UOL Notícias Internacional
 

22/07/2006

Aumenta número de forças israelenses na fronteira do Líbano enquanto conflito prossegue

The New York Times
Greg Myre e Jad Mouawad*

em Jerusalém
As forças armadas israelenses reuniram um grande número de veículos
blindados perto de sua fronteira norte na sexta-feira, convocaram vários milhares de reservistas e alertaram os moradores do sul do Líbano a fugir, sugerindo que uma ampliação das operações terrestres pode estar a caminho em sua guerra contra a milícia Hizbollah libanesa.

Mas altos comandantes militares israelenses disseram ter pouco apetite para uma invasão por terra como a que realizaram no Líbano em 1982, e
provavelmente prosseguirão a curto prazo apenas com a campanha aérea, para evitar ciladas e baixas que acreditam os esperar no território do Hezbollah.

Bryan Denton/The New York Times 
O que restou da vizinhança de Haret Harek, em Beirute, depois de ataques israelenses

O combate pesado não mostrou sinais de ceder em seu 10º dia.

E apesar da viagem da secretária de Estado dos Estados Unidos, Condoleezza Rice, para Israel e Cisjordânia no domingo, o forte apoio do governo Bush a Israel sugere que a visita dela não levará a um rápido fim da campanha militar.

Falando em Washington, Rica culpou novamente o Hizbollah por provocar o
conflito e disse: "Um cessar-fogo imediato sem condições políticas não faz sentido".

Ela disse que não irá a um lugar para "tentar obter um cessar-fogo que sei que não durará".

A viagem dela a levará para a Itália, onde ela encontrará vários líderes europeus e árabes para tratar da crise.

A força aérea israelense atacou na sexta-feira alvos por todo o Líbano e, pelo segundo dia, lançou panfletos no sul alertando os moradores a se deslocarem para o norte do Rio Litani. Várias centenas de milhares de libaneses, a maioria deles aldeões xiitas, vivem ao sul do rio, que fica a cerca de 24 quilômetros ao norte da fronteira do Líbano com Israel.

Muitos já fugiram e mais estão partindo diariamente, mas o bombardeio de Israel contra estradas e pontes tem tornado a viagem traiçoeira e difícil. O temor pelo destino de suas propriedades tem mantido outros em casa, desesperadamente carentes de suprimentos.

Em Blida, uma cidade no canto sudeste do Líbano, moradores se queixaram de terem sido praticamente isolados do mundo nos últimos quatro dias e de estarem ficando sem gasolina, pão e água.

"Eles estão queimando o Sul, as cidades, todo o país", disse Fatima Ibrahim, membro de uma família de 12, que ficaram feridos quando seu abrigo subterrâneo foi bombardeado três dias atrás. Eles estão sendo tratados no Hospital Rafik Hariri, em Jnah, um cidade ao sul de Beirute.

Em Chipre, milhares de estrangeiros que foram evacuados do Líbano se
amontoavam em centros improvisados. O governo libanês disse que cerca de 60 mil estrangeiros, a maioria libaneses com dupla cidadania, foram evacuados pelo mar e outros 40 mil por terra para a Síria.

Os jatos israelenses atingiram os distritos xiitas nas cidades ao sul de Beirute, no Vale de Bekaa ao leste e no sul do Líbano por volta do
amanhecer. Os israelenses também bombardearam a ponte Mdeirej na estrada principal entre Beirute e Damasco, que já tinha sido atingida duas vezes antes.

Com pelo menos 12 libaneses mortos na sexta-feira, cerca de 350 pessoas
perderam suas vidas na barragem israelense por terra, mar e ar. A grande maioria de mortos é de civis. Oficiais militares israelenses disseram que mataram cerca de 100 guerrilheiros do Hizbollah. Além disso, cerca de meio milhão de libaneses fugiram de suas casas.

Trinta e quatro israelenses foram mortos, 19 soldados e 15 civis. Mas os israelenses pareciam incomumente unidos e preparados para uma guerra longa e cara.

"A vida humana é o valor supremo, mas esta é uma operação exigente e estamos em guerra", disse o general de divisão Udi Adam, que comanda as forças israelenses que combatem na frente libanesa, para a televisão israelense. "Eu sugiro não contarmos os mortos até estar tudo terminado."

O Hizbollah disparou uma nova onda de foguetes na sexta-feira, que atingiram a cidade portuária de Haifa e outras cidades no norte de Israel. Mais de 10 pessoas ficaram feridas quando um foguete atingiu um prédio de apartamentos em Haifa, disseram autoridades israelenses.

