertando que "qualquer um que tenha ou mantenha um arsenal, munições ou armas em sua casa, deve destruí-lo ou enfrentará graves conseqüências".

Na Cisjordânia, forças israelenses continuaram cercando o complexo de Mukata em Nablus, onde palestinos procurados por Israel estariam refugiados desde a manhã de quarta-feira. Cerca de 15 homens procurados se entregaram, mas pelo menos 10 permanecem em seu interior. Tanques realizaram cinco disparos contra os prédios e tratores do exército buscaram derrubar as paredes externas, enquanto alertavam as pessoas em seu interior a saírem ou correrem o risco de serem soterradas pelos escombros.

Soldados israelenses dispararam balas de borracha contra palestinos que
realizam um protesto contra os soldados, ferindo cinco, um gravemente,
disseram médicos palestinos. Cerca de 4 mil palestinos realizaram um
protesto em Nablus em apoio ao Hezbollah, pedindo ao líder da milícia,
Nasrallah, que ataque Israel com foguetes.

"Nasrallah, querido, ataque, ataque Tel Aviv!" gritavam os palestinos. Cinco palestinos foram mortos na operação em Nablus na quarta-feira.

O governo libanês disse estar abrigando até o momento cerca de 120 mil
refugiados, a maioria em escolas públicas e privadas. Ele está considerando armar tendas para os refugiados em parques públicos e arenas esportivas. A ONU estima que um total de 500 mil pessoas foram deslocadas.

"As perdas são imensuráveis", disse Nayla Moawad, a ministra libanesa para questões sociais.

Moawad culpou a Síria de provocar a crise, dizendo estar expressando sua opinião pessoal. "A decisão da operação do Hezbollah não foi tomada no Líbano", ela disse. "O Líbano foi feito refém, uma caixa postal para os interesses de outras pessoas. Ela foi tomada em Damasco, provavelmente com coordenação iraniana."

Nayla Moawad foi uma das líderes da revolta libanesa do ano passado que
levou à retirada das tropas sírias do Líbano.

"A Síria tem tentado desestabilizar o Líbano desde a retirada de suas
tropas", ela disse. George El Khouri Andolfato

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