UOL Notícias Internacional
 

27/07/2006

Pesquisa mostra crescente ceticismo americano em relação ao Oriente Médio

The New York Times
Jim Rutenberg e Megan C. Thee*
Os americanos estão muito mais pessimistas com o estado das coisas no Oriente Médio, e a maioria esmagadora duvida que jamais haverá paz entre Israel e seus vizinhos ou que as tropas americanas poderão deixar o Iraque em breve, de acordo com a mais recente pesquisa do New York Times/CBS News.

A maioria disse que a batalha entre Israel e Hezbollah levará a uma guerra mais ampla. E enquanto metade de todos os entrevistados aprovou a forma como o presidente Bush lidou com a crise, a maioria disse que preferiria que os EUA deixassem que outros resolvessem.

No geral, a pesquisa revelou um forte traço isolacionista em uma nação claramente agitada por mais de quatro anos de guerra, ressaltando o desafio para Bush enquanto ele tenta manter o apoio público para seu esforço para estabilizar o Iraque e disseminar a democracia pelo Oriente Médio.

As preocupações expressadas com a direção da política externa também ressaltaram algumas das armadilhas para os republicanos enquanto eles se dirigem para as eleições de novembro com a segurança nacional na frente.

A maioria dos entrevistados, 56%, disse que apoiava o estabelecimento de um cronograma para reduzir as forças americanas no Iraque, uma questão em torno da qual os dois partidos vêm lutando. Mais da metade desse grupo disse que apoiava a retirada, mesmo que o Iraque caísse nas mãos de insurgentes. A Casa Branca e a maior parte dos republicanos no Congresso acreditam que estabelecer um cronograma enviaria a mensagem errada aos inimigos.

Americanos apóiam a idéia de colocar uma força internacional de paz na fronteira entre Israel e Líbano, para acalmar as tensões, mas a maior parte não quer que tropas americanas participem, revelou a pesquisa.

Os americanos não acreditam que os EUA devem liderar a resolução de conflitos em geral, com 59% dizendo que não deveria, e 31% dizendo que deveria. Essa é uma mudança significativa em relação a uma pesquisa da CBS News em setembro de 2002 -um ano após os ataques terroristas de 11 de setembro- quando o público estava mais igualmente dividido na questão: 46% disseram que o país deveria liderar e 48% não.

Ainda assim, na pesquisa mais recente, 47% deram a Bush boas notas pela forma que tratou da situação em Israel; 27% desaprovaram e 26% disseram que não sabiam responder. Esse foi o item com maior aprovação do presidente na pesquisa.

Bush teve ligeiro aumento em seu índice de aprovação geral no cargo, desde a última pesquisa do New York Times/CBS News, em maio, indicando que a erosão constante de sua base de apoio no último ano estabilizou-se e até melhorou em alguns pontos percentuais. Dos pesquisados, 36% disseram que aprovavam a forma como ele estava desempenhando seu papel, subindo de 31% em maio.

No entanto, com 55% dizendo que não aprovavam seu desempenho, os números continuam bem abaixo da zona de conforto para um presidente no cargo, durante uma difícil eleição em meio de mandato.

No que poderia ser um sinal de advertência ao atual governo, mais do dobro das pessoas acreditam que o país está indo na direção errada do que acreditam que está indo na direção certa. E apenas 35% dos entrevistados aprovaram a política externa de Bush em geral, apesar do número ter subido de 27% em maio.

A defesa ao forte apoio do presidente a Israel tem limite: 39% indicaram que aprovavam, mas 40% disseram que os EUA deveriam evitar dizer qualquer coisa sobre o conflito. (Somente 7% disseram que os EUA deveriam criticar Israel, apesar de mais entrevistados culparem os dois lados pelo conflito).

A pesquisa baseou-se em entrevistas por telefone conduzidas entre 21 e 25 de julho entre 1.127 adultos e tem uma margem de erro de mais ou menos três pontos percentuais. Ela foi desenvolvida enquanto Israel e a Hezbollah trocavam tiros e durante um período particularmente sanguinário em Bagdá, eventos que receberam forte cobertura dos noticiários na televisão.

Em um refrão comum entre os entrevistados, em relação à guerra Israel-Hezbollah, Sharon Schierloh, 62, operária aposentada de Ottawa, Ohio,
disse: "Deixem os israelenses cuidarem dos problemas em sua região.
Precisamos ficar fora disso, porque nossas tropas já estão muito espalhadas".

