UOL Notícias Internacional
 

23/07/2006

Israel prossegue com ataques aéreos no Líbano; forças terrestres cruzam fronteira

The New York Times
Greg Myre e Jad Mouawad

Em Jerusalém
No sábado, a força aérea de Israel prosseguiu com seus bombardeios punitivos contra o Líbano, e soldados israelenses entraram em uma aldeia do outro lado da fronteira libanesa, no que as forças armadas descreveram como uma operação limitada contra uma fortaleza do Hezbollah.

No norte do Líbano, jatos israelenses bombardearam torres de transmissão de televisão e telefonia móvel, interrompendo o serviço. Oficiais militares israelenses disseram que as torres foram atingidas porque estavam sendo usadas pelo Hezbollah para comunicações.

O norte de Israel novamente foi atacado por foguetes do Hizbollah, com mais de 70 atingindo a região e ferindo mais de 10 israelenses até a tarde de sábado.

A secretária de Estado, Condoleezza Rice, deverá partir para Israel no domingo, na visita diplomática mais importante desde o início do combate em 12 de julho. Mas sua parada deverá ser relativamente breve e não há sinal de um fim para as hostilidades. Rice, em comentários feitos na sexta-feira em Washington, disse que qualquer acordo deve tratar das raízes do problema, que ela descreveu como sendo os ataques do Hezbollah feitos a partir do sul do Líbano.

Com tanques israelenses e blindados para transporte de soldados se alinhando nas estradas do norte de Israel, há uma crescente especulação de que uma grande ofensiva terrestre israelense poderá ocorrer em breve. Mas oficiais militares israelenses disseram que apenas um pequeno número de soldados está sendo enviado para as aldeias e outras áreas perto da fronteira para erradicação de postos do Hezbollah.

Soldados israelenses em veículos blindados estavam operando no sábado em Maroun al Ras, onde combates intensos ocorreram na quarta e quinta-feira e onde israelenses disseram que o Hezbollah tem túneis, quartéis e instalações para armazenar foguetes. Seis soldados israelenses e vários combatentes do Hezbollah foram mortos nestas batalhas do outro lado da fronteira.

As tropas israelenses estavam no controle no sábado, mas as forças armadas continuavam atacando as áreas próximas com bombas e artilharia. Os soldados israelenses estavam à procura de bunkers e outros postos do Hezbollah, assim como foguetes e outras armas, disseram as forças armadas.

O exército israelense está buscando destruir as posições do Hezbollah perto da fronteira, mas a liderança militar permanece extremamente cautelosos em relação a uma incursão terrestre de grande escala.

O Hizbollah detonou uma bomba de estrada que destruiu um tanque e matou quatro soldados israelenses no primeiro dia de combate, 12 de julho, e o grupo libanês também é considerado muito habilidoso na realização de emboscadas em um território que conhece melhor.

"Nós realizaremos operações terrestres limitadas quando necessário para atacar o terrorismo que nos ataca", disse o chefe do Estado-Maior do Exército, o general de exército Dan Halutz, na sexta-feira. As forças armadas israelenses disseram no sábado que atacaram mais de 150 alvos no Líbano nas 24 horas anteriores.

O bombardeio de sábado contra as torres de transmissão ocorreu nas áreas cristãs ao norte de Beirute. Uma torre da TV "LBC", uma emissora privada que surgiu como uma estação cristã durante a guerra civil libanesa, foi atingida e um guarda foi morto, disseram moradores da área. Mas a emissora ainda estava no ar em Beirute. Uma torre da TV "Al Manar", de propriedade do Hezbollah, também foi atingida, disse a polícia, segundo a agência de notícias "France Presse".

O governo libanês se queixou amargamente dos danos extensos à infra-estrutura civil durante os 11 dias de combate.