No geral, mais de 20 pessoas ficaram feridas no norte de Israel e mais de 50 foguetes do Hezbollah atingiram a região, segundo as forças armadas israelenses.

Nos últimos dois dias, a quantidade de foguetes disparados pelo Hizbollah caiu em comparação aos mais de 100 que eram lançados diariamente nos primeiros vários dias.

Israel diz que enfraqueceu significativamente as capacidades do Hizbollah, mas os oficiais reconheceram que o combate tem sido feroz e que suas forças armadas não serão capazes de aleijar completamente o grupo militante xiita.

"Nós realizaremos operações limitadas por terra quando necessário, para
atacar o terrorismo que nos ataca", disse o chefe do Estado-Maior do
Exército, o general de exército Dan Halutz, na noite de sexta-feira.

Entretanto, Israel tem reunido tanques e transportes blindados nas estradas próximas da fronteira. E a liderança israelense disse que tropas de solo já estão realizando operações de pequena escala que não podem ser realizadas com ataques aéreos.

Tais operações incluem a procura por foguetes e lançadores do Hizbollah, assim como bunkers e outras fortalezas da milícia, escondidos dentro ou nos arredores de aldeias no sul do Líbano.

As forças armadas não forneceram números, mas relativamente poucos soldados estão dentro do Líbano em qualquer momento, segundo oficiais militares.

Os soldados só penetram poucos quilômetros no Líbano no máximo, e tendem a entrar e sair sem manter posições fixas, disseram os oficiais.

O confronto teve início quando militantes do Hizbollah realizaram uma
incursão em Israel, capturando dois soldados em uma operação onde outros oito morreram. Israel respondeu com bombardeios aéreos, levando o Hizbollah a disparar foguetes, alguns deles feitos ou fornecidos pelo Irã ou Síria, contra o norte de Israel.

Em uma entrevista no Iraque na sexta-feira, o alto comandante americano para o Oriente Médio, o general John P. Abizaid, disse não achar que o Irã ou a Síria pressionaram o Hizbollah a iniciar seus ataques de foguete contra Israel.

"Isto significaria que o Irã e a Síria se reuniram com o Hizbollah e
disseram: 'Agora é o momento de tirar proveito da situação'", disse Abizaid. "Eu tenho uma inclinação a acreditar que apesar do Irã e da Síria estarem tentando explorar a situação em seu benefício, o que provavelmente se deu transcorreu em um nível baixo da hierarquia dentro do Hizbollah. Mas isto ainda precisa ser comprovado."

Abizaid disse que os ataques de Israel reduziram a capacidade militar do Hizbollah. "Eu acredito que o objetivo de Israel é claramente minar a capacidade militar do Hizbollah", ele disse. "Eu não acredito que o objetivo deles seja minar o governo de Siniora ou impedir a capacidade do Líbano de estender sua soberania até sua fronteira com o tempo."

O Hizbollah demonstrou que pode oferecer uma forte resistência quando tropas terrestres israelenses cruzam a fronteira. Cinco soldados israelenses foram mortos dentro do Líbano no primeiro dia de combate, 12 de julho, e nos intensos combates da quarta e quinta-feira, seis soldados israelenses foram mortos dentro do Líbano, segundo as forças armadas. Combatentes do Hezbollah também foram mortos nestes combates.

Em uma declaração, as forças armadas disseram que os reservistas estavam sendo convocados "para permitir o reforço das tropas situadas ao longo da fronteira norte".

A declaração não disse se os reservistas seriam enviados para a área da
fronteira libanesa. Uma possibilidade é que as unidades militares
posicionadas nas áreas da Cisjordânia e Faixa de Gaza poderiam ser
transferidas para a frente libanesa, enquanto os reservistas substituiriam estas tropas nas áreas palestinas.

O ministro da Defesa do Líbano, Elias Murr, disse na quinta-feira que o
exército libanês, que até o momento permanece de lado, entrará na batalha se Israel invadir.

"O exército libanês resistirá e defenderá o país, provando que é um exército digno de respeito", ele disse.

Sem um fim à vista para o combate, as preocupações humanitárias estão
crescendo.

Grupos de ajuda internacionais disseram que precisam de acesso urgente ao sul do Líbano para fornecer assistência médica e alimentos. O embaixador de Israel na ONU, Dan Gillerman, disse que espera que um corredor para assistência humanitária seja aberto até sábado.

Na cidade do sul do Líbano de Tiro, a irritação era grande na municipalidade à medida que as autoridades enfrentavam moradores cada vez mais frustrados exigindo comida, ajuda humanitária e serviços. Mas a prefeitura podia fazer pouco além de pedir paciência.

