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08/08/2006

Fechamento do maior campo de petróleo do Alasca gera alta de preços

The New York Times
Clifford Krauss e Jeremy W. Peters
A BP começou a fechar o maior campo de petróleo do país na segunda-feira (07/8), depois de detectar séria corrosão e pequeno vazamento em um duto crítico em sua operação da baía de Prudhoe, no Alasca. A nova crise elevou os preços do petróleo cru para US$ 77 por barril.

A empresa disse que levaria de três a cinco dias para fechar o sistema de dutos que serve à baía de Prudhoe na região chamada North Slope. A BP disse que não podia estimar quanto tempo o sistema ficaria fechado enquanto substituía 25 km de tubos de alimentação que conectam o campo da baía de Prudhoe ao Oleoduto Trans-Alasca.

Bob Malone, presidente da BP America, disse em uma conferência com a imprensa em Anchorage que a empresa ia procurar uma forma de conseguir produzir transportar ao menos algum petróleo, rápida e seguramente, para limitar o impacto sobre o suprimento de petróleo da nação. Ele emitiu um pedido público de desculpas.

O campo da baía de Prudhoe produz 400.000 barris por dia, ou 8% do cru americano. Os outros 380.000 barris por dia da região de North Slope não serão afetados pelo fechamento.

A interrupção da produção deve atrapalhar a economia do Alasca por meses, se não mais. A Califórnia e o resto da costa Oeste também podem sofrer danos econômicos, pois suas refinarias são projetadas para processar o cru do Alasca.

Em um tempo de turbulência no Oriente Médio e de ameaça do Irã de usar o petróleo como arma política, a notícia do Alasca forçou um aumento do preço do barril para entrega em setembro em US$ 2,24, ou 3%, para US$ 77 por barril. Apesar de ser perto do recorde, o valor ainda está abaixo do maior ajustado pela inflação, de cerca de US$ 85 por barril, atingido em 1981. Os efeitos do grande salto do preço do petróleo foram vistos no mundo todo na segunda-feira, com ações em queda na Europa e nos Estados Unidos.

Os preços da gasolina na bomba começaram a aumentar em até US$ 0,05 (em torno de R$ 0,11) por galão em algumas cidades. Analistas previram um aumento adicional de ao menos outros US$ 0,05 nos próximos dias, particularmente na Costa Oeste.

Daniel Yergin, presidente da Cambridge Energy Research Associates, disse que o fechamento no Alasca não teria sido um grande problema, mas que "é uma interrupção em cima de várias outras que atualmente estão afligindo os mercados de petróleo na Nigéria, Iraque, Venezuela e a produção ainda está prejudicada no Golfo do México. Os números estão começando a se somar."

A descoberta da corrosão do oleoduto e o fechamento para reparos de emergência são o mais recente dos contratempos sofridos pela BP, que tem base em Londres mas cujas operações nos EUA são maiores do que as da Exxon Móbil.

Enquanto isso, o Congresso está debatendo se deve expandir a perfuração de petróleo na região. A Câmara recentemente aprovou a perfuração para petróleo e gás no Refúgio Nacional Ártico de Vida Selvagem, mas o Senado permaneceu relutante por preocupações ambientais. As companhias de petróleo agora talvez tenham maior dificuldade em acalmar os legisladores.

A descoberta da corrosão no duto pegou a BP de surpresa, e na segunda-feira a empresa ainda estava tentando determinar a causa e reavaliado a forma como conduz inspeções ao longo da linha.

"Não temos como explicar", disse Ronnie Chappell, um porta-voz da BP. A prática da empresa na baía de Prudhoe era verificar as seções do tudo mais propensas à corrosão.

"Acreditávamos que este programa estava dando uma visão precisa do que estava ocorrendo nos oleodutos", disse Chappell. "Mas a descoberta desta corrosão inesperadamente severa neste segmento particular da linha nos fez repensar isso."

Chappell disse que, desde 1992, os dutos onde a corrosão foi detectada não eram inspecionados com um "porco inteligente", um instrumento que viaja por dentro dos tubos para medir a grossura das paredes. O instrumento não vinha sendo utilizado porque os dutos estavam entupidos demais para que pudesse passar com facilidade.

No entanto, depois de um importante derramamento em março na mesma rede de dutos, o Departamento de Tranportes exigiu inspeções com o "porco inteligente". Os testes revelaram que o aço tinha sido corroído em 12 locais no lado leste da baía de Prudhoe, para uma grossura inferior à considerada segura pela BP.

