UOL Notícias Internacional
 

01/08/2006

No Afeganistão, EUA transferem comando das forças para Otan

The New York Times
Carlotta Gall

em Cabul, Afeganistão
A Otan na segunda-feira (31/7) assumiu o comando das forças internacionais dos EUA no Sul do Afeganistão, onde a luta contra a insurgência do Taleban tornou-se mais mortífera do que em qualquer momento desde que as forças americanas derrubaram o movimento islâmico radical em 2001.

A mudança permitirá que os EUA transfiram mais de seus 22.000 homens no Afeganistão para a fronteira com o Paquistão, onde se acredita estarem refugiados os líderes do Taleban e da Al Qaeda, que continuam fazendo operações.

Também significará um papel militar muito maior para a força da Otan, que estará embarcando em uma das tarefas mais difíceis de seus 57 anos de história.

As forças da Otan estão no Afeganistão desde 2003, mas para manter a paz no Norte, que em geral está tranqüilo. Elas agora vão liderar a luta contra o Taleban, assim como combater chefões da droga que financiam os insurgentes.

Como se fosse para provar o desafio, um carro-bomba explodiu na província oriental de Nangarhar, matando oito pessoas e ferindo 16, enquanto generais da Otan e americanos presidiam uma cerimônia de bandeiras marcando a transferência do comando, em um hangar a quilômetros de distância, na base aérea de Candahar, no Sul.

Confrontos entre insurgentes e tropas da Otan e da coalizão liderada pelos EUA continuaram no final de semana, com um número de insurgentes mortos e capturados, segundo o Ministério de Defesa Afegão.

Antecipando a transferência, o Taleban aumentou sua campanha desde a primavera. Seus homens usaram carros-bomba, explodiram bombas caseiras, assassinaram autoridades locais, atacaram postos do governo e reuniram números ainda maiores de guerrilheiros para combater as forças internacionais.

Os ataques aterrorizaram os moradores. A falta de segurança no Sul impediu virtualmente qualquer projeto de desenvolvimento e de reconstrução e ajudou a voltar a população contra o governo afegão e seus patrocinadores estrangei ros.

As tropas canadenses, britânicas e holandesas, que formarão a principal parte das forças da Otan no Sul, agora enfrentarão o enorme desafio de mudar a situação.

O novo comandante da Otan, general David Richards do Reino Unido, vai comandar 18.000 soldados da Otan do Afeganistão.

O comandante da coalizão americana, general Karl Eikenberry, continuará no Afeganistão no comando de 18.000 soldados americanos, sob a bandeira da coalizão.

Os comandantes ressaltaram que a transferência ia aumentar a segurança e o compromisso internacional com o Afeganistão.

"Espero e acredito que o enorme significado desse renovado compromisso internacional não seja em vão para a maioria que deseja a paz, estabilidade e maior prosperidade que viemos aqui trazer", disse Richards em um discurso para um grupo seleto de autoridades do governo. "Essas milhões de pessoas não devem ser desapontadas", disse ele, de acordo com agências de notícias afegãs.

Eikenberry, que passou os últimos meses acalmando temores afegãos sobre a retirada das tropas americanas do Sul do Afeganistão, repetiu sua mensagem. "Os EUA não vão deixar o Afeganistão até que o povo afegão nos diga que o serviço está terminado", disse ele. "A guerra contra o terrorismo começou aqui no Afeganistão e continua hoje. Não podemos nunca esquecer isso."

A Otan terá soldados de 37 países sob seu comando na Força de Assistência de Segurança Internacional no Afeganistão, empregada nas regiões Norte, Oeste e Sul do país.

A Otan vai trazer milhares de soldados para o Sul do Afeganistão, centro do movimento Taleban, onde os rebeldes montaram vigorosa campanha neste ano.

As forças da Otan já encontraram resistência mais forte do que esperada enquanto se dirigiam para a área nos últimos meses. Até agora, neste ano, 68 soldados das forças internacionais morreram, na maior parte americanos, mas alguns canadenses e britânicos.