"Não há mais suprimentos", disse Muhammad al Husseini, o filho do prefeito de Tiro, que estava ajudando nos esforços logísticos. "Nós estamos registrando pessoas para rações, mas não podemos lhes dar nada. Eu acho que em breve nós apanharemos."

A municipalidade buscou comprar todo pão que pôde, mas apenas uma padaria permanece aberta; as demais fecharam por medo do bombardeio ou porque o combustível que alimenta os fornos acabou. Frutas e verduras são difíceis de encontrar, carne ainda mais. A única coisa que ainda resta no mercado da cidade são as melancias dos agricultores locais.

Há abundância dos itens alimentarem principais a cerca de 30 quilômetros ao norte. Mas o transporte de suprimentos se tornou extremamente difícil com as pontes bombardeadas.

Tiro ainda é mais afortunada do que outras cidades, onde alimentos básicos como pão e arroz se esgotaram e os moradores não podem partir por causa do bombardeio pesado, disseram as autoridades. Gasolina, disponível apenas no mercado negro, está sendo vendida em garrafas de água de um litro em vez dos galões habituais.

Cerca de 70% da população do sul deixou a área, estimam as autoridades
locais. A situação se tornou tão difícil que muitas autoridades aqui olham para os comboios que partem com certo alívio, porque representam menos bocas para alimentar.

Em Beirute, a evacuação de estrangeiros do Líbano prosseguia, com
helicópteros e barcos levando os evacuados para os navios militares que
aguardavam na costa mediterrânea de Beirute.

No segundo dia de evacuação de grande escala de cidadãos americanos, cerca de 4.500 aguardavam para partir. Muitos estavam sendo levados de helicóptero da embaixada americana para os navios de guerra americanos.

Em Israel, os cidadãos têm demonstrado apoio ao seu governo e forças
armadas. Uma pesquisa publicada no jornal "Maariv", na sexta-feira, mostrou que 78% dos israelenses estavam satisfeitos com a atuação do
primeiro-ministro Ehud Olmert, e 95% acreditavam que a resposta militar
israelense é "justificada e correta".

Um total de 800 pessoas foram entrevistadas e a margem de erro da pesquisa era de 4 pontos percentuais para mais ou para menos, disse o jornal.

As forças israelenses também prosseguiram lutando em uma segunda frente, na Faixa de Gaza, na sexta-feira.

O fogo de um tanque israelense atingiu a cada de um militante do Hamas,
matando ele e três membros de sua família, segundo as autoridades de
segurança palestinas.

As forças armadas israelenses disseram que dois homens armados com um míssil antitanque foram avistados na sacada de uma casa.

Enquanto isso, o primeiro-ministro palestino, Ismail Haniya, reiterou o
pedido para uma troca de prisioneiros palestinos pelo cabo Gilad Shalit, o soldado israelense cuja captura por militantes palestinos, em 25 de junho, deu início à crise em Gaza. Haniya disse que o pedido pela troca de prisioneiros era "uma exigência nacional palestina".

Na Cisjordânia, soldados israelenses mataram uma enfermeira palestina e
destruíram um complexo de segurança do governo em Nablus, disseram
testemunhas e médicos, segundo a agência de notícias "Reuters". A enfermeira de folga parou para dar assistência médica a três manifestantes que estavam atirando pedras contra os soldados e foram feridos pelo disparo de um tanque. Médicos palestinos disseram que a enfermeira foi morta pelos estilhaços de um segundo disparo de tanque.

A polícia israelense prendeu três árabes em Tel Aviv na sexta-feira, por suspeita de estarem planejando um ataque na cidade, informou a imprensa israelense. Os suspeitos não tinham armas consigo ou em seu carro, mas as forças de segurança foram alertadas de um possível ataque e os três e seu veículo se encaixavam na descrição recebida pelas forças, disseram os noticiários.

Com a alta tensão na região, oficiais de segurança israelenses acreditam que há uma grande possibilidade de um atentado suicida ou outro ataque em Israel. No início desta semana, a polícia prendeu um palestino suspeito de planejar um atentado suicida.

*Reportagem de Greg Myre, em Jerusalém, e Jad Mouawad, em Beirute. Hassan Fattah, em Tiro, Líbano; e Michael Gordon, no Campo Fallujah, no Iraque, contribuíram com reportagem para este artigo George El Khouri Andolfato

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,54
    3,265
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,36
    64.085,41
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host