UOL Notícias Internacional
 

04/08/2006

Mísseis do Hizbollah matam 12 enquanto Israel prepara avanço no Líbano

The New York Times
Richard A. Oppel Jr. e Steven Erlanger*

em Maalot-Tarshiha, Israel
A milícia libanesa Hizbollah matou 12 israelenses -oito civis e quatro
soldados- na quinta-feira, o tornando o dia mais mortal para Israel em mais de três semanas de conflito.

Enquanto as tropas israelenses tentavam criar uma estreita zona tampão dentro do Líbano e bombardeavam o sul de Beirute, o líder do Hizbollah, o xeque Hassan Nasrallah, alertou que poderia disparar seus mísseis de longo alcance contra Tel Aviv, caso os israelenses prossigam com os ataques aéreos.

"Se bombardearem nossa capital Beirute, nós bombardearemos a capital de sua entidade usurpadora", ele disse na televisão libanesa. "Nós bombardearemos Tel Aviv." Mas ele também ofereceu suspender a barragem de mísseis do Hizbollah contra Israel caso o país suspenda o bombardeio ao Líbano.

O ministro da Defesa israelense, Amir Peretz, disse ao exército para iniciar os preparativos para um avanço até o Rio Litani, a cerca de 25 quilômetros ao norte de fronteira, segundo o jornal "Haaretz", uma ação que poderá exigir uma nova convocação de reservistas. Isto expandiria a zona de segurança que Israel está tentando criar. Mas não está claro se ele receberá aprovação do governo para isto.

O Hizbollah lançou mais de 100 foguetes contra o norte de Israel em menos de uma hora, com grande parte dos estragos ocorrendo na faixa oeste, em Maalot, sua aldeia árabe-israelense associada de Tarshiha e na cidade israelense de Acre.

Cinco israelenses, incluindo um homem e sua filha, morreram em Acre e outros três, homens jovens árabes-israelenses, morreram quando um foguete explodiu em Tarshiha. Treze pessoas ficaram gravemente feridas. Autoridades de segurança libanesas disseram que um míssil israelense matou uma família de três pessoas em Taibeh, uma aldeia na fronteira.

Em Gaza, as forças israelenses mataram cinco militantes palestinos e três civis, incluindo um menino de 12 anos, em combates nos limites da cidade de Rafah, no sul, enquanto soldados israelenses procuravam por túneis entre o Egito e Gaza.

Aviões israelenses atacaram novamente uma fortaleza do Hizbollah no sul de Beirute, no Vale de Bekaa e em Nabatiye, enquanto quatro soldados israelenses morreram e quatro ficaram feridos em ferozes combates intermitentes. Três foram atingidos por um míssil antitanque disparado por combatentes do Hizbollah perto da aldeia de Rajmin, no sul, e um foi morto por um míssil antitanque em Taibe, disseram as forças armadas israelenses.

Os israelenses disseram que tomaram novas posições ao longo da fronteira e agora controlam cerca de 20 aldeias.

Os israelenses estão tentando criar uma nova linha defensiva a cerca de seis ou oito quilômetros ao norte da fronteira, recriando uma zona de segurança que Israel pretende ocupar até que uma força multinacional possa assumir seu lugar. A zona é semelhante àquela que Israel mantinha em uma ocupação que terminou em 2000. O governo está debatendo se estende tal zona mais ao norte, até o Rio Litani.

O major Zvika Golan, um porta-voz do comando do norte, disse que a zona será expandida. "Nós pretendemos avançar 15 quilômetros Líbano adentro nos próximos dias", ele disse. "Nós precisaremos de mais brigadas, provavelmente mais duas, e isto dependerá de autorização do governo."

A adição de mais duas brigadas poderia elevar o número de soldados israelenses no Líbano para mais de 12 mil.

Mas as tropas israelenses estão encontrando forte resistência dos
combatentes do Hizbollah, a ponto de um oficial militar israelense, que não estava autorizado a falar publicamento, ter dito que o fato está ensinando uma "lição" às forças israelenses sobre a determinação, habilidade e disciplina do guerrilheiros.

O primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, disse em um discurso
televisionado para uma reunião de emergência da Organização da Conferência Islâmica, na Malásia, que o número de mortos já chega a 900 pessoas, o de feridos a 3 mil e que mais de 1 milhão de pessoas, um quarto da população do Líbano, foram deslocadas. Ele disse que um terço dos mortos é de crianças com menos de 12 anos.

O número de mortos de Siniora, assim como do Ministério da Saúde libanês, parece incluir os dos desaparecidos e não apenas as 548 mortes confirmadas, segundo a agência de notícias "The Associated Press". A ONU estimou na semana passada que 500 mil libaneses foram deslocados.

Na ONU, França e Estados Unidos intensificaram as negociações em torno do texto de uma resolução do Conselho de Segurança pedindo pelo fim das
hostilidades e o estabelecimento de um caminho para um acordo político.
Diplomatas disseram que as conversações se concentraram em duas questões que demorarão para ser resolvidas.

Uma, segundo Jean-Marc de la Sablière, o embaixador francês, é como
caracterizar a suspensão do combate. Uma resolução esboçada pela França pede pela "cessação imediata das hostilidades", enquanto os americanos estão insistindo em uma medida mais ampla. A outra é a natureza da força no sul do Líbano assim que a trégua tiver início. A resolução francesa sugere que poderia ser composta da força da ONU atual e do exército libanês. Os americanos defendem a proposta de Israel de deixar sua própria força militar lá com algumas restrições ao seu poder de executar operações ofensivas, mas com o direito de responder caso seja atacada.

