UOL Notícias Internacional
 

22/07/2006

EUA apressam entrega de bombas para israelenses

The New York Times
David S. Clud e Helene Cooper*

em Washington
O governo Bush está apressando a entrega de bombas guiadas de precisão para Israel, que pediu urgência na última semana depois de iniciar sua campanha aérea contra alvos da Hezbollah no Líbano, disseram autoridades americanas na sexta-feira (21/7).

A decisão de enviar armas rapidamente para Israel foi feita com relativamente pouco debate dentro do governo Bush, disseram as autoridades.

A revelação ameaça irritar governos árabes e outros por dar a impressão que os EUA estão ativamente ajudando a campanha de bombardeios israelenses, de uma forma que poderia ser comparada aos esforços do Irã para armar e suprir a Hezbollah.

As munições que os EUA estão enviando a Israel fazem parte de um pacote de vendas de milhões de dólares, aprovado no ano passado, que permite que Israel faça suas encomendas na medida do necessário, disseram as autoridades. Mas o pedido de Israel para entrega rápida das bombas guiadas por laser e satélite foi descrito por alguns oficiais como incomum e uma indicação de que o país tinha uma longa lista de alvos no Líbano ainda para atacar.

A secretária de Estado Condoleezza Rice disse na sexta-feira que irá para Israel no domingo, para o início de uma rodada de diplomacia do Oriente Médio. O plano original era incluir uma parada no Cairo, Egito, mas a secretária não anunciou escalas em capitais árabes.

Em vez disso, a reunião de enviados árabes e europeus que seria no Cairo ocorrerá na Itália, disseram autoridades ocidentais. Os governos árabes inicialmente criticaram a Hezbollah por incitar a guerra com Israel no Líbano, mas há um descontentamento crescente nos países árabes com o número de mortes civis no Líbano. Assim, os governos árabes temem hospedar Rice antes de um pacote de cessar-fogo.

Uma reunião em capital árabe antes de uma solução diplomática, "identificaria os árabes como parceiros primários dos EUA neste projeto, em uma época em que a Hezbollah está acusando os líderes árabes de dar cobertura à operação militar israelense", disse Martin S. Indyk, ex-embaixador americano em Israel.

A decisão de ficar longe dos países árabes por enquanto é uma estratégia diplomática bem diferente da usada por governos anteriores em suas mediações no Oriente Médio. "Não tenho interesse no uso da diplomacia para que o Líbano e Israel voltem à situação anterior", disse Rice na sexta-feira. "Poderia ter entrado em um avião e começado a viajar de um lado para o outro, e a meta não ficaria clara."

Antes de Rice se dirigir para Israel no domingo, ela vai se encontrar com o presidente Bush na Casa Branca para discussões sobre a crise do Oriente Médio com dois enviados sauditas, Saud Al-Faisal, ministro de relações exteriores, e príncipe Bandar bin Sultan, secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional.

O novo carregamento de armas para Israel não foi anunciado publicamente, e os funcionários que descreveram a decisão de apressar o carregamento de munições para Israel só aceitaram discutir o assunto depois de receberem garantias de anonimato. Os funcionários eram de duas agências do governo, e um descreveu o carregamento como apenas um exemplo de uma ampla gama de armamentos que os EUA há muito fornecem para Israel.

Uma autoridade americana disse que o carregamento não deve ser comparado ao "fornecimento de emergência" aos armazéns vazios israelenses, durante a guerra árabe-israelense de 1973, quando transportes aéreos militares americanos ajudaram Israel a se recuperar de vitórias iniciais árabes.

David Siegel, porta-voz da embaixada israelense em Washington, disse:
"Estamos usando munições guiadas de precisão para neutralizar a capacidade militares da Hezbollah e para minimizar os danos aos civis. Como regra, entretanto, não comentamos as aquisições de defesa de Israel."

A necessidade de munições de precisão deve-se em parte à estratégia de Israel no Líbano, que inclui destruir abrigos subterrâneos reforçados onde líderes da Hezbollah teriam se refugiado, além de armazéns de mísseis e outros alvos que seriam difíceis de atingir sem bombas guiadas a laser ou por satélite.

Oficiais americanos recusaram-se a descrever em detalhes o tamanho e o conteúdo do carregamento para Israel e não disseram se as munições estavam sendo enviadas por avião ou outros meios. Mas o pacote de venda de armas aprovado no ano passado permite a Israel comprar dos EUA até 100 GBU-28, que são bombas guiadas a laser de 2.200 kg, com a intenção de destruir bunkers de concreto. O pacote também fornece munições guiadas por satélite.

O anúncio em 2005 que Israel tinha recebido autorização para comprar as armas "destruidoras de abrigos" descreveu a GBU-28 como "uma arma especial desenvolvida para penetrar em centros de comandos reforçados localizados profundamente no subsolo". O documento acrescentava: "A Força Aérea Israelense usará essas GBU-28 em aviões F-15."

Autoridades americanas disseram que, depois de aprovada a compra de armas, cabe à nação compradora estabelecer um cronograma de entrega. Mas uma autoridade americana disse que normalmente as entregas não são feitas com poucos dias após o pedido. Houve uma exceção porque Israel é um aliado próximo enfrentando hostilidades, disse.

Apesar de Israel ter algumas bombas de precisão em seus estoques quando a campanha do Líbano começou, os Israelenses talvez não tenham recebido todas as armas que tinham direito sob a venda de 2005. Israel disse que as forças aéreas tinham lançado 23 toneladas de explosivos apenas na noite de quarta-feira em Beirute, em um esforço de destruir o que acreditavam ser um abrigo usado por altas autoridades da Hezbollah.

Uma alta autoridade israelense disse na sexta-feira que os ataques até agora cortaram a força militar da Hezbollah ao meio, mas que a campanha poderá continuar por duas semanas ou mais. "Vamos manter a campanha aérea pesada", disse ele. "Não há limite de tempo. Vamos terminar quando alcançarmos nossos objetivos."

O governo Bush anunciou na quinta-feira uma venda de equipamentos militares para a Arábia Saudita, no valor de mais de US$ 6 bilhões (em torno de R$ 13 bilhões). Talvez a medida quisesse defletir a inevitável revolta dos governos árabes com a decisão de fornecer munições a Israel caso o esforço se tornasse público.

Na sexta-feira, membros do governo Bush descreveram os planos de estratégia diplomática que Rice seguirá. Em Roma, os EUA vão tentar fechar um pacote que oferecerá incentivos ao Líbano, sob a condição de implementação da resolução da ONU que pede o desarmamento da Hezbollah.

Diplomatas também vão tentar esclarecer os detalhes em torno da criação de uma eventual força de paz internacional e quais países contribuiriam para tanto. Alemanha e Rússia indicaram que estariam dispostas a contribuir com forças; Rice disse que os EUA provavelmente não.

Um cessar-fogo estaria implícito no eventual pacote diplomático. Mas uma alta autoridade americana disse que ainda não estava claro se, sob tal plano, seria exigido da Hezbollah que se retirasse do Sul do Líbano e se comprometesse a um cessar-fogo ou se os diplomatas americanos contarão com o bombardeio contínuo de Israel para tornar irrelevante a aquiescência da Hezbollah.

Daniel Ayalon, embaixador de Israel em Washington, disse que Israel não descartaria uma força internacional para policiar as fronteiras do Líbano e Síria e patrulhar o Sul do Líbano, onde a Hezbollah tem um reduto. Mas ele disse que Israel estava determinado a primeiro destruir os centros de controle e comando e depósitos de armas da Hezbollah.

*Thom Shanker contribuiu para este artigo Deborah Weinberg

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