UOL Notícias Internacional
 

07/08/2006

Vinho rosé é sucesso no verão norte-americano

The New York Times
Julia Chaplin e Sia Michel
Era o feriado de Quatro de Julho em Montauk, no Estado de Nova York, e Ben Watts, DJ e fotógrafo, atuava como anfitrião da sua festa anual na praia em Ditch Plains, uma área popular entre os surfistas. Embora houvesse muita gente usando hoodies (espécie de suéter com capuz) em volta de uma fogueira, não se tratava de uma festa humilde. Watts colocava no aparelho de som rocks e hip-hops da década de 1980 para uma multidão que incluía Russel Simmons; Sean MacPherson, dono do Maritime Hotel e do restaurante Park, em Manhattan; o estilista de Hollywood Philip Block, e a atriz Naomi Watts, a irmã de Ben.

Christopher Smith/The New York Times 
Vinho rosé é nova estrela entre famosos nos Estados Unidos

















Pelo menos uma dúzia de convidados saboreava um vinho rosé suave de uma garrafa. Tratava-se do Domaines Ott, um rosé francês que custa cerca de US$ 30 a garrafa. Graças a MacPherson, que sempre reserva várias caixas para o final de semana, esta se tornou a bebida não oficial do evento de Ditch Plains, tão comum que os participantes se referiam a ela como "DO" e "the Ott".

"Na minha opinião, este vinho tem o sabor do sul da França no verão, e as pessoas deveriam contar com uma reserva ilimitada dele", afirmou MacPherson.

Os vinhos rosés, que durante muito tempo foram desprezados como sendo muito doces, muito róseos e muito baratos, experimentaram um aumento de qualidade nos últimos anos, tendo sido adotados por chefs e connoisseurs. Mas um novo grupo de fãs emergiu: conhecedores que freqüentam clubes noturnos e os formadores de gostos e tendências, que procuram estoques de vinho rosé para festas e pedem a bebida quando estão fora de Nova York.

"O vinho rosé substituiu o prosecco e o cosmos como o novo drinque chique", explica Ken Friedman, dono do Spotted Pig, um restaurante de Greenwich Village freqüentado por celebridades, e que oferece cinco rosés na sua carta de vinhos.

Na casa de bebidas Union Square Wine & Spirits, em Manhattan, a demanda por vinho rosé aumentou cerca de 30% no ano passado, e entre 100% e 150% nos últimos quatro anos, afirma Jesse Salazar, o diretor de vinhos da loja.
"Muita gente nova está comprando vinho rosé", afirma ele, acrescentando que muitos homens não se sentem mais embaraçados ao serem vistos bebendo um vinho rosado. "Os homens está levando vinho rosé para festas noturnas e churrascos de fim de semana. Eu costumo colocar vinho rosé em uma garrafa vazia de Gatorade e bebê-lo no parque".

Há muito tempo um produto de consumo de verão popular na Provença, onde é apreciado por todos, de socialites a trabalhadores da construção civil, o vinho rosé se tornou popular pela primeira vez nos Estados Unidos durante as décadas de 1960 e 1970, com marcas portuguesas doces, borbulhantes e baratas como Mateus e Lancers.

Mas como era freqüentemente produzido com uvas colhidas para outros vinhos, e devido ao fato de não passar por envelhecimento, o rosé costumava ser considerado menos confiável do que os tintos e os brancos. No entanto, nos últimos anos, as vinícolas de todo o mundo passaram a colher uvas especificamente para a produção do vinho rosé, e a qualidade do produto aumentou.

"Eu detestava vinhos rosés", conta Alex Kapranos, líder da banda de rock Franz Ferdinand e colaborador de uma coluna de gastronomia do jornal "The Guardian", em Londres. "O rosé era considerado uma bebida noturna do tipo Blue Nun para secretárias, e isso fazia com que eu a desprezasse. Mas, alguns anos depois, tomei uma garrafa bem fria em uma noite quente, e a experiência foi maravilhosa".

Mesmo assim, a velha reputação foi difícil de abalar. Jay McInerney, o colunista de vinhos da House & Garden, comparou o rosé aos romances de Jackie Collins e aos filmes de Jerry Bruckheimer na sua coluna de agosto.
"Havia uma sensação de que o vinho rosé não poderia ser sério", disse McInerney, um fã dos rosés que tenta promover o renascimento deste vinho há anos. "As pessoas temiam ser consideradas grosseiras caso tomassem vinho rosé. Ele não é vermelho, e não é branco. O pessoal não sabia o que fazer com ele".

