UOL Notícias Internacional
 

03/08/2006

Chovem foguetes do Hizbollah em Israel enquanto prossegue combate no Líbano

The New York Times
John Kifner e Warren Hoge*

em Beirute, Líbano
Os guerrilheiros do Hizbollah dispararam o maior número de foguetes até o momento contra Israel -mais de 200- na quarta-feira, enquanto milhares de soldados israelenses enfrentavam combates ferozes no Líbano e buscavam estabelecer uma zona tampão sob seu controle.

As batalhas transcorreram em meia dúzia de lugares e o primeiro-ministro de Israel, Ehud Olmert, prometeu que lutará até que uma força internacional se posicione no sul do Líbano.

Na ONU, França, Reino Unido e os Estados Unidos disseram estar se aproximando de um acordo para tal força. Diplomatas de todos os três países, que pediram para que seus nomes não fossem citados por não estarem autorizados a falar publicamente, disseram que convergiram para uma abordagem de duas resoluções.

A primeira resolução, esperada para os próximos dias, estabeleceria uma cessação das hostilidades e a base política para o futuro.

A segunda, que viria cerca de duas semanas após a primeira, criaria a zona tampão no sul e autorizaria uma força internacional para patrulhá-la, assim como estabeleceria os termos para um cessar-fogo sustentável, incluindo o desarmamento do Hizbollah, o estabelecimento das fronteiras do Líbano, o bloqueio da entrada de carregamentos de armas no país e a afirmação da autoridade do exército libanês sobre todo o território do país.

Em questão estava que força militar permaneceria na zona tampão para manter a trégua após a aprovação da primeira resolução. As duas opções mais prováveis eram uma versão ampliada da força existente da ONU ou tropas israelenses que permaneceriam até a chegada da nova força internacional, disseram os diplomatas.

Ambas as opções poderão enfrentar forte resistência, a primeira de Israel, que considera a força existente impotente, e a segunda do Líbano e outros, descontentes com uma autorização para que soldados israelenses permaneçam no sul do Líbano.

Em uma série de entrevistas na quarta-feira, Olmert disse que a
infra-estrutura do Hizbollah agora está "totalmente destruída" e que cerca de 770 centros de comando e controle foram atingidos e tirados de ação.

Enquanto ele falava, combatentes furtivos do Hizbollah, se movendo
rapidamente entre aldeias destruídas e bunker subterrâneos, cobriram Israel com a maior barragem de foguetes nos 22 dias de guerra.

Enquanto a artilharia israelense atacava a aldeia libanesa de Kafr Kila, separada da cidade israelense de Metulla apenas por uma cerca de metal, na metade da manhã ouviu-se um repentino som vindo do alto enquanto mais de uma dúzia de mísseis partia de algum ponto nas colinas rochosas a noroeste de Merj' Uyun na direção de Israel.

Um israelense foi morto por um foguete e dezenas de outros ficaram feridos. Um míssil de maior alcance atingiu a Cisjordânia ocupada, o ponto mais distante atingido por um disparado do Líbano.

Apesar dos últimos dois dias terem sido relativamente
tranqüilos -aparentemente em reação à pausa anunciada nos ataques aéreos israelenses- o recorde anterior de 156 foguetes foi estabelecido no domingo.

Na incursão mais ousada até o momento, um helicóptero transportando comandos israelenses penetrou cerca de 100 quilômetros no Líbano no meio da noite de terça-feira, atacando um hospital financiado por dinheiro iraniano em Baalbek, uma fortaleza do Hezbollah no Vale de Bekaa, perto da fronteira com a Síria.

O general de exército Dan Halutz, o chefe do Estado-Maior israelense, disse aos repórteres que o ataque visava mostrar que Israel é capaz de atacar em qualquer lugar no Líbano.

Ele disse que os comandos visavam uma "base logística remota" operada pelo Hizbollah, onde "alguns de seus líderes" se encontravam e que soldados israelenses capturaram cinco membros do Hizbollah e mataram mais de 10.

No Líbano, havia especulação de que o ataque visava capturar um proeminente líder local do Hizbollah, Mohammed Yazbek, que é o representante pessoal do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei. Os moradores locais disseram que a comitiva dele passou por ali antes do ataque.

O hospital estava repleto de buracos de bala na tarde de quarta-feira e
carros queimados e os restos de granadas e cápsulas de munição testemunhavam o violento confronto.

Os moradores locais disseram que pelo menos 15 civis foram mortos durante os ataques aéreos israelenses que forneceram cobertura para os comandos, incluindo sete membros de uma família pega no quintal de sua casa. Uma empilhadeira foi usada para transportar os mortos e os presentes na procissão fúnebre carregavam fotos do líder do Hizbollah, o xeque Hassan Nasrallah.

