UOL Notícias Internacional
 

02/08/2006

Israel amplia ofensiva por terra contra o Hizbollah no Líbano

The New York Times
Craig S. Smith e Steven Erlanger*

em Misgav Am, Israel
Israel enviou 7 mil soldados ao Líbano na terça-feira, marcando um aumento significativo em uma ofensiva por terra que visa afastar a milícia Hizbollah da fronteira antes que um cessar-fogo seja declarado e uma força multinacional seja enviada.

Os soldados, contando com apoio aéreo, de tanques e tratores blindados, entraram por quatro locais diferentes ao longo da fronteira, avançando até 7 quilômetros país adentro para enfrentar os combatentes do Hizbollah e destruir seus postos e infra-estrutura.

A imprensa libanesa noticiou que pelo menos um helicóptero com comandos israelenses pousou perto de Baalbek, no leste do Líbano, uma fortaleza do Hizbollah bem ao norte do Rio Litani, marcando uma invasão mais profunda, mesmo que limitada. A emissora de televisão do Hizbollah, a "Al Manar", disse que seus combatentes repeliram os soldados israelenses. Oficiais israelenses se recusaram a comentar.

Israel prosseguiu com sua prometida "suspensão parcial de atividade aérea" por 48 horas, como o exército a chamou, mas ocorreram várias surtidas. A força aérea realizou missões em apoio às tropas terrestres e atingiu alvos do Hizbollah que incluíram, segundo o exército, dois grupos de combatentes que estavam lançando foguetes, lançadores de mísseis, áreas de lançamento de mísseis, "rotas de acesso" no Vale de Bekaa que eram usados para trazer armas da Síria e "estruturas e quartéis do Hizbollah".

Pelo menos um caminhão suspeito de transportar armas foi bombardeado perto da fronteira síria, disse o exército israelense. Os libaneses disseram que ocorreram vários ataques aéreos na área, onde a estrada de Damasco cruza o Bekaa, especialmente na área xiita do vale conhecida como Hermil, onde uma picape que transportava botijões de gás de cozinha foi atingida por foguetes.

No norte de Israel, ônibus vermelhos e brancos de turismo chegaram à fronteira cheios de soldados que aguardavam por ordens há semanas. Eles penetraram no Líbano por corredores abertos por tratores, tanques e unidades de engenharia.

Ocorreram batalhas de casa em casa contra centenas de combatentes do Hizbollah nas cidades e aldeias libanesas próximas da fronteira, especialmente ao redor de Aita al Shaab, a nordeste de Shtula, onde combatentes do Hizbollah cruzaram a fronteira em 12 de julho, capturando dois soldados israelenses e matando oito, provocando este conflito que já dura 20 dias.

Ocorreram outras batalhas a oeste, ao redor de Al Taibe e Maroun al Ras, Adessa e Rab-e-Talatin, disse o exército israelense.

Pelo menos 3 soldados israelenses e mais de 20 combatentes do Hizbollah
foram mortos em períodos de combate pesado, segundo a televisão árabe e o exército israelense.

As emissoras de televisão por satélite árabes transmitiram imagens ao vivo de fumaça se erguendo das aldeias e havia som de fogo de armamento pesado.

Os soldados israelenses poderão avançar para o norte até o rio Litani, a 24 quilômetros da fronteira, disseram ministros do Gabinete após sua reunião, que terminou nas primeiras horas de terça-feira. Mas a intenção israelense agora parece ser liberar uma ampla faixa de terra ao longo da fronteira, na qual uma força internacional se posicionaria sem temer ter que combater o Hizbollah, disse um ministro do Gabinete.

Oficiais israelenses disseram que suspeitam dispor de um tempo limitado para atingir seus objetivos -talvez outra semana- e estavam tentando mapear sua meta final.

Se uma força internacional demorar a ser enviada ou não se materializar, disseram os oficiais, Israel provavelmente avançará até o Litani, que marca a "zona de segurança" no sul do Líbano que Israel deixou em 2000.

O primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, disse na noite de terça-feira: "Nós estamos no início de um processo político que no final levará a um cessar-fogo sob condições muito diferentes do que as anteriores".

Falando na cerimônia de formatura da National Security College, Olmert
disse: "O Estado de Israel está vencendo esta batalha e está conquistando feitos impressionantes, talvez sem precedentes".

Ele acrescentou: "Se a campanha militar acabasse hoje, nós já poderíamos dizer com certeza que a face do Oriente Médio mudou".

A condução da guerra por Olmert tem sido criticada por alguns israelenses como sendo lenta ou tímida demais, mas ele se defendeu.

"Esta ameaça não será o que era", ele disse sobre o Hizbollah. "Eles nunca mais poderão ameaçar este povo contra o qual disparavam mísseis. Este povo os derrotará."

Reunidos em Bruxelas, os ministros das relações exteriores da União Européia pediram "uma cessação imediata das hostilidades, seguida por um cessar-fogo sustentado". Os ministros pediram ao Conselho de Segurança da ONU que "se reúna rapidamente para definir a base política para um solução duradoura com a qual todas as partes concordem, uma pré-condição necessária para o envio de uma força internacional", para a qual, eles disseram, alguns países europeus forneceriam soldados caso as regras de engajamento forem definidas.