Na pequena cidade cristã de Fatqa, ao norte de Beirute, onde a torre da "LBC" estava caída como um monte de metal retorcido no topo de uma grande colina, quatro pneus em chamas bloqueavam a estrada perto da torre e moradores cristãos enfurecidos pararam um carro suspeito de ligação com o Hezbollah, batendo nele com seus punhos e gritando com o motorista.

Os moradores, a grande maioria cristãos, expressavam revolta contra os simpatizantes xiitas do Hezbollah, dizendo que trouxeram a destruição dos aviões israelenses para sua aldeia. "As pessoas estão muito enfurecidas", disse Julie Lteif, que estava embalando sua filha de 2 anos. "Elas culpam o governo e o Hezbollah por isto. A guerra não é contra nós."

Os moradores disseram que um grupo de homens seguiu até uma antena intacta do Hezbollah durante a tarde para tentar desativá-la ou danificá-la. "Os simpatizantes do Hezbollah não estão entre nós", disse Lteif. "Por que eles têm uma torre aqui?"

Um cameraman da "LBC", Emil Jabrail, que estava próximo da área onde a torre da "LBC" foi atingida, disse que ninguém da "Al Manar" foi visto na área, e que se alguém viesse, "seria morto".

Muitos dos outros alvos estavam em áreas do Hezbollah no sul do Líbano, disseram as forças armadas, incluindo postos de comando, prédios usados como depósitos de armas e 11 lançadores de foguetes. As forças armadas disseram ter bombardeado vários veículos do Hezbollah e 12 estradas que ligavam o Líbano e a Síria. Quatro civis libaneses foram mortos nos ataques de sábado, informou a "Agence France-Presse".

O Hizbollah atacou novamente muitas das aldeias e cidades maiores no norte de Israel, incluindo Haifa, Nahariya, Safed e Carmiel. Kiryat Shmona, a principal cidade em um faixa estreita de Israel no nordeste, sofreu uma barragem pesada pela manhã, com a queda de mais de 20 foguetes. A cidade estava praticamente vazia mas os moradores remanescentes descreveram o fogo de foguetes como o mais intenso desde o início dos combates. Nenhum ferimento sério foi informado. Artilharia israelense na área respondeu com uma barragem sustentada contra pontos de lançamento do Hezbollah no terreno montanhoso do outro lado da fronteira.

Como poucos civis permanecem no norte de Israel, mesmo foguetes que atingem diretamente alvos nas áreas residenciais freqüentemente não causam feridos. Mas eles freqüentemente provocam incêndios, e nuvens de fumaça pairavam novamente sobre o norte de Israel no sábado.

Israel tem despejado panfletos no sul do Líbano pedindo aos moradores que partam para o norte do Rio Litani, que cruza de leste a oeste em uma linha a cerca de 24 quilômetros ao norte da fronteira israelense. Israel disse que emitiu o alerta em um esforço para "evitar baixas entre a população civil do sul do Líbano, uma área usada pelos terroristas do Hezbollah, que exploram a população local como escudos humanos".

As estradas que levam para fora do sul do Líbano estavam novamente congestionadas, e a viagem foi seriamente complicada pela destruição de muitas estradas e pontes pelo bombardeio israelense. Famílias e pertences lotavam os carros, muitos dos quais carregando bandeiras brancas.

A ONU e grupos de ajuda humanitária buscavam organizar a evacuação da área, mas disseram que precisam coordenar seus esforços com os israelenses. Navios franceses serão autorizados a atracar na cidade costeira de Tiro para entrega de suprimentos, informou a rádio israelense. Mas Tiro é uma fortaleza do Hezbollah, e Israel continuava bombardeando as proximidades da cidade no sábado.

Em Beirute, milhares de estrangeiros continuavam fugindo do país, com muitos embarcando em navios com destino a Chipre.

Reportagem de Greg Myre, em Jerusalém; e Jad Mouawad, em Beirute, Líbano. Sabrina Tavernise, em Fatqa, Líbano, contribuiu com reportagem para este artigo. George El Khouri Andolfato

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