Grande parte do sul do Líbano era um cenário de destruição na quarta-feira, com fumaça se erguendo das aldeias atacadas, das estradas cheias de crateras e repletas de carros arruinados. Os soldados israelenses, incluindo pára-quedistas, avançaram menos de sete quilômetros no Líbano, encontrando forte resistência dos guerrilheiros, que montam emboscadas e disparam de posições escondidas.

A investigação das forças armadas israelenses do bombardeio no domingo a um prédio na aldeia de Qana, no sul do Líbano, que matou mais de duas dúzias de civis, admitiu o erro mas acusa que guerrilheiros do Hizbollah usaram civis como escudos humanos para seus ataques com foguetes, informou a agência de notícias "Associated Press", citando uma declaração feita na terça-feira. A declaração que resumia as conclusões da investigação disse que Israel não sabia que havia civis no prédio. Ela disse que mais de 150 foguetes foram disparados de Qana e arredores desde 12 de julho, quando começou o atual conflito.

Olmert afirmou em várias entrevistas que a ofensiva estava degradando
severamente a capacidade militar do Hizbollah.

Mas no Líbano, um especialista na milícia disse que a descrição de Olmert de uma estrutura militar formal, tradicional, não se encaixa na forma como o Hizbollah foi organizado.

"A estrutura de comando do Hizbollah -me mostre uma", disse Timor Goksul, um consultor veterano para as forças de paz da ONU no sul do Líbano e atualmente um professor universitário aqui. "Ele não funciona desta forma. Há três comandos regionais que têm plena autonomia, e sob eles distritos e então células nas aldeias, com um máximo de 20 homens."

"Eles sabem seu trabalho", ele disse. "Seus uniformes, suas armas, estão em uma caverna em algum lugar. Eles realizam seu trabalho e então vão para casa assistir televisão."

Olmert, em suas várias entrevistas, afirmou que os ataques israelenses
atingiram a meta de isolar o Hizbollah do restante da população libanesa ao provocar grandes danos que seriam atribuídos às suas táticas. Houve, de fato, uma crítica inicial por parte de muitos libaneses, mas isto parece ter passado devido ao caos causado pelo ataque israelense.

Em um evento que seria impensável poucos meses atrás, neste país onde a
política está vinculada às divisões religiosas, o patriarca da Igreja
Católita Maronita -o líder espiritual da população mais pró-Ocidente-
convocou uma reunião nesta semana dos líderes religiosos de várias outras comunidades -muçulmanos xiitas e sunitas e várias outras denominações cristãs- que resultou em uma declaração de solidariedade e fotografias nos jornais de quarta-feira.

A declaração conjunta deles, condenando a "agressão" israelense, saudou "a resistência, principalmente liderada pelo Hizbollah, que representa uma das seções da sociedade".

Mesmo o exército libanês, que não tem se envolvido nas batalhas, está
sofrendo baixas. Um ataque aéreo israelense contra uma base perto de Sidon matou três soldados libaneses na quarta-feira, aumentando para 24 o número de soldados mortos durante o conflito.

As negociações na ONU se concentraram em uma proposta que se originou em Washington, segundo um alto funcionário americano.

A França e os Estados Unidos estão divididos sobre se um acordo político entre Israel e o Hizbollah deve ser obtido antes ou após a entrada da força internacional. A abordagem de duas resoluções parece oferecer uma forma de atingir os objetivos de ambos os países ao prescrever forças separadas para momentos diferentes.

Pela segunda vez nesta semana, a ONU adiou na quarta-feira um encontro de países que poderiam contribuir com soldados para uma nova força de
estabilização pós-conflito no sul do Líbano. A França já tinha anunciado que não participaria da sessão, marcada para quinta-feira, dizendo ser cedo demais para discutir a composição de uma força.

"Parece claro que continua prematura a realização de tal reunião devido à ausência de um acordo em torno de uma estrutura política para colocar um fim ao conflito", disse Ahmad Fawzi, um porta-voz da ONU. "Se não há um mandato, como é possível decidir que tipo de força é preciso?"

A resolução francesa até agora tem sido motivo de negociações envolvendo apenas o Reino Unido e os Estados Unidos. Os dois outros membros permanentes, China e Rússia, e os outros 10 países do Conselho de Segurança, receberam informes sobre a medida na terça-feira.

*Reportagem de John Kifner, em Beirute, Líbano, e Warren Hoge, na ONU.
Richard A. Oppel Jr., em Metulla, Israel; Hassan M. Fattah, em Baalbek,
Líbano; e Jad Mouawad, em Kafr Kila, Líbano, contribuíram com reportagem para este artigo George El Khouri Andolfato

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