Mas Olmert e os israelenses disseram que não suspenderão o combate até que um pacote político esteja em vigor, incluindo a libertação dos soldados capturados e a formação de um força tampão que possa substituir o exército israelense dentro do Líbano sem deixar um vácuo que permita o reabastecimento ou reinfiltração do Hizbollah.

"Algumas poucas de nossas forças já estão ao longo da Linha Vermelha da
antiga zona de segurança e algumas já a ultrapassaram", disse o general de brigada Shuki Shachar, vice-comandante do comando do norte, se referindo ao Rio Litani. Outros oficiais disseram que as forças israelenses ao norte do Litani eram comandos, não unidades de infantaria combatendo em massa.

"Nós temos até o momento cerca de seis esforços transcorrendo dentro do
Líbano, do tamanho de brigada ou maior do que uma brigada em cada um, todos compostos basicamente de infantaria", disse o general aos repórteres durante uma coletiva de imprensa no quartel-general de comando em Safed. Uma brigada israelense contém de 900 a 1.600 soldados.

Outros oficiais de patente mais baixa disseram que o número total de
soldados atualmente dentro do Líbano era entre 5 mil e 7 mil, com
expectativa de aumentar ainda mais.

"A campanha por terra está se tornando crescendo a cada dia", disse Shachar.

Em uma cidade libanesa da fronteira, Kafr Kila, onde o fogo de artilharia foi pesado, os moradores disseram que tanques israelenses se aproximaram mas foram forçados a recuar. O exército israelense disse que não tinha informes de combates envolvendo tanques ao redor da aldeia, apesar das aldeias próximas terem sido atacadas.

Os combatentes do Hizbollah foram vistos recarregando seus estoques de
munição e preparando posições, informaram jornalistas dentro do Líbano,
acrescentando que os combatentes esperavam uma nova investida israelense após as 2 horas da madrugada de quarta-feira, quando chegar ao fim a pausa aérea de 48 horas.

Shachar disse que Israel já controla o Rio Litani com poder aéreo ou
artilharia em alguns lugares, e em outros, como onde o rio se aproxima da fronteira, com tropas terrestres. Ele disse que as forças armadas deixaram duas pontes sobre o Litani intactas -uma no leste, perto de Hasbayah, e outra a oeste, ao norte da cidade de Tiro- para permitir que as pessoas se deslocassem para o norte e a ajuda humanitária se movesse para o sul.

A crescente ofensiva israelense está atacando um inimigo relativamente
pequeno. Oficiais militares israelenses estimam a força de combate ativa do Hizbollah como sendo entre 2 mil e 3 mil homens, com Israel dizendo que já matou 250 a 300 deles.

"Não é fácil cumprir a missão, porque eles estão em pequenas equipes
espalhadas ao longo de uma grande distância", disse Shachar.

A missão, como descrita por um alto oficial militar, "ainda é a mesma que em Bint Jbail e Maroun al Ras", que é livrar uma faixa de território de três a cinco quilômetros de combatentes do Hizbollah, explosivos, minas, postos avançados, depósitos, quartéis e outras estruturas.

Na semana passada, o Gabinete convocou cerca de 30 mil reservistas, muitos dos quais se apresentaram às suas bases nesta semana para início do treinamento. Os reservistas serão usados em parte no Líbano e em parte caso a Síria, cujas forças armadas estão em alto alerta, opte por ampliar a guerra, disseram oficiais israelenses.

"Nós chegamos a um estágio onde temos que expandir a operação", disse o
ministro da Defesa, Amir Peretz, sem dar as dimensões da próxima fase.

Enquanto o mundo conversa sobre a nova força multinacional que será enviada ao Líbano, sua composição e regras de engajamento permanecem vagas. É preciso também levar em consideração a complexidade da política libanesa, que apresenta divisão sectária, e a influência dos principais patrocinadores do Hizbollah, a Síria e o Irã.

A contradição central é que, apesar de Israel e dos Estados Unidos
considerarem o Hizbollah com uma organização terrorista, a maioria dos
árabes e libaneses, apesar de não todos, considera seus membros como heróis que forçaram Israel a sair do sul do Líbano em 2000, após 18 anos de ocupação.

As últimas semanas basicamente transformaram a política libanesa,
marginalizando as forças democráticas apoiadas pelos Estados Unidos e
França -conhecidas como o grupo de 14 de Março- e fortalecendo o presidente Emil Lahoud, um forte aliado da Síria, e acima de tudo o presidente muçulmano xiita do Parlamento, Nabih Berri, que é o único contato oficial com o líder do Hizbollah, o xeque Hassan Nasrallah.

A ministra da Defesa da França, Michèle Alliot-Marie, disse em um entrevista publicada na terça-feira que qualquer força internacional deverá ter entre 15 mil e 20 mil soldados, muito mais do que a atual força da ONU posicionada lá, e ter regras de engajamento que permitam que seus soldados abram fogo se necessário.

"Ela deve ser crível e capaz de ser respeitada por todos", disse
Alliot-Marie. A França provavelmente será o país que fornecerá a base de qualquer força enviada ao sul do Líbano.

*John Kifner e Hassan M. Fattah, em Beirute, e Elaine Sciolino, em Bruxelas, contribuíram com reportagem para este artigo George El Khouri Andolfato

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