Se Bush e os republicanos não tiveram boas notícias na pesquisa, ao menos podem tirar alguns sinais de abatimento na tendência de queda em sua popularidade, a começar com os índices de aprovação de Bush ligeiramente melhorados.

Congressistas republicanos estão enfrentando o que parece ser um dos piores ambientes para um grande partido desde 1994 -quando eles assumiram o controle das duas câmaras das mãos dos democratas- e seguindo a regra geral, a sorte do presidente pode afetar a deles.

Dos pesquisados, 42% disseram ter opinião favorável do Partido Republicano, contra 37% em maio. Mas quando perguntados sobre como o Congresso estava tratando o emprego como um todo -uma questão cuja resposta tende a refletir as perspectivas para quem está no cargo- 28% disseram que aprovavam, uma alta em relação aos 23% em maio. Por outro lado, 58% disseram que não aprovavam.

Democratas saíram-se melhor, com 52% dos entrevistados dizendo que tinham opinião positiva do partido e 41% dizendo que tinham impressão negativa. E 45% dos eleitores registrados disseram que votariam nos democratas em seu distrito neste outono, contra 35% que favoreciam os republicanos.

Os democratas também pareciam ter apoio do público em várias questões importantes. Sua proposta de aumento do salário mínimo tem amplo apoio do público, de acordo com a pesquisa. No total, 85% dos entrevistados esposaram a proposta democrata de aumentar o salário mínimo nos próximos dois anos de US$ 5,15 por hora para US$ 7,25 (de cerca de R$ 11 para R$ 15,90), incluindo maiorias de republicanos e independentes. Moderados da Câmara que apóiam o aumento no salário mínimo estão prevalecendo sobre líderes mais conservadores para permitir uma votação do assunto.

Dos entrevistados, 49% disseram que aprovavam pesquisas médicas com células-tronco embriônicas. Bush usou seu poder de veto pela primeira vez em sua presidência na semana passada para rejeitar um projeto de lei que expandiria os fundos federais para tais pesquisas. Democratas receberam notas maiores pela forma como lidam com a economia, enquanto republicanos receberam notas maiores pela forma de enfrentar o terrorismo. Mais entrevistados hoje aprovam a forma como o presidente combateu o terrorismo do que desaprovam, uma mudança da última pesquisa do Times/CBS, quando o resultado foi igualmente dividido.

Entende-se, no entanto, que as opiniões sobre guerra e paz devem ter grande ressonância no outono. Mais de o dobro de muitos entrevistados -63% contra 30%- disseram que o Iraque não valeu as vidas e dólares americanos perdidos.

Apenas 25% dos entrevistados disseram que achavam a presença americana no Iraque tinha sido uma força estabilizadora na região, com 41% dizendo que tinha tornado o Oriente Médio mais estável.

No entanto, os entrevistados ficaram divididos se a invasão era ou não a coisa certa a fazer.

Metodologia

A amostra da pesquisa do New York Times/CBS News foi selecionada ao acaso por um computador, de uma lista completa de mais de 42.000 troncos residenciais em torno do país.

Em cada tronco, dígitos ao acaso foram acrescentados para formar um número telefônico completo, assim permitindo acesso a números que constam ou não da lista telefônica. Em cada lar, um adulto foi designado, por um procedimento ao acaso, para responder à pesquisa.

Os resultados levaram em conta o tamanho da casa, o número de linhas telefônicas na residência e a variação da amostra relacionada à região geográfica, sexo, raça, estado civil, idade e educação.

Em teoria, em 19 de cada 20 casos, os resultados gerais dessa amostra são diferentes em apenas três pontos percentuais, para mais ou para menos, dos resultados que seriam obtidos se todos os adultos americanos fossem ouvidos. Para subgrupos menores, a margem de erro é maior. As relações nos resultados entre pesquisas também têm um erro maior.

Além do erro de amostragem, as dificuldades práticas de conduzir uma pesquisa da opinião pública podem introduzir outras fontes de erro na pesquisa. A variação nas palavras e o ordenamento das questões, por exemplo, podem levar a diferentes resultados.

*Mariana Stefan e Marjorie Connelly contribuíram para este artigo e Michael E. Kagay de Princeton, Nova Jersey, colaborou para a análise da pesquisa Deborah Weinberg

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