Nessas áreas, os testes revelaram perdas na grossura das paredes de 70 a 81%, segundo a empresa. Em uma área, o equivalente de quatro ou cinco barris já tinham vazado do oleoduto devido à ferrugem. A empresa disse que os vazamentos tinham sido contidos e que os trabalhadores estavam no processo de aspirar o material da tundra.

Dos 25 km do duto da baía de Prudhoe, 16 ainda têm que ser inspecionados, gerando a possibilidade de detecção de outros pontos com corrosão severa.

Um trecho de 10 km do oleoduto da BP do campo de Lisburne, perto da baía de Prudhoe, não foi afetado pelo fechamento e permanece operacional.

Como a empresa não tem certeza de quanto tempo vai levar para fazer os reparos, é difícil estimar o custo total do fechamento de emergência. A empresa disse que ainda não conduziu uma análise para determinar o impacto financeiro da medida.

O vazamento também prejudicou a imagem da BP, cujo marketing vinha tentando transmitir que a empresa é sensível ao meio ambiente e comprometida em ajudar a mitigar as mudanças climáticas. Executivos da BP rapidamente admitiram as dimensões de seu novo problema, que veio depois de uma explosão fatal em uma refinaria no ano passado no Texas e um derramamento de 270.000 galões na North Slope em março. Esse vazamento, o pior desde que a produção foi iniciada no local, resultou em ação criminal federal.

"A BP lamenta profundamente ter sido forçada a tomar essa ação drástica.
Peço desculpas pelo impacto que teve em nossa nação e ao grande Estado do Alasca", disse Bob Malone, presidente da BP America, em conferência com a imprensa.

A BP disse que estava estudando a possibilidade de operar porções dos dutos para reduzir a interrupção, mas não está claro se conseguirá.

O campo da baía de Prudhoe foi descoberto em 1968 e começou a produzir cerca de 10 bilhões de barris em 1977. A BP opera o campo e nove outras empresas têm participações, inclusive a ConocoPhillips e Exxon Móbil. A ConocoPhillips estima que perderá 144.000 barris por dia em produção de petróleo cru, mas disse que ainda não sabia o impacto da perda em suas operações gerais. A Exxon Móbil estimou perda similar de produção.

Malone, presidente da BP America, admitiu que a descoberta de corrosão severa nos oleodutos e o pequeno vazamento levaram ao questionamento das condições da maior parte das linhas de transporte de petróleo na região.

"Não vamos resumir as operações no campo até que nós e os fiscais do governo fiquemos satisfeitos que podem ser operados com segurança, sem ameaças ao meio ambiente", disse Malone.

O aumento dos preços poderia ter sido ainda maior se o governo Bush não tivesse indicado imediatamente que estava pronto a liberar parte de sua reserva estratégica de petróleo para compensar a perda de oferta.

"Estou obviamente preocupado", disse o secretário de energia Samuel W.
Bodman aos repórteres enquanto prometia ajudar as refinarias da Costa Oeste a encontrarem fornecedores alternativos.

A Opec rapidamente anunciou que usaria sua capacidade extra para compensar qualquer queda gerada pelo fechamento da baía de Prudhoe, mas a produção adicional esperada da Arábia Saudita seria de qualidade inferior às doces fontes do Alasca. Líderes da indústria disseram que as refinarias da Costa Oeste sentiriam a escassez do cru em questão de semanas, mesmo com a liberação das reservas estratégicas, já que essas tendem a ter maior conteúdo de enxofre do que muitas das refinarias da Califórnia estão prontas para processar. Algumas das refinarias da Costa Oeste, entretanto, são de propriedade de grandes empresas internacionais que têm maior acesso do que outras refinarias a fontes mundiais.

"Praticamente todo esse impacto e perda de oferta ocorrerão na Costa Oeste", disse Bob Slaughter, presidente da Associação Nacional de Refinarias e Petroquímicas. Mas, acrescentou: "Uma das coisas que aprendemos com o Katrina e o Rita é que o petróleo é uma parte dos EUA que rapidamente afeta todo o país e freqüentemente a oferta e demanda mundiais."

O fechamento no Alasca gerou pedidos do Congresso para que o Departamento de Transporte tenha maior poder de impor fortes padrões de manutenção em oleodutos e trouxe mais críticas à indústria em uma época de lucros históricos.

"Com o petróleo acima de US$ 70 por barril, e a BP obtendo lucros recordes, ela pode pagar para limpar e manter de maneira adequada seus oleodutos", disse o deputado Edward J. Markey, democrata de Massachussetts e membro do Comitê de Energia e Comércio da Câmara. "A perda súbita de produção vai aumentar dramaticamente os preços do petróleo e o povo americano pagará a conta por este fracasso combinado da supervisão do departamento e da responsabilidade corporativa da BP." Deborah Weinberg

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