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08/08/2006

Tubos de imagem estão se tornando coisa do passado

The New York Times
Eric A. Taub
O televisor volumoso, quadrado e pesado de cinescópio, que foi a tecnologia padrão por mais de 60 anos, está se dirigindo para a lixeira da história muito mais rápido do que se esperava.

Neste ano, reduziu-se drasticamente o número de modelos de televisores nos EUA que usam tubos de raios catódicos, ou cinescópios, para produzir uma imagem. No ano que vem, ainda menos serão produzidos, e menos lojas os venderão.

"Depois das férias, os dias dos televisores tradicionais estarão terminados. Daqui a um ano, não vamos mais vender televisores de cinescópio", disse Geoff Shavey, comprador de televisores para a Costco.

A Costco, cadeia de lojas de desconto, já cortou suas ofertas de televisores de cinescópio para três modelos neste ano, de 10 em 2005.

Em vez disso, a Costco e outras lojas estão vendendo números crescentes de televisões de plasma de tela larga e de cristal líquido, que são mais caras que as tradicionais. No entanto, os preços dos dois tipos continuam caindo: as televisões de 42 polegadas de plasma podem ser compradas por menos de US$ 2.000 (aproximadamente R$ 4.400) e as menores de tela plana em breve estarão perto do preço das tradicionais de cinescópio.

Shavey disse que uma televisão de cristal líquido e tela larga está disponível por US$ 700 (aproximadamente R$ 1.540) em suas lojas, ainda a uma distância do televisor de cinescópio de tamanho similar. Mas, acrescentou, "a demanda pelas televisões de tubos de raios catódicos está longe do que era há um ano".

Uma razão para isso é que a televisão de tela plana é uma forte declaração de design, que leva as mulheres a quererem trocar seus televisores antigos por mais finos, disse Mike Vitelli, vice-presidente da Best Buy.

"Pela primeira vez na história, as mulheres estão preocupadas com o modelo de TV que entra na casa", disse Vitelli. "Os homens não estão apenas pedindo permissão para comprar uma televisão de tela plana, estão recebendo ordens para isso." Em breve, disse ele, a Best Buy vai vender televisores de cinescópio somente sob a marca da casa, Insígnia.

As empresas de eletrônicos também querem sair do ramo de televisores de cinescópio, em parte porque as margens de lucro ficaram tão estreitas. O governo exigiu que todos os modelos de televisores produzidos eventualmente incluíssem um sintonizador digital para receber transmissões digitais abertas. Assim, os fabricantes preferem vender as televisões de tela plana, que podem gerar lucros maiores.

"O fim das televisões de cinescópio está mais acelerado do que muitos de nós esperávamos", disse Randy Waynick, vice-presidente da Sony Electronics. A empresa, que oferecia 10 modelos de tecnologia tradicional há dois anos, vai cortar esse número para dois no ano que vem, ambos de tela larga. "As reduções das vendas das televisões de cinescópio foram muito maiores do que se previa", disse Waynick.

Mesmo que as margens de lucro fossem saudáveis, as televisões tradicionais estariam mal adequadas para um mercado que quer telas cada vez maiores. As televisões de cinescópio podiam ter até 40 polegadas de canto a canto, mas as unidades pareciam elefantinhos, pesando centenas de quilos e distantes dezenas de centímetros da parede.

A Panasonic está deixando totalmente o ramo de televisores de cinescópio. Há um ano, a empresa oferecia 30 modelos desse tipo nos EUA; agora vende um, analógico de 20 polegadas. "Este ano será o último para os televisores de tubo de imagem da Panasonic", disse Andrew Nelkin, vice-presidente da empresa.

A Toshiba cortou seus modelos de cinescópio de 35 para 13 no ano passado -e espera que o número em 2007 seja "significativamente reduzido", disse Scott Ramirez, vice-presidente de marketing. "Depois de 2007, o mercado de televisores de tubo de imagem é muito questionável para qualquer empresa", disse ele.

As televisões de cinescópio representavam 78% do mercado em 2004, mas serão apenas 54% deste ano, de acordo com a Consumer Electronics Association. No mesmo período, as vendas das unidades de tela plana pularam de 12% de todas as televisões vendidas para 37% neste ano, estima-se. As televisões de projeção serão responsáveis por cerca de 9% das vendas em 2006, de acordo com o grupo.

"A tecnologia do tubo de raios catódicos está sumindo do mercado", disse Sean Wargo, diretor de análise da indústria da associação.

A ascensão dos televisores de tela plana assinala um oceano de mudanças dentro da indústria que é a mudança de telas quase quadradas para grandes e retangulares. A vasta maioria dos televisores de tela plana é feita em formato de tela ampla, que permite que os filmes preencham toda ou quase toda a tela. Mais séries de televisão estão sendo produzidas para este formato, e os consumidores estão ficando mais acostumados, dizem os executivos de eletrônicos. "Uma tela larga dá uma imagem muito mais impressionante", disse Shavey.

Novas tecnologias raramente substituem inteiramente suas predecessoras, e televisões de tubos de imagem ainda estarão disponíveis para quem preferir. Mas cada vez mais estarão disponíveis apenas em lojas de desconto, que venderão a marca da casa e de fabricantes menos proeminentes como Funai, proprietária da Symphonic, Sylvania e Emerson.

"Achamos que há negócios para nós em televisores de tubos de raios catódicos", disse Greg Bosler, vice-presidente executivo da TTE Corp, proprietário da RCA. Bosler, que tem na Wal-Mart a principal cliente para seus televisores, observou que uma televisão de cristal líquido de 27 polegadas ainda custa em torno de US$ 800 (aproximadamente R$ 1.760), enquanto a digital de cinescópio da RCA do mesmo tamanho sai por US$ 350 (em torno de R$ 770) e a analógica US$ 240 (cerca de R$ 530).

Mesmo assim, a empresa espera dobrar suas ofertas de televisores de tela plana no ano que vem. Vai reduzir seus modelos de cinescópio de 26 neste ano para 15 em 2007. Deborah Weinberg

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