Mas, atualmente, entre um certo grupo de avaliadores de tendências globais, pedir um vinho rosé é um gesto que denota conhecimento. Pedir um provençal rosé como o Domaine Tempier pode ser uma chave para o reconhecimento em Saint Tropez ou Cap d'Antibes, onde os vinhos rosés acompanham os almoços à beira-mar. Até mesmo Pamela Anderson, nos dias que antecederam o seu casamento com Kid Rock, em Saint Tropez, foi flagrada em fotos de paparazzi em um iate com uma taça de vinho rosé na mão. "O sul da França tem um lugar reservado no coração e na psique das pessoas como o supra-sumo do jet-set", afirma Jennifer Rubell, autora de "Real Life Entertaining". "Pedir uma garrafa de vinho rosé nos Estados é um sinal sutil de que o indivíduo faz parte daquele mundo".

Os devotos elogiam este vinho de leve sabor refrescante, que complementa os alimentos e que é melhor quando servido bem frio, ou até mesmo gelado. Os recém-convertidos dizem que podem bebericar o vinho rosé a noite toda sem ficarem embriagados ou padecerem de ressaca no dia seguinte.

"Muitos amigos meus não querem cair na vodka e passar mal no outro dia", diz Greg Krelenstein, da MisShapes, um grupo de três influentes DJs e promotores de festas de Manhattan, que provaram o vinho rosé pela primeira vez neste verão. "E todos deixaram de lado os 'speed drinks' como o Spark. Eu comprei vinho rosé para os colegas, e eles adoraram beber algo que não os deixa ensandecidos como a tequila".

Em uma noite de terça-feira no final de julho, o vinho rosé fluía nos restaurantes do centro de Manhattan, incluindo o Freemans, o Lil' Frankie's, o Uovo, o Grape and Grain e o Little Giant.

E, segundo Friedman, o vinho mais pedido no Spotted Pig é o Domaines Ott, que se tornou o rosé mais pedido desde que foi comprado pela Champagne Louis Roederer, a fabricante da Cristal Champagne, dois anos atrás.

A distribuição do rosé se expandiu de seis para 50 Estados, e as vendas aumentaram 150% neste ano nos Estados Unidos, afirma Xavier Barlier, o vice-presidente de marketing e de comunicação da Maisons Marques & Domaines, a importadora e distribuidora norte-americana do Domaines Ott.

E pelo menos de acordo com aqueles que o compram e servem, este vinho se constitui na marca de rosé mais reconhecível, o mais vendido tanto na Sherry-Lehmann, na área de Upper East Side em Manhattan, quanto na Union Square Wine, onde o estoque do produto estava esgotado ao final de julho.

"O Domaine Ott é o equivalente da calça jeans 501 no universo dos vinhos rosés", opina MacPherson, o hotelier, que descobriu o rosé 20 anos atrás, quando passava férias na Riviera. "É uma marca popular que fica a cada dia mais famosa", diz Friedman, que faz uma analogia com a forma como as roupas de Tommy Hilfiger se tornaram famosas no universo do rap.

"Custando o dobro da maioria dos rosés, este vinho está longe de ser uma pechincha", observa Lettie Teague, editora executiva da seção de vinhos da revista "Food & Wine". "Um vinho rosé caro é uma contradição. O Domaines Ott é bom, mas não é tão significativamente melhor do que outros vinhos que são US$ 10 mais baratos ou que custam a metade do preço. O Domaines Ott é um bom vinho para aqueles que não estão psicologicamente preparados para tomar um rosé, pelo fato de ser caro e contar com uma embalagem muito bonita".

Ela recomenda o Castello di Ama, da Toscana, que custa cerca de US$ 15, e o Muga, da Espanha, vendido por aproximadamente US$ 11.

Talvez a melhor coisa com relação aos rosés seja o fato de, não importa o quanto se tornem populares, a sua fama jamais se estender para além da estação para a qual são propícios. Quando a temperatura abaixa, ele desaparece graciosamente de cena.

"Segundo a regra existe uma exclusividade do vinho rosé durante todo o verão, até o final da estação, por volta do final de setembro", explica MacPherson. "Por esta ocasião, estamos todos tão curtidos pelo rosé que ficamos mais do que satisfeitos m deixá-lo descansando na adega por um tempo". Danilo Fonseca

Siga UOL Notícias

Tempo

No Brasil
No exterior

Trânsito

Cotações

  • Dólar comercial

    16h59

    -0,31
    3,266
    Outras moedas
  • Bovespa

    17h20

    1,60
    62.662,48
    Outras bolsas
  • Hospedagem: UOL Host