Segundo este plano, as tropas israelenses só partiriam com a chegada de uma nova força internacional. Tal força seria autorizada por uma resolução subseqüente, que também criaria uma zona tampão no sul do Líbano, estabeleceria uma forma de desarmar a milícia Hizbollah, estabeleceria as fronteiras do Líbano e estenderia a autoridade do exército libanês por todo o sul.

Uma dificuldade será convencer o Hizbollah a aceitar qualquer resolução da ONU. Seu porta-voz chefe, Hussein Rahal, disse que o Hizbollah não
concordará com um cessar-fogo até que todas as tropas israelenses deixem o Líbano, uma condição inaceitável para Israel.

"A declaração de um cessar-fogo não á preocupação do povo do Líbano enquanto houver um soldado israelense em solo libanês", ele disse para a TV "Al Jazeera". "É o direito de todo libanês combater até a liberação."

Aeronaves israelenses despejaram panfletos em partes do sul de Beirute na quinta-feira, alertando os moradores a partirem imediatamente, sinalizando ataques iminentes contra os bairros atingidos.

"Faça isto!", alertava o folheto.

Em sua aparição na televisão, Nasrallah falou em um tom moderado,
ocasionalmente espiando para anotações diante dele, flanqueado por uma
bandeira libanesa de um lado e a bandeira amarela do Hizbollah do outro.

"Vocês são vítimas, assim como os povos libanês e palestino, de um complexo de personalidade do seu primeiro-ministro Olmert", ele disse, se dirigindo diretamente à população israelense. "A única escolha diante de vocês é parar sua agressão e buscar negociações para encerrar esta insesatez."

"Façam o que fizerem", ele disse aos israelenses, "mesmo se ultrapassarem o Litani e chegarem a Beirute, vocês nunca atingirão suas metas".

Os libaneses escutaram atentamente ao discurso, que durou mais de 30
minutos. Em Dour el Shair, muitos se espremiam ao redor dos televisores em cafés, ouvindo silenciosamente.

E ele acusou os Estados Unidos de cumplicidade nos ataques de Israel,
dizendo, "o sangue das mulheres e crianças e civis mancham os rostos de
Bush, Condoleezza Rice, Cheney e Rumsfeld. Este é o governo americano que supostamente é amigo do Líbano e deseja tornar o Líbano um país democrático exemplar".

Os oito civis israelenses mortos representaram o mais alto número de vítimas fatais israelenses de um ataque de foguete desde que oito pessoas foram mortas na cidade portuária de Haifa, em 16 de julho.

A barragem de foguetes do Hizbollah -120 por dia- exibiu a capacidade da milícia de manter o norte de Israel paralizado. Os foguetes fizeram carros brecarem fortemente, enquanto seus motoristas corriam em busca de abrigo em valas ao som das explosões. Fumaça se erguia sobre Maalot-Tarshiha e em uma floresta próxima.

Tarshiha é uma aldeia de 4 mil árabes-israelenses, tanto muçulmanos quanto cristãos, legalmente ligada à cidade judia de Maalot, que contém cerca de 20 mil habitantes, metade deles imigrantes da ex-União Soviética. Os três jovens, todos árabes-muçulmanos, foram mortos quando um foguete caiu próximo de uma rocha onde se abrigavam.

"Eles tinham acabado de estacionar para ir ao trabalho", disse o capitão Gabby Elyahu da polícia de fronteira israelense, enquanto permanecia próximo da cratera de 30 centímetros de profundidade deixada pelo foguete. "Eles saíram do carro, se esconderam atrás da rocha e foram mortos." Em Milya, uma aldeia árabe cristã próxima, pelo menos 10 pessoas sofreram ferimentos leves quando foguetes caíram na tarde de quinta-feira, disse o prefeito, Fathi Assaf.

Em Acre, cinco pessoas morreram ao saírem de um abrigo para olhar ao redor após uma onda inicial de foguetes. Entre os mortos estavam Shimon Zaribi, 44 anos, e Mazal, sua filha de 16 anos. Um corpo jazia no gramado da frente, ao lado de uma pequena cerca de pedra com uma cerca branca de madeira no topo, coberto com um cobertor. Os médicos levaram o outro corpo em uma maca.

"As pessoas estão entocadas em abrigos", disse o prefeito de Acre, Shimon Lancry, para a televisão israelense. "É difícil, mas as pessoas entendem que os soldados ainda estão lutando no Líbano e que superaremos este período."

A área no sul de Beirute atacada por Israel está no centro da presença do Hizbollah na cidade. Grande parte da área esta deserta, uma ruína de prédios destruídos e carros e caminhões incendiados. Parte dos escombros ainda estava fumegando ao meio-dia. A maioria dos moradores fugiu deixando apenas pequenos grupos de homens -seguidores fiéis do Hizbollah em trajes civis- reunidos nas esquinas das ruas.

O exército israelense também divulgou as conclusões de sua investigação
sobre o bombardeio em Qana, no domingo, que resultou na morte de 29 civis que se abrigavam no porão de uma casa. Os israelenses, em um anúncio breve, disseram que mais de 150 foguetes foram lançados desde 12 de julho "de dentro da aldeia de Qana e de suas imediações" e repetiu que "os moradores de Qana e das aldeias vizinhas foram alertados várias vezes, de várias formas, a evacuarem". O relatório não afirmou que os foguetes foram lançados antes do bombardeio.

O relatório disse que o exército não sabia que havia civis no prédio. "Se informação indicasse que civis estavam presentes no prédio, o ataque não seria realizado", ele disse. O exército disse lamentar a perda de vidas.

*John Kifner e Hassan M. Fattah, em Beirute, e Warren Hoge, na ONU,
contribuíram com reportagem para este artigo George El Khouri Andolfato

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