Até agora, o ritmo de baixas excede o de 2005, quando 86 soldados morreram no pior ano para as forças de coalizão desde que as tropas americanas invadiram o país, em 2001, porque o governo Taleban abrigava a Al Qaeda e Osama Bin Laden.

Richards disse que planeja fazer as coisas de forma diferente das forças lideradas pelos EUA e enfatiza a importância do desenvolvimento e da assistência às comunidades rurais. Mas primeiro ele tem que conseguir um mínimo de segurança. No momento, suas tropas ainda estão lutando pelo controle de vários distritos.

Em uma conferência com a imprensa, neste final de semana, o general disse que esperava montar zonas de segurança no Sul nos próximos três a seis meses. No entanto, acrescentou que a atual presença militar seria necessária por três a cinco anos e que uma presença militar estrangeira seria necessária no Afeganistão por 15 anos para assegurar a estabilidade.

Enquanto persegue seus objetivos, a Otan já foi acusada por autoridades da Comissão de Direitos Humanos Independente Afegã de causar mortes entre civis em ataques aéreos contra insurgentes. Em muitas áreas, a população é tão avessa ao governo que é até arriscado apoiá-lo.

O comando da Otan no Sul do Afeganistão também mudará a dinâmica regional com o vizinho Irã e o Paquistão, que foi acusado por diplomatas de não fazer o suficiente para impedir a infiltração de insurgentes talebans que estão usando o Paquistão como porto seguro.

Oficiais e diplomatas pedem cada vez mais ao Paquistão para tomar atitudes e prender líderes do Taleban, que eles dizem estar operando na província sem lei do Baluquistão, no Paquistão.

O principal porta-voz militar do Paquistão, general Shaukat Sultan, saudou o envio de tropas da Otan para o Sul do Afeganistão, dizendo que o Paquistão há muito pedia mais forças de segurança para deter a violência que ameaça toda a região.

"Quanto mais cedo a situação se estabilizar, melhor será para o Paquistão", disse ele em entrevista no final de semana.

O Paquistão aumentou a presença militar na região da fronteira sul em coordenação com a Otan, disse ele. Depois de uma reforma da segurança pelo presidente Pervez Musharraf, o país deteve 200 afegãos no último mês, entre eles alguns membros do Taleban. A expansão do papel da Otan permitirá aos EUA moverem algumas tropas do Sul do Afeganistão para o Leste onde está a maior parte dos 22.000 soldados americanos no Afeganistão, em províncias o longo da fronteira com o Paquistão.

Outros destacamentos das forças americanas estão em torno do país treinando o Exército Nacional Afegão ou em operações de combate ao terrorismo e de reconstrução. Cerca de 3.000 soldados americanos no Sul do Afeganistão devem se submeter ao comando da Otan na segunda-feira.

Outros 10.000 homens das forças americanas ficarão sob o comando da Otan no outono, quando a aliança assumir a segurança também da região Leste do país.

As operações de combate ao terrorismo vão continuar sob comando americano, que terão autoridade para operar em qualquer parte do Afeganistão sob um acordo com a Otan, disse o coronel Tom Collins, porta-voz militar americano.

A retirada de 3.000 soldados americanos do Afeganistão, anunciada pelo secretário de defesa Donald H. Rumsfeld na primavera, não se materializou, diante do aumento da violência.

A bomba que explodiu em Nangarhar matou cinco policiais e três civis adolescentes, disse Aimal Pardis, diretor do hospital público em Jalalabad, para onde os corpos foram levados.

Ele disse que 16 pessoas foram feridas, cinco seriamente. A bomba foi plantada em um carro da polícia e foi detonada quando os policiais saíam de uma mesquita no limite da cidade, depois de um culto memorial em homenagem a Younus Khalis, líder jihadi idoso que se opunha à intervenção americana no Afeganistão. Deborah Weinberg

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