UOL Notícias Internacional
 

08/08/2006

Oferta libanesa de enviar tropas ao sul é rejeitada por Israel

The New York Times
Hassan M. Fattah e Steven Erlanger

Em Beirute, Líbano
O governo do Líbano, incluindo dois ministros do Hizbollah, ofereceu na segunda-feira o envio de 15 mil de seus soldados para o sul se Israel retirar totalmente suas forças.

A proposta foi amplamente vista como uma manobra em grande parte simbólica que responderia à exigência da comunidade internacional de que o Líbano proteja sua fronteira sul, que atualmente é controlada pelo Hizbollah. Israel rejeitou a abertura.

Ghazi Aridi, o ministro da Informação do Líbano, disse que o envio proposto acentua o compromisso do governo com um cessar-fogo negociado. "O exército está pronto e isto não são palavras vazias", disse Aridi, que anunciou a medida na segunda-feira após uma reunião do Gabinete que durou até o fim da noite.

Mas Israel intensificou os ataques aéreos contra alvos por todo o Líbano, insistindo que suas tropas manterão suas posições no sul até o envio de uma força internacional capaz de impedir os ataques com mísseis do Hizbollah contra Israel.

Os esforços diplomáticos empacaram na ONU na segunda-feira, depois que o Líbano e membros da Liga Árabe fizeram objeção à resolução esboçada para um cessar-fogo. Se os esforços diplomáticos para encerrar os combates não conseguirem progredir, Israel ampliará sua ofensiva terrestre no Líbano nos próximos dias, disse o ministro da Defesa de Israel, Amir Peretz, ao Parlamento em Jerusalém, na segunda-feira.

"Eu dei uma ordem para que, se nos próximos dias o processo diplomático não chegar a uma conclusão, as forças israelenses executem as operações necessárias para assumir o controle de todos os locais de lançamento de foguetes Katyusha", disse Peretz a um comitê parlamentar em uma declaração transmitida pelos meios de comunicação israelenses.

Os ministros das relações exteriores de 20 países árabes participaram de uma sessão de emergência da Liga Árabe em Beirute, na segunda-feira, para registrar sua desaprovação à resolução proposta pela França e pelos Estados Unidos. O primeiro-ministro do Líbano, Fouad Siniora, em um discurso emocionado, rejeitou a resolução proposta como insuficiente, insistindo que ela permitiria a permanência de tropas israelenses no sul do Líbano até o envio de uma força internacional e daria liberdade para que Israel prossiga com ataques em autodefesa.

"Isto dificilmente levaria a um cessar-fogo", disse Siniora. "Nós queremos um cessar-fogo pleno e permanente."

Siniora tem feito lobby por um plano de cessar-fogo que exija a cessação imediata das hostilidades, a retirada das forças israelenses do sul do Líbano e o retorno dos civis deslocados, assim como o envio do exército libanês para a fronteira sul, entre outras medidas.

A proposta franco-americana, acertada após uma semana de conversações
intensivas entre Paris e Washington, pede por uma trégua, pelo monitoramento da área da fronteira pela atual força de paz da ONU e estabelece um plano para um cessar-fogo permanente e acordo político. Na segunda fase da solução em duas etapas, o Conselho de Segurança apresentaria uma segunda resolução ampliando a força internacional e tratando das dimensões maiores do conflito.

Falando aos repórteres de seu rancho em Crawford, Texas, o presidente Bush pediu pela rápida adoção da resolução, mas deixou claro que o principal obstáculo -a insistência do Líbano para que o esboço seja alterado para exigir a retirada imediata das tropas israelenses- não é negociável.

"Eu entendo que ambas as partes não concordarão com todos os aspectos da resolução", disse Bush. O presidente também reconheceu que a diplomacia estava demorando mais do que ele gostaria.

"Eu gostaria que as coisas acontecessem mais rapidamente no campo
diplomático", ele disse.

Os chanceleres árabes, em uma declaração de encerramento lida por Siniora após as demais autoridades terem partido rapidamente do país, alertaram o Conselho de Segurança da ONU contra a adoção de resoluções que não atendam aos interesses do Líbano. O grupo enviou uma delegação a Nova York para pressionar a favor da posição libanesa.

Uma reunião do Conselho de Segurança está marcada para a tarde de
terça-feira para ouvir o grupo, que inclui os chanceleres de Qatar, dos
Emirados Árabes Unidos e o secretário-geral da liga, Amr Moussa do Egito.

Jean-Marc de la Sablière, o embaixador francês na ONU, disse que considerará fazer as mudanças no texto da medida para atender as queixas do Líbano, dizendo: "Nós temos que levar em consideração as preocupações de todos".

John R. Bolton, o embaixador americano, disse: "Nós temos que pensar em
formas de levar suas posições em consideração, mas continuar trabalhando por uma votação o mais breve que os outros membros do conselho quiserem".

Beirute ofereceu uma emenda no domingo que exigiria a retirada imediata de Israel, com a ONU assumindo por 72 horas até a transferência do controle aos militares libaneses.

Ao resistir à exigência libanesa de uma rápida retirada, Bush disse que tal retirada poderia criar uma situação "inaceitável" de permitir a retomada da fronteira pelo Hizbollah. "Seja lá o que vier a acontecer na ONU", ele disse, "nós não devemos criar um vácuo no qual o Hizbollah e seus patrocinadores sejam capazes de movimentar mais armas".

Os comentários do presidente, em uma rara coletiva de imprensa plena no
rancho em Crawford, foram seus primeiros sobre a resolução desde que foi esboçada no fim de semana.

Ele estava acompanhado da secretária de Estado, Condoleezza Rice, que disse que há "mais acordo do que vocês pensam" sobre como impedir outro ataque do Hizbollah cruzando a linha azul.

Em resposta à proposta do governo libanês de colocar suas tropas na
fronteira, Dan Gillerman, o embaixador israelense na ONU, disse: "Eu estou muito cético quanto à possibilidade do exército libanês ser capaz de fazê-lo". Ele acrescentou: "Eles tiveram a chance de fazer isto por anos, quando tinham o poder e a autoridade. Esperar que sejam capazes de fazê-lo agora, contra a vontade do Hizbollah, me parece uma terrível ingenuidade".

Bolton disse que os Estados Unidos escutariam as opiniões opostas, mas
apontou que a resolução foi acertada em consultas ao Líbano e que Rice
conversou com Siniora, "eu não sei quantas vezes ao longo dos últimos oito ou nove dias".

"Não é como se tivéssemos esboçado esta resolução em um gabinete em algum lugar e repentinamente despejado o texto sobre algum governo membro", ele disse.

A violência escalou enquanto os esforços diplomáticos prosseguiam: aviões de guerra israelenses atacaram o país enquanto o Hizbollah disparou 111 foguetes contra Israel até as 18 horas.

As bombas israelenses atingiram áreas nos bairros do sul de Beirute e
arredores assim como outras áreas, matando 15 pessoas, disseram autoridades libanesas. No norte de Israel, os foguetes do Hizbollah feriram cinco pessoas, disseram equipes de resgate.

Em Tiro, as bombas destruíram quatro grandes prédios de apartamento, um
deles o atacado por comandos israelenses no sábado. Os prédios estavam
praticamente vazios e, ao anoitecer de segunda-feira, ainda não estava claro se houve alguma vítima. Equipes de resgate disseram que ninguém foi evacuado.

Siniora, em seu discurso de abertura da reunião da Liga Árabe, anunciou às lágrimas que 40 civis tinham morrido em um ataque aéreo israelense contra Hula, uma aldeia na fronteira, no que chamou de "um massacre horrível, um massacre deliberado".

Mais tarde, porém, ele disse que apenas uma pessoa foi encontrada morta e mais de 50 pessoas foram removidas dos escombros da aldeia.

"Na verdade apenas uma pessoa foi morta", ele disse. "Graças a Deus elas foram salvas. Mas aqueles que atiram para matar pessoas inocentes provam que tinham a intenção de matar."

O exército israelense emitiu uma declaração descrevendo Hula como uma
"fortaleza do Hizbollah" e dizendo que os civis foram alertados repetidas vezes. "A responsabilidade por qualquer mal aos civis libaneses é da organização terrorista Hizbollah, que opera entre a população civil", ele disse.

O exército israelense disse que matou 13 homens armados do Hizbollah na
segunda-feira, em combates por todo o sul do Líbano.

A maioria dos foguetes disparados de lá atingiu as cidades do norte de
Kiryat Shmona, Safed e Nahariya, deixando nove pessoas feridas, segundo um porta-voz do exército israelense.

A força aérea atacou mais de 150 alvos no Líbano em 24 horas, incluindo
lançadores de foguete em Tiro e Qana. Israel disse que foram usados em
ataques contra Haifa no domingo.

Após as mortes de 15 israelenses por ataques de foguetes no domingo, o
governo israelense está sobre pressão para tentar deter a chuva de foguetes contra o norte de Israel, e o exército diz que só poderá fazer isto se puder repelir as equipes de lançamento de foguetes do Hizbollah para além do Rio Litani, a cerca de 24 quilômetros ao norte da fronteira.

Um cessar-fogo que perdure tornaria tal avanço desnecessário. Os israelenses dizem que um avanço até o Litani levaria tempo e custaria caro em termos de baixas para ambos os lados. Mas sem um solução diplomática, eles dizem, o avanço militar deve continuar.

A agência de notícias "The Associated Press" informou na segunda-feira que o exército israelense alertou os civis libaneses ao sul do Rio Litani para não saírem de casa após as 22 horas.

Peretz acompanhou o primeiro-ministro Ehud Olmert até uma base do exército próxima da fronteira. Olmert está cético da necessidade de avançar até o Litani, disseram oficiais israelenses, argumentando que o Hizbollah pode disparar mísseis contra Israel mesmo da outra margem dele. Mas o exército disse que mísseis de maior alcance, assim como seus lançadores, que são mais difíceis de substituir, são mais fáceis de ser atingidos pelo ar do que os muitos Katyushas de curto alcance que atualmente atingem o norte de Israel.

A agência de notícias "Reuters" informou que um avião espião não tripulado do Hizbollah foi abatido por uma aeronave israelense enquanto penetrava em território israelense, a cerca de 10 quilômetros além da costa de Israel, a noroeste de Haifa na segunda-feira, segundo o exército israelense. George El Khouri